Um maravilhoso CD com a superorquestra barroca de Freiburg e excelentes solistas. Talvez este seja o melhor CD de CPE que postamos até hoje. Há controvérsias, mas defendo que, apesar de WF, CPE foi o mais talentoso filho de Bach. E o menos talentoso foi PQP, obviamente. Para se divertir ouvindo música leve e animada, este disco é um bom exemplo de um programa de concertos muito bom. São três sinfonias muito “sturm un drang” que demonstram o virtuosismo da orquestra, um concerto para cravo em quatro movimentos com Andreas Staier arrasando e um belíssimo e surpreendente concerto para oboé que na minha opinião é a obra mais original do disco. Carl Philipp Emanuel é o segundo mais velho dos filhos de Bach e esta CD fornece uma fascinante visão geral de sua obra instrumental. A Obra de CPE é enorme, viram? A Freiburger Barockorchester foi fundada em 1987 na cidade alemã conhecida como a “Capital da Floresta Negra” por um grupo de estudantes que compartilhavam o interesse em tocar música barroca em instrumentos autênticos. A orquestra se apresentou sem maestro durante os três primeiros anos de sua existência, preferindo selecionar um músico de dentro de suas fileiras para liderar a orquestra caso a caso. No entanto, em 1990, Thomas Hengelbrock foi nomeado diretor musical conjunto junto com Gottfried von der Goltz, uma situação que durou até 1997, quando Hengelbrock deixou o cargo. Seu lugar foi ocupado por Petra Müllejans, que liderou a Freiburger Barockorchester em conjunto com von der Goltz. Müllejans foi sucedido por Kristian Bezuidenhout em 2017. O conjunto se apresenta regularmente com maestros convidados e também frequentemente sem maestro.
C. P. E. Bach (1714-1788): Hamburger Sinfonien WQ 182, 3 & 4 & 5 / Concerti WQ 165 & 43,4 (Freiburger Barockorchester, Staier, Westermann, Hengelbrock)
Concerto C-moll Für Cembalo Und Orchester; Wq 43,4 (H 474)
Harpsichord – Andreas Staier
4 Allegro Assai 3:17
5 Poco Adagio 1:55
6 Tempo Di Minuetto 2:16
7 Allegro Assai 4:26
Sinfonie A-dur; Wq 182,4 (H 660)
8 Allegro Ma Non Troppo 4:31
9 Largo Et Innocentemente 3:49
10 Allegro Assai 4:19
Concerto Es-Dur Für Oboe, Streicher Und Bc; Wq 165 (H 468)
Oboe – Hans-Peter Westermann
11 Allegro 6:30
12 Adagio Ma Non Troppo 9:13
13 Allegro Ma Non Troppo 7:13
Bassoon – Donna Agrell
Cello – Guido Larisch, Ute Petersilge
Composed By – C. P. E. Bach*
Concert Flute [Traversflöte] – Karl Kaiser, Susanne Kaiser
Double Bass – Richard Myron
Harpsichord – Torsten Johann
Horn – Pavel Bakovsky, Thomas Müller (4)
Orchestra – Freiburger Barockorchester
Viola – Christian Goosses, Ulrike Kaufmann
Violin – Katharina Schreiber*, Brigitte Täubl, Christa Kittel, Gottfried Von Der Goltz, Petra Müllejans, Sabine Lier, Wolfgang Greser
Violin, Concertmaster, Liner Notes, Conductor – Thomas Hengelbrock
Considerando-se que é um disco com obras de Albinoni, este CD é louco de bom. O disco é extremamente bem executado, é animado e bonitinho. Albinoni foi um compositor bem limitado que ficou famoso por causa de um italiano esperto, Remo Giazotto. Talvez você conheça um certo Adágio de Albinoni. Ele é amplamente conhecido por seu uso frequente em trilhas sonoras de filmes. Frequentemente aparece em gatinhos de clássicos barrocos curtos, porém… Na verdade, esta famosa obra não é de Albinoni. É uma criação de meados do século XX do musicólogo italiano Remo Giazotto, que alegou ter encontrado um fragmento de uma composição de Albinoni nos arquivos de uma biblioteca alemã bombardeada, a Staatsbibliothek (Biblioteca Estadual) em Dresden. Essa biblioteca continha um tesouro de composições de Albinoni que foram destruídas quando a cidade foi bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial, então a alegação de Giazotto era até plausível. De acordo com Giazotto, o fragmento continha apenas o baixo contínuo e algumas frases da própria melodia, num total de apenas seis compassos. A partir desse material escasso, Giazotto desenvolveu uma composição completa, criando algo mais ou menos no estilo de uma chacona, mas com toda a cara do romantismo. Se aquela mistureca faz parte do barroco, eu sou o George Clooney. O novo Adágio era, na verdade, quase inteiramente — e talvez até mesmo inteiramente — uma composição de Giazotto, escrita em 1949. Ele foi publicado pela editora italiana Ricordi em 1958, quase trezentos anos após o nascimento de Albinoni, e com os direitos sendo de (adivinhe?) de Giazotto. Este Adágio é provavelmente uma ficção, já que ninguém além de Giazotto viu esse suposto fragmento de Albinoni. Giazotto morreu em 1998, levando seu segredo para o túmulo, e a história do Adagio em Sol Menor provavelmente permanecerá um mistério. No final das contas, é difícil desembaraçar a história sem acesso ao manuscrito original, que nunca foi tornado público (possivelmente porque ele não existia). Hoje em dia, a maioria dos estudiosos considera a obra como de Giazotto, embora o debate ainda continue. Para o público em geral, no entanto, a obra ainda é conhecida como apenas uma coisa — é o Adágio de Albinoni e fim.
Tomaso Albinoni (1671-1751): Oboe Concerti Op. 9, Nos. 2, 3, 5, 8, 9 & 11 (Anthony Camden, The London Virtuosi, John Georgiadis)
Oboe Concerto in C major, Op. 9, No. 5
I. Allegro 3:29
II. Adagio (non troppo) 1:59
III. Allegro 3:19
Oboe Concerto in F major, Op. 9, No. 3
I. Allegro 4:45
II. Adagio (non troppo) 2:12
III. Allegro 3:45
Oboe Concerto in D minor, Op. 9, No. 2
I. Allegro e non presto 04:33
II. Adagio 5:23
III. Allegro 3:07
Oboe Concerto in B flat major, Op. 9, No. 11
I. Allegro 4:13
II. Adagio 3:26
III. Allegro 3:13
Oboe Concerto in G minor, Op. 9, No. 8
I. Allegro 3:57
II. Adagio 2:15
III. Allegro 4:04
Oboe Concerto in C major, Op. 9, No. 9
I. Allegro 4:00
II. Adagio (non troppo)
3:02 III. Allegro 3:24
Total Playing Time: 01:04:06
Anthony Camden, oboe
Performed by:London Virtuosi
Conducted by:John Georgiadis
Novamente: * Alberto Lizzio é um pseudônimo inventado pelo produtor musical e maestro Alfred Scholz e associado a gravações antigas, de antes da época dos CDs, muitas vezes dirigidas por Milan Horvat, Carl Melles ou pelo próprio Scholz. Essas gravações foram compradas por ele e usadas para lançar gravações clássicas baratas para o mercado de massa sob outros nomes, como se fossem novidades. Scholz escreveu uma biografia fictícia de Lizzio, alegando que ele nasceu em Merano, Tirol do Sul, em 30 de maio de 1926, estudou violino, composição e regência em Milão e que sua segunda esposa, com quem teve um filho, morreu em 1980 em um acidente de carro em que Lizzio ficou gravemente ferido. A biografia fictícia termina com a sua morte em 22 de outubro de 1999, em Dresden.
Outro bom disco como o do post anterior. Boa interpretação, bem gravado. E a Praga é muito, sei lá, estimulante. Ela liga neurônios.
W. A. Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 21, 33 e 38 “Prague” (Lizzio*, Mozart Festival Orchestra)
* Alberto Lizzio é um pseudônimo inventado pelo produtor musical e maestro Alfred Scholz e associado a gravações antigas, de antes da época dos CDs, muitas vezes dirigidas por Milan Horvat, Carl Melles ou pelo próprio Scholz. Essas gravações foram compradas por ele e usadas para lançar gravações clássicas baratas para o mercado de massa sob outros nomes, como se fossem novidades. Scholz escreveu uma biografia fictícia de Lizzio, alegando que ele nasceu em Merano, Tirol do Sul, em 30 de maio de 1926, estudou violino, composição e regência em Milão e que sua segunda esposa, com quem teve um filho, morreu em 1980 em um acidente de carro em que Lizzio ficou gravemente ferido. A biografia fictícia termina com a sua morte em 22 de outubro de 1999, em Dresden.
Mas o que fazer, além de postar, se esta é uma boa gravação de Sinfonias de Mozart? A 29 está sensacional! A Haffner também! O som não é tudo aquilo, mas vale a pena ouvir este CD de um regente e orquestra anônimos.
W. A. Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 29, 30 e 35 “Haffner” (Lizzio*, Mozart Festival Orchestra)
Symphonie Nr. 29 A-Dur KV 201 = Symphony No. 29 In A Major KV 201
1 Allegro Moderato 10:15
2 Andante 10:06
3 Menuetto 3:37
4 Allegro Con Spirito 5:54
Symphonie Nr. 30 KV 202 = Symphony No. 30 KV 202
5 Molto Allegro 5:41
6 Andantino Con Moto 4:32
7 Menuetto 3:54
8 Presto 4:53
Symphonie Nr. 35 D-Dur KV 385 (Haffner Symphonie) = Symphony No. 35 In D Major KV 385 (Haffner Symphony)
9 Allegro Con Spirito 5:49
10 Andante 8:43
11 Menuetto 3:05
12 Finale: Presto 4:00
Conductor – Alberto Lizzio
Orchestra – Mozart Festival Orchestra
Uma obra-prima absoluta da música popular brasileira. Disco há muito tempo fora de catálogo que traz um Edu Lobo (1943) no auge de sua parceria com Chico Buarque. Músicas de Edu, letras de Chico — uma fórmula que gerou muitas belíssimas canções, hoje meio esquecidas pela estupidez da música atual. É complicado saber qual é a melhor faixa deste CD, mas eu me inclino para Valsa Brasileira, Nego Maluco, Choro Bandido, Falando de Amor, Ave Rara e Corrupião, ou seja, citei 7 das 10 músicas… E o time que o acompanha é formado só de craques, é extremamente sofisticado, tocando arranjos maravilhosos. Um disco perfeito! Edu Lobo é um dos patrimônios vivos da música popular brasileira.
