Gustav Mahler (1860-1911): Adágios

Gustav Mahler (1860-1911): Adágios

Tal como os discos dos funerais (ou músicas que sugerimos pera seu velório) que postei na sexta-feira santa, esta é mais uma estranha coletânea. Eu odeio coletâneas desde a época dos LPs de gatinhos. Os tais greatest hits (argh!) costumam ser uma mistureca braba e o fato de serem feitos de “melhores lances” (?) impede a fruição de uma obra completa, normalmente contrastante, como o compositor criou e desejava que fosse ouvida. Falta respeito e espírito concertístico a quem cria esses monstros. Mas sei, claro, que servem de introdução para quem não conhece nada de determinado compositor ou gênero. Então, vá lá. E aqui termina a PARTE ELITISTA desta introdução.

O importante deste novo CD duplo é que a orquestra é basicamente a de Chicago e os regentes são Solti e Chailly. Não são second choices. Tudo de primeira linha, ou seja, quem ainda está tateando na música erudita já começa a aprender como soa uma boa orquestra. A música de Mahler é indizivelmente grandiosa, apesar de ser bem esquisito ouvir uma série de adágios uns atrás dos outros. É a negação do contraste, ainda mais num compositor tão dotado de repentinos ódios e momentos sublimes como Mahler.

Curioso.

Gustav Mahler (1860-1911): Adágios

1. Symphony No.5 In C Sharp Minor – 4. Adagietto (Sehr Langsam) 9:46
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

2. Symphony No.2 In C Minor – ”Resurrection” – 4. ”O Röschen Rot! Der Mensch Liegt In Grösster Not!” (Sehr Feierlich Aber Schlicht) Text From Des Knaben Wunderhorn: ”Urlicht” 4:58
Mira Zakai (contralto)
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

3. Symphony No.4 In G – 3. Ruhevoll (Poco Adagio) 20:13
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

4. Das Lied Von Der Erde – Der Abschied Yvonne Minton 31:52
Yvonne Minton (mezzo-soprano)
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

5. Rückert-Lieder – Ich Bin Der Welt Abhanden Gekommen 6:19
Brigitte Fassbaender (mezzo-soprano)
Deutsches Symphonie-Orchestre Berlin · Riccardo Chailly

6. Symphony No.6 In A Minor – 3. Andante Moderato 15:34
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

7. Symphony No.3 In D Minor/Part 2 – 6. Langsam. Ruhevoll. Empfunden 20:49
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

8. Symphony No.9 In D – 4. Adagio (Sehr Langsam) 24:51
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

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Solti está por todo lado nesta coletânea.
Solti está por todo lado nesta coletânea.

PQP

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 4 (CD 5 de 16) (Bernstein)

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 4 (CD 5 de 16)  (Bernstein)

A Sinfonia Nº 4 de Gustav Mahler é a INTRODUÇÃO IDEAL a quem queira penetrar neste mundo paradoxal de sofisticação e enormidades musicais, de ciclotimias e longos adágios, de bandinhas tradicionais e alta cultura. Sem as tolices musicais e políticas de alguns de seus ascendentes, Mahler segue a construção de sua obra virando o jogo na quarta sinfonia. É uma música transparente, doce e fluida, muitas vezes de instrumentação rarefeita, delicada. É a sinfonia mais simples e curta da série. Após dois movimentos de arrebatadora e mozartiana musicalidade, temos um arrepiante movimento lento (Ruhevoll) levado pelas cordas, típico do mais puro Mahler, que é finalizado por um movimento que o compositor chama com toda a razão de “muito agradável”, extraído do ciclo de canções Des Knaben Wunderhorn, minha próxima postagem.

Grande e belíssima música, é, repito, a introdução ideal às sinfonias de Mahler.

Sobre a Quarta Sinfonia, FDP Bach escreveu:

Mais uma sinfonia mahleriana, desta vez a de nº 4. Como as outras três já postadas aqui nesta integral, a 4ª também se inclui no chamado ciclo das “Wunderhorn” Symphonies, ou seja, estas sinfonias se baseavam em temas e letras de seu ciclo de canções composto na juventude, “Des Knaben Wunderhorn”. Maiores informações sobre a sinfonia vocês podem encontrar aqui.

Em minha opinião, Bernstein comete uma temeridade nesta interpretação. Ele coloca uma criança para interpretar a canção “Das himmlische Leben”. Mas, mesmo sendo uma temeridade, pelo porte da obra, achei que o jovem Helmut Wittek se saiu muito bem. E Bernstein consegue um balanço mais suave, para que a orquestra não engula o jovem cantor.

No link acima, se encontrará a letra da canção, e sua respectiva tradução para o inglês.

Mais uma magnífica sinfonia, deste grande mestre da orquestração.

CD5

Gustav Mahler – Symphony Nº 4

01. Bedächtig. Nicht eilen
02. In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast
03. Ruhevoll
04. Sehr behaglich `Wir geniessen die himmlischen Freuden` (soprano solo)

Helmut Wittek : soprano
Jaap van Zweden : violin solo
Concertgebouw Orchestra
Leonard Bernstein

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Lenny07

PQP

Prokofiev / Crumb / Webern / Respighi: Recital 2000 com Mutter e Orkis

Prokofiev / Crumb / Webern / Respighi: Recital 2000 com Mutter e Orkis

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Excelente CD de obras para violino e piano do século XX. Tudo começa com a bela Sonata de Prokofiev em contraste direto com os Quatro Noturnos de Crumb, uma viagem sonora fragmentada, preenchida com harmonias sutis, o mesmo clima que se ouvirá nas quatro peças de Webern. A coisa cai um pouco no Respighi, como era de se esperar. Mutter e Orkis são a melhor dupla violino e piano em ação. Fazem o que querem. 

(Bem, eu costumo ouvir, em casa, minha mulher tocar esta Sonata de Prokofiev com um amigo pianista. Eles tocam mais lentamente… Então, acho que certa desaceleração faz um bem tremendo àquele sensacional Scherzo).

