Mais um de Fasch para vocês. Apesar de ser um CD de apenas 10 anos da Harmonia Mundi, parece ser algo muito obscuro e secreto, não figurando nem na Amazon. Quase inteiramente dedicado aos sopros barrocos, o CD é bastante bom e a abordagem compreensiva da Camerata Köln auxilia em muito a bela música de Fasch. Dizem que vai cair um temporal em Porto Alegre, mas por ora está tudo muito bonito e quente na medida certa: 16 graus.
Por volta de 1728 a 1755 ele organizou uma “mudança musical” de Zerbst com colegas em Dresden e Darmstadt. Acontece que ele era moderninho. Aos 70 anos morreu em 5 de dezembro de 1758 em Zerbst. A sua música foi inovadora, sobretudo por sua preferência pela instrumentação de sopros e pelo material temático. Deixou inúmeras obras: 121 cantatas sacras, 82 suítes de abertura, 67 concertos, 32 sonatas e 19 sinfonias foram preservadas. Johann Friedrich Fasch apreciava particularmente as composições de Antonio Vivaldi e Georg Philipp Telemann. Isto emerge do inventário judicial do “Concert-Stube” (1743).
Festival Fasch!: Johann Friedrich Fasch (1688-1758): Sonatas a Quatro e Trio (Camerata Köln)
# Quartett f. Blockflöte, Oboe, Violine u. B.c. B-dur
Largo
Allegro
Grave
Allegro
# Trio f. 2 Oboen u. B.c. e-moll
Adagio
Allegro
Affettuoso
Giga
# Quartett f. Querflöte, 2 Blockflöten u. B.c. G-dur
Andante
Allegro
Affettuoso
Allegro
# Sonate f. 2 Oboen, Fagott u. B.c. g-moll
Largo
Allegro
Largo
Allegro
# Trio f. Traversflöte, Violine u. B.c. D-dur
Adagio
Allegro
Largo
Allegro
# Quartett f. 2 Oboen, Fagott u. B.c. d-moll
Largo
Allegro
Largo
Allegro
Camerata Köln
Michael Schneider / Blockflöte
Sabine Bauer / Blockflöte
Karl Kaiser / Traversflöte
Hans-Peter Westermann / Oboe
Piet Dhont / Oboe
Michael McCraw / Fagott
Annette Sichelschmidt / Violine
Rainer Zipperling / Violoncello
Harald Hoeren / Cembalo
Fasch é o cara. Neste CD, temos uma série de boas sinfonias, mas o destaque mesmo vai para os três concertos. Parece que sua musicalidade transparece mais nos solos do que nos tutti. Excentricidade ou talentos à parte, trata-se de um belo CD de música barroca que ouço enquanto vejo o Atlético-MG tirar a liderança do meu Inter, que inexplicavelmente ocupava o primeiro posto do Brasileiro.
Johann Friedrich Fasch foi o primeiro filho do diretor da escola Friedrich Georg Fasch. A mãe era Sophia Wegerig. A maioria de seus ancestrais masculinos conhecidos eram pastores ou cantores da Saxônia e da Turíngia. Após a morte de seu pai em 1700, Fasch veio morar com o irmão de sua mãe, o pastor Gottfried Wegerig, em Teuchern. Quando menino, Fasch foi cantor em Weißenfels e depois no Leipzig Thomas Alumnat sob o comando de Thomaskantor Johann Kuhnau. Depois de já ter escrito óperas para a Ópera de Naumburg em 1711 e 1712 (ou tocado na orquestra da Ópera de Brühl), foi para Darmstadt em 1714 a fim de para estudar com Christoph Graupner e Gottfried. De 1715 a 1719 ocupou o cargo de “secretário” e escriturário em Gera e, de 1719 a 1721 foi organista e escrivão municipal em Greiz. Ele então foi para Praga como maestro dos Condes Morzin. Em 1722 tornou-se diretor musical da corte em Zerbst. Seu filho Carl Friedrich Christian Fasch nasceu lá em 18 de novembro de 1736. (segue)
Festival Fasch!: Johann Friedrich Fasch (1688-1758): Concerti & Sinfoniae (Main-Barockorchester Frankfurt)
Denise Djokic… O nome pode ser sérvio, mas a moça é uma talentosa violoncelista de Halifax, Nova Escócia, Canadá. Ela tem sido tem sido elogiada em todo o mundo por suas interpretações powerful e seu maiúsculo comando do instrumento. Quando se ouve o disco, duas coisas saltam a nossos ouvidos. O som estupendo de um violoncelo bem tocado e a bela música de Britten, o maior compositor inglês desde… desde… desde Purcell, claro. Este CD é uma esplêndida mistura de força, exatidão e sensibilidade. Coisa rara. Agora, vejam só: Denise foi nomeada pela revista canadense MacLean como um dos “25 canadenses que estão mudando nosso mundo” e a Elle escolheu-a como uma das “Mulheres Mais Poderosas do Canadá”. Para quem não sabe, as Suítes para Violoncelo de Benjamin Britten são uma série de três composições para violoncelo solo, dedicadas a Mstislav Rostropovich. Britten era amigo de Rostrô, assim como de Shosta. Antes de escrever esta sensacionais suítes, Britten já havia composto para Rostrô uma cadência para o Concerto Nº 1 para Violoncelo e Orquestra de Haydn, em 1964. (Vi Rostrô em Buenos Aires tocando este Concerto de Haydn, ho, ho, ho). Rostropovich estreou o trio de obras que lhe dedicou Britten e gravou comercialmente as Suites N° 1 e 2. Na minha opinião, é um CD… IM-PER-DÍ-VEL !!!
Benjamin Britten (1913-1976): Cello Suites
1. Denise Djokic – 1. Cello Suite No. 1, Op. 72: Canto primo: Sostenuto e largamente (2:37)
2. Denise Djokic – 2. Cello Suite No. 1, Op. 72: I. Fuga: Andante moderato (4:20)
3. Denise Djokic – 3. Cello Suite No. 1, Op. 72: II. Lamento: Lento rubato (3:21)
4. Denise Djokic – 4. Cello Suite No. 1, Op. 72: Canto secondo: Sostenuto (1:33)
5. Denise Djokic – 5. Cello Suite No. 1, Op. 72: III. Serenata: Allegretto: pizzicato (2:24)
6. Denise Djokic – 6. Cello Suite No. 1, Op. 72: IV. Marcia: Alla marcia moderato (3:40)
7. Denise Djokic – 7. Cello Suite No. 1, Op. 72: Canto terzo: Sostenuto – 2:50 (2:50)
8. Denise Djokic – 8. Cello Suite No. 1, Op. 72: V. Bordone: Moderato quasi recitativo (3:45)
9. Denise Djokic – 9. Cello Suite No. 1, Op. 72: VI. Moto perpetuo e Canto quarto: Presto (3:41)
10. Denise Djokic – 10. Cello Suite No. 2, Op. 80: I. Declamato: Largo (4:21)
11. Denise Djokic – 11. Cello Suite No. 2, Op. 80: II. Fuga: Andante (4:28)
12. Denise Djokic – 12. Cello Suite No. 2, Op. 80: III. Scherzo: Allegro molto (2:11)
13. Denise Djokic – 13. Cello Suite No. 2, Op. 80: IV. Andante lento (6:05)
14. Denise Djokic – 14. Cello Suite No. 2, Op. 80: V. Ciaccona: Allegro (8:28)
15. Denise Djokic – 15. Cello Suite No. 3, Op. 87: I. Introduzione: Lento (2:47)
16. Denise Djokic – 16. Cello Suite No. 3, Op. 87: II. Marcia: Allegro (1:53)
17. Denise Djokic – 17. Cello Suite No. 3, Op. 87: III. Canto: Con moto (1:29)
18. Denise Djokic – 18. Cello Suite No. 3, Op. 87: IV. Barcarola: Lento (1:48)
19. Denise Djokic – 19. Cello Suite No. 3, Op. 87: V. Dialogo: Allegretto (2:06)
20. Denise Djokic – 20. Cello Suite No. 3, Op. 87: VI. Fuga: Andante espressivo (3:11)
21. Denise Djokic – 21. Cello Suite No. 3, Op. 87: VII. Recitativo: Fantastico (1:26)
22. Denise Djokic – 22. Cello Suite No. 3, Op. 87: VIII. Moto Perpetuo: Presto (0:57)
23. Denise Djokic – 23. Cello Suite No. 3, Op. 87: IX. Passacaglia: Lento solenne (10:22)
Essa madrugada lembrei-me dos fãs de Amaral Vieira – Suzete, Lisianne, Maria Cristina, Gladis, Henrique, Organista e tutti quanti – e reparei que nunca mais postei nada dele. Pois aí vai: uma excelente seleção de obras nacionais para cordas, interpretadas por um dos melhores conjuntos de câmara do país, a Camerata Fukuda. Destaque para as Nove meditações sobre o Stabat Mater de Amaral Vieira e para o Ponteio de Claudio Santoro. Antidestaque para a versão totalmente descaracterizada do Mourão de Guerra-Peixe/Clóvis Pereira, que distancia-se erroneamente da que é comumente ouvida (transformando o xaxado em não-sei-o-quê) e se baseia numa partitura não original (tenho a citada partitura para comparar).