Edu Lobo: Corrupião
1 Corrupião
Written-By – Edu Lobo
3:26
2 Frevo Diabo
Written-By – Chico Buarque, Edu Lobo
3:41
3 Valsa Brasileira
Written-By – Chico Buarque, Edu Lobo
3:37
4 Dos Navegantes
Written-By – Edu Lobo, Paulo César Pinheiro
4:36
5 Falando De Amor / Prelúdio N°3
Written-by [Falando De Amor] – Tom Jobim*
Written-by [Prelúdio N°3] – Villa-Lobos*
4:13
6 A Mulher De Cada Porto
Written-By – Chico Buarque, Edu Lobo
3:19
7 Nego Maluco
Written-By – Chico Buarque, Edu Lobo
4:21
8 Sem Pecado
Written-By – Aldir Blanc, Edu Lobo
3:55
9 Choro Bandido
Written-By – Chico Buarque, Edu Lobo
4:03
10 Ave Rara
Written-By – Aldir Blanc, Edu Lobo
5:19
Truffaut criou a categoria dos Grandes Filmes Doentes. A definição desta categoria está no parágrafo a seguir. Na minha opinião, ela serve à Paixão Segundo São João, nitidamente inferior à São Mateus, mas preferida por mim e outros. Na explicação de Truffaut, troquei as palavras relativas ao cinema por outras relativas à música. Por exemplo, troquei filme por obra ou música, diretor por compositor, cinefilia por melofilia, etc. Com a palavra criminosamente alterada, deixo-vos com François Truffaut:
“Abro um parêntese para definir rapidamente o que chamo de uma “grande obra doente”. Não é senão um obra-prima abortada, um empreendimento ambicioso que sofreu erros de percurso. Esta noção só pode aplicar-se, evidentemente, a compositores muito bons, àqueles que, em outras circunstâncias, demonstraram que podem atingir a perfeição. Um certo grau de melofilia encoraja, por vezes, a preferir, na obra de um compositor, sua grande música doente à sua obra-prima incontestada. Se se aceita a ideia de que a perfeição chega, na maior parte das vezes, a dissimular as intenções, admitir-se-á que as grandes músicas doentes deixam transparecer mais cruamente sua razão de ser. Diria, enfim, que a “grande música doente” sofre geralmente de um extravasamento de sinceridade, o que paradoxalmente a torna mais clara para os aficionados e mais obscura para o público, levado a engolir misturas cuja dosagem privilegia o ardil de preferência à confissão direta.”
Esta é uma belíssima versão de minha Paixão preferida. Um timaço!
J.S. Bach (1685-1750): A Paixão segundo João, BWV 245, “A Grande Paixão Doente” (Parrott)
1-1 Part 1. No. 1. Herr, unser Herrscher 8:53
1-2 Part 1. No. 2a. Jesus ging mit seinen Jüngern / 2b. Jesum von Nazareth / 2c. Jesus spricht zu ihnen 2:18
1-3 Part 1. No. 3. O Große Lieb 0:44
1-4 Part 1. No. 4. Auf daß das Wort erfüllet würde 1:04
1-5 Part 1. No. 5. Dein Will gescheh, Herr Gott, zugleich 0:50
1-6 Part 1. No. 6. Die Schar aber und der Oberhauptmann 0:43
1-7 Part 1. No. 7. Aria. Von den Stricken meiner Sünden 4:49
1-8 Part 1. No. 8. Simon Petrus aber folgete Jesum nach 0:15
1-9 Part 1. No. 9. Aria. Ich folge dir gleichfalls 3:39
1-10 Part 1. No. 10. Derselbige Jünger war dem Hohenpriester bekannt 2:47
1-11 Part 1. No. 11. Wer hat dich so geschlagen 1:38
1-12 Part 1. No. 12a. Und Hannas sandte ihn gebunden / 12b. Bist du nicht seiner Jünger einer? / 12c. Er 2:04
1-13 Part 1. No. 13. Aria. Ach. mein Sinn 2:46
1-14 Part 1. No. 14. Petrus, der nicht denkt zurück 1:21
2-1 Part 2. No. 15. Christus, der uns selig macht 1:14
2-2 Part 2. No. 16a. Da führeten sie Jesum / 16b. Wäre dieser nicht ein Übeltäter / 16c. Da sprach PIla 4:10
2-3 Part 2. No. 17. Ach, großer König 1:30
2-4 Part 2. No. 18a. Da sprach Pilatus zu ihm / 18b. Nicht diesen, sondern Barrabam! / 18c. Barrabas ab 1:56
2-5 Part 2. No. 19. Betrachte, meine Seel 2:12
2-6 Part 2. No. 20.Mein Jesu, ach! 7:17
2-7 Part 2. No. 21a. Und die Kriegsknechte flochten eine Krone / 21b. Sei gegrüßet, lieber Jüdenkönig! 5:38
2-8 Part 2. No. 22. Durch dein Gefängnis, Gottes Sohn 0:54
2-9 Part 2. No. 23a. Die Jüden aber schrieen und sprachen / 23b. Lässet du diesen los / 23c. Da Pilatus 4:12
2-10 Part 2. No. 24. Eilt,ihr angefochtnen Seelen 3:35
2-11 Part 2. No. 25a. Allda kreuzigten sie ihn / 25b. Schreibe nicht: der Jüden König / 25c. Pilatus ant 2:02
2-12 Part 2. No. 26. In meines Herzens Grunde 0:59
2-13 Part 2. No. 27a. Die Kriegsknechte aber / 27b. Lasset uns den nicht zerteilen / 27c. Auf daß erfül 3:45
2-14 Part 2. No. 28. Er nahm alles wohl in acht 1:08
2-15 Part 2. No. 29. Und von Stund an nahm sie 1:27
2-16 Part 2. No. 30. Es ist vollbracht! 5:06
2-17 Part 2. No. 31. Und neiget das Haupt und verschied 0:19
2-18 Part 2. No. 32. Mein teurer Heiland, laß dich fragen 4:44
2-19 Part 2. No. 33. Und siehe da, der Vorhang im Tempel zerriß 0:29
2-20 Part 2. No. 34. Mein Herz, in dem die ganze Welt 0:39
2-21 Part 2. No. 35. Zerfließe, mein Herze 6:31
2-22 Part 2. No. 36. Die Jüden aber, dieweil es der Rüsttag war 2:13
2-23 Part 2. No. 37. O hilf, Christe, Gottes Sohn 1:06
2-24 Part 2. No. 38. Darnach bat Pilatum Joseph von Arimathia 2:05
2-25 Part 2. No. 39. Ruht wohl, ihr heiligen Gebeine 8:02
2-26 Part 2. No. 40. Ach Herr, laß dein lieb Engelein 2:04
Performers: Kirkby, Emma (Soprano), van Evera, Emily (Soprano), Iconomou, Panito (Alto), Covey-Crump, Rogers (Tenor), Thomas, David (Bass), Bonner, Tessa (Soprano), Fliegner, Christian (Boy Soprano), Gunther, Christian (Boy Soprano), Trevor, Caroline (Alto), Roberts, Nicholas (Tenor), Tusa, Andrew (Tenor), Charlesworth, Stephen (Bass), Grant, Simon (Bass), Daniels, Charles [Classical] (Tenor), Kooy, Peter (Bass), Tubb, Evelyn (Soprano), Cable, Margaret (Alto), Jochens, Wilfried (Tenor)
Orchestras/Ensembles: Taverner Consort, Taverner Players, Tolz Boys Choir Members
Tá bom, Vivaldi afirmou que compôs sua ópera Tito Manlio em apenas cinco dias (a ópera tem 194 min, nesta gravação) para que estivesse pronta para celebrar o casamento do governador de Mântua, o príncipe Philipp de Hessen-Darmstadt, com a princesa Eleanora de Guastalla (a quem a ópera é dedicada). O enredo de desentendimento familiar e raiva sádica parece inadequado para uma celebração de um casamento, e talvez fosse apropriado que a princesa cancelasse a cerimônia antes mesmo de atravessar os muros da cidade. No entanto, o show deve continuar. O Tito de Vivaldi é um cônsul vilão que ameaça arrastar sua filha Vitélia nua pelas ruas de Roma porque ela se recusa a fazer um voto de ódio contra seus inimigos clamando por uma representação justa no Senado. O enredo se passa na antiga República Romana e se desenvolve em torno de conflitos entre sentimento e dever cívico. A fonte é o Livro VIII da História de Roma, de Tito Lívio. Mas a trama foi bastante alterada pelo libretista Matteo Noris. Tito Mânlio está envolvido na guerra contra as cidades latinas que se rebelaram contra Roma. Por isso faz um juramento solene de ódio aos inimigos e exige que seus filhos, Mânlio e Vitélia, além de seus seguidores, façam o mesmo. Vitélia está secretamente apaixonada por um líder latino, Gemínio e, por isso, se recusa a fazer o juramento. Tito a expulsa de Roma e dá ordens severas a seu filho, Mânlio, para que faça uma missão de reconhecimento junto aos latinos, mas não os ataque. Desobedecendo as ordens do pai, Mânlio mata o líder latino Gemínio, apesar ele, Mânlio, de estar apaixonado por sua irmã, Servília. Pela desobediência, Tito condena o próprio filho à morte. Lúcio, um latino aliado de Tito e dos romanos, tentar ajudar Mânlio a escapar da prisão, mas este se recusa a fugir. Antes de ser executado, Mânlio consegue o perdão do pai pela desobediência graças à intervenção de Décio, líder dos centuriões. Também é perdoado por sua amada Servília pela morte de seu irmão. Esse final feliz modifica a história real , descrita por Tito Lívio, segundo a qual Mânlio é, de fato, executado. Sem dúvida, Tito Manlio é uma das melhores obras de palco do Padre Rosso. Federico Maria Sardelli conduz esta gravação de 2005 que seria a da estreia mundial. (Não creio que seja, tenho uma versão dela em vinil sob a regência de Vittorio Negri). Sardelli comanda grandes quantidades de recitativos com sentido e clareza, embora o melhor aspecto de sua performance sejam as caracterizações ousadamente acentuadas do Modo Antiquo, trazidas à vida com muitas cores. A acústica é muito estrondosa, mas mesmo assim funciona. Sardelli captura todos os efeitos orquestrais da partitura de Vivaldi. ‘Se non v’aprite al di’ e ‘Combatta un gentil cor’ estão sensacionais. Solos de violoncelo, acompanhamentos de continuo inventivos, uma marcha fúnebre surpreendente e um solo de viola d’amore de tirar o fôlego (em ‘Tu dormi in tante pene’) contribuem muito. Duas outras árias de Manlio são particularmente notáveis: ‘Sonno, se pur sei sonno’ é uma abertura maravilhosamente sombria para o Ato 3, com acordes de cordas pulsantes e assustadores. ‘Ti lascerei gl’affetti miei’ é um momento sublime de melancolia em tom menor que começa com apenas um par de oboés e fagote antes de evoluir para um lamento profundamente comovente de beleza e sonoridade consideráveis que é eloquentemente moldado por Sardelli. Infelizmente, a performance de Sardelli é prejudicada por cantores que se inclinam para a competência em vez da expressão.