Prokofiev / Crumb / Webern / Respighi: Recital 2000 com Mutter e Orkis

1 Prokofiev: Sonata for Violin and Piano No.2 in D, Op.94a – 1. Moderato 7:35
2 Prokofiev: Sonata for Violin and Piano No.2 in D, Op.94a – 2. Scherzo (Presto) 4:47
3 Prokofiev: Sonata for Violin and Piano No.2 in D, Op.94a – 3. Andante 3:36
4 Prokofiev: Sonata for Violin and Piano No.2 in D, Op.94a – 4. Allegro con brio 6:56

5 Crumb: Four Nocturnes (Night Music II) – for violin and piano – Notturno I: serenamente 2:51
6 Crumb: Four Nocturnes (Night Music II) – for violin and piano – Notturno II: scorrevole, vivace possibile 1:28
7 Crumb: Four Nocturnes (Night Music II) – for violin and piano – Notturno III: contemplativo 2:11
8 Crumb: Four Nocturnes (Night Music II) – for violin and piano – Notturno IV: con un sentimento di nostalgia 2:38

9 Webern: Four Pieces, Op.7 – for violin and piano – 1. Sehr langsam 1:26
10 Webern: Four Pieces, Op.7 – for violin and piano – 2. Rasch 1:32
11 Webern: Four Pieces, Op.7 – for violin and piano – 3. Sehr langsam 1:31
12 Webern: Four Pieces, Op.7 – for violin and piano – 4. Bewegt 1:09

13 Respighi: Sonata for Violin and Piano in B minor – 1. Moderato 9:28
14 Respighi: Sonata for Violin and Piano in B minor – 2. Andante espressivo 8:04
15 Respighi: Sonata for Violin and Piano in B minor – 3. Passacaglia – Allegro moderato ma energico 7:45

Anne-Sophie Mutter, violino
Lambert Orkis, piano

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Eu hoje acordei assim
Eu hoje acordei assim

PQP

Gustav Mahler (1860-1911) – Des Knaben Wunderhorn (CD 6 de 16) (Bernstein)

Gustav Mahler (1860-1911) – Des Knaben Wunderhorn (CD 6 de 16) (Bernstein)


Des Knaben Wunderhorn significa A trompa mágica do menino, e é uma coleção de textos de canções populares, publicada por Clemens Brentano e Achim von Arnim no começo do século XIX. A coleção contém basicamente canções da Idade Média. Algumas das canções foram musicadas por Gustav Mahler entre 1892 e 1901. Ela são apresentadas em qualquer seqüência, depende dos intérpretes. Há controvérsias sobre o número delas, alguns dizem que são 12; outros, que são 24. Bernstein nos mostra 13… No ciclo há canções extraordinárias, como Wer hat dies Liedlein erdacht (melhor na gravações de von Otter + Abbado), Des Antonius von Padua Fischpredigt, Wo die schönen Trompeten blasen, mas as outras não são piores, não. Questão de gosto.

CD6

Gustav Mahler – Leonard Bernstein – Des Knaben Wunderhorn

01. Der Schildwache Nachtlied
02. Wer hat dies Liedlein erdacht
03. Der Tamboursg’sell
04. Das irdische Leben
05. Verlorne Müh’
06. Des Antonius von Padua Fischpredigt
07. Revelge
08. Rheinlegendchen
09. Lob des hohen Verstandes
10. Wo die schönen Trompeten blasen
11. Lied des Verfolgten im Turm
12. Trost im Unglück
13. Urlicht

Lucia Popp : soprano
Andreas Schmit : baritone
Concertgebouw Orchestra
Leonard Bernstein

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Lenny06

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Astor Piazzolla (1921-1992): Tangos del Ángel y del Diablo

Astor Piazzolla (1921-1992): Tangos del Ángel y del Diablo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Neste quase Natal, um presente para os pequepianos: uma bela coletânea dos Tangos do Anjo e do Diabo de Astor Piazzolla com o compreensivo e super internacional ChamberJam Europe. Às vezes tenho a impressão de que tenho um anjo sobre meu ombro direito me sussurrando coisas. Como não há sentido em existir um anjo sem seu respectivo diabo, tenho no ombro esquerdo, é claro, o diabo com suas armas e habilidades superiores de persuasão. E aqui, neste CD, o diabo volta, de certa forma, a vencer. O Romance del Diablo é uma maravilha e, do lado do anjo, o melhor que há é La Muerte del Angel. Mas tudo isso é brincadeira.  Ouçam o CD porque vale a pena.

(Há pequenos ruídos em uma ou duas faixas, mas nada que vá matar alguém. Se você tiver o CD sem falhas em mp3, envie-nos as correções que a gente dá um jeito).

Astor Piazzolla (1921-1992): Tangos del Ángel y del Diablo

1 Introduccion al Angel 5:31
2 Milonga del Angel 6:49
3 La Muerte del Angel 3:00
4 Resurreccion del Angel 7:20
5 Tango del Diablo 4:25
6 Romance del Diablo 7:10
7 Vayamos al Diablo 1:47

ChamberJam Europe:
Natacha Kudritskaya, piano
Marcelo Nisinman, bandoneon
Daniel Rowland, violin
Alberto Mesirca, guitar
Zoran Markovic, double-bass

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O pessoa do ChamberJam Europe dando um rolê por aí
O pessoa do ChamberJam Europe dando um rolê por aí

PQP

Prokofiev (1891-1953): Cello Concerto, Op. 58, Music For Children, Op. 65 / Shostakovich (1906-1975): Cello Concerto No. 1, Op. 107

Prokofiev (1891-1953): Cello Concerto, Op. 58, Music For Children, Op. 65 / Shostakovich (1906-1975): Cello Concerto No. 1, Op. 107

Há um CD análogo a este gravado por Rostropovich e Ozawa. Mesmo repertório e, bem, interpretação muito melhor. Isserlis dá um jeito de dobrar as coisas a seu modo e não apenas toma um chocolate de Rostrô como também de outra dupla mais contemporânea presente no PQP Bach, Mørk e Petrenko. (Só que os últimos não tocam Prokofiev, só o 1º Concerto de Shosta). Estas duas gravações pulverizam o leve Isserlis, um cabeludo sonhador — nada contra — meio desconectado dos sentimentos que criaram tal música. Rapaz, esta não é música para cellistas românticos, é para gente grande e implacável.

