IM-PER-DÍ-VEL !!!
O Carnaval está aí e nada melhor para celebrar do que a boa música finlandesa. Olha o Sibelius chegando aí, gente!!! Todos sabem que a Finlândia é o país do Carnaval. Muitas loiras, vikings, calor humano, malemolência, vodka, neve e cerveja para acompanhar o salmão fresco defumado, o arenque do Báltico, as ovas de lota, a carne de alce e as frutas de fevereiro da Escandinávia. A terra do Papai Noel fica linda durante o Carnaval. Gansos sobrevoam lagos congelados, ouve-se o grasnar dos grous e escuta-se ecos do choro dos numenius sobre os brancos campos. Sibelius dizia que sua 6ª Sinfonia lhe lembrava “a queda dos primeiros flocos de neve”, mas isso é uma coisa pré-carnavalesca. Paavo Berglund é um grande regente finlandês e, como tal, está extremamente associado ao Carnaval. Morreu faz mais ou menos de 20 dias, em 25 de janeiro (postagem de 2012) e foi um imenso divulgador de Shostakovich em suas passagens por Bournemouth, pela Escócia, pela Orquestra de Câmara da Europa, por Helsinque, etc. Mas seu nome grudou mesmo em Sibelius. Berglund gravou 3 vezes o ciclo completo de sinfonias e poemas sinfônicos do bardo finlandês. Berglund foi um grande carnavalesco, porém não resistiu à depressão contraída após a morte de Joãosinho Trinta. Este álbum duplo é uma joia que você deveria baixar e ouvir neste sábado de Carnaval.
Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias de 5 a 7 / The Oceanides / Finlandia / Tapiola (Berglund, Helsinki)
Disc 1:
1. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: I. Tempo molto moderato – Allegro moderato – Presto 13:40
2. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: II. Andante mosso, quasi allegretto 8:00
3. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: III. Allegro molto – Un pochettino largamente 8:48
4. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: I. Allegro molto moderato 8:14
5. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: II. Allegretto moderato 5:31
6. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: III. Poco vivace 3:55
7. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: IV. Allegro molto 11:11
Disc 2:
1. Symphony No. 7 in C Op. 105: Adagio 7:15
2. Symphony No. 7 in C Op. 105: Un pochettino meno adagio 3:01
3. Symphony No. 7 in C Op. 105: Poco rallentando al adagio 6:48
4. Symphony No. 7 in C Op. 105: Presto – Poco a poco rallentando al adagio 4:24
5. The Oceanides Op. 73 8:38
6. Finlandia Op. 26 7:26
7. Tapiola Op. 112 14:52
Paavo Berglund
Helsinki Philharmonic Orchestra

PQP










IM-PER-DÍ-VEL !!!

IM-PER-DÍ-VEL !!!
Thomas Tomkins (1572–1656) foi um importante compositor inglês da Renascença tardia e do início do Barroco, pertencente à grande tradição polifônica da Inglaterra elisabetana e jacobina. Ele é visto como um dos últimos grandes polifonistas da escola inglesa, encerrando uma era que começou com Tallis e Byrd. Sua música, especialmente a sacra, permaneceu em uso em catedrais inglesas mesmo após a Restauração (1660). Sua produção reflete tanto a solenidade da tradição litúrgica quanto a sensibilidade humanista do final do Renascimento. Trabalhou como organista e mestre de coro na Catedral de Worcester e, mais tarde, tornou-se Gentleman (membro) da Capela Real, servindo sob os reinados de Elizabeth I, Jaime I e Carlos I. Viveu em um período turbulento: testemunhou a Guerra Civil Inglesa (1642–1651), que levou ao fechamento de muitas igrejas e capelas, interrompendo sua carreira musical institucional. Compôs hinos sacros tanto em estilo polifônico tradicional quanto em estilo mais declamatório (verse anthems), adaptando-se às necessidades litúrgicas da Igreja da Inglaterra. Escreveu também madrigais e canções, incluindo contribuições para a antologia The Triumphs of Oriana (1601), uma coletânea em homenagem à rainha Elizabeth I. Além disso, deixou obras para órgão e virginal, muitas vezes de caráter contrapontístico. Mesmo em meio à transição para o estilo Barroco (com homofonia e baixo contínuo), Tomkins manteve uma linguagem polifônica densa e rica, influenciada pela tradição de Byrd e Tallis.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Os “Concertos em Sete Partes” (Concerti Grossi in Seven Parts), de Charles Avison, têm uma relação direta com Domenico Scarlatti. Avison baseou explicitamente esses 12 concerti grossi (publicados em 1744) em temas extraídos das sonatas para cravo de Domenico Scarlatti. Avison admirava profundamente a inventividade melódica e harmônica de Scarlatti. Ele não apenas orquestrou as sonatas, mas realizou um trabalho de transcrição e adaptação, reorganizando e combinando temas de várias sonatas de Scarlatti (que eram peças para teclado solista) no formato do concerto grosso barroco, para orquestra de cordas e continuo, que era popular na Inglaterra da época, seguindo o modelo de Corelli. Essa coleção é considerada um dos exemplos mais extensos e ambiciosos da adaptação da obra de um compositor para um meio diferente no século XVIII. Foi uma forma de popularizar a música de Scarlatti no contexto de concerto inglês. Charles Avison era o mais importante compositor e teórico musical inglês de sua geração, atuando principalmente em Newcastle. Obviamente, nutria grande admiração pela música italiana, especialmente por Corelli, Geminiani e Scarlatti. Ele via em Scarlatti uma fonte de “Fantasia e Fogo” musical. A escolha de Scarlatti como fonte foi ousada, pois suas sonatas eram consideradas modernas, virtuosísticas e continham harmonias audaciosas para a época. Os Concertos em sete partes de Avison são, em essência, uma homenagem e uma reelaboração artística da obra de Domenico Scarlatti.