Antonio Vivaldi (1678-1741): Tito Manlio (Modo Antiquo, Federico Maria Sardelli)
Tito Manlio (I), Opera In 3 Acts, RV 738
1.1 Sinfonia: Allegro –
1.2 Andante –
1.3 Presto
1º Akt
1.4 Popoli, Chi È Romano, E Chi Di Roma (1. Akt)
1.5 Quando Tito Ora Giurò
1.6 Di Flegetonte Al Nume
1.7 Per Le Romane Vergini Tu Ancora
1.8 Manlio
1.9 Se Il Cor Guerriero
1.10 Ah Manlio
1.11 Perché T’Amo
1.12 O Dio! Sento Nel Petto
1.13 Liquore Ingrato
1.14 Sì Per Vitellia Io Lascio
1.15 Alla Caccia D’Un Bell’adorato
1.16 Vanne, Amante Felice
1.17 E’ Pur Dolce Ad Un’ Anima Amante
1.18 E Ch’a Geminio
1.19 O Silentio Del Mio Labbro
1.20 Parla, Tenta, E Minaccia
1.21 Orribile Lo Scempio
1.22 E Catene Di Ferro Lo Darò Al Piede
1.23 Parla A Me Speranza Amica
1.24 Volerò A Tito Il Padre
1.25 Di Verde Ulivo
1.26 Bramo Stragi
1.27 Nemico Allor All’Or
1.28 Signor
1.29 L’intendo E Non L’intendo
1.30 Qual Di Pocchi Romani
1.31 Fermatevi
1.32 Parto, Ma Lascio L’Alma
1.33 Che Feci Mai!
1.34 Sia Con Pace, O Roma Augusta
2º Akt
2.1 Dunque L’Occulta, E Grave
2.2 Non Ti Lusinghi La Crudeltade
2.3 Padre: A Te Solo Io Palesar Intendo
2.4 D’improvvisoriede Il Riso
2.5 Manlio, Di Tio Il Filio
2.6 E Questa, Manlio, È Questa
2.7 Dovea, Dunque, Dovea
2.8 Se Non V’Aprite Al Dì
2.9 No: Fermati Signora
2.10 Grida Quel Sangue Vendetta
2.11 Vitellia: Dove?
2.12 Rabbia Che Accendasi
2.13 Mia Servilia
2.14 Manlio: Tito Al Tuo Piede
2.15 Dar la Morte A Te Mia Vita
2.16 Alto Campione
2.17 Vedrà Roma, E Vedrà Il Campidoglio
2.18 Ingrata Roma
2.19 Combatta Un Gentil Cor
2.20 Già Da Forte Catena
2.21 Decio Che Porti?
2.22 Nò, Che Non Morirà
2.23 Amor, Su Queste Labbra
2.24 Andrò Fida E Sconsolata
2.25 Forte Cor: Non Ti Scuota O Prego
2.26 Legga, E Vegga
2.27 Addio
2.28 Povero Amante Cor
2.29 Vanne Perfida, Và
2.30 Frà Le Procelle
3º Ato
3.1 Sonno, Se Pur Sei Sonno (3. Akt)
3.2 Deposta Amor la Benda
3.3 Tu Dormi In Tante Pene
3.4 O Crudo, Indegno Laccio
3.5 Parto Contenta
3.6 Toglie, S’Ella Più Resta
3.7 Chi Seguir Vuol La Costanza
3.8 Servilia: Tu Qui Resti
3.9 Non Mi Vuoi Con Te
3.10 Signora: D’Ogni Intorno
3.11 Brutta Cosa È Far La Spia
3.12 Bella Vitellia
3.13 A Te Sarò Fedele
3.14 No Che Non Vedrà Roma
3.15 Padre, Tito, Signor, A Queste Labbra
3.16 Ingrato Manlio, Ascolta
3.17 Ti Lascierei Gl’Affetti Miei
3.18 O Tu, Che Per Alcide
3.19 Sempre Copra Notte Oscura
3.20 Servilia Viene
3.21 Sinfonia Funebre
3.22 E Qui Servilia?
3.23 Viva Il Martre Del Tebro
3.24 Doppo Sì Rei Disastri
3.25 Non Morì Manlio
3.26 Sparì Già Dal Petto
3.27 Tu Dormi In Tante Pene
Rosa Dominguez (Mezzo-Soprano)
Sergio Foresti (Baritone)
Thierry Grégoire (Counter-Tenor)
Nicky Kennedy (Soprano)
Elisabeth Scholl (Soprano)
Lucia Sciannimanico (Mezzo-Soprano)
Bruno Taddia (Baritone)
Modo Antiquo (Early Music Ensemble)
Federico Maria Sardelli (Conductor)
Davide Livermore (Director)
Des Knaben Wunderhorn(“A Trompa Mágica do Menino”) é uma antologia de antigos poemas alemães e canções folclóricas publicada no início do século XIX, resultado do anseio romântico pelos dias simples do passado. Na época em que Mahler musicou vários deles (entre 1892 e 1901), o Zeitgeist havia mudado, e sua abordagem é quase antirromântica em sentimento. Ele usou oito deles em suas sinfonias e escolheu 13 (frequentemente mudando o texto para seus próprios propósitos) para esta coleção. Essas canções orquestradas falam de amor, vida militar, episódios cômicos, misticismo e, às vezes, de várias temas ao mesmo tempo. A gravação de Dietrich Fischer-Dieskau e Elisabeth Schwarzkopf estabeleceu o padrão por muitos anos — sem esquecer de Tennstedt, Popp e Bernd Weikl –, mas esta nova versão é quase tão boa. Ambos os cantores têm belas vozes, inteligência e compreensão. Expressam as mudanças de humor das canções de forma muito eficaz. Thomas Quasthoff não tem a segurança e a precisão de Fischer-Dieskau, mas chega perto, e Anne Sophie von Otter canta com uma sutileza que rivaliza com Schwarzkopf e com menos humor que Popp. O acompanhamento de Claudio Abbado e da Filarmônica de Berlim é esplêndido, como sempre.
Lieder Nach Gedichten Aus “Des Knaben Wunderhorn”
1 Revelge 7:13
2 Rheinlegendchen 3:21
3 Trost Im Unglück 2:22
4 Verlorne Müh’ 2:42
5 Der Schildwache Nachtlied 6:10
6 Das Irdische Leben 2:52
7 Lied Des Verfolgten Im Turm 3:56
8 Wer Hat Dies Liedlein Erdacht? 2:05
9 Des Antonio Von Padua Fischpredigt 4:03
10 Lob Des Hohen Verstandes 2:32
11 Wo Die Schönen Trompeten Blasen 7:11
12 Der Tambourg’sell 6:53
13 Urlicht 5:44
Baritone Vocals – Thomas Quasthoff (tracks: 1, 3, 5, 7, 9, 10, 12)
Conductor – Claudio Abbado
Mezzo-soprano Vocals – Anne Sofie von Otter (tracks: 2, 4, 6, 8, 11, 13)
Orchestra – Berliner Philharmoniker
Um bom disco que seria excelente não fosse a loucura do engenheiro de som. O cara colocou o microfone para a flauta, que parece poderosíssima em relação ao cravo. Menos, né, querido? A execução é extraordinária, animada em espírito e tem a marca da sensibilidade distinta do compositor. Há muito carinho pelo idioma expressivo de CPE. Só que o equilíbrio entre flauta e cravo está quebrado. É evidente a dependência de CPE da geração anterior, ainda imersa a pleno na atmosfera barroca e monumentalmente representada pela obra de seu pai, de quem recebeu todo o seu treinamento. Ele tem sólido conhecimento da polifonia e do antigo sistema do baixo contínuo, do senso de forma, no gosto pelo contraste e pela dramaticidade, embora a partir desta base tomasse rumos bastante divergentes daqueles que Johann Sebastian escolheu para si. CPE parecia muito consciente da posição histórica da música de sua geração e foi um dos poucos compositores do século XVIII que empregavam a expressão “história da música”, pois tinha um vasto conhecimento da música de seu tempo e da produção das gerações anteriores e reconhecia a contribuição dos mestres do passado na construção de sua própria obra. Na música de CPE são encontrados todos esses elementos, modernos e antigos.