Fiz o upload tomando o café da manhã.
Convergences – Brazilian Music for Strings
1 Mourão César Guerra-Peixe 3:44
2 Modinha imperial Francisco Mignone 4:46
3 Divertimento: I. Allegretto Edino Krieger 3:50
4 Divertimento: II. Seresta (Homenagem a Villa-Lobos) Edino Krieger 6:41
5 Divertimento: III. Variações e Presto Edino Krieger 4:17
6 Nove meditações sobre o “Stabat Mater”, Op. 249: I. Andante religioso Amaral Vieira 3:52
7 Nove meditações sobre o “Stabat Mater”, Op. 249: II. Andante Amaral Vieira 2:00
8 Nove meditações sobre o “Stabat Mater”, Op. 249: III. Moderato Amaral Vieira 2:31
9 Nove meditações sobre o “Stabat Mater”, Op. 249: IV. Allegro alla breve Amaral Vieira 0:46
10 Nove meditações sobre o “Stabat Mater”, Op. 249: V. Moderato Amaral Vieira 2:35
11 Nove meditações sobre o “Stabat Mater”, Op. 249: VI. Molto lento, doloroso Amaral Vieira 1:35
12 Nove meditações sobre o “Stabat Mater”, Op. 249: VII. Deciso Amaral Vieira 0:41
13 Nove meditações sobre o “Stabat Mater”, Op. 249: VIII. Allegro molto Amaral Vieira 0:32
14 Nove meditações sobre o “Stabat Mater”, Op. 249: IX. Andante Amaral Vieira 4:27
15 Suite antiga, Op. 11: I. Minueto Alberto Nepomuceno 3:26
16 Suite antiga, Op. 11: II. Ária Alberto Nepomuceno 3:38
17 Suite antiga, Op. 11: III. Rigaudon Alberto Nepomuceno 3:56
O Tamba Trio acompanhou todo mundo durante a Bossa Nova e no surgimento da MPB. Os caras eram bons bons mesmo! O trio muito acompanhou Carlos Lyra, Edu Lobo, Nara Leão, Sylvia Telles, Quarteto em Cy, João Bosco e Simone, entre outros. O Tamba começou a tomar forma em 1962 acompanhando a cantora Maysa e depois Leny Andrade atuando ao lado de Luís Carlos Vinhas (piano) e Roberto Menescal (violão). A partir de 1967, com a entrada do baixista Dório Ferreira, Bebeto passaria a atuar apenas como flautista, transformando assim o trio no quarteto Tamba 4. Dois anos depois, com a saída de Luiz Eça, que formaria o seu grupo A Sagrada Família, o pianista Laércio de Freitas entrou em seu lugar. O quarteto duraria até 1970. O Tamba Trio retornou com os três integrantes originais só em 1971, gravando dois discos pela gravadora RCA. Em 1976, começou mais um hiato e, quatro anos depois, o grupo voltou, fazendo apresentações e gravando o LP Tamba Trio 20 Anos de Sucessos, lançado em 1982. A partir de 1989, o baterista Rubens Ohana, que já participara do Tamba Trio, reintegrou-se ao conjunto, substituindo Hélcio Milito. O grupo continuou até 1992, quando faleceu Luiz Eça.
Já Edu Lobo é um gênio. Basta ouvir Borandá. Desde criança, fico impressionado com Edu Lobo, quando ele canta, em tom soturno: “Deve ser que eu rezo baixo”. Segue um texto sobre a obra-prima “Borandá”.
“Borandá” (nome de uma canção de Edu Lobo) é também uma expressão nordestina que significa ‘embora andar’. Edu Lobo lançou, em dezembro de 1964, a música “Borandá”, canção de protesto, incluída no Show Opinião. Na realidade, essa canção tinha sido muito bem aceita nos círculos bossanovistas alguns meses anteriores à encenação da peça de Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Armando Costa. Compositor de sólida formação e sensibilidade musicais, conviveu durante sua infância e adolescência com os gêneros da moda (samba-canção e, posteriormente, a Bossa Nova, na cidade do Rio de Janeiro) e com o frevo, a embolada, o bumba-meu-boi, cantigas infantis do Recife (por ocasião de suas férias escolares passadas com os seus familiares pernambucanos). Simpatizantes das premissas culturais do CPC e da Bossa Nova, aproximou-se de artistas engajados ou não, como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sérgio Ricardo, Carlos Lyra, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Ruy Guerra, Nara Leão, Wanda Sá. Em “Borandá” (letra e música de Edu Lobo), canção com ambientação rural, o autor procurou desmistificar a religiosidade popular dos nordestinos, vista como um entrave ou obstáculo que contribuía para a não-conscientização do homem rústico em face dos reais problemas sociais. Aproximando-se das ideias estético-políticas esboçadas por Glauber Rocha em seu filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, Edu Lobo denuncia a miséria como um sintoma da seca e, paralelamente, procura desmistificar a religiosidade popular que impelia o sertanejo a assumir o papel de um ser errante, que se dirige para os grandes centros urbanos do litoral em busca de melhores condições de vida ou terras férteis em outras regiões do Nordeste. A temática dessa canção lembra problemas levantados por Graciliano Ramos em sua obra “Vida Secas”, e filmada por Nélson Pereira dos Santos em 1963-1964: “Deve ser que eu rezo baixo” e, ironicamente, o autor procura indicar uma resposta: “Pois meu Deus não ouve, não/ É melhor partir lembrando (Que ver tudo piorar)”. E, em seguida, Edu Lobo resume, em poucas linhas, o retrato sobre as condições de vida do retirante: “(…) Borandá, que a terra/ Já secou, borandá/ É borandá, que a chuva/ Não chegou, borandá”. E, sutilmente, denuncia a relação Igreja/ coronelismo e uma possível solução dos problemas sociais: “Já fiz mais de mil promessas/ Rezei tanta oração/ deve ser que eu rezo baixo/ Pois meu Deus não ouve, não/ Borandá, que a terra/ Já secou borandá/ É borandá, que a chuva/ Não chegou, borandá”. E, finalmente, sem nenhuma ilusão, o sertanejo procura outros lugares para fugir da seca: “Vou-me embora, vou chorando/ Vou-me lembrando de meu lugar/ Quanto mais eu vou pra longe/ Mais eu penso sem parar/ Que é melhor partir lembrando/ Que ver tudo piorar/ Borandá, borandá/ Vem borandá”.
Extraído de http://www.scielo.br escrito por Arnaldo Daraya Contier
Mas restante do LP tem joias como Zambi, Chegança,Reza, Canção do Amanhecer e Arrastão — esta numa curiosa gravação não tão incandescente quanto a de Elis.
Tamba Trio – Avanço — 1963
A1 Garôta De Ipanema
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Vinicius De Moraes
A2 Mas, Que Nada !