Prokofiev (1891-1953): Cello Concerto, Op. 58, Music For Children, Op. 65 /
Shostakovich (1906-1975): Cello Concerto No. 1, Op. 107

Serge Prokofiev (1891-1953): Cello Concerto In E Minor, Op. 58
01. 1. Andante
02. 2. Allegro Giusto
03. 3a. Tema- Allegro; Interludio- L’Istesso Tempo
04. 3b. Var. 1- L’Istesso Tempo
05. 3c. Var. 2- Vivace
06. 3d. Var. 3- Andantino Tranquillo; Interludio II- Tempo I
07. 3e. Var. 4- L’Istesso Tempo
08. 3f. Reminiscenza- Meno Mosso
09. 3g. Coda- Poco Più Sostenuto

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Cello Concerto #1 In E Flat, Op. 107
10. 1. Allegretto
11. 2. Moderato
12. 3. Cadenza
13. 4. Allegro Con Moto

Serge Prokofiev (1891-1953): Music For Children, Op. 65
14. #10 March

Steven Isserlis, cello
Frankfurt Radio Symphony Orchestra
Paavo Järvi, regente

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Prokofiev e Shostakovich num daqueles alegres encontros de compositores soviéticos
Prokofiev e Shostakovich num daqueles animados encontros de compositores soviéticos

PQP

Gustav Mahler (1860-1911): Symphony No. 5 (Hermann Scherchen, 1953)

Gustav Mahler (1860-1911): Symphony No. 5 (Hermann Scherchen, 1953)

Eu não sou desses caras malucos por gravações históricas. Esta aqui me interessou mais por envolver Hermann Scherchen (1891-1966) — na minha opinião um grande e originalíssimo regente — do que por Mahler, apesar da imensa admiração que tenho pelo compositor. Os discos de Scherchen com arranjos e regências para A Arte da Fuga e A Oferenda Musical, de Bach, quase furaram na casa de meu pai. Passei grande parte da adolescência ouvindo-os repetidamente e lendo uma frase de Scherchen na contracapa: “A música não precisa ser entendida, ela precisa ser ouvida”. Era exatamente isso que eu fazia.

Bem, o som não é lá essas coisas, mas Scherchen faz um excelente Mahler. Não curti muito o primeiro movimento, mas o resto é indiscutivelmente bom. Em mim, não é automática a lembrança de A Morte em Veneza a cada audição do Adagietto, mas desta vez fiquei tão emocionado que o filme de Visconti me veio logo à memória. Vale a audição!

(Ah, antes que alguém reclame: o selo da Amazon acima é de outra gravação do mesmo Scherchen para a mesma obra, mas outra orquestra, OK?)

Gustav Mahler: Symphony No. 5 (Hermann Scherchen, 1953)

1. Part One, Movement I: Trauermarsch. In gemessenem Schritt.
2. Movement II: Stürmisch bewegt. Mit größter Vehemenz
3. Part Two, Movement III: Scherzo. Kräftig, nicht zu schnell
4. Part Three, Movement IV: Adagietto. Sehr langsam
5. Movement V: Rondo – Finale. Allegro

Hermann Scherchen
Vienna State Opera Orchestra

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Hermann Scherchen, esse foi foda.
Hermann Scherchen, esse foi foda.

PQP

John Adams (1947): The Chairman Dances

John Adams (1947): The Chairman Dances

chairman dances

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este LP de 1986, traz aquilo que seria o warm-up da ópera Nixon in China. O som é perfeitíssimo, nem pense em recuar.

The Chairman Dances não são um trecho nem uma “fantasia sobre temas” — não são como as Danças de West Side Story, de Bernstein, por exemplo –, era um aquecimento para a criação da ópera completa. É música original. Em 1985, Adams tinha recebido um adiantamento da Milwaukee Symphony para uma peça, mas, ao mesmo tempo, estava envolvido com a ópera. O que saiu foi algo baseado na ópera, mas independente. Afinal, na cena final e surreal da ópera, Madame Mao interrompe as formalidades cansativas ​​de um banquete de Estado, quebra o protocolo e convida o Presidente, que está presente apenas como um gigantesco cartaz na parede, “to come down, old man, and dance.”

Adams é um compositor genial. The Chairman Dances vêm aqui acompanhadas de outras peças que comprovam o fato. O discurso minimalista religioso de Christian Zeal And Activity é extraordinário. Common Tones In Simple Time (1979) é a primeira obra orquestral de Adams — veio antes de Shaker Loops –, mas onde já se mostra um compositor pronto.

***

John Adams: The Chairman Dances

1. The Chairman Dances (Foxtrot For Orchestra)
2. Christian Zeal And Activity
3. Two Fanfares For Orchestra: Tromba Lontana
4. Two Fanfares For Orchestra: Short Ride In A Fast Machine
5. Common Tones In Simple Time

San Francisco Symphony Orchestra
Edo de Waart

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Rapaz, esse negócio de compor bem dá um trabalho... | Foto: Margaretta Mitchell
Rapaz, esse negócio de COMPOR BEM dá um trabalho… | Foto: Margaretta Mitchell

PQP

Alberto Ginastera (1916-1983): Popol Vuh e Cantata para a América Mágica

Alberto Ginastera (1916-1983): Popol Vuh e Cantata para a América Mágica


Honestamente, não sei nada sobre essas duas obras de Ginastera, nada mesmo, apenas comprei o CD para conhecê-las e decidi postar porque devem ter sua importância no catálogo do compositor argentino (tem um encarte que fala sobre elas mas preferi não lê-lo). Não achei nada de excepcional, mas percebi que se tratam de duas partituras de tempos em que Ginastera estava consagrado embora elas mostrem um tratamento percussivo já desenvolvido no balé Estância, décadas antes.