C. P. E. Bach (1714-1788): Sonatas For Flute And Harpsichord WQ. 83 – 87 (Béla Drahos, Zsuzsa Pertis)
Sonata In D Major, WQ. 83
1 Allegro Un Poco 4:47
2 Largo 5:54
3 Allegro 4:00
Sonata In E Major, WQ. 84
4 Allegro 7:52
5 Adagio Di Molto 5:34
6 Allegro Assai 5:56
Sonata In G Major, WQ. 85
7 Allegretto 4:17
8 Andantino 3:28
9 Allegro 4:48
Sonata In G Major, WQ. 86
10 Andante 2:46
11 Allegretto 4:17
12 Allegro 3:44
Sonata In C Major, WQ. 87
13 Allegretto 6:13
14 Andantino 2:43
15 Allegro 3:22
Muitos músicos dizem que A Arte da Fuga é uma daquelas obras da arte universal diante da qual só é possível calar-se. A obra seria a profissão de fé musical de meu pai, e seu conteúdo metafísico a colocaria no limiar de outro mundo. Ela seria “a abstração em música”, “a forma pura”, “um sopro de ar claro e gelado”, “uma caixa fria” repleta de invenções melódicas cheias de vida. Para muitos, a obra seria praticamente inexequível. O compositor Wolfgang Rihm escreveu: “O único espaço sonoro para a realização desta música continua sendo aquele reservado ao pensamento, situado abaixo da caixa craniana. Esse espaço, porém, é o mais amplo de todos, desde que se possa conceber em pensamento tal realidade sonora”. É algo que está lá no limite do que é música. Bach não definiu sua instrumentação e muitos acham que é algo mais para ser mais lido e admirado do que para ser ouvido. Eu não sei ler música, então só me resta ouvir e percebo que a obra é cheia de impossibilidades e arestas que vão sendo resolvidas de forma inesperada, como se a gente estivesse ouvindo um quadro de Escher. É tudo muito preciso e intrigante. Adorno chamou A Arte da Fuga de economia de motivos. para ele, o tema é esgotado até em seus mínimos componentes e disso resulta algo perfeito. A obra seria “a arte da dissecação”. O resultado é uma forma de insuperável precisão: a fuga. O cruzamento magistral da grande e pequena ordem, das grandes e pequenas formas. Com A Arte da Fuga, Johann Sebastian Bach, meu pai, teria se voltado para o passado e para o futuro. Nela, porém, o mais importante não seria a técnica, nem as leis do ofício da música, mas a expressão musical.
(Copiado, com adaptações minhas, de 48 variações sobre Bach, de Franz Rueb.)
J.S. Bach (1685-1750): A Arte da Fuga (Goebel, MAK)
1. Contrapunctus 1
2. Contrapunctus 2
3. Contrapunctus 3
4. Contrapunctus 4
5. Canon alla Ottava
6. Contrapunctus 5
7. Contrapunctus 6, a 4, in Stylo Francese
8. Contrapunctus 7, a 4, per Augmentationem et Diminutionem
9. Canon alla Duodecima in Contrapuncto alla Terza
10. Contrapunctus 9, a 4, alla Duodecima
11. Contrapunctus 10, a 4, alla Decima
12. Contrapunctus 8, a 3
13. Contrapunctus 11, a 4
14. Canon alla Duodecima in Contrapuncto alla Quinta
15. – rectus
16. – inversus
17. – rectus
18. – inversus
19. Fuga a 2 Clavicembali
20. Alio modo Fuga a 2 Clav.
21. Canon per Augmentationem in contrario motu
22. Fuga a 3 Soggetti (Contrapunctus 14)
Um cedezinho mais ou menos, daqueles de gatinhos de Bach. Trata-se de um encontro de duas grandes estrelas estadunidenses da DG — Kathleen Battle e Itzhak Perlman. O resultado é agradável. Serve também como guia para algumas boas árias de meu pai, apesar de faltarem algumas extraordinárias que são também para soprano e violino. Na verdade, achei a seleção é pra lá de estranha. Battle vai muito bem, como sempre. Perlman parece meio desconfortável, mas sai com saldo positivo. Os gatinhos são árias de Cantatas e da Missa em Si Menor que só guardam em comum o fato de serrem para soprano e violino. Para pessoas com pouca vivência bachiana, o disco pode ser legal. Pra mim, ele é meio boboca.
J.S. Bach (1685-1750): Árias para Soprano e Violino (Battle, Perlman)
1. Kantate BWV 197 No. 8: Vergnügen und Lust
2. Kantate BWV 58 No. 3: Ich bin vergnügt in meinem Leiden
3. Kantate BWV 204 No. 4: Die Schätzbarkeit der weiten Erden
4. Kantate BWV 97 No. 4: Ich traue seiner Gnade
5. Kantate BWV 115 No. 4: Bete aber auch dabei
6. Kantate BWV 171 No. 4: Jesus soll mein erstes Wort in dem neuen Jahre heißen
7. Messe h-moll, BWV 232 No. 23: Benedictus, qui venit in nomine domini
8. Messe h-moll, BWV 232, No. 5: Laudamus te
9. Kantate BWV 202 No. 5: Wenn die Frühlingslüfte streichen
10. Kantate BWV 36 No. 7: Auch mit gedämpften, schwachen Stimmen
11. Kantate BWV 187 No. 5: Gott versorgt alles Leben
12. Kantate BWV 84 No. 3: Ich esse mit Freuden mein weniges Brot
13. Kantate BWV 105 No. 5: Kann ich nur Jesum mir zum Freunde machen
Performers:
Conductor – John Nelson (5)
Orchestra – Orchestra Of St. Luke’s
Soprano Vocals – Kathleen Battle
Violin – Itzhak Perlman
Um velho disco bastante bom! Nicanor Zabaleta era um mestre em seu instrumento e aqui nos dá um recital solo tocando compositores espanhóis. Claro que todos são nacionalistas até a medula, mas não têm aquela psicose flamenca. As obras são mais delicadas e discretas, ninguém precisa bater violentamente com os pés no chão, bastando as melodias altamente representativas do estilo. São compositores que trabalharam no final do século XIX e no início do século XX. Se bem me lembro, de Falla e Turina viram a desgraça da Guerra Civil e suas consequências. O grande Albéniz, e, parece-me, Granados, não chegaram a viver sob Franco. Voltando à música, fiquei muito feliz de ouvir este disco e conferir que Zabaleta era um monstro.
Albéniz / de Falla / Gombau Guerra / Granados / Halffter / López-Chavarri / Turina: Música para Harpa Espanhola (Zabaleta)
Isaac Albéniz
A1 Granada (Serenata) Aus Der Suite Espagnole, No. 1 4:45
A2 Zaragoza (Capricho) Aus Der II. Suite Espagnole, No. 1 4:09
A3 Mallorca (Barcarola) Op. 202 6:00
A4 Asturias (Leyenda) Aus Der Suite Espagnole, No. 5 6:29
A5 Tango Espagnol 4:55
Manuel De Falla
B1 Serenata Andaluza 4:10
Joaquin Turina
B2 Toccata aus dem Ciclo pianístico, Nr. 1 4:48
B3 Fuga aus dem Ciclo pianistico Nr. 1 5:19
Gerardo Gombau Guerra
B3 Apunte Betico 4:07
Enrique Granados
B4 Danza Espagnola Nr. 5 (Andaluza) 4:47
Ernesto Halffter
B5 Sonatina Aus Dem Ballett “Danza De La Pastora” 3:35
Eduardo Lopez Chavarri
B6 Ei Viego Castillo Moro Aus Cantos Y Fantasias, Nr. 5 2:35
Música velha e deliciosa continua saindo da toca — coisas que ninguém sabia que tinham sido gravadas até meio século depois. O gigante do saxofone Coltrane tocou com o genial Monk por apenas seis meses em 1957, e os resultados foram registrados em algumas fitas mal conservadas. Mas, em janeiro deste ano, um funcionário da Biblioteca do Congresso, Larry Appelbaum, encontrou algumas fitas rotuladas como “Event 11/29/57 Carnegie Jazz Concert No 1”. O concerto do Carnegie Hall contou com uma série de estrelas do jazz — incluindo o quarteto Monk/Coltrane, com Monk em um bom piano e a qualidade da gravação incomensuravelmente melhor do que as fitas que citei antes. Coltrane, que estava se recuperando depois largar a heroína naquele ano, teve, no começo, muitos problemas com as composições tortuosas de Monk. Mas este show foi gravado quatro meses após e a parceria já soa sensacionalmente. Aparece um Coltrane apaixonado em Monk’s Mood, e os dois ecoam um ao outro conscientemente na gaguejante Evidence. Os acordes e a imaginação de Monk dominam Crepuscule com Nellie; Nutty e Epistrophy têm um swing sinistro; Blue Monk sorri. Incendiado, liberto e educado pelo encontro, Coltrane gravaria seu primeiro grande marco pessoal, Blue Train, apenas dois meses depois.
Thelonious Monk Quartet with John Coltrane at Carnegie Hall
Early Show
Monk’s Mood 7:52
Evidence 4:41
Crepuscule With Nellie 4:26
Nutty 5:03
Epistrophy 4:29
Late Show
Bye-Ya 6:31
Sweet And Lovely 9:34
Blue Monk 6:31
Epistrophy (Incomplete) 2:24
Thelonious Monk – piano
John Coltrane – tenor saxophone
Ahmed Abdul-Malik – bass
Shadow Wilson – drums
Este CD é um mistério. Não sei onde o consegui, não sei seu número de referência, mas gravei alguns detalhes a respeito. Ele não é tão bom quanto aquele da dupla Pandolfi e Alessandrini (dois posts abaixo), mas é digno e não faz feio num final de tarde de sábado. A música de CPE Bach estava à frente de seu tempo em muitos aspectos, com sua profundidade emocional e experimentação de novas formas. Foi um grande compositor, assim como seu irmão WF. As sonatas para viola da gamba de CPE Bach são conhecidas por sua expressividade emocional, característica marcante da música do compositor. Elas foram escritas durante o período em que CPE Bach esteve em Hamburgo, onde assumiu papel significativo como compositor e diretor musical. Sua música para viola da gamba reflete a busca de um novo tipo de expressividade, mais livre e com maior liberdade emocional, alinhada à ideia do “Empfindsamkeit“, ou “estilo sentimental”, que era um movimento musical da época.
Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sonates pour Viole de Gambe et basse continue (Medlam, Egarr, Hunt, London Baroque)
Sonate en Re majeur pour viole da gambe et basse Wq.137
19 – Adagio ma non tanto.mp3
20 – Allegro di molto.mp3
21 – Arioso.mp3
Sonate n°1 pour clavecin en la mineur Wq.49-1
22 – Moderato.mp3
23 – Andante.mp3
24 – Allegro assai.mp3
Sonate en Ut majeur pour viole da gambe et basse Wq.136
25 – Andante.mp3
26 – Allegretto.mp3
27 – Arioso.mp3
Preussische Sonate n°3 pour clavecin en Mi majeur Wq.48-3
28 – Poco allegro.mp3
29 – Adagio.mp3
30 – Presto.mp3
Sonate en sol mineur pour viole da gambe et basse Wq.88
31 – Poco allegro.mp3
32 – Adagio.mp3
33 – Allegro assai.mp3
London Baroque
Charles Medlam, viole de gambe
William Hunt, viole de gambe (continuo)
Richard Egarr, clavecin
Que música extraordinária!!! Uma obra-prima desconhecida da maioria de nós. Et exspecto resurrectionem mortuorum (E espero a ressurreição dos mortos) é uma peça para orquestra de sopros e percussão de Olivier Messiaen, escrita em 1964 e estreada no ano seguinte. É composta por cinco movimentos. Encomendada pelo Ministro da Cultura (há isso na França), o escritor André Malraux, para lembrar os mortos das duas guerras mundiais, a peça foi escrita para ser executada em grandes espaços como igrejas, catedrais e ao ar livre. Messiaen inspirou-se na paisagem dos Alpes com suas grandes montanhas, mas também nas imagens imponentes das igrejas góticas e românicas, assim como nos monumentos religiosos antigos do México e do Egito Antigo. Também também estudou A Ressurreição, parte da Summa Teológica de Tomás de Aquino. A peça utiliza seções de madeiras, metais e percussão. A seção de cordas é totalmente omitida. A voz musical poderosamente expressiva de Olivier Messiaen usa a força da fé religiosa e da natureza. Ah, Le tombeau resplendissant e Hymne são obras da juventude de Messiaen, também cheias de mistério e simbolismo.
Olivier Messiaen (1908-1992): Et exspecto resurrectionem mortuorum (Lyon National Orchestra, Märkl)
1. I. Des profondeurs de l’abime, je crie vers toi, Seigneur: Seigneur, ecoute ma voix! 04:26
2. II. Le Christ, ressuscite des morts, ne meurt plus; la mort n’a plus sur lui d’empire 06:13
3. III. L’heure vient ou les morts entendront la voix du Fils de Dieu … 04:57
4. IV. Ils ressusciteront, glorieux, avec un nom nouveau, dans le concert joyeux des etoiles et les acclamations des fils du Ciel 09:21
5. V. Et j’entendis la voix d’une foule immense … 07:34
Le tombeau resplendissant
6. Le tombeau resplendissant 18:13
Esta música foi publicada por Ysaye em 1924. Conforme discutido nas notas, cada sonata foi dedicada a um violinista contemporâneo. Se você gosta das Sonatas e Partitas para violino solo de Bach, há uma boa chance de que você goste desta música. A música é tecnicamente muito desafiadora para o violinista e Kaler parece não ter dificuldades com ela. São obras diabolicamente difíceis, tanto técnica quanto musicalmente, então acho que nunca a ouvi tocada como deveria ser até ouvir esta gravação. Uma revelação! As Sonatas de Ysaye são algumas das músicas mais belas e comoventes já escritas. Se você não gostar desta gravação de Ilya Kaler, então você simplesmente não gosta destas peças, até porque acho que ninguém poderia tocá-las melhor. As seis sonatas solo de Ysaÿe representam uma espécie de Everest violinístico, abrangendo literalmente todos os aspectos de técnica e musicalidade do instrumento. Poucos violinistas as tocam (ou já tocaram). Ilya Kaler é um que o faz. Nenhuma obstáculo é contornado na apresentação de cada sonata, tudo emerge com uma importância impressionante, uma mudança refrescante da maioria das outras execuções em que o violinista atinge todas as notas e não muito mais.
Eugène Ysaÿe (1858-1931): 6 Sonatas for Solo Violin, Op. 27 (Kaler)
Sonata for Solo Violin in G Minor, Op. 27, No. 1
1 I. Grave 04:53
2 II. Fugato 04:20
3 III. Allegretto poco scherzoso 05:04
4 IV. Finale: Con brio 02:23
Sonata for Solo Violin in A Minor, Op. 27, No. 2
5 I. Prelude, “Obsession”: Poco vivace 02:25
6 II. Malinconia: Poco lento 03:14
7 III. Sarabande, “Danse des ombres”: Lento 04:22
8 IV. Les furies: Allegro furioso 02:49
Sonata for Solo Violin in D Minor, Op. 27, No. 3, “Ballade”
9 Sonata for Solo Violin in D Minor, Op. 27, No. 3, “Ballade” 07:34
Sonata for Solo Violin in E Minor, Op. 27, No. 4
10 I. Allemande: Lento maestoso 05:56
11 II. Sarabande: Quasi lento 03:29
12 III. Finale: Presto ma non troppo 03:19
Sonata for Solo Violin in G Major, Op. 27, No. 5
13 I. L’aurore: Lento assai 05:01
14 II. Danse rustique: Allegro giocoso molto moderato 05:06
Sonata for Solo Violin in E Major, Op. 27, No. 6
15 Sonata for Solo Violin in E Major, Op. 27, No. 6 07:56
Eu sei lá de onde consegui este CD-R pirata com 5 discos de Edu Lobo. Eles dão uma passada muito aleatória e sem critério do que é a carreira deste gênio. Há dois discos feitos em parceria com cantoras. O primeiro com Maria Bethânia e o quarto desta série com Elis Regina, sendo este um CD muito doido que junta tudo o que Elis gravou de Edu. O resultado é excelente. Camaleão é a obra-prima do grupo. Tempo Presente é o pior. Tantas Marés é bom. Uma seleção um tanto tola para o enorme artista que é Edu, mas é o temos no momento.
Edu e Bethânia (1966)
1 . Upa, Neguinho
Edu Lobo , Gianfrancesco Guarnieri
2 . Cirandeiro
Edu Lobo , José Carlos Capinan
3 . Sinherê
Edu Lobo , Gianfrancesco Guarnieri
4 . Lua Nova
Edu Lobo , Torquato Neto (Torquato Pereira de Araújo Neto)
5 . Candeias
Edu Lobo
6 . Borandá
Edu Lobo
7 . Pra Dizer Adeus
Edu Lobo , Torquato Neto (Torquato Pereira de Araújo Neto)
8 . Veleiro
Edu Lobo , Torquato Neto (Torquato Pereira de Araújo Neto)
10 . O Tempo E O Rio
Edu Lobo , José Carlos Capinan
Camaleão (1978)
1 . Lero-Lero
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
2 . O Trenzinho Do Caipira (de “Bachianas Brasileiras Nº 2”)
Ferreira Gullar , Heitor Villa-Lobos , Edu Lobo (adaptação)
3 . Coração Noturno
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
4 . Canudos
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
5 . Camaleão
Fernando Leporace
6 . Sanha Na Mandinga
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
7 . Branca Dias
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
8 . Bate-Boca
Edu Lobo , Paulo César Pinheiro
9 . Descompassado
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
10 . Memórias De Marta Saré
Edu Lobo , Gianfrancesco Guarnieri
Tempo Presente (1980)
1 . Rei Morto, Rei Posto
Edu Lobo , Joyce Moreno
2 . Desenredo
Paulo César Pinheiro , Dori Caymmi
3 . Angu De Caroço
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
4 . Tempo Presente
Edu Lobo , Joyce Moreno
5 . Balada De Outono
Edu Lobo
6 . Rio Das Pedras
Edu Lobo
7 . Dono Do Lugar
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
8 . Laranja Azeda
Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito) , Novelli
9 . Quase Sempre
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
10 . Ilha Rasa
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
Elis Canta Edu (2009)
1 Casa Forte (Instrumental)
2 Corrida de Jangada
3 Upa, Neguinho
4 Pra Dizer Adeus
5 Memórias de Marta Saré
6 Chegança (Ao Vivo)
7 Jogo de Roda
8 Canto Triste
9 Arrastão
10 Estatuinha
11 Canção Do Amanhecer (Ao Vivo)
12 Aleluia
13 Veleiro
14 Reza
15 Zambi (Ao Vivo)
Tantas marés (2010)
1 . Dança Do Corrupião
Edu Lobo , Paulo César Pinheiro
2 . Coração Cigano
Edu Lobo , Paulo César Pinheiro
3 . Acalanto (Primeira Cantiga)
Edu Lobo , Paulo César Pinheiro
4 . Angu De Caroço
Edu Lobo , Cacaso (Antônio Carlos Ferreira Brito)
5 . Perambulando
Edu Lobo , Paulo César Pinheiro
6 . Qualquer Caminho
Edu Lobo , Paulo César Pinheiro
7 . Ode Aos Ratos
Edu Lobo , Chico Buarque
8 . Tantas Marés
Edu Lobo , Paulo César Pinheiro
9 . Ciranda Da Bailarina
Edu Lobo , Chico Buarque
10 . Senhora Do Rio
Edu Lobo , Domínio Público (letra)
11 . A Bela E A Fera
Edu Lobo , Chico Buarque
12 . A História De Lily Braun
Edu Lobo , Chico Buarque
Um excelente disco com vários dos Concertos para Cravo(s) de Bach, incluídas algumas transcrições que vocês, conhecedores, dirão se são de Bach ou não. Os caras de Colônia são realmente ótimos e nos deixam completamente felizes. O primeiro concerto do CD é muito mais conhecido pela versão original para violino solo e o último é mais conhecido pela versão para 3 cravos — que é terceiro concerto do CD. De resto, eu diria que futebol é bola na rede e mais meio quilo de farofa. Ah, tenho que ir na feira que está fechando. Vou logo senão minha mulher me mata.