Written-By – Jorge Ben
A3 Negro
Written-By – Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli*
A4 Mania De Maria
Written-By – Luiz Bonfá, Maria Helena Toledo*
A5 Vento Do Mar
Written-By – Durval Ferreira, Luiz Fernando Freire*
A6 Sonho De Maria
Written-By – Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle
B1 Só Danço Samba
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Vinicius De Moraes
B2 O Samba Da Minha Terra
Written-By – Dorival Caymmi
B3 Môça Flor
Written-By – Durval Ferreira, Paulo Sérgio Valle
B4 Rio
Written-By – Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli*
B5 Tristeza De Nós Dois
Written-By – Bebeto Castilho, Durval Ferreira, Mauricio Einhorn
B6 Esperança
Written-By – Durval Ferreira, Luiz Fernando Freire*, Mauricio*
A Música De Edu Lobo Por Edu Lobo (Com a Participação do Tamba Trio) — 1964
A1 Borandá
Written-By – Edu Lobo
2:33
A2 Resolução
Written-By – Edu Lobo, Lula Freire
2:26
A3 As Mesmas Histórias
Written-By – Edu Lobo
3:55
A4 Aleluia
Written-By – Edu Lobo, Ruy Guerra
3:20
A5 Canção Da Terra
Written-By – Edu Lobo, Ruy Guerra
2:55
A6 Zambi
Written-By – Edu Lobo, Vinicius De Moraes
3:08
B1 Reza
Written-By – Edu Lobo, Ruy Guerra
2:55
B2 Arrastão
Written-By – Edu Lobo, Vinicius De Moraes
2:29
B3 Réquiem Por Um Amor
Written-By – Edu Lobo, Ruy Guerra
1:37
B4 Chegança
Written-By – Edu Lobo, Oduvaldo Vianna Filho*
3:21
B5 Canção Do Amanhecer
Written-By – Edu Lobo, Vinicius De Moraes
1:54
B6 Em Tempo De Adeus
Written-By – Edu Lobo, Ruy Guerra
3:12
Gostei. Uma boa gravação, embora o foco no piano pudesse ser mais nítido dentro de uma acústica de igreja que certamente é estranha para um repertório tão íntimo. Para o bem e para o mal, Delius é um inglês daqueles líricos. Foi profundamente influenciado por Grieg, mas desenvolveu um estilo único, muito próprio. Sua sonatas são bonitas, especialmente a Sonata Nº 1. As obras de câmara de Delius são frequentemente ignoradas em favor de seus poemas orquestrais. Porém, estas quatro sonatas são exemplos notáveis da arte de Delius. São temperamentais, rapsódicas, contendo texturas sensuais e sutis toques de impressionismo. Às vezes melancólicas e às vezes extáticas, ouvi essas sonatas como um “Delius em sua forma mais lírica”, um clima que Tasmin Little e Piers Lane transmitem com sensibilidade. A sua forma de tocar expressiva é da mais alta qualidade, dando uma sensação de “tempo suspenso”. O violino de Little tem um tom muito bonito e Lane toca com total empatia. É difícil imaginar que essas obras possam ser tocadas melhor.
Frederick Delius (1862-1934): Sonatas para Violino e Piano (Little / Lane)
Sonata In B Op. Posth. (1892) (24:41)
1 I. Allegro Con Brio 7:42
2 II. Andante Molto Tranquillo 8:06
3 III. Allegro Con Moto 8:53
Sonata No. 1 (1905-14) (21:57)
4 I. With Easy Movement But Not Quick — II. Slow 12:49
5 III. With Vigour And Animation 9:08
No. 2 (1923) (13:17)
6 Con Moto — Lento — Molto Vivace 13:17
Sonata No. 3 (1930) (16:43)
7 I. Slow 5:53
8 II. Andante Scherzando — Meno Mosso — Tempo Primo 4:09
9 III. Lento — Con Moto 6:41
Piano – Piers Lane
Violin – Tasmin Little
Gravado no St. Silas’s Presbytery, Londres
Dantone começou a gravar muito jovem e era um cravista muito enfeitado. Suas ornamentações pesavam. Conheço umas gravações onde ele deveria fazer o contínuo, mas não havia o que o segurasse. Ele queria viver, sonhar, amar e aparecer mais do que o solista. Argh! Porém… Seja porque Bach não lhe dá espaço, seja porque meu pai impõe o mesmo respeito que impunha a mim, a WF e CPE em casa, o fato é que esta gravação do Cravo Bem Temperado é uma joia que você deve ouvir. Sim, você. Estou falando com quem, caralho? Aqui, Dantone está saudavelmente contido dentro da música de papai, o que é uma maravilha porque é um baita instrumentista. Ou então Tavinho cresceu, ficou um homenzinho, passou a cumprir funções táticas e deixou de ser aquele peladeiro ao estilo de Guiñazu, que está em todos os lugares do campo menos onde deve.
J.S. Bach: The Well Tempered Clavier. Book I (2001) 2CD
Muito a dizer. Passei vários dias ouvindo este CD. Foi difícil guardá-lo de volta na estante. Não sou um grande admirador da música de Webern, mas este Langsamer Satz für Streichquartett (Movimento lento para quarteto de cordas), certamente uma obra pré-dodecafonismo, é extraordinário.
O Quarteto Nº 8 de Shostakovich é uma das obras mais postadas no PQP. Também pudera! Escrito em cinco movimentos altamente contrastantes — um Largo de abertura tristíssimo, um Allegro molto que é uma dança furiosa, um Allegretto sarcástico, depois um Largo brutal que é finalizado por outro Largo que retorna ao primeiro movimento, quod erat demonstrandum — , sem nunca deixar o nível cair, este quarteto é uma obra ascendente na literatura para quartetos de cordas. Todo mundo o tem gravado, é incrível.
Também é incrível que Shosta o tenha escrito em apenas 3 dias, de 12 a 14 de julho de 1960. É dedicado “às vítimas da guerra e do fascismo”, mas também é uma espécie de Réquiem pessoal. Disse o compositor a respeito deste quarteto: “Acho que ninguém vai compor uma obra em minha memória, então escrevo-a eu mesmo… O tema principal deste quarteto são as notas D. Es. C. H. — em notação alemã –, que são minhas iniciais”.
O CD termina com Quarteto Nº 4 do checo Burian. Trata-se de muito boa música, mas este não é um disco de boa música, é um CD de arrasar. Mesmo assim, Burian não compromete. Ele acaba a coisa com dignidade.
Vale muito ouvir.
A. Webern / D. Shostakovich / E. Burian: Quartetos de Cordas
Webern: Langsamer Satz für Streichquartett (1905)
1. Langsamer Satz für Streichquartett
Dmitri Shostakovich: String Quartet No. 8
2. String Quartet No.8, Op.110: Largo
3. String Quartet No.8, Op.110: Allegro molto
4. String Quartet No.8, Op.110: Allegretto
5. String Quartet No.8, Op.110: Largo
6. String Quartet No.8, Op.110: Largo
Emil Frantisek Burian: String Quartet No. 4
7. String Quartet No.4, Op. 95: Volné a rázné
8. String Quartet No.4, Op. 95: Rychle s citem
9. String Quartet No.4, Op. 95: Rytmicky divoké tri
10. String Quartet No.4, Op. 95: Divoce s dramatickou silou
Rosamunde Quartett
Andreas Reiner violin
Simon Fordham violin
Helmut Nicolai viola
Anja Lechner cello
Missa Papae Marcelli ou Missa do Papa Marcelo é uma missa composta por Giovanni Pierluigi da Palestrina em homenagem ao Papa Marcelo II. É a missa mais conhecida e mais executada do compositor. Costuma ser ensinada em cursos de música. Foi tradicionalmente cantada em todas as missas de coroações papais até a coroação de Paulo VI, em 1963. A Missa Papae Marcelli consiste, como grande parte das missas renascentistas, de Kyrie eleison, Gloria in Excelsis Deo, Credo, Sanctus/Benedictus e Agnus Dei, embora preveja a inserção de passagens em cantochão. A composição da missa é livre, sem se basear em um cantus firmus nem parodiar outra peça. Talvez por causa disso, essa missa não tem a consistência temática típica das peças de Palestrina. É, a princípio, uma missa a seis vozes (há oito no Agnus Dei). Entretanto, o uso do conjunto completo fica reservado a porções específicas, sujeitas ao clima requerido pelo texto. Além disso, as combinações de vozes variam ao longo da peça. A textura é basicamente polifônica, em estilo declamatório, com pouca superposição de textos e uma clara preferência por acordes em bloco, de modo que o texto possa ser ouvido nitidamente, ao contrário do que acontece em diversas missas polifônicas do século XVI.