***

Ginastera: Popol Vuh, Cantata para América Mágica

Popol Vuh op. 44 (1975–1983) 25:16
La creación del mundo maya · The Creation of the Mayan World
for orchestra

[01] I La noche de los tiempos 06:35
Die Nacht der Zeiten · The Everlasting Night · La nuit des temps

[02] II El nacimiento de la tierra 04:30
Die Geburt der Erde · The Birth of the Earth · La naissance de la terre

[03] III El despertar de la naturaleza 04:55
Das Erwachen der Natur · Nature Wakes · L’éveil de la nature

[04] IV El grito de la creación 00:40
Der Schrei der Schöpfung · The Cry of Creation · Le cri de la création

[05] V La gran lluvia 02:43
Der große Regen · The Grand Rain · La grande pluie

[06] VI La ceremonia mágica del maíz 02:39
Die Magische Maiszeremonie · The Magic Ceremony of Indian Corn · La cérémonie magique du maïs

[07] VII El sol, la luna, las estrellas 03:14
Die Sonne, der Mond, die Sterne · The Sun, the Moon, the Stars · Le soleil, la lune, les étoiles

Cantata para América Mágica op. 27 (1960) 24:18
for dramatic soprano and percussion orchestra
on poems by Mercedes de Toro after ancient pre-Columbian manuscripts

[08] I Preludio y canto a la aurora 04:56
Vorspiel und Gesang an den Sonnenaufgang · Prelude and Song of Dawn · Prélude et chant à l’aurore

[09] II Nocturno y canto de amor 03:59
Nocturne und Liebesgesang · Nocturne and Love Song · Nocturne et chant d’amour

[10] III Canto para la partida de los guerreros 02:08
Gesang zum Aufbruch der Krieger · Song for the Warriors’ Departure · Chant pour le départ des guerriers

[11] IV Interludio fantástico 03:51
Fantastisches Zwischenspiel · Fantastic Interlude · Interlude fantastique

[12] V Canto de agonía y desolación 05:36
Gesang von Agonie und Verzweiflung · Song of Agony and Desolation · Chant d’agonie et de désolation

[13] VI Canto de la profecía 03:49
Prophetischer Gesang · Song of Prophecy · Chant de la prophétie

Rayanne Dupuis (soprano)
Bugallo-Williams Piano Duo
Ensemble_S
Schlagzeugensemble der Musikhochschule Köln
WDR Sinfonieorchester Köln
Stefan Asbury (conductor)

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Ilustração de um exemplar do Popol vuh, do idioma quiché, “livro da comunidade”. É um registro documental da cultura maia, produzido no século XVI, e que tem como tema a concepção de criação do mundo deste povo.
Ilustração de um exemplar do Popol vuh, do idioma quiché, “livro da comunidade”. É um registro documental da cultura maia, produzido no século XVI, e que tem como tema a concepção de criação do mundo deste povo.

CVL

John Antill (1904-1986): Corroboree e An Outback Overture

John Antill (1904-1986): Corroboree e An Outback Overture

Quando li na contracapa deste CD – o qual repousava esquecido numa prateleira da Livraria da Travessa do Shopping Leblon (ou será que foi na Fnac do Barra Shopping?) – que a Abertura Outback* é uma “charmosa peça para início de concertos, reminiscente da energia rítmica de Stravinsky, de melodias britânicas folclóricas, da influência harmônica de Copland e do humor de [Percy] Grainger [o compositor australiano mais proeminente]”, pensei de sobressalto: “Onde vai dar essa bobônica**?”.

Mas o que chamou a atenção foi o nome da obra principal do CD, Corroboree, um ritual aborígene da terra dos cangurus que o compositor teve o privilégio de testemunhar ainda criança. Minha expectativa era de que, influenciado por tanto compositor de fora do país***, Antill tivesse pelo menos bom gosto e maestria caso não tivesse uma personalidade própria.

E valeu a expectativa: a Abertura Outback pode até soar convencional (digo, meio Malcolm Arnold ou Ferde Grofé), mas é uma partitura decente, e o balé Corroboree é belíssimo. Os cinco minutos finais do último movimento surpreendem – até minha netinha de um ano e meio ficou pulando no meu bucho de chope empolgada, tentando marcar o ritmo na minha careca.

Agora, a Austrália entra no mapa de nosso blog.

***

* Qualquer semelhança com a rede de churrascarias australiana é parcial coincidência: não tem nada a ver com a rede, mas tem com o Outback propriamente dito (os rincões do sertão australiano) .

** “Bobônica” é uma palavra que aprendi numa de minhas viagens a trabalho no Recife (ou será que foi em Maceió?). Talvez tenha sido com um pernambucano que tenha estado na minha residência, na praia do Leme, ou em minha casa de praia em Natal.

*** Já que a identidade cultural do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia não tem muitas raízes na própria terra.

***

John Antill (1904-1986): Corroboree e An Outback Overture

1. An Outback Overture: Outback Overture
2. Corroboree: I. Welcome Ceremony
3. Corroboree: II. Dance to the Evening Star
4. Corroboree: III. A Rain Dance
5. Corroboree: IV. Spirit of the Wind
6. Corroboree: V. Rising Sun
7. Corroboree: VI. The Morning Star
8. Corroboree: VII. Procession of the Totems and Closing Ceremony

New Zealand Symphony Orchestra, regida por James Judd

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Vocês pensam que é fácil encontrar fotos de John Antill?
Vocês pensam que é fácil encontrar fotos de John Antill?

CVL

Mzilikazi Khumalo (1932): Five African songs / Peter Louis Van Dijk (1953): San Gloria and San Chronicle / Samuel Akpabot (1931-2000): Three Nigerian Dances

Mzilikazi Khumalo (1932): Five African songs / Peter Louis Van Dijk (1953): San Gloria and San Chronicle / Samuel Akpabot (1931-2000): Three Nigerian Dances

Eu nunca havia escutado obras eruditas de compositores africanos (na verdade eu nem conhecia compositores africanos e o único expoente das artes subsaarianas famoso no Brasil, Bengalelê Motumbo, não estudou música), até que uma boa oportunidade surgiu quando comprei esse CD.

Falando um pouco do repertório do disco: as Cinco canções africanas são canções folclóricas sul-africanas bem conhecidas naquele país e que foram arranjadas para coral por Khumalo, mas aqui elas aparecem no arranjo orquestral criado por Peter Van Dijk (diz-se “Van Déique”). São as duas obras desse holandês radicado na África do Sul que valem o download, principalmente o San Gloria, baseadas na música do povo San.

Agora, África do Sul, Holanda e Nigeria entram para o mapa do blog.