J. S. Bach (1685-1750): Obras Orquestrais Completas (CD 4 de 8) (Cologne Chamber Orchestra, Helmut Müller-Brühl)
BACH, J.S.: Harpsichord Concertos, Vol. 4
Harpsichord Concerto in D major, BWV 1042
Performed by:Cologne Chamber Orchestra
Conducted by:Helmut Muller-Bruhl
Robert Hill, harpsichord
Allegro 07:25
Adagio e piano sempre 05:59
Allegro 02:48
Harpsichord Concerto in G minor, BWV 1058
Performed by:Cologne Chamber Orchestra
Conducted by:Helmut Muller-Bruhl
Gerald Hambitzer, harpsichord
Allegro 03:39
Andante 04:45
Allegro ma non tanto 03:48
Concerto for 3 Harpsichords in C major, BWV 1064
Performed by:Cologne Chamber Orchestra
Conducted by:Helmut Muller-Bruhl
Gerald Hambitzer, harpsichord
Robert Hill, harpsichord
Christoph Anselm Noll, harpsichord
Allegro 06:21
Adagio 05:18
Allegro 04:33
Concerto for Three Harpsichords in D minor, BWV 1063
Performed by:Cologne Chamber Orchestra
Conducted by:Helmut Muller-Bruhl
Michael Behringer, harpsichord
Robert Hill, harpsichord
Christoph Anselm Noll, harpsichord
Allegro 04:32
Alla Siciliana 04:10
Allegro 04:42
Concerto for 3 Harpsichords in D major, BWV 1064 (arr. for violins)
Performed by:Cologne Chamber Orchestra
Conducted by:Helmut Muller-Bruhl
Elisabeth Kufferath, violin
Christine Pichlmeier, violin
Winfried Rademacher, violin
Allegro 06:00
Adagio 05:59
Allegro 04:28
Será um exagero meu? Sinceramente, acho que não. Este registro de Robert Craft (1923-2015) é, na minha opinião, o melhor que ouvi até hoje da Sagração da Primavera. OK, tem a gravação do Esa-Pekka Salonen que é também extraordinária. E não é por Craft ter sido amigo de Igor e de ter escrito livros sobre ele. Achei a gravação insuperável. Por falar nisto: já ouviram falar em Stravinsky: Crônica de uma amizade, de Robert Craft, Difel, 2002, tradução de Eduardo Francisco Alves, 760 páginas, com ilustrações? No livro, Craft traça um retrato completo de Stravinsky, como compositor, pessoa, marido e celebridade amante do jet set. A versão de Craft é selvagem e agressiva como deve ser. A gente pode ter uma ideia do pasmo dos parisienses elegantes quando estreia da peça. Ah, gravação extraordinária da Naxos.
Igor Stravinsky (1882-1971): A Sagração da Primavera / O Rouxinol (Craft)
Le sacre du printemps (1913 version)
1. Part I (Adoration of the Earth): Introduction 00:03:19
2. Part I (Adoration of the Earth): The Augurs of Spring / Dances of the Young Girls 00:03:14
3. Part I (Adoration of the Earth): Ritual of Abduction 00:01:19
4. Part I (Adoration of the Earth): Spring Rounds 00:03:09
5. Part I (Adoration of the Earth): Ritual of the Rival Tribes 00:03:10
6. Part I (Adoration of the Earth): Dance of the Earth 00:01:18
7. Part II (The Sacrifice): Introduction 00:03:31
8. Part II (The Sacrifice): Mystic Circles of the Young Girls 00:03:08
9. Part II (The Sacrifice): Glorification of the Chosen One 00:01:37
10. Part II (The Sacrifice): Evocation of the Ancestors 00:00:41
11. Part II (The Sacrifice): Ritual Action of the Ancestors 00:02:58
12. Part II (The Sacrifice): Sacrificial Dance 00:04:34
London Symphony Orchestra
Robert Craft, conductor
The Nightingale (Le rossignol)
13. Scene 1 (The Forest at Dawn): Introduction 00:03:05
14. Scene 1 (The Forest at Dawn): Fisherman 00:03:32
15. Scene 1 (The Forest at Dawn): Nightingale’s Aria 00:03:01
16. Scene 1 (The Forest at Dawn): Chamberlain, Bonze, Cook, Courtiers 00:02:50
17. Scene 1 (The Forest at Dawn): Second Entrance of the Nightingale 00:00:47
18. Scene 1 (The Forest at Dawn): Chamberlain and Bonze 00:00:24
19. Scene 1 (The Forest at Dawn): Nightingale’s Second Aria 00:00:44
20. Scene 1 (The Forest at Dawn): Chamberlain and Bonze 00:00:52
21. Scene 1 (The Forest at Dawn): Fisherman 00:01:26
22. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): Prelude 00:01:27
23. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): Cook 00:00:20
24. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): Prelude (reprise) 00:00:22
25. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): Chinese March 00:03:10
26. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): Chamberlain 00:00:14
27. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): Song of the Nightingale 00:04:12
28. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): The Japanese Envoys 00:01:18
29. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): The Mechanical Nightingale 00:00:59
30. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): The Emperor, Chamberlain, Courtiers 00:00:59
31. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): Chinese March (reprise) 00:00:50
32. Scene 2 (The Porcelain Palace of the Chinese Emperor): Fisherman 00:00:59
33. Scene 3 (The Emperor’s Bedchamber): Prelude 00:02:43
34. Scene 3 (The Emperor’s Bedchamber): Chorus of Ghosts, Emperor 00:01:08
35. Scene 3 (The Emperor’s Bedchamber): Nightingale 00:02:12
36. Scene 3 (The Emperor’s Bedchamber): Death and the Nightingale 00:01:29
37. Scene 3 (The Emperor’s Bedchamber): Nightingale’s Aria 00:01:25
38. Scene 3 (The Emperor’s Bedchamber): Emperor and Nightingale 00:01:41
39. Scene 3 (The Emperor’s Bedchamber): Funeral Procession 00:01:14
40. Scene 3 (The Emperor’s Bedchamber): Fisherman 00:01:06
Já que Clara Schumann e Rameau estão vivendo uma febre de música francesa, aproveito para falar sobre o fim do mundo.
Brincadeira, claro. Publico a seguir uma das maiores e mais importantes obras de nosso tempo. E francesa. Deixo o comentário desta gravação – realizada em 1979 na presença de Messiaen e distribuída com sua autorização – a cargo do crítico português Paulo Carvalho. Encontrei-a aqui.
O Quarteto para o Fim dos Tempos, de Olivier Messiaen, é daquelas obras que, uma vez escutadas, se impõem ao ouvinte (auditor, no original): quem a escuta não esquece a experiência e, se é melómano, a ela voltará muitas vezes — algumas certamente para se interrogar sobre o que procura de facto na Música. Porque se está aqui na presença de uma música da estirpe do Requiem de Mozart-Süssmayr, do Quarteto de Cordas n.º 8 de Chostakovitch, do Andante tranquillo da Música para Cordas, Percussão & Celesta de Bartók; uma música que celebra o homem e que o condena, que na sua consumação o enaltece e que na tragicidade pungente que lhe é intrínseca decreta a necessidade da sua ultrapassagem; uma música sumamente humana, mas para lá de todos os equívocos do humanismo. E, se isto parece um exagero aplicado a um mero produto artístico, então que se ouça até ao fim — mas mesmo até ao fim — o último andamento do Quarteto, intitulado Louange à l’Immortalité de Jésus. Mas não será preciso esperar por tanto: ao quinto andamento, uma espécie de versão desta loa, já o fôlego terá falhado.
Composta sob o signo da convulsão e do colapso, entre o Verão de 1940 e o início de 1941, aquando da prisão do autor, então membro das forças armadas francesas, pelas forças alemãs, no campo de detenção de Görlitz, na Silésia — a obra propõe-se ser uma meditação sobre o Apocalipse de João, mais exactamente sobre a passagem: “Eu vi um anjo pleno de força, descendo do céu, revestido de uma nuvem, tendo sobre a cabeça um arco-íris. O seu rosto era como o sol, seus pés como colunas de fogo. Pousou o seu pé direito sobre o mar e o seu pé esquerdo sobre a terra, e, mantendo-se sobre o mar e sobre a terra, elevou a mão para o Céu e jurou por Aquele que vive pelos séculos dos séculos, dizendo: não haverá mais Tempo: mas no dia da trombeta do sétimo anjo, o mistério de Deus se consumará.” (Ap.10, 1-ss.)
São conhecidas as motivações místicas de Messiaen, mas estas, não sendo secundárias para a compreensão de uma música frequentemente difícil para o auditor de obras menos exigentes, não devem impedir — bem pelo contrário — de fazermos desta sua obra leituras mais mundanas; não nos devem distrair, por exemplo, de realçar a diversidade de efeitos “físicos” que uma tal música é susceptível de provocar no auditor: desde o enlevo lírico ao alvoroço convulsivo ou à perturbação angustiante, desde a meditação à dança (de ritmos não habituais, bem entendido), desde a melancolia ao êxtase.
A obra foi concebida em oito partes ou andamentos, símbolo da eternidade ou da cesura do tempo. A inusitada composição instrumental do quarteto (violino, violoncelo, clarinete e piano) ter-se-á devido não tanto a um desejo do autor quanto a uma adequação à circunstância de serem os instrumentos que existiam ao seu dispor no campo de detenção. Não seriam, ao que parece, instrumentos de grande qualidade — o que não impediu que o compositor, mais tarde, se tivesse referido à primeira audição, ocorrida ainda no campo, nestes termos: “nunca eu fui escutado com tanta atenção e compreensão”.
1. Liturgie de cristal (3’01)
O clarinete, logo suportado por salpicos assimétricos de acordes no piano, abre o andamento com uma melodia quase bucólica no que é seguido por outra de natureza idêntica ao violino, enquanto o violoncelo num registo agudo vai distendendo lânguidas notas que dão ao todo uma cor diluída, um ambiente. O diálogo entre clarinete e violino (dir-se-ia entre dois pássaros) vai decorrendo ao sabor de um sem-tempo plácido, crescendo pouco a pouco em intensidade, mas sem nunca chegar a um paroxismo. A peça não termina propriamente: como que se extingue num sopro. O que não é de todo arbitrário, pois esta é baseada numa estrutura lógica e complexa (de “cristal”) que, se consumada, demoraria cerca de duas horas a tornar ao ponto de partida. Uma clara interrogação sobre a experiência moderna do tempo útil.
2. Vocalise, pour l’Ange qui annonce la fin du temps (5’06)
O piano irrompe enérgica e abruptamente com aglomerados de notas (clusters), pontuado ou interrompido ora pelo clarinete, ora pelos dois instrumentos de corda. A tensão aumenta sobretudo entre as cordas e o piano, mas resolve-se dali a pouco numa conclusão do piano, primeiro subtil e graciosa, depois peremptória, sublinhada pelo clarinete. Eis a introdução para o vocalizo que se seguirá após uma curta pausa e que estará a cargo do violino e do violoncelo, tocando à distância de oitavas longas e suaves notas, iluminadas pelos pingos de água do arco-íris ao piano. A atmosfera criada é misteriosa e leve, quase insustentável, ficando deliciosamente insuportável à medida que os segundos se escoam. Para tal contribuem as notas insistentes e cadenciadas do piano. A música torna-se então esparsa, soluçante, conhecendo pausas, silêncios que se vão introduzindo, fracturando um discurso que inicialmente, apesar de incomum, se previa lógico. Até que o silêncio se instala — para pouco depois ser invadido por um quase tutti que remata o andamento com violência.