Giovanni Pierluigi Palestrina (1525?-1594): Missa Papae Marcelli / 8 Motets (Regensburger Domspatzen)
Missa Papae Marcelli
1 Kyrie 3:59
2 Gloria 5:48
3 Credo 8:59
4 Sanctus 3:43
5 Benedictus 2:55
6 Agnus Dei 2:32
8 Motets
7 Rorate Coeli (For 5 Voices) 3:36
8 Hodie Christus Natus Est (For 2 Four-Part Choirs) 2:28
9 Pueri Hebraeorum (For 4 Similar Voices) 2:01
10 Terra Tremuit (For 5 Voices) 2:21
11 Ascendit Deus (For 5 Voices) 2:09
12 Dum Complerentur / Dum Ergo Essent (For 6 Voices) 3:07
13 Dum Ergo Essent (For 6 Voices) 2:31
14 Ego Sum Panis Vivus (For 4 Voices) 3:06
15 Tu Es Petrus (For 6 Voices) 7:12
16 Laudate Dominum Omnes Gentes (For 2 Four-Part Choirs) 3:00
O tcheco Mysliveček estudou Filosofia em Praga, seguindo o caminho de seu pai. Amante de música, publicou um conjunto de seis sinfonias, em 1762, que obteve grande sucesso. Devido à repercussão, decidiu deixar os estudos de filosofia e concentrar-se na música. Com uma subvenção do Conde Vincent von Waldstein mudou-se para Veneza, para estudar com Giovanni Pescetti. Era conhecido como Il divino Boemo. Em 1770, encontrou-se com o jovem Wolfgang Amadeus Mozart, em Bolonha, onde Mysliveček era membro da Accademia Filarmônica. São evidentes as similitudes entre a música dos dois compositores. Faleceu em Roma em 1781, de sífilis. Aqui temos um bom disco. Mysliveček não magica (do verbo magicar) como Mozart, mas é muito digno.
Josef Mysliveček (1737-1781): Concertos para Violino e Orquestra (Ishikawa, Pešek)
Concerto In F Major For Violin And Orchestra
1 Allegro
2 Andante Cantabile
3 Allegro Vivace
Concerto In D Major For Violin And Orchestra
4 Allegro Assai
5 Larghetto
6 Allegro
José Eduardo D’Elboux é um pequepiano. Volta e meia ele comenta algum post, está sempre por aí. Há poucos anos, ele me mandou este CD que eu ouvi e deixei de lado por estar passando uma fase meio anti-rock progressivo. Mas hoje o peguei gostei muito do que ouvi. Os clientes da LivrariaBamboletras (2 links) também. As pergutavam o que era aquilo e o José Eduardo ficaria feliz porque um deles perguntou se era o ELP. Achei ótimo e muito divertido. Ele é dividido em duas partes: a primeira composta por D’Elboux sozinho ou com parceiros e a segunda com arranjos de eruditos de outrem ou par D’Elboux.
Como disse, às vezes, D’Elboux soa muito como o grupo que mais admira, o Emerson, Lake & Palmer, mas sua voz natural me parece mais tranquila do que com a fúria habitual dos ingleses. Gostei muito dos arranjos de eruditos. Seu Coriolano e o início da Sinfonia Nº 4, Romântica, de Bruckner, ficaram excelentes, assim como a Toccata e Fuga em Ré Menor, BWV 565, de Bach.
D’Elboux fez sua vida como engenheiro. Foi uma opção consciente. “Especialmente no Brasil, onde o tipo de música que gosto é pouco divulgada, preferi ter uma carreira como profissional de engenharia (o que também gosto) e levar o lado musical como hobby – mas fazendo exatamente o que eu queria em Música, sem concessões, uma vez que não iria depender financeiramente disso. (…) Foi minha “cabeça-dura”, de insistir no que acredito, que fez, desde meu início em 1982 com as primeiras tentativas de bandas, até formar o Tau Ceti em 1988 (cuja semente já estava em minha banda anterior, o Antares, de 1985), e lançar o primeiro álbum em 1995… Depois de um longo tempo parado, retomando a Música ainda insisti e lancei mais um álbum em 2019, mais de 20 anos depois do primeiro. E, neste, já sem outros músicos que topassem a empreitada, fiz um álbum solo onde me responsabilizei por tudo, desde composições e tocar os teclados, como programar os demais instrumentos, arranjos, produção, etc.”.
Para quem chegou da Lua ontem, o rock progressivo (também abreviado por prog rock ou prog) é um gênero que se desenvolveu na Inglaterra e nos EUA em meados da década de 1960, atingindo o pico no início da década de 1970. O estilo foi uma consequência das bandas psicodélicas que abandonaram as tradições padrão em favor de instrumentação e técnicas de composição mais frequentemente associadas ao jazz ou à música clássica. Elementos adicionais contribuíram para o rótulo de “progressivo”: as letras eram mais poéticas, a tecnologia era aproveitada para novos sons, a música se aproximava da condição de “arte” e o estúdio, mais do que o palco, tornou-se o foco da atividade musical, que muitas vezes envolvia criar música para ouvir em vez de dançar.
.: interlúdio :. D’Elboux / Beethoven / Bruckner / Borodin / Bach: Meus Dois Mundos
Parte 1 — Mundo Prog
1. Prelúdio para Sintetizador (D’Elboux) 1:23
2. D’Elboux is on the Table (D’Elboux) 3:17
3. Boto (D’Elboux / Iantorno) 2:21
4. Tempestades Noturnas (D’Elboux / Cesarino) 2:52
5. Reflexões Ectoplasmáticas (D’Elboux) 4:55
6. Prelúdio-Improviso para Piano (D’Elboux) 5:16
Um excelente repertório. Metamorphosen e Noite Transfigurada são duas esplêndidas peças para orquestra de cordas do século XX. São duas obras que fecham o romantismo, ambas em um movimento e com duração muito semelhante.
O título de Metamorphosen era In Memorian, pois Strauss estava lamentando os soldados alemães mortos na Segunda Guerra Mundial e especialmente os bombardeios sobre Munique. Um amigo mais inteligente e politizado MANDOU-O mudar de ideia. Mas a música é maravilhosa, algo raríssimo em Strauss. Inédito até! O próprio Strauss nunca comentou o significado de Metamorphosen. O título não parece referir-se ao tratamento musical dos temas, “já que dentro da própria peça os temas nunca sofrem metamorfose… mas sim um contínuo desenvolvimento”. É amplamente aceito que Strauss escreveu a obra como uma declaração de luto pela destruição da Alemanha durante a guerra, em particular como uma elegia ao bombardeio devastador de Munique, repito.
Noite Transfigurada é uma obra programática. Foi escrita em 1899, originalmente para sexteto de cordas, ou seja, era um conjunto de câmara para um poema sinfônico e esta é a primeira singularidade da obra. Está escrito sobre um poema de Richard Dehmel, um artista socialista do círculo de Gustav Mahler e fervoroso admirador de Nietzsche. A obra tem cinco pequenas partes nas quais se alternam diferentes descrições da natureza, funcionando como metáfora dos estados dos protagonistas. Além disso, aparecem dois monólogos: o primeiro é uma confissão da mulher ao homem com quem caminha: os dois estão apaixonados, mas ela está grávida de um amor anterior e isso a enche de culpa. O segundo monólogo, a resposta do homem, o que desvirtua o assunto, porque, a seu ver, o fato de serem amantes os torna um só, então o filho pertence a ambos. A transfiguração da natureza e do céu como sinal do seu amor e do seu fluxo natural é o pano de fundo que entrelaça todo o poema. Bonito, né?
Richard Strauss: Metamorphosen / Schoenberg: Verklärte Nacht (William Boughton, English String Orchestra)
1 Richard Strauss – Metamorphosen 26:00
2 Arnold Schoenberg – Verklärte Nacht Op. 4 26:49
Conductor – William Boughton
Orchestra – English String Orchestra
Violin – Michael Bochmann
Minha opinião sobre Richard Strauss é a que segue: ele pegou tudo o que é ruim de Mahler, Wagner e Wolf, e fundiu em algo diferente e pior. Sua música tem um ar constipado. Mas esse disco é sempre elogiado. Maazel e R. Strauss têm tudo a ver. Esse disco é genial! Bah, só que eu não o suporto! Os primeiros minutos de “Assim falou…” são ótimos. E só. Depois, há uns solinhos difíceis de violino que são quase mais ou menos, mas o resto é de rigorosa chatice. O cara é prolixo, pura conversa fiada sem direção. Strauss só acertou em suas Metamorphosen e nas últimas canções, o resto é pra matar o vivente de tédio. Este CD é a cura da insônia. Se o clonazepam não funciona mais, experimente Richard Strauss. E olha que eu amo o romantismo tardio.