***

Mzilikazi Khumalo (1932): Five African songs / Peter Louis Van Dijk (1953): San Gloria and San Chronicle / Samuel Akpabot (1931-2000): Three Nigerian Dances

Khumalo, Mzilikazi
5 African Songs (orch. Peter Louis Van Dijk)
1. Bantu Be – Afrika Hlanganani 00:03:13
2. Bawo Thixo Somandla 00:03:50
3. Sizongena Laph’emzini 00:04:32
4. Ingoma kaNstikana 00:04:28
5. Akhala Amaqhude Amabile 00:03:58

Van Dijk, Peter Louis
San Gloria
6. Gloria in excelsis Deo 00:02:28
7. Et in terra pax hominibus, bonae voluntatis 00:02:59
8. Laudamus te 00:02:38
9. Domine Deus, Agnus Dei – Quoniam tu solus sanctus 00:06:51

Akpabot, Samuel
3 Nigerian Dances
10. Allegro moderato 00:02:47
11. Andante cantabile 00:03:45
12. Allegretto 00:02:04

Van Dijk, Peter Louis
San Chronicle (for Chamber Orchestra)
13. San Chronicle 00:19:22

South African Broadcasting Corporation National Symphony Orchestra
South African Broadcasting Corporation Chamber Choir
Richard Cock

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James Stephen Mzilikazi Khumalo quando jovem (e barrigudinho)
James Stephen Mzilikazi Khumalo quando jovem (e barrigudinho)

CVL

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Por questões que não me cabe explicar aqui, esta é a Sinfonia de Mahler de que mais gosto. Procuro ouvir todas as versões desde o tempo do vinil… E não poderia deixar passar assim no mais a gravação de Boulez com um supertime. É um registro impecável, maravilhoso, com os solistas e a Wiener Philharmoniker dando um banho de competência. Merece ficar ao lado da versão de Bernstein.

Esta é a mais longa sinfonia de Mahler — tem seis movimentos e quase duas horas de duração. Aqui, o conceito de Mahler que previa a sinfonia como um mundo em si mesmo encontra sua expressão mais clara, em minha opinião. O tema principal do terceiro movimento é a natureza e o lugar do homem nela. A principal inspiração literária foi, como quase sempre, Das Knaben Wunderhorn e Nietzsche. Tal como na Ressurreição, a 3ª é uma sinfonia cantada a partir de determinado momento. O programa original funcionou assim: “The Joyful Knowledge: A Summer Morning’s Dream”. I. Pan Awakes: Summer Marches In; II. What the Meadow Flowers Tell Me; III. What the Creatures of the Forest Tell Me; IV. What Night Tells Me (Mankind); V. What the Bells Morning Tell Me (the Angels); VI. What Love Tells Me; e VII. The Heavenly Life (What the Child Tells Me). Depois, Mahler retirou o sétimo movimento e usou-o como núcleo da Quarta Sinfonia. Aos inexperientes, um conselho: ouçam em volume bem alto para ouvir tudo, OK?

Gustav Mahler: Symphony No.3 in D minor

1) 1. Kräftig. Entscheiden [33:34]
2) 2. Tempo di minuetto. Sehr mäßig [9:27]
3) 3. Comodo. Scherzando. Ohne Hast [16:38]

1) 4. Sehr langsam. Misterioso: “O Mensch! Gib acht!” ‘O Mensch! Gib acht’ [9:17]
2) 5. Lustig im Tempo und keck im Ausdruck: “Bimm Bamm. Es sungen drei Engel” [4:05]
3) 6. Langsam. Ruhevoll. Empfunden [22:22]

Anne Sofie von Otter
Wiener Philharmoniker
Pierre Boulez
Women Chorus of Singverein der Gesellschaft der Musikfreunde
Johannes Prinz
Wiener Sängerknaben
Gerald Wirth

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Boulez arredondando tudo.
Boulez arredondando tudo.

 

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J. Brahms (1833-1897) e B. Bartók (1881-1945): Concertos Nº 1 para Violino

J. Brahms (1833-1897) e B. Bartók (1881-1945): Concertos Nº 1 para Violino

Sem o desejo de ofender nenhum pequepiano apaixonado, parece-me que o Concerto para Violino de Brahms da holandesa Janine Jansen encontra-se um degrau abaixo desta e desta gravações, só para dar dois exemplos modernos de registros feitos por violinistas mulheres. É claro que aqui nos encontramos em nível altíssimo de exigência, é claro que este CD é excelente, mas o que fazer? O Concerto de Brahms é uma das principais peças para o instrumento, é difícil — o grande Hans von Bülow exagerou um pouco ao descrevê-lo como sendo escrito “contra o violino” — e costumamos ouvir verdadeiras lendas interpretá-lo. Já no Concerto de Bartók, a moça dá um show de competência e senso de estilo. Não era para menos: com um pai cravista, uma mãe cantora lírica e um irmão cellista, ela só poderia dar boa mesmo.

J. Brahms (1833-1897) e B. Bartók (1881-1945): Concertos Nº 1

1 Brahms: Violin Concerto in D, Op.77 – 1. Allegro non troppo 22:13
2 Brahms: Violin Concerto in D, Op.77 – 2. Adagio 8:28
3 Brahms: Violin Concerto in D, Op.77 – 3. Allegro giocoso, ma non troppo vivace – Poco più presto 8:02

4 Bartók: Violin Concerto No.1, Sz36 – 1. Andante sostenuto (Op.posth) 8:40
5 Bartók: Violin Concerto No.1, Sz36 – 2. Allegro giocoso (Op.posth) 11:46

Janine Jansen
Orchestra dell’Accademia Nazionale di Santa Cecilia (Brahms)
London Symphony Orchestra (Bartók)
Antonio Pappano

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Janinie Jansen e seu Stradivari "Barrere" de 1727
Janine Jansen e seu Stradivari “Barrere”, de 1727, que usa dentro de um empréstimo de longa duração viabilizado pelo Elise Mathilde Fonds

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Johann Sebastian Bach (1685-1750): Violin Concertos

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Violin Concertos

Para começar, eu adoro Alina Ibragimova. Ela é um brilhante exemplo do jovem solista moderno, tão confortável adotando instrumentos de época, como em estrear novas obras ou descobrir um repertório negligenciado. Sua nova gravação de Concertos para Violino de Bach abre com dois concertos que Bach escreveu realmente para o violino: os BWV 1041 e 1042. Ao lado deles, Ibragimova oferece três concertos que são reconstruções de concertos para teclado, dois dos quais provavelmente tiveram origem em concertos perdidos para violino. Se tudo isso soa um pouco formal e acadêmico, as performances de Ibragimova não são nada disso. Há exuberância, graça e criatividade na forma como ela aponta os ritmos de dança. Nos movimentos lentos, há grande intimidade e calma, como se estivéssemos ouvindo uma conversa entre amigos ou amantes. Seus acompanhantes são os 14 membros da Arcangelo, dirigidos a partir do cravo por Jonathan Cohen.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Violin Concertos