3. Âbime des oiseaux (7’31)
E é chegada a vez de um completamente imprevisto — tratando-se a obra de um quarteto — solo de clarinete. Um longo solo de clarinete de mais de sete minutos, alternando entre dois estados: um, de longas notas, maximamente em registo grave, representando o abismo, a negação, as experiências humanas da angústia, da opressão e da morte; outro, de notas breves, saltitantes, soltas e agudas, anunciando a alegria e a participação do homem na experiência da eternidade. Seja ela o que for. Acresce dizer que Messiaen era um ornitólogo amador e que neste quarteto, como em muitas das suas obras, incorpora o profundo conhecimento que tinha do canto dos pássaros. Aliás, chega a dedicar obras inteiras a esse canto, como é o caso do monumental Catalogue des Oiseaux (1956-57).
4. Intermède (1’46)
Fazendo uso de uma imagética cara à linguagem apocalíptica, este andamento poderia perfeitamente ter recebido o nome de “racapitulação e anúncio”, porque é precisamente disso que se trata, uma recapitulação fragmentária de temas dos andamentos precedentes e anúncio embrionário de outros temas nos andamentos que se seguirão. Além disso, é um scherzo composto ele mesmo por sete movimentos (bastante coloridos pela alternância entre a agitação e a graciosidade). “Sete é o número perfeito, a criação de 6 dias santificada pelo sabbat divino; o 7 deste repouso prolonga-se na eternidade e torna-se o 8 da luz indefectível, da inalterável paz”, diz Messiean. Curioso é que neste andamento germinal, musicalmente genésico, o compositor não usa o seu instrumento, o piano, imobilizando-se, por assim dizer, na escuta — ou na contemplação.
5. Louange à l’Eternité de Jésus (8’36)
Quem quiser saber o que é a utilização do silêncio em
música, deve ouvir o segundo andamento da obra, mas quem quiser compreender como é possível que uma música caminhe para o seu silêncio deverá escutar este movimento (dueto de piano e violoncelo) e o oitavo (dueto de piano e violino). Até ao fim: isto é, muito para lá do eco do último acorde dado ao piano, muito para lá da extensíssima nota deixada a soar pelo violino, como que alheando-se do próprio instrumento. Aconselhável é que se suspenda por algum tempo a audição (quanto, o auditor saberá) para não sofrer o violento sobressalto da peça que se segue. A indicação para os músicos “infinitamente lento, extático” é suficientemente sugestiva do que aí se ouve, mas infinitamente insuficiente para descrevê-lo. De resto, descrever tal música seria quase obsceno: no fim, há só paz e respiração. A respiração pacificada de quem escuta. E quantas peças em toda a História da Música facultam tal experiência?
6. Danse de la fureur, pour les sept trompettes (6’45)
Seguindo as indicações de dinâmica, um decidido e vigoroso tutti em uníssono, quase orquestral na cor, ocupa a primeira parte desta “dança”. Uma “música de pedra”, como a descreve o próprio Messiaen, chamando ainda a atenção que o uníssono funciona aqui como sugestão do conjunto de trombetas. As frases melódicas começam por ser curtas, desenvolvendo-se imperceptivelmente para outras mais extensas, mas sempre angulosas, de dinâmica contrastante, marcadas por um ritmo poderoso, quase frenético, que adiante se adoça numa espécie de eco ou comentário. Por pouco tempo. O tutti regressa em toda a sua força, repetindo o tema da dança do furor — até que sobrevém a bonança através de um tema que aqui e ali evoca sonoridades e escalas orientais. O andamento prossegue com uma agitação de sacudidelas e contrastes ainda mais violentos que de início, plena de aceleramentos, abrandamentos bruscos, pausas, tendo o piano por protagonista das fracções mais lentas e os restantes instrumentos das mais rápidas. Após uma breve citação do tema “da bonança”, o andamento acaba categórico como um axioma.
7. Fouillis d’arcs-en-ciel, pour l’Ange qui annonce la fin du temps (7’35)
Este andamento evoca bem toda a cor do seu título. Inicia, no entanto, com um tema pleno de melancolia (como exige um “anúncio do fim dos tempos”), uma retoma do tema do vocalizo do segundo andamento sob a forma de variação. Para o “efeito melancólico” contribui grandemente a instrumentação (o dueto do piano com o violoncelo em movimento lento, “sonhador”, conforme indicação do compositor). Este tema (ou variações do mesmo) alternará, ao longo do andamento, com momentos de vivacidade, representantes do vórtice de cores do arco-íris que no relato bíblico encima a cabeça do anjo. Nestes momentos intervêm os restantes instrumentos, quer com subtis mudanças de intensidade, quer com bruscas contravoltas nos tempos musicais.
8. Louange à l’Immortalité de Jésus (8’14)
Similar ao quinto andamento na estrutura e no tipo de instrumentos utilizados: o piano e as cordas em dueto, neste caso o violino. Celebra-se aqui a ressurreição de Cristo, como vencedor do tempo.
Uma última nota. O título da obra, bem como a tradução que lhe dei de início, carecem de uma explicação mais aprofundada. O original, Quatuor pour la Fin du Temps, exigiria que se traduzisse “para o fim do tempo”, tal como no inglês se traduz “for the end of time” e no alemão “auf das Ende der Zeit”. Contudo, o tempo a que aqui se alude é, como se disse, o tempo do Apocalipse (apocalipse significa revelação), tempo que em português recebe, geralmente, a designação de “fim dos tempos” — tal como se utiliza “plenitude dos tempos” para designar o tempo propício, kairologico, da encarnação do Verbo. “Os tempos”, no plural, é uma expressão feliz, na medida em que dá conta de uma continuidade, de uma infinidade de momentos históricos que se sucederam, séculos, que sequencial e geneticamente estiveram ligados — tal como na música os compassos, ou a métrica regular. O título aponta para o fim de ambos: fim da História (não esqueçamos que se estava em plena Segunda Grande Guerra e que o mundo estava prestes a conhecer a dupla infâmia dos campos de concentração nazis e das Bombas Atómicas), fim da História do homem tal como o conhecêramos até então, e fim da música metrificada, da música “a tempo”. De facto, não é insignificante ou abstrusa esta referência ao tempo da e na música. A música ocidental conhecida começa praticamente com o Canto Gregoriano, um canto que, quando passou a escrita, não compreendia a divisão de compasso. Porque a interpretação, não era ainda interpretação, mas acto (de louvor e adoração, levado a cabo por monges); não era ainda leitura de uma pauta, mas percurso simultaneamente íntimo e plural, ad libitum, ao sabor da memória e do presente nu do canto. Digamos que a gramática musical não pretendia ainda abranger (pode-se dizer: medir) o pulsar da música, o tempo sem tempo do acto musical. Ao levar ao extremo a métrica irregular, prescindindo na prática da barra de compasso, Messiaen retoma esta tradição perdida, apelando para o eterno presente do som (o tempo kairologico, por oposição ao tempo cronológico do metrónomo), da vibração sonora ela mesma e da sua cor — ele que confessava padecer de sinestesia, pelo que via música nas cores e cores na música. Um dado importante para compreender toda a simbólica da obra…
Olivier Messiaen (1908-1992): Quarteto para o Fim dos Tempos (Desurmont, Yordanoff, Tetard, Barenboim)
1. Liturgie De Cristal
2. Vocalise Pour L’ange Qui Annonce La Fin Du Temps
3. Abîme Des Oiseaux
4. Intermède
5. Louange à L’éternité De Jésus
6. Danse De La Fureur Pour Les Sept Trompettes
7. Fouillis D’arc-en-ciel Pour L’ange Qui Annonce La Fin Du Temps
8. Louange De L’immortalité De Jésus
Claude Desurmont (clarinete),
Luben Yordanoff (violino),
Albert Tetard (violoncelo),
Daniel Barenboim (piano).
Bebum, talentoso e indisciplinado, W. F. Bach contaria com toda minha simpatia se não tivesse herdado — e perdido!!! — cerca de 100 Cantatas de papai. Era o primogênito e preferido de papai, o putão. Estava sempre endividado, claro, mas deixou grande demonstração de talento, o olho do cu. Costumava trocar MANUSCRITOS por bebida e teve a pachorra de imortalizar-se numa gravura com uma garrafa de vinho na mão. Uma figura simpática. Dizem que ele era o mais talentoso de todos nós, mas sempre preferiu a noite e a diversão. Eu o compreendo. Poucos sabem que, em verdade, WF foi o segundo filho de Bach. O primeiro rebento foi uma FILHA, o que equivalia a quase nada numa época em que as mulheres conheciam seus lugares e por lá ficavam. HAHAHAHA!
Este CD é bem bom, viram? WF era um compositor original, fluente e de voz própria. Gosto muito. Divirtam-se. Não é necessário embriagar-se para se chegar à conclusão que o cara é bom pra caralho.
(Tô a fim de escrever palavrão hoje! O que é? Vão querê encará?)
Wilhelm Friedemann Bach (1710–1784): Harpsichord Concertos (Egarr, Medlam, London Baroque)
Concerto in F major F 44
10. 1. Allegro ma non troppo
11. 2. Molto adagio
12. 3. Presto
Concerto in a minor F 45
13. 1. Sem indicação
14. 2. Larghetto (Cantabile)
15. 3. Allegro (assai) ma non troppo
Concerto in D major F 41
16. 1. Allegro
17. 2. Andante
18. 3. Presto
Richard Egarr, clavecin
London Baroque
dir. Charles Medlam
Talvez mais do que nenhuma outra — pela diversidade de sonoridades e abordagens — a música barroca seja aquela que dependa mais da qualidade e da concepção que seus intérpretes têm das obras. Neste CD, a habitual dupla Paolo Pandolfo e Rinaldo Alessandrini elevam a música de Carl Philipp a rara altura. Creio nunca antes ter ouvido estas obras serem recriadas com tanta intensidade e sensibilidade. Tal sensibilidade vai tanto na direção do sublime quanto na da agressividade. Já havia notado que Paolo Pandolfo era um mestre — nas Sonatas análogas de J.S. Bach –, mas aqui, fazendo a transição para o clássico, parece que a dupla fez ainda mais. Rinaldo Alessandrini é cravista e grande regente; deve ter dado seus pitacos. Este é um CD para ser ouvido muitas vezes. Nos dois “Arioso” é adequado que você fique de joelhos. Descanse durante o tremendo contraste dos “Allegro”.
Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sonate per Viola da Gamba e Basso Continuo (Pandolfo, Alessandrini)
1. Sonata for Viola da Gamba and Basso Continuo in D major, Wq 137/H 559 – Adagio, ma non tanto
2. Sonata for Viola da Gamba and Basso Continuo in D major, Wq 137/H 559 – Allegro di molto
3. Sonata for Viola da Gamba and Basso Continuo in D major, Wq 137/H 559 – Arioso
4. Sonata for Viola da Gamba and Basso Continuo in C major, Wq 136/H 558 – Andante
5. Sonata for Viola da Gamba and Basso Continuo in C major, Wq 136/H 558 – Allegretto
6. Sonata for Viola da Gamba and Basso Continuo in C major, Wq 136/H 558 – Arioso
7. Sonata for Viola da Gamba and Harpsichord in G minor, Wq 88/H 510 – Allegro Moderato
8. Sonata for Viola da Gamba and Harpsichord in G minor, Wq 88/H 510 – Larghetto
9. Sonata for Viola da Gamba and Harpsichord in G minor, Wq 88/H 510 – Allegro assai
Paolo Pandolfo, viola da gamba
Rinaldo Alessandrini, clavicembalo
1. É CD para ser comprado. Ele vem acompanhado de um livrinho de 108 páginas chamado “A-Z of the castrato”, além de 3 bônus tracks que não tenho aqui. Já encomendei o meu.
2. Cecilia Bartoli não é mais uma dessas divas que ficam pegando repertórios mais ou menos óbvios para (re)lançar em suas coletâneas. Ela transformou tais discos em obras de arte. E de tese.
3. Ela é a campeã dentre as mezzo. Este CD vendeu 500.000 cópias nos primeiros 30 dias depois do lançamento. E ela não está cantando Abba nem K-pop, está cantando música rara, de primeira linha, acompanhada de um conjunto fantástico que utiliza instrumentação original. Ou seja, não há embuste ou concessão.
4. Ela é a campeã porque canta divinamente. Ela não sai em revistas de moda, não mostra o umbigo em decotes e passaria desapercebida na rua (apesar de eu achá-la linda).
5. Ela não canta óperas de Wagner. Alega não ter alcance. Não é a mulher perfeita???
6. Ah, a edição de luxo, a das 109 páginas + bonus CD, só importando. Reclamações noutro guichê.
Deixemo-la explicar o CD:
Vejam a louca entrando no palco… (e depois cantando):
E mais um:
Bem, o CD é sobre os castrati, meninos de boa voz que eram castrados a fim de mantê-la intacta. A esmagadora maioria não vingava e acabava prostituída nas ruas. A igreja, na época, impedia as mulheres de cantarem em seus atos religiosos e, bem, alguém tinha que fazer os agudos, né? Mas a absurda história destes mutilados está disponível em todo o lugar. O que me interessa é dizer que trata-se de mais um esplêndido trabalho da cantora preferida das gentes: Cecilia Bartoli.
Cecilia Bartoli — Sacrificium (2009)
1. Nicola Porpora – Come nave in mezzo [ 4:05] allonde [Siface] [ ]
2. Antonio Caldara – Profezie di me diceste [ 7:38] [Sedecia] [ ]
3. Francesco Araia – Cadro ma qual si mira [ 6:16] [Berenice] [ ]
4. Nicola Porpora – Parto ti lascio o cara [10:48] [Germanico in Germania] [ ]
5. Nicola Porpora – Unsignolo sventuratom [ 5:12] [Siface] [ ]
6. Carl Heinrich Graun – Misero pargoletto [10:08] [Demofoonte] [ ]
7. Nicola Porpora – In braccio a mille furie [ 2:52] [Semiramide riconosciuta] [ ]
8. Leonardo Leo – Qual farfalla [Zenobia in [ 5:29] [Palmira] [ ]
9. Nicola Porpora – Nobil onda [Adelaide] [ 4:56]
10.Carl Heinrich Graun – Deh tu bel Dio [ 3:43] damore [Adriano in Siria] [ ]
11.Leonardo Vinci – Chi temea Giove regnante [ 6:20] [Farnace] [ ]
12.Antonio Caldara – Quel buon pastor son io [10:29] [La morte dAbel fugura di quella…] [ ]
Cecilia Bartoli
Il Giardino Armonico
Giovanni Antonini
Guilherme Carneiro da Cunha Bauer, compositor e professor carioca, é atualmente um dos principais compositores da geração de vanguarda nascida nos anos 40 e 50. Formado exclusivamente no Brasil, foi aluno de violino de Iolanda Peixoto e Oscar Borgerth, e participou de grupos de câmara e da Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC. Em 1977 organizou o grupo Ars Contemporânea que, durante sete anos, realizou inúmeros concertos visando divulgar, principalmente, o repertório brasileiro. Como compositor, teve aulas com Cláudio Santoro (contraponto e composição), Esther Scliar (análise musical) e Guerra-Peixe (harmonia, contraponto, fuga, composição e orquestração), constituindo, com este último, sólida e enriquecedora amizade.Lecionou composição e orquestração na Universidade Estácio de Sá / RJ (1986 a 1999) e, desde 1983, vem lecionando na Escola de Música Villa-Lobos / RJ harmonia, contraponto, fuga, orquestração e composição.
Foi idealizador de dois importantes projetos de divulgação da música nacional: a gravação, em CD, de mais de 50 obras de compositores brasileiros pelo selo RioArte Digital, da Prefeitura do Rio de Janeiro e do Projeto Estréias Brasileiras, patrocinado pelo CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) que, em 1997, encomendou e estreou 33 obras de autores nacionais.
Deu palestras sobre música brasileira, em 1996, nas universidades da Flórida, Miami e Houston, nos EUA. Em 1999, no Conservatório Bruckner, Linz (Áustria), participou de um ensaio público de sua obra Reflexos, encomendada e estreada pelo George Crumb Trio.
Seguiu, em seu período inicial, a estética do atonalismo. Posteriormente adotou uma linguagem livre apoiada, muitas vezes, nas tradições musicais populares. Contabiliza um total de oito prêmios em concursos de composição, com destaque para o Prêmio ESSO de Música Erudita, Concurso Latino-Americano da UFBa e Prêmio da Sociedade Cultura Artística de São Paulo/SP. Recebeu, em 1998, o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) pelo Quarteto de Cordas nº 2.
O cd Partita Brasileira, lançado em outubro de 2002 e portador da etiqueta RioArte Digital, mais a chancela da Academia Brasileira de Música, aglomera parte da produção compreendida entre 1981 e 2001.
Durante a XVI Bienal de Música Brasileira Contemporânea, em novembro de 2005, foi realizada a primeira audição das Cadências para Piano e Orquestra, obra escrita através de uma Bolsa Vitae de Arte.
***
Partita Brasileira
1. Sugestões de inúbias (1991)
Flautas: Eduardo Monteiro e Alexandre Eisenberg
Trio (1980)
2. I. Andante com embolada
3. II. Allegro – batucada
Trio Fibonacci
Partita brasileira (1994/2001)
4. I. Prelúdio
5. II. Clamor
6. III. Canto
7. IV. Abaianado
8. V. Rabecando
Violino: Erich Lehninger
Duas peças para violoncelo e piano (1989/1993)
9. Recitativo
10. Retornos
Andreas Polzberger (cello) e Sven Birch (piano)
11. Quarteto n° 2 (1997)
Quarteto Moyzes
12. Cadências para violino e orquestra (1982)
Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Henrique Morelembaum
Violino: Erich Lehninger
13. Variações rítmicas, para piano e orquestra (1991)
Orquestra não identificada
Regente: Dante Anzolini
Piano: Ruth Serrão
Já que mencionei as Cadências para piano e orquestra, me lembrei elas ganharam semana passada o prêmio de melhor obra experimental de 2008 (não sei o que elas têm de experimental) da APCA. Mando-as junto com uma pecinha curta em dois movimentos.
14. Cadências para piano e orquestra (2005)
Gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles, durante a XVI Bienal de Música Contemporânea Brasileira, em 2005
Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Luís Gustavo Petri
Piano: Midori Maeshiro
Instantes pianísticos (2003)
15. I. Mutações
16. II. Frequências
Estou ouvindo todos os meus CDs. Esta série já foi postada no passado e agora deverá voltar sem prazo ou ordem. Quando postamos pela primeira vez, postamos sem texto. Devo explicar algo sobre a excelente orquestra responsável pela série. A Orquestra de Câmara de Colônia (Kölner Kammerorchester) executa principalmente música clássica e barroca, mas também é conhecida por tocar uma variedade de músicas dos séculos XIX e XX, incluindo obras contemporâneas. A orquestra utiliza um conjunto padrão de instrumentos orquestrais modernos em suas apresentações. O que achei curioso é a forma com que eles combinam práticas performáticas históricas com instrumentação contemporânea.
J. S. Bach (1685-1750): Obras Orquestrais Completas (CD 2 de 8) (Cologne Chamber Orchestra, Helmut Müller-Brühl)
Violin Concertos, BWV 1041-1043 and BWV 1052
Violin Concerto in A minor, BWV 1041
Performed by:Cologne Chamber Orchestra
Conducted by:Helmut Muller-Bruhl
Kolja Blacher, violin
I. Allegro 03:21
II. Andante 05:32
III. Allegro assai 03:36
Violin Concerto in E major, BWV 1042
Performed by:Cologne Chamber Orchestra
Conducted by:Helmut Muller-Bruhl
Kolja Blacher, violin
I. Allegro 07:14
II. Adagio 05:38
III. Allegro assai 02:44
Violin Concerto in D minor, BWV 1052
Performed by:Cologne Chamber Orchestra
Conducted by:Helmut Muller-Bruhl
Kolja Blacher, violin
I. Allegro 07:23
II. Adagio 06:10
III. Allegro 07:27
Concerto for 2 Violins in D minor, BWV 1043
Performed by:Cologne Chamber Orchestra
Conducted by:Helmut Muller-Bruhl
Christine Pichlmeier, violin
Lisa Stewart, violin
I. Vivace 03:36
II. Largo ma non tanto 06:24
III. Allegro 04:43