Richard Strauss (1864-1949): “Assim falou Zaratustra” & Sinfonia Doméstica (Maazel / Filarmônica de Viena)
Also Sprach Zarathustra Op. 30 – Tondichtung Für Großes Orchester (Frei Nach Friedrich Nietsche) (33:54)
A.1 Sehr Breit —
A.2 Von Den Hinterweltlern. Weniger Breit —
A.3 Von Der Großen Sehnsucht. Bewegter —
A.4 Von Den Freunden Und Leidenschaften. Bewegt —
A.5 Das Grablied. Etwas Ruhiger, Ausdrucksvoll —
A.6 Von Der Wissenschaft. Sehr Langsam —
A.7 Der Genesende. Energisch —
A.8 Das Tanzlied —
A.9 Nachtwandlerlied
Sinfonia Domestica Op. 53 = Symphonia Domestica = Symphonie Domestique
A1 Thema I. Bewegt · Thema II. Sehr Lebhaft · Thema III. Ruhig 5:13
A2 Scherzo. Munter 6:33
A3 Wiegenlied. Mäßig Langsam 6:06
A4 Adagio. Langsam 12:17
B1 Finale. Sehr Lebhaft 14:28
Conductor – Lorin Maazel
Orchestra – Wiener Philharmoniker
PQP Bach não roubaria ou mataria por Tchaikovsky — mas o faria por outros, evidentemente. A Sinfonia Little Russian — local mais conhecido pelo nome de UCRÂNIA — é uma gravação de 1968, lá no início da carreira musical de Abbado, embora ele já tivesse 35 anos. Ele faz uma bela leitura da Sinfonia. A Quarta data de 1976 e a gravação, como a primeira, também é cheia de energia e vibração. O primeiro movimento é rápido e quase não carrega nenhum peso trágico – é mais parecido com Liszt em sua exuberância histriônica. Ao ouvir esta Quarta, fica claro que Abbado não é pessimista nem excessivamente preocupado com tragédias… Abbado e as duas orquestras brilham durante todo o programa. Não sou um grande ouvinte de Tchai, mas penso que o regente Abbado mostra uma excelente compreensão de como a música de Tchaikovsky deve ser tocada, especialmente nestas duas sinfonias com alguns temas folclóricos russas. Ao menos, a barulhada é espetacular!
P. I. Tchaikovsky (1840-1893): Sinfonias Nº 4 e 2 (Pequena Rússia) (Abbado / New Philharmonia Orchestra, Wiener Philharmoniker)
Symphonie Nr. 4 F-moll Op.36 – Symphony No. 4 In F Minor, Op. 36 – Symphonie No 4 En Fa Mineur, Op. 36
1 Andante Sostenuto – Moderato Con Anima – Moderato Assai, Quasi Andante – Allegro Vivo 18:12
2 Andantino In Modo Di Canzone 9:03
3 Scherzo. Pizzicato Ostinato – Allegro 5:40
4 Finale. Allegro Con Fuoco 8:33
Symphonie Nr. 2 C-Moll Op. 17 “Kelinrussiche” – Symphony No. 2 In C Minor, Op. 17 “Little Russian” – Symphonie No 2 En Ut Mineur “Petite-Russie”
5 Andante Sostenuto – Allegro Vivo 10:35
6 Andantino Marziale, Quasi Moderato 7:08
7 Scherzo: Allegro Molto Vivace – Trio. L’Istesso Tempo 5:13
8 Moderato Assai – Allegro Vivo – Presto 10:32
Conductor – Claudio Abbado
Orchestra – New Philharmonia Orchestra (tracks: 5 to 8), Wiener Philharmoniker (tracks: 1 to 4)
Diabelli teve sorte e foi imortalizado mesmo sem nunca ter escrito grande coisa. As 33 Variações sobre uma Valsa de Anton Diabelli, Op. 120, comumente conhecidas como Variações Diabelli, é um conjunto de variações para piano escritas entre 1819 e 1823 por Beethoven sobre uma valsa composta por — adivinhem? — Anton Diabelli. É frequentemente considerado um dos maiores conjuntos de variações para teclado junto com as Variações Goldberg de Bach. Recentemente, Vassily postou uma gravação da mesma obra que parece ser imbatível — é esta aqui. Pollini mantém sua categoria habitual e sua versão não é nada secundária, mesmo que perca para Uchida. Aqui, cada detalhe tem a marca de Pollini: a afirmação assertiva, quase brusca, do tema, o tremendo ataque a tudo o que exige brilho técnico, a altivez aristocrática com que trata as variações mais introspectivas, a ótima intepretação nos momentos de humor, como a citação da ária de Leporello de Don Giovanni de Mozart na variação 22. Todos são claramente o produto do comando soberano do teclado. Mas ficaremos com Uchida desta vez.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): 33 Variações sobre uma Valsa de Diabelli, Op. 120 (Maurizio Pollini)
1 Tema. Vivace 0:50
2 Var. 1. Alla Marcia Maestoso 1:40
3 Var. 2. Poco Allegro 0:51
4 Var. 3. L’Istesso Tempo 1:12
5 Var. 4. Un Poco Più Vivace 0:59
6 Var. 5. Allegro Vivace 0:50
7 Var. 6. Allegro Ma Non Troppo E Serioso 1:32
8 Var. 7. Un Poco Più Allegro 1:15
9 Var. 8. Poco Vivace 1:24
10 Var. 9. Allegro Pesante E Risoluto 1:59
11 Var. 10. Presto 0:36
12 Var. 11. Allegretto 1:03
13 Var. 12. Un Poco Più Moto 0:50
14 Var. 13. Vivace 0:55
15 Var. 14. Grave E Maestoso 3:26
16 Var. 15. Presto Scherzando 0:36
17 Var. 16. Allegro 0:57
18 Var. 17 0:58
19 Var. 18. Poco Moderato 1:24
20 Var. 19. Presto 0:50
21 Var. 20. Andante 2:06
22 Var. 21. Allegro Con Brio – Meno Allegro 1:09
23 Var. 22. Allegro Molto (Alla “Notte E Giorno Faticar” Di Mozart) 0:50
24 Var. 23. Allegro Assai 0:55
25 Var. 24. Fughetta. Andante 2:48
26 Var. 25. Allegro 0:47
27 Var. 26 0:58
28 Var. 27. Vivace 0:54
29 Var. 28. Allegro 0:59
30 Var. 29. Adagio Ma Non Troppo 1:08
31 Var. 30. Andante, Sempre Cantabile 1:46
32 Var. 31. Largo, Molto Espressivo 4:49
33 Var. 32. Fuga. Allegro 2:54
34 Var. 33. Tempo Di Menuetto, Moderato (Ma Non Tirarsi Dietro) 3:58
Sempre fui seduzido pela sonoridade das obras para trompete e órgão. No passado, era mais comum aparecerem discos desta clássica formação. Hoje, o órgão e suas formações parecem ter saído de moda, não obstante muitos autores barrocos terem escrito obras para esta dupla do barulho. Excetuando-se Purcell, este CD traz obras obscuras de compositores antigos e de um moderno mandando bala e fazendo barulho com os dois potentes instrumentos. O disco tem momentos interessantíssimos e não faço a mínima ideia de como foi parar no meu HD. Há obras muito bonitas de Handel, Corelli e Telemann para esta formação hoje bem rara, mas só as tenho em vinil. Além da de Purcell, a obra de Hummel é ESPLÊNDIDA.