Violin Concerto in A minor BWV1041[12’17]
1 [Allegro moderato][3’43]
2 Andante[5’16]
3 Allegro assai[3’18]

Violin Concerto in E major BWV1042[14’55]
4 Allegro[7’02]
5 Adagio[5’28]
6 Allegro assai[2’25]

Violin Concerto in A major BWV1055[13’11]
7 Allegro[4’05]
8 Larghetto[5’17]
9 Allegro ma non tanto[3’49]

Violin Concerto in G minor BWV1056[9’01]
10 Allegro[3’06]
11 Adagio[2’33]
12 Presto[3’22]

Violin Concerto in D minor BWV1052[19’27]
13 Allegro[6’55]
14 Adagio[5’32]
15 Allegro[7’00]

Alina Ibragimova (violin)
Arcangelo
Jonathan Cohen (conductor)

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Ibragimova, muito melhor do que Ibrahimovic
Ibragimova, muito melhor do que Ibrahimovic

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (CD 7 de 16) (Bernstein)

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (CD 7 de 16) (Bernstein)

Mahler compôs dois movimentos da quinta durante o verão de 1901 e a completou no outono de 1902. A primeira apresentação ocorreu em Colônia em 1904. A sinfonia recebeu várias e várias revisões. Os cinco movimentos podem ser divididos em três seções: o centro, representado pelo gigantesco scherzo, cercados por dois movimentos lentos — o segundo nem tanto –, tendo estes outros dois, mais agitados, a os cercarem.

A fanfarra de trompete que abre a sinfonia mais parece uma reminiscência de caserna, coisa familiar à infância do compositor, até que é tomada por uma marcha fúnebre. O segundo movimento fragmenta de forma tumultuada o tema dos trompetes do primeiro movimento. É agressivo e enérgico, mas carrega uma indicação de esperança num tema coral que depois será retomado com alegria no quinto movimento. O espetacular scherzo — maravilhosamente construído — é uma mescla distorcidas de valsas com Ländler. O adagietto para cordas e harpa é a lindíssima canção sem palavras utilizada por Luchino Visconti em seu filme Morte a Venezia (A Morte em Veneza), de 1971, baseado na obra de Thomas Mann. Como parece um longo e pungente hino de amor, ficou perfeito como o tema de Tadzio, oferecido por Aschenbach. O rondó final une a sinfonia inteira, retornando ao tela coral do segundo movimento. Inicia com temas quase infantis e encerra-se em enorme alegria.

Um sinfonia absolutamente espetacular de um compositor equilibrado e seguro. Daqui para a frente nem sempre seria assim, mas isso está longe de indicar decadência.

FDP Bach escreveu (aqui, foi ele o minimalista):

Eis a talvez mais famosa sinfonia mahleriana, aquela que contém o famoso adagieto que tocou no belíssimo filme de Visconti, “Morte em Veneza”, e que em minha cabeça ficou associada para sempre a este filme magnífico.

Para uma análise mais detalhada da obra, sugiro ler aqui. Como sempre, a interpretação estará nas mãos de Leonard Bernstein, mas desta vez novamente à frente da Filarmônica de Viena. Uma grande performance deste que foi um dos grandes especialistas mahlerianos no século XX.

Gustav Mahler – Symphonie No. 5 in C-sharp minor

01. I. Trauermarsch. In gemessenem Schritt. Streng. Wie ein Kondukt
02. II. Stürmisch bewegt. Mit größter Vehemenz
03. III. Scherzo. Kräftig, nicht zu schnell (feat. horn Friedrich Pfeiffer)
04. IV. Adagietto. Sehr langsam
05. V. Rondo-Finale. Allegro – Allegro giocoso. Frisch

Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein

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Mahler era uma figuraça regendo. Mas o resultado era estupendo, dizem.

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.: intermezzo :. Eric Dolphy (com Booker Little): Far Cry (1960)

.: intermezzo :. Eric Dolphy (com Booker Little): Far Cry (1960)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este disco é mais uma daquelas coisas maravilhosas saídas deste gênio morto aos 36 anos da forma mais estúpida que se possa imaginar. Na tarde de 18 de Junho de 1964, Eric Dolphy caiu nas ruas de Berlim e foi levado a um hospital. Os enfermeiros, que não sabiam que ele era diabético, pensaram que ele (como acontecia a muitos jazzistas) era presa de uma overdose. Deixaram-no, então, num leito até que passasse o efeito das “drogas”. E Dolphy morreu após o coma diabético. Bastava-lhe uma injeção.

Far Cry tem uma história notável. No mesmo dia, pela manhã, Dolphy gravou com o grupo de free jazz de Ornette Coleman. Depois, foi gravar Far Cry com Booker Little e um grupo onde estava o estreante Ron Carter. E eles gravaram todo o álbum naquele dia. Todo. Ah, Booker Little morreria ainda antes de Dolphy. Morreu no ano seguinte (1961), aos 23 anos… De uremia. Nada de drogas, amigos.

Eric Dolphy (com Booker Little): Far Cry (1960)

1. Mrs. Parker Of K.C. (Bird’s Mother) 8:01
2. Ode To Charlie Parker 8:42
3. Far Cry 3:53
4. Miss Ann 4:15
5. Left Alone 6:39
6. Tenderly 4:18
7. It’s Magic 5:39
8. Serene 6:37

Eric Dolphy – bass clarinet on “Mrs. Parker of K.C.,” “It’s Magic,” and “Serene”; flute on “Ode to Charlie Parker” and “Left Alone”; alto sax all other tracks
Booker Little – trumpet
Jaki Byard – piano
Ron Carter – bass
Roy Haynes – drums

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Eric Dolphy e Booker Little, dois gênios mortos precocemente.
Eric Dolphy e Booker Little, dois gênios mortos precocemente.

