G.F. Händel (1685-1759): Concertos para órgão, Op. 4 (Ottavio Dantone, Accademia Bizantina)

Um disco de grande beleza sonora com os seis Concertos para órgão e orquestra publicados por Handel em 1738. Há algumas gravações integrais com todos os concertos para órgão de Handel, dos quais talvez o “Cuco e o Rouxinol” (Concerto nº 13, HV 295, que não foi publicado com nº de opus) possivelmente é o mais notável de todos. Mas a falta desse concerto aqui não diminui as interpretações dos músicos da Accademia Bizantina – grupo fundado em Ravenna, Itália, em 1984

No libreto do disco, temos uma aprofundada apresentação dessas obras estreadas na Inglaterra ao longo da década de 1730. Aqui vão alguns trechos:

Sendo um organista, compositor de concertos e amante dos efeitos teatrais, era inevitável que Handel um dia inventasse o concerto para órgão. Mas foi uma longa gênesa: a primeira combinação de órgão com orquestra por Handel ocorreu em 1707, em seu período na Itália. O Oratório Il Trionfo del Tempo e del Disenganno precisava de um interlúdio instrumental para expressar os prazeres das sensações: Handel criou então uma sensual “Sonata” para órgão e orquestra seguida de uma ária com órgão obbligato. Esses movimentos deram a Handel a possibilidade de fazer sucesso no papel duplo de compositor e solista. Por motivos semelhantes, as óperas Agrippina (Veneza, 1709) e Rinaldo (Londres, 1711) tiveram áreas com cravo obbligato. Handel, então, abandonou a ideia por um tempo, provavelmente até cerca de 1733 ou 1735.

Os Concertos para órgão interpretados por Handel entre os atos dos seus Oratórios tornaram-se favoritos das plateias de Londres e a publicidade logo começou a mencionar peças para órgão e orquestra “never heard before” (nunca ouvidas antes).

Handel provavelmente tocava os concertos em um pequeno órgão portátil [pequeno para padrões de órgãos! – Pleyel] de onde ele também acompanhava cantores e regia a orquestra. Esses instrumentos tinham um tom delicado e não tinham pedais. O que o público dos teatros mais gostava era, talvez, a excitação de ouvir o compositor improvisar em tempo real. O historiador do século XVIII Sir John Hawkins afirma que Handel costumava começar cada concerto com um improviso “concatenado com suprema arte, e ao mesmo tempo perfeitamente inteligível, com a aparência de grande simplicidade”. Ao longo do Concerto, Handel continuava fazendo pequenos improvisos nos ornamentos: quem assistisse a duas apresentações em noites seguidas não ouviria a mesma música duas vezes. Isso fica claro na edição impressa como opus 4: a música é cheia de marcações “ad libitum”, indicando que o intérprete devia sentir a liberdade de criar.

G.F. Händel (1685-1759):
Seis Concertos para órgão, op. 4
Accademia Bizantina
Ottavio Dantone – órgão e direção
Recording: Bartholomäuskirche, Halle, 2008

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Caricatura de Handel por Goupy, 1754

Pleyel

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