Purcell, Kauffmann, Tag, Krebs, B. Hummel: Música para Trompete e Órgão
Henry Purcell (1659-1695)
Sonata in D-Dur
1. 1. Pomposo
2. 2. Andante maestoso
3. 3. Allegro ma non troppo
Georg Friedrich Kauffmann (1679-1795)
4. Gelobet seist du, Jesu Christ
5. Wie schön leuchter der Morgenstern
6. Ach Gott, vom Hummel sieh darein
Christian Gotthilf Tag (1713-1780)
7. Befiehl du deine Wege
Johann Ludwig Krebs (1713-1780)
8. Wachet auf, ruft uns die Stimme
Bertold Hummel (1925-2002)
Invocationes in C op.68
9. 1. De profundis
10. 2. In te domine speravi
11. 3. Non confundar in aeternum
Um bonito disco de música italiana romântica feita por italianos. O período em que os compositores viveram não é o romântico, mas vá ouvir os caras. Fabio Biondi, além de dar belas entrevistas, é um monstro no violino. Não, não estou falando de virtuosismo, falo que ele é bom mesmo. Pela capa, parece que o destaque do CD é Malipiero, mas ele não chega a se destacar. Aliás, Malipiero morreu em 1973. Na Itália fascista, ele manteve boas relações com Benito Mussolini até em 1932 ter escolhido para uma das suas óperas o libreto de Pirandello,La favola del figlio cambiato. Malipiero dedicou a Mussolini a sua ópera seguinte, Giulio Cesare (1934-35), mas isto não o ajudou. Malipiero foi também um fino polemista e crítico musical. Não obstante o seu isolamento artístico, Malipiero manteve contatos com os melhores compositores do século XX, como Igor Stravinsky, Ernest Bloch, Luigi Dallapiccola e Luciano Berio.
Pizzetti / Malipiero / Respighi / Casella: Obras para Violino e Piano (Biondi / Di Ilio)
Tre Canti (Three Songs)
Composed By – Ildebrando Pizzetti
1 Affettuoso (piuttosto Mosso, E Arioso) 4:44
2 Quasi Grave e Commosso 4:06
3 Appassionato 3:58
Opera Omnia Per Violino E Pianoforte (Complete Works For Violin And Piano)
Composed By – Gian Francesco Malipiero
4 Il Canto Nell’ Infinito (The Song In The Infinite) 3:01
5 Canto Crepusculare (Twilight Song) 4:46
6 Il Canto Della Lontananza (The Song Of Separation) 3:19
7 Canto Notturno (Night Song) 4:22
8 Romanza
Composed By – Ottorino Respighi
3:59
9 Aubade
Composed By – Ottorino Respighi
3:00
10 Madrigake
Composed By – Ottorino Respighi
3:32
11 Berceuse
Composed By – Ottorino Respighi
2:55
12 Humoresque
Composed By – Ottorino Respighi
6:24
13 Melodia
Composed By – Ottorino Respighi
3:10
14 Minuetto Dalla Scarlattiana (Menuet From The Scarlattiana)
Composed By – Alfredo Casella
6:05
Não pensem que erramos, é que a Orpheus trabalha sem maestro. Este antigo CD é maravilhoso. Embora a orquestra toque com instrumentos modernos, mas esta longe de ser o oposto da “prática de época” — na minha opinião, esse movimento também informa algumas das maneiras de abordar as obras. Então, não deixa de ser historicamente informado. Ouçam e concluam. A Orpheus dá-nos versões enérgicas, ágeis e maravilhosas de três obras encantadoras. A melhor Sinfonia pode ser a 80, OK, mas sou apaixonado pela 22. O nome (“O Filósofo”) não está no manuscrito original e é improvável que tenha vindo do próprio Haydn. Ele aparece em uma cópia manuscrita da sinfonia encontrada em Modena, datada de 1790. Portanto, o apelido data da época do compositor, mas não da composição (1764). Pensa-se que o título deriva da melodia e do contraponto do primeiro movimento (entre as trompas e o corne inglês), que musicalmente aludem a uma pergunta seguida de uma resposta e paralelamente ao sistema de debate disputatio. O uso de um efeito tique-taque abafado na peça também evoca a imagem de um filósofo imerso em pensamentos enquanto o tempo passa. Só que o apelido torna-se menos apropriado à medida que a sinfonia avança e a seriedade dá lugar ao bom humor…
F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias No. 22 (Der Philosoph) • No. 63 (La Roxelane) • No. 80 (Orpheus Chamber Orchestra)
Este post é originalmente de 2007. Vocês vão notar pelo texto abaixo, que Charlie Haden ainda não tinha falecido.
Agora é P.Q.P. Bach quem ataca de jazz para divulgar outro CD que o guitarrista Pat Metheny (1954) fez em dupla, desta vez com o grande baixista Charlie Haden (1937). Todas as informações grifadas a seguir forma retiradas da Wikipedia.
É um CD muito jazzístico e delicado, em que todas as músicas são tocadas apenas pelos dois solistas em rigoroso duo, com apenas a intervenção de uma discreta bateria (Metheny arrisca-se no instrumento…) em uma das faixas e de alguns efeitinhos de teclado. Haden explora ao extremo seu estilo mais cantabile do que o de um mero marcador de tempo, extraindo de seu contrabaixo um som mais limpo do que cheio. Já Pat Metheny é conhecidíssimo e não vamos perder tempo descrevendo o que vocês já sabem.
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Charles Edward Haden é um contrabaixista de jazz nascido a 6 de Agosto de 1937 em Shenandoah no Iowa nos EUA.
Haden é mais conhecido pela sua associação de longa data com o saxofonista Ornette Coleman, mas também pelas suas caraterísticas linhas de baixo melódicas e é hoje um dos mais respeitados contrabaixistas e compositores de jazz da actualidade.
Biografia
Haden nasceu numa família de músicos que actuava frequentemente na rádio, tocando música country e canções folk americanas. Haden estreou-se profissionalmente como cantor quando tinha apenas dois anos de idade e continuou a cantar com a sua família até aos quinze anos, quando contraiu uma forma ligeira de poliomielite que lhe danificou permanentemente as cordas vocais. Alguns anos antes, Haden começara a interessar-se por jazz e a tocar no contrabaixo do seu irmão.
Algum tempo depois, mudou-se para Los Angeles em 1957 e começou a tocar profissionalmente, nomeadamente com o pianista Hampton Hawes e com o saxofonista Art Pepper.
Charlie Haden tornou-se famoso tocando com Ornette Coleman no final dos anos 50, culminando no disco The Shape of Jazz to Come (1959). Este álbum foi muito controverso, na época, e o próprio Haden confessou que, a princípio, o estilo de Coleman o deixava completamente confundido e que se limitava a repetir as linhas melódicas de Coleman no contrabaixo. Foi só mais tarde que ganhou a confiança para criar as suas próprias linhas.Além da sua associação com Coleman, Haden fazia parte do trio e depois do “”American quartet” de Keith Jarrett, com Paul Motian e Dewey Redman, de 1967 a 1976.
Nos anos 70, fundou, com Carla Bley, a Liberation Music Orchestra (LMO). A sua música era fortemente experimental, associando o free jazz e a música de intervenção política. O seu primeiro álbum debruçava-se sobre a Guerra Civil Espanhola. A LMO tinha uma formação flutuante, abrangendo os principais instrumentistas de jazz. Através dos arranjos de Carla Bley, usavam uma vasta paleta de instrumentos de metal, como tuba, trompa e trombone, além da secção mais tradicional de trompete e instrumentos de palheta. O álbum da Liberation Music Orchestra de 1982, The Ballad of the Fallen refería-se, de novo à Guerra Civil Espanhola bem como à instabilidade política e envolvimento dos EUA na América Latina.
Em 1990 a orquestra regressou com o disco Dream Keeper, um registo mais heterogéneo, utilizando o gospel e música sul-africana para referir-se à América Latina e ao Apartheid.
Em 1971 durante uma excursão em Portugal, Haden dedicou a sua “Song for Che” aos revolucionários anti-colonialistas das colónias portuguesas de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. No dia seguinte, foi preso no aeroporto de Lisboa e interrogado pela DGS, a polícia política portuguesa. Foi prontamente libertado graças à intervenção da embaixada americana em Lisboa, mas foi depois interrogado acerca da dedicatória pelo FBI, já nos EUA.
Esta exploração temática de géneros de música habitualmente não associados ao jazz tornou-se uma característica marcante de Haden com o seu Quartet West. Fundado em 1987, o quarteto era composto por Haden, Ernie Watts no saxofone, Alan Broadbent ao piano e Larance Marable na bateria. O grupo apresentava arranjos de Broadbent, românticos e elaborados e recebeu muitos prémios.
Haden também tinha trabalhava em duetos com vários pianistas, como Hank Jones, Kenny Barron e Denny Zeitlin. Explorou a música folk americana em American Hymns, a música dos film noir em Always Say Goodbye e a música popular cubana em Nocturne.