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Harry Crowl (1958) e Zoltan Paulinyi (1977): Imagens

Harry Crowl (1958) e Zoltan Paulinyi (1977): Imagens

Godoy-capaUm excelente e raro CD que é um caso incomum de obras escritas para viola pomposa (um instrumento talvez mais desconhecido que o violoncelo tenor de Dimos Goudaroulis) e mais raro ainda porque é de obras inéditas e nacionais quase todas compostas em nosso século – fruto de uma parceria entre os mineiros Paulinyi e Crowl. Maiores detalhes aqui.

Harry Crowl (1958) e Zoltan Paulinyi (1977): Imagens

Harry Crowl
[ 1 ] Canto (4:43) Violino: Zoltan Paulinyi

Zoltan Paulinyi
[ 2 ] Acalanto n. 1 (2:23) Violino: Zoltan Paulinyi

Harry Crowl
[ 3 ] Solilóquio III (13:43) Violino: Zoltan Paulinyi

Zoltan Paulinyi
[ 4 ] Toada (8:34) Viola pomposa: Zoltan Paulinyi

Harry Crowl
[5-6] Cambiata
• Proposição (4:07)
• Corolário (2:06)
viola pomposa: Zoltan Paulinyi

Zoltan Paulinyi
[ 7 ] Oblação (2:13) viola pomposa: Zoltan Paulinyi

Harry Crowl
[ 8 ] As impuras imagens do dia se desvanecem (13:25) viola pomposa: Zoltan Paulinyi

Zoltan Paulinyi
[ 9 ] Acalanto n. 2 (3:43) Clarinete: Felix Alonso / Violino: Zoltan Paulinyi
[10] Pluma (1:28)
Fagote: Iracema Simon / Violino: Zoltan Paulinyi
[11] Biduo d’ouro (2:51)
• Moderato e allegro
Fagote: Iracema Simon / Violino: Zoltan Paulinyi
[12] Brincadeira de Roda (3:10)
Clarinete: Félix Alonso / Fagote: Flávio Figueiredo
[13] Jesus é pregado na cruz (4:29)
• Cena XI da Via Sacra
Clarinete: Félix Alonso / Violinos: Karla Oliveto e Zoltan Paulinyi

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Zoltan Paulinyi
Zoltan Paulinyi

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Rapsódia Latina – Obras para violoncelo e piano

Rapsódia Latina – Obras para violoncelo e piano

rapsodia latinaUm dos melhores CDs de repertório moderno e contemporâneo para violoncelo e piano já lançados: formidável de cabo a rabo.

O problema é que depois que ouço o inusitadamente romântico Poema III de Marlos Nobre, acho as outras peças sem encanto, mas admito que é uma preferência pessoal: o Poema é daquelas músicas para você fazer um powerpoint com as fotos de sua namorada e mandar pra ela no próximo 12 de junho (fica a dica).

Rapsodia Latina

01 Marlos Nobre (Brasil, 1939): Poema III – op.94 n.º 3 (2001)
Andante con motto

Gabriela Frank (EUA/Peru, 1972): Manhattan Serenades (1995) *
02 I Uptown
03 II Midtown
04 III Downtown

05 Joaquín Silva-Díaz (Venezuela, 1886-1977): Serenata (1935) *
Andantino, quasi allegretto

Esteban Benzecry (Argentina, 1970): Toccata y Misterio (1991) *
06 Allegro enerqico
07 Misterioso
08 Allegro enerqico

09 Esteban Benzecry (Argentina, 1970): Rapsodia Andina (2002)*
Obra dedicada ao Duo Lin/Castro-Balbi

Luis Sandi (México, 1905-1996): Sonatina (1958) *
10 I Largo – Allegro comodo
11 II Adagio non troppo
12 III Allegro vivo

Marlos Nobre (Brasil, 1939): Desafio II, op.31 n.º 2bis (1968)
13 I Cadenza: calmo e rubato
14 II Desafio: vivo – Lento – tempo vívo

15 Manuel M. Ponce (México, 1882-1948) Lejos de tí (arr. Gloria Lin) *

16 William Bolcom (EUA, 1938): Gingando: Brasilian Tango Tempo
(Tombeau d’Ernesto Nazareth)
– from Capriccio (1985)

Duo Lin/Castro-Balbi:
Jesús Castro-Balbi, cello
Gloria Lin, piano

* Primeiras gravações mundias / world premiere recordings

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Marlos Nobre: qual será o segredo de sua cabeleira?
Marlos Nobre: qual será o segredo de sua cabeleira?

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Serguei Prokofiev (1891-1953): Violin Concerto No.2, Solo Violin Sonata, Duo Violin Sonata

Serguei Prokofiev (1891-1953): Violin Concerto No.2, Solo Violin Sonata, Duo Violin Sonata

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando este CD foi lançado, poucas semanas atrás, FDP Bach chegou em nosso grupo de discussões — por e-mail — gritando Mullova`s back, Mullova`s back! (Aliás, informo-lhes que FDP tirou umas pequenas férias a fim de reorganizar suas coisas. Nada grave. Já está voltando. E ele ama Mullova como ninguém. Talvez queira me matar por estar postando isso durante sua folga!). E toda a alegria de FDP é plenamente justificada. Este é um CD extraordinário, algo para desafiar a morte. Dedicado inteiramente a Prokofiev, demonstra uma violinista em seu auge fazendo o que mais sabe.

São só 50 minutos, mas são 50 minutos definitivos. O Concerto Nº 2 para Violino recebeu aqui, modernamente, sua melhor interpretação. Este concerto revela mais do estado de espírito de Prokofiev do que qualquer carta que tenha escrito — e ele as escrevia! Ele estava voltando para casa por necessidade criativa e a ansiedade se infiltra na música como mofo através em local úmido. É o trabalho de um homem na encruzilhada. Viktoria Mullova capta essas esperanças e dúvidas com grande intuição. Deixando de lado suas últimas bobagens, ela está de volta aqui no mais alto nível de desempenho. A solidão da música é intensificada por uma excelente orquestra. A Frankfurt Radio Symphony Orchestra, bem controlada por Paavo Järvi, permite que o solista conte a história direitinho, a seu modo.