Um grande disco com um belo concerto e três das melhores Aberturas (ou Suítes) de Telemann. Gosto muito de La Bouffonne e da Grillen, mas adoro mesmo é a Alster, com sua radical irreverência. A versão deste disco é mais comportada do que a da Akademie für alte Musik Berlin, mas ainda assim é muito digna. No vídeo abaixo, temos a Akademie dando um banho de conhecimento sobre como abordar o grande Telemann, compositor muito inferior a Bach, mas infinitamente mais popular do que o mestre em suas épocas. Ouçam por exemplo o vídeo abaixo a partir dos 8min30. A Akademie se esparrama, enquanto que O Collegium Musicum 90 apenas se deita.
Este é outro disco imperdível desta compositora polonesa muito pouco conhecida no Brasil. Uma injustiça. São obras realmente consistentes trazidas pela gravadora Chandos que acertou em cheio ao escalar a também polonesa Joanna Kurkowicz. O sétimo concerto é maravilhoso e mostra uma compositora — Bacewicz era também violinista — absolutamente segura. Os dois dois concertos também são bons, mas tão modernos quanto o sétimo.






O álbum … de árvores e valsas (2014) de André Mehmari é uma obra fundamental em sua discografia, que revela uma faceta mais íntima, contemplativa e profundamente lírica do multi-instrumentista e compositor. Diferente do projeto colaborativo de “Contínua Amizade”, este é um trabalho essencialmente solo, centrado no piano, e funciona como uma declaração poética e pessoal. O título já evoca um universo nostálgico. O álbum é uma coleção de valsas e peças de caráter lírico, onde Mehmari explora a forma da valsa não apenas como dança, mas como um estado de espírito. Mehmari mostra toda a sua maturidade como pianista. O som é delicado e introspectivo. É possível ouvir ecos do Choro e Valsa Brasileira — a alma de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth está presente, mas filtrada pela contemporaneidade –, também há ecos de jazz nas improvisações e da música erudita com o impressionismo de Debussy e Ravel, e até da música minimalista, na construção de atmosferas. A qualidade da gravação e a riqueza de detalhes pedem uma escuta atenta. É possível ser profundamente brasileiro e universal, tradicional e inovador.












Uchida não quis saber de regentes para fazer esta série de Concertos para Piano de Mozart. Não parece, mas são gravações feitas ao vivo, no Cleveland`s Severance Hall. Ela já tem uma integral destes concertos com a English Chamber Orchestra, sob a regência de Jeffrey Tate. 20 anos depois, nesta regravação destas obras-chave de seu repertório, Uchida vem um pouquinho pior… A culpa é mais da orquestra — dirigida por ela — do que da categoria da pianista, sempre excelente. Apesar do espetacular trabalho dos sopros, o tamanho da orquestra é demasiadamente grande para as peças. A abordagem também é excessivamente romântica para Mozart. Tate era mais Mozart na versão anterior de Uchida .


Pra lá de interessante este CD de Dudamel e sua turma da Venezuela. São três peças de longa duração escritas por Tchai sobre temas shakespearianos: Hamlet, A Tempestade e Romeu e Julieta. Um ideia bem óbvia, né? Dudamel parece o Rattle dos primeiros anos, erra pouco e parece levar muito bem sua vida entre um país e outro. Atualmente, é o maestro titular da extraordinária Orquestra Sinfônica de Gotemburgo e diretor musical da Orquestra Filarmônica de Los Angeles, além de ser a grande estrela da Simón Bolívar. Um fenômeno. Afinal, este filho de um trombonista com uma professora de canto é um cara que começou no 



Este é um belo disco de Frans Brüggen em seus tempos de solista. E, puxa vida, o homem toca muito! Não é para menos que sua companhia é formada apenas por Anner Bylsma e Gustav Leonhardt. As sonatas são interpretadas pelo trio e as fantasias são obras para flauta solo. Eles todos estão perfeitos nestas obras do compositor que nosso amigo 
Um disco raro que foi relançado com outra capa pela Harmonia Mundi France. É esta a edição que eu tenho. O título da HM francesa é mais exato: Miniatures for young pianists, pois é disto que se trata. Tem muito exercício e muita fofura. Por exemplo, as 24 peças de Tchai para crianças foram composta exclusivamente com fins pedagógicos. As pecinhas, todas curtas, são intituladas como “A Doença da Boneca”, “Marcha dos Soldados de Chumbo”, etc. e foram dedicadas a seu sobrinho. O objetivo era proporcionar a jovens pianistas peças musicalmente ricas, porém tecnicamente acessíveis, que desenvolvessem tanto a técnica quanto a expressividade. Prokô e Shosta seguiram a onda. Um álbum agradável.