Em 1989 foi artista convidado do Festival de Jazz de Montreal e tocou todas as noites do festival com diferentes conjuntos e bandas. A maior parte destes concertos foram editados na série The Montreal Tapes.
Em 1990 grava, com o mestre da guitarra portuguesa, Carlos Paredes, o álbum Dialogues.
No final de 1997, colabora num dueto com o guitarrista Pat Metheny, explorando a música da sua infância, no álbum Beyond the Missouri Sky (Short Stories) e realizando uma digressão mundial com Metheny.
Em 2005, Haden voltou a reunir a Liberation Music Orchestra, grandemente renovada, para lançar Not In Our Name, abordando a situação política dos EUA e a guerra do Iraque.
Em 2007, no seu 70º aniversário, lança o documentário: “Charlie Haden”.
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E sobre Pat Metheny…
Biografia
Iniciando com o trompete já aos 8 anos de idade, Metheny trocou para a guitarra ao 12 anos. Aos 15 anos, já estava trabalhando com os melhores músicos de jazz do Kansas, adquirindo experiência em bandas já muito jovem. Seu primeiro sucesso na cena internacional do jazz foi em 1974. Com o lançamento de seu primeiro álbum, Bright Size Life (1975), segundo a crítica, ele reinventara “o som tradicional da guitarra jazz” para uma nova geração de guitarristas.
Durante sua carreira, continuou a redefinir o genero utilizando novas tecnologias e trabalhando constantemente para refinar sua capacidade sonora e de improvisação no seu instrumento.Planejando sua carreira com sabedoria, trabalhou primeiro com uma gravadora de grande prestígio na música moderna (ECM), depois em uma gravadora de inclinações pop (Geffen) e finalmente com a multi-nacional (Warner Bros). Flertou com o jazz-rock, com grande sucesso, e chegou mesmo a ter videoclipes exibidos na rede MTV. Segundo os críticos Richard Cook e Brian Morton, “Metheny tornou-se uma figura-chave na música instrumental dos últimos 20 anos”.
Durante os anos, atuou com músicos tão diversos como Steve Reich, Ornette Coleman, Herbie Hancock, Jim Hall, Milton Nascimento e David Bowie. Formou uma parceria de composição com o tecladista Lyle Mays por mais de vinte anos – uma parceria que foi comparada às de Lennon/McCartney e de Ellington/Strayhorn por críticos e por ouvintes igualmente. O trabalho de Metheny inclui composições para guitarra solo, instrumentos elétricos e acústicos, grandes orquestras, e peças para ballet, com passagens que variam do jazz moderno ao rock e ao clássico.
Metheny atuou também na área academica como professor de música. Aos 18, foi o professor mais novo de sempre na universidade de Miami. Aos 19, transformou-se no professor mais novo de sempre na faculdade de Berkeley de música, onde recebeu também o título de doutor honorário vinte anos mais tarde (1996). Ensinou também em workshops de música em várias partes do mundo, desde o Dutch Royal Conservatory ao Thelonius Monk Institute of Jazz. Foi também um dos pioneiros da música eletrônica, e foi um dos primeiros músicos do jazz que tratou o sintetizador seriamente. Anos antes da invenção da tecnologia de MIDI, Metheny usava o Synclavier como uma ferramenta de composição . Também tem participação no desenvolvimento de diversos novos tipos de guitarras tais como a guitarra acústica soprano, a guitarra de 42-cordas Pikasso, a guitarra de jazz Ibanez Pm-100, e uma variedade de outros instrumentos feitos sob encomenda.
Metheny é um músico que estuda e escreve muito, está aberto a inúmeras influências, e principalmente toca e grava muito. Nesse processo, atira em várias direções, e é inegável que acaba produzindo alguns trabalhos de caráter mais comercial, ainda que agradáveis e perfeitamente bem executadas.
Ele ganhou ganhou vários concursos como o “melhor guitarrista de jazz” e prêmios, incluindo discos de ouro para os álbuns Still Life (Talking), Letter from Home e Secret Story. Ganhou também quinze prêmios Grammy Awards sobre uma variedade de categorias diferentes incluindo “Best Rock Instrumental”, “Best Contemporary Jazz Recording”, “Best Jazz Instrumental Solo”, “Best Instrumental Composition”.
O Pat Metheny Group ganhou sete Grammies consecutivos em sete álbums consecutivos. Metheny dedica-se a maior parte de seu tempo a turnes e viagens, e calcula uma média entre 120 à 240 viagens por ano desde 1974. Continua a ser uma das estrelas mais brilhantes da comunidade do jazz, dedicando tempo aos seus próprios projetos, a novos músicos e aos veteranos, ajudando-lhes a alcançar suas audiências tão como realizar suas próprias visões artísticas.
Beyond The Missouri Sky (Short Stories)
1. Waltz For Ruth
2. Our Spanish Love Song
3. Message To A Friend
4. Two For The Road
5. First Song
6. The Moon Is A Harsh Mistress
7. The Precious Jewel
8. He’s Gone Away
9. The Moon Song
10. Tears Of Rain
11. Cinema Paradiso (Love Theme)
12. Cinema Paradiso (Main Theme)
13. Spiritual
Vocês sabem aquele disco consistente? Pois é o caso. São bons concertos de Britten e Walton — o de Britten é bem melhor — , boas interpretações, boa gravação. Nada de arrebentar, mas tudo em seu lugar. Há traços de Shostakovich no concerto de Britten e a tão vilipendiada viola é bem tocada pelo excelente Vengerov no Walton. O concerto de Britten é cheio de íntima agitação e emoção crua, mas também é elegante e lírico. Vengerov faz justiça aos muitos matizes deste trabalho, particularmente a seu final dolorido e solene, o qual é soberbamente interpretado.
B. Britten (1913-1976): Violin Concerto / W. Walton (1902-1983): Viola Concerto
1 Violin Concerto Op.15: I Moderato con moto – 10:05
2 Violin Concerto Op.15: II Vivace – 8:24
3 Violin Concerto Op.15: III Passacaglia – Andante lento (un poco meno mosso) 15:22
4 Viola Concerto: I. Andante comodo 9:47
5 Viola Concerto: II. Vivo, con molto preciso 4:24
6 Viola Concerto: III. Allegro moderato 16:23
Maxim Vengerov
London Symphony Orchestra
Mstislav Rostropovich
Na tradição de Purcell, Ode for St Cecilia’s Day — escrita assim sem data — na maioria das vezes sugere a grande Hail bright Cecilia de 1692. Mas não importa, a primeira ode para Cecília de Purcell, Welcome to all the pleasures, de nove anos antes, é uma joia por si só e contém música esplêndida, incluindo o fascinante ária Here the deities approve. O catálogo conta com duas versões impressionantes de Andrew Parrott e Robert King, mas esta leitura cuidadosa e lúcida resiste bem à concorrência. The Choir and Orchestra of the Golden Age, conjunto de instrumentos de época com sede em Manchester, trazem performances robustas do Te Deum e do Jubilate. David Staff é um solista efervescente e de bom gosto na Trumpet Sonata de Purcell, que atua como um interlúdio satisfatório para os números vocais. Há muito para desfrutar aqui.
Henry Purcell (1659-1695): Ode for St. Cecilia’s Day / Te Deum e outras peças (Choir and Orchestra of the Golden Age, Glenton)
Morning Service in D Major, Z. 232: Te Deum
1 Morning Service in D Major, Z. 232: Te Deum 13:17
The noise of foreign wars
2 The noise of foreign wars 06:50
Raise, raise the voice, Z. 334
3 Raise, raise the voice, Z. 334 12:28
Trumpet Sonata in D Major, Z. 850
4 I. Allegro 01:27
5 II. Adagio 01:37
6 III. Allegro 01:31
Fishburn, Christopher – Lyricist
Welcome to all the pleasures, Z. 339, “Ode on St. Cecilia’s Day”
7 Welcome to all the pleasures, “Ode on St. Cecilia’s Day”, Z. 339 17:20
Purcell, Henry
Morning Service in D Major, Z. 232: Jubilate Deo
8 Morning Service in D Major, Z. 232: Jubilate Deo 08:19
Bass Vocals – Thomas Guthrie
Choir – Choir Of The Golden Age
Conductor – Robert Glenton
Countertenor Vocals – Christopher Robson, William Purefoy
Orchestra – Orchestra Of The Golden Age
Soprano Vocals – Jeni Bern, Susan Bisatt
Tenor Vocals – Ian Honeyman
Trumpet [Natural Trumpet] – David Staff
A música de Janáček para conjuntos de câmara já foi moda — foi muito gravada nos anos 60 e 70. Tanto que podemos escolher entre muitos bons registros. A escolha do repertório é um tanto original (ou estranha) e isto é muito bom! A Sonata e as duas primeiras peças para violino e piano realmente têm pouco a ver com o Capriccio. Ildiko Line sai-se maravilhosamente em tudo, mas parece sentir-se mais à vontade no Romance, com seu calor e lirismo brahmsianos, do que na Sonata, cujas originalidades podem lhe escapar. Na abertura do Adagio final, por exemplo, espera-se uma resposta exuberante no violino. Hlawatsch expõe os quatro acordes de abertura com correção, mas Line não vem coma ferocidade esperada. Já o segundo movimento, a Balada, nunca ouvi melhor versão. O Capriccio é uma peça estranha mesmo para os padrões de Janáček. Hlawatsch está claramente intrigado com a música e responde com cuidado os extraordinários problemas de equilíbrio apresentados por um acompanhamento (se é que se pode chamar assim) de flauta, dois trompetes, três trombones e tuba. Lindo disco!
Leoš Janáček (1854-1928)
Sonata for Violin and Piano, JW VII/7 (*)
1 I. Con moto 05:51
2 II. Balada; Con moto 04:56
3 III. Allegretto 02:54
4 IV. Adagio 05:34
Romance, JW VII/3 (*)
5 Romance, JW VII/3 05:12
Dumka, JW VII/4 (*)
6 Dumka, JW VII/4 06:22
Allegro, JW IX/9 (*)
7 Allegro, JW IX/9 03:25
Capriccio for Piano Left-Hand and Chamber Orchestra, JW VII/12
8 I. Allegro 05:19
9 II. Adagio 05:42
10 III. Allegretto 04:18
11 IV. Andante 06:36
Conductor – Tamás Benedek
Flute, Piccolo Flute – István Rácz
Piano – Thomas Hlawatsch
Trombone – Kerényi Balázs, Sandor Szabo (2), Tibor Koszorus
Trumpet – Czeglédi Zsolt (2), István Somorjai
Tuba – Bálint István
Violin – Ildikó Line (*)
Schoenberg já estava vivendo na Califórnia quando escreveu seu Concerto para Violino. Ainda era um ser humano ríspido, mandão e gostava de estar sempre cercado de acólitos, mas já estava, de forma muito curiosa, tropicalizado. Usava roupas incríveis, quase havaianas em seu radicalismo. Queria fazer músicas para filmes em Hollywood, mas pedia dinheiro demais e não era contratado… Teve também a doce ilusão de que seu Concerto tocaria nas rádios — hábito nos anos 30 e 40 — e que ficaria famoso nos States. Imaginem o quanto o sujeito viajava na maionese! Estava nos EUA.. Bem, claro que nada disso aconteceu e hoje ouvimos com interesse diminuto a obra, que é boa. Nada além disso. Já o Concerto para Violino de Sibelius é tonal, belíssimo e glorioso. Hillary Hahn e Esa-Pekka Salonen, com seus suecos, dão um banho. Acho que vale a audição, claro.
4. Violin Concerto in D minor, Op.47 – 1. Allegro moderato 17:20
5. Violin Concerto in D minor, Op.47 – 2. Adagio di molto 8:36
6. Violin Concerto in D minor, Op.47 – 3. Allegro, ma non tanto 7:16
Hilary Hahn, violino
Swedish Radio Symphony Orchestra
Esa-Pekka Salonen
John Eliot Gardiner gravou as obras da Rainha Mary — a Ode de Aniversário e a Música para o Funeral — lá em 1976. A Orquestra e o Coro Monteverdi já eram espetaculares, só que esta gravação analógica do Aniversário, feita na Capela Rosslyn Hill, em Londres, não é tão bem equilibrada, com os solistas às vezes soando pequenos demais para competir com o conjunto de apoio. No entanto, a execução da Música Funeral por Gardiner é um acontecimento grandioso e imponente, e é uma pena que a gravação não lhe faça maior justiça. O Funeral — com o perdão da palavra — é um verdadeiro deleite, especialmente os quartetos de trombones. Há um verdadeiro sentimento de luto, mas sem deixar a música totalmente sombria. Interpretação suntuosa e altamente dramática. Talvez insuperável ainda hoje, apesar de seus problemas.
Henry Purcell (1659-1695): “Come Ye Sons Of Art” – Ode For The Birthday Of Queen Mary (1694) / Music For The Funeral Of Queen Mary (1695) (Gardiner)
“Come Ye Sons Of Art” Ode For The Birthday Of Queen Mary (1694) = Ode Pour L’Anniversaire De La reine Mary = Geburtstagsode Für Königin Maria
1 Ouverture 4:06
2 “Come, Ye Sons Of Art, Come Away” 1:58
3 “Sound The Trumpet” 2:28
4 “Come, Ye Sons Of Art, Come Away” 1:23
5 “Strike The Viol” 4:43
6 “The Day That Such A Blessing” 2:29
7 “Bid The Virtues” 3:31
8 “These, Are The Sacred Charms” 1:38
9 “See Nature, Rejoicing” 2:54
Music For The Funeral Of Queen Mary (1695) = Musique Funèbre Pour La Reine Mary = Trauermusik Für Königin Maria
10 Marche 2:12
11 “Man That Is Born” 3:46
12 Canzona 1:43
13 “In The Midst Of Life” 5:53
14 Canzona 0:49
15 “Thou Knowest, Lord, The Secrets Of Our Hearts” 2:18
16 March 2:15
Bass Vocals – Thomas Allen
Cello [Continuo] – Marilyn Sansom
Choir – Monteverdi Choir*
Composed By – Henry Purcell
Conductor – John Eliot Gardiner
Contrabass [Continuo] – Barry Guy
Countertenor Vocals – Charles Brett, John Williams (41)
Ensemble – Equale Brass Ensemble*
Harpsichord [Continuo] – Trevor Pinnock
Orchestra – Monteverdi Orchestra*
Sackbut [Equale Brass Ensemble] – Peter Harvey (2)
Soprano Vocals – Felicity Lott
Timpani [Equale Brass Ensemble] – David Corkhill
Trombone [Equale Brass Ensemble] – Peter Goodwin
Trumpet [Equale Brass Ensemble] – Graham Whiting, Michael Laird (2)
Este foi o álbum de estreia de Julia Fischer. Sua colaboração com Yakov Kreizberg já vinha de algum tempo. Ela o considerava o mais simpático dos maestros, e ele a ajudou a concretizar a gravação. Ele compartilhava com ela a admiração pelo concerto de Khachaturian e apoiou o plano de gravar esta peça imerecidamente negligenciada. Ela achava difícil até vendê-la para os promotores de concertos, que sem dúvida teriam preferido a milésima versão do concerto de Tchaikovsky. Mas ambos os artistas acreditaram em todos os trinta e sete minutos da obra, que é mesmo magnífica. Kreizberg, imaginem, morreu em 2011 com apenas 51 anos. No Concerto de Khat, há um “apelo de sabor armênio”, às vezes soando folclórico, até mesmo oriental. Há poesia também, como no tratamento do segundo tema, e de todo o comovente Andante sostenuto, com mais cor armênia. David Oistrakh estreou este concerto. O Primeiro Concerto para Violino de Prokofiev é a obra mais familiar deste programa, tanto em concerto como em disco. Nas notas do livreto de Fischer, ela menciona sua ironia, sarcasmo, e seu lirismo, no qual ela diz que pretendeu focar. Ela faz justiça a todos os os estados de espírito, pois saborear esses contrastes é essencial, né? E ela tem razão — este é um concerto principalmente lírico, e sua estrutura incomum de dois movimentos externos lentos emoldurando um scherzo central influenciou alguns outros concertos de cordas. A abordagem de Fischer é bastante íntima e convincente. O Glazunov é aceitável, com um allegro final bem dançável e assobiável.