Mas há mais: como Janine Jansen, Mullova faz com que o concerto seja acompanhado pela Sonata para Dois Violinos, contemporânea do mesmo, e a Sonata para Violino Solo, de 1947. O céu escurece sobre a URSS de Stalin e do compositor fica diante da desgraça que vive seu país. Mas Mullova está lá para nos salvar do desespero. Sua interpretação dança à beira do um abismo que, de alguma forma, acaba em seus pés. 50 minutos inacreditáveis de música.

* Com o auxílio de Norman Lebrecht

Serguei Prokofiev (1891-1953): Violin Concerto No.2, Solo Violin Sonata, Duo Violin Sonata

Concerto For Violin And Orchestra No. 2 In G Minor, Op. 63 (1953) Mullova (25:39)
1 I. Allegro Moderato 10:15
2 II. Andante Assai 9:15
3 III. Allegro, Ben Marcato 6:09

Sonata For Two Violins In C Major, Op. 56 (1932) Mullova e Papavrami (13:50)
4 I. Andante Cantabile 2:27
5 II. Allegro 2:45
6 III. Comodo (Quasi Allegretto) 3:30
7 IV. Allegro Con Brio 5:08

Sonata for Solo Violin In D Major, Op. 115 (1947) Mullova (10:58)
8 I. Moderato 4:33
9 II. Andante Dolce. Tema Con Variazioni 2:37
10 Con Brio 3:48

Viktoria Mullova e Tedi Papavrami, violinos
Radio-Sinfonie-Orchester Frankfurt (tracks: 1-3)
Paavo Järvi

Tudo ao vivo, como a gente gosta: Alte Oper, Frankfurt, 17-18 May 2012 (Concerto); Hessischer Sendesaal, Frankfurt, 7 December (Sonatas)

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FDP, larguei aquelas besteiras e voltei pra onde sou rainha
FDP, larguei aquelas besteiras e voltei para onde sou rainha

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

Pessoa de movimentos contidos e verdadeira indústria de concertos, amigo de Putin e influente personalidade russa, Valery Gergiev está consolidado como um dos bons regentes de nosso tempo. Sua 3ª de Mahler é algo que merece ser bem ouvido. Talvez por ser uma sinfonia imensa, muitas vezes minha atenção foge nos três movimentos finais. Aqui, garanto-vos, não há como. Acho que não preciso escrever muito sobre esta obra ultra conhecida, certo?

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

1. Kräftig entschieden (forte e decisivo)
2. Tempo di Menuetto (Tempo de minueto)
3. Comodo (Scherzando) (confortável, como um scherzo)
4. Sehr langsam–Misterioso (muito lento, misteriosamente)
5. Lustig im Tempo und keck im Ausdruck (Alegre em tempo e atrevido em expressão)
6. Langsam–Ruhevoll–Empfunden (lento, tranquilo, profundo)

Anna Larsson, alto
Tiffin Boys’s Choir
Ladies of the London Symphony Chorus
London Symphony Orchestra
Valery Gergiev

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Gergiev ofendendo o spalla.
Gergiev ofendendo o spalla.

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Restaurado – J. Brahms (1833-1897): Violin Sonatas op.100 & 108 – Dietrich / Schumann / Brahms: F.A.E. Sonata

Restaurado – J. Brahms (1833-1897): Violin Sonatas op.100 & 108 – Dietrich / Schumann / Brahms: F.A.E. Sonata

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Isabelle Faust e Alexander Melnikov já nos deram uma sensacional versão da primeira Sonata para Violino de Brahms em 2007. Agora, eles completam o ciclo com as outras duas sonatas de 1886 e 1888, e adicionam uma raridade fascinante que data de duas décadas antes: a Sonata FAE, um esforço colaborativo de três compositores em honra do grande violinista Joachim, que teve que adivinhar quem tinha escrito cada movimento. Foi fácil. O segundo Allegro é hiper brahmsiano, assim como o Intermezzo e Finale são “schumannesque”. O som do piano de Melnikov — um Bösendorfer de 1875 — pode soar magro para alguns ouvintes acostumados com aos super pianos atuais, mas, após a audição é impossível não sentir que talvez os dois estejam muito, mas muito certos em sua abordagem.

J. Brahms (1833-1897): Violin Sonatas op.100 & 108 — Dietrich / Schumann / Brahms: F.A.E. Sonata

Johannes Brahms [1833-1897]
Violin Sonata no.3 in D minor op.108 / ré mineur / d-Moll
1 I. Allegro 8’07
2 II. Adagio 4’27
3 III. Un poco presto e con sentimento 2’54
4 IV. Presto agitato 5’39

Robert Schumann [1810-1856]
Three Romances op.94
5 I. Nicht schnell 3’13
6 II. Einfach, innig 3’56
7 III. Nicht schnell 4’09

Johannes Brahms [1833-1897]
Violin Sonata no.2 in A major op.100 / La majeur / A-Dur
8 I. Allegro amabile 7’43
9 II. Andante tranquillo – Vivace 5’49
10 III. Allegretto grazioso (quasi Andante) 5’28

Brahms / Schumann / Dietrich
F.A.E. Sonata [“Frei aber einsam” – Joseph Joachim gewidmet]
11 I. Allegro 11’51
12 II. Intermezzo. Bewegt, doch nicht zu schnell 2’24
13 III. Allegro 4’43
14 IV. Finale. Markiertes, ziemlich lebhaftes Tempo 7’19

Isabelle Faust – Violin
Alexander Melnikov – Piano

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Uma extraordinária dupla de dois: Faust e Malnikov
Uma extraordinária dupla de dois: Faust e Malnikov

PQP [restaurado por Vassily em 28/5/2020 e em 21/1/2024]

 

Giya Kancheli (1935): Vom Winde beweint / Alfred Schnittke (1932-1998): Concerto For Viola And Orchestra

Giya Kancheli (1935): Vom Winde beweint / Alfred Schnittke (1932-1998): Concerto For Viola And Orchestra

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um puta CD! Esta é, na minha opinião, a melhor gravação do Concerto para Viola de Schnittke. A energia da solista e da orquestra dão alma a uma composição de grande emoção. Emoção humana em música moderna e melódica. A obra de Kancheli, um grande compositor georgiano de música para o cinema, é igualmente extraordinária e cheia de paz. Era esperado e aconteceu, a violista norte-americana, filha de armênios, Kim Kashkashian superou Bashmet e Van Keulen.

Giya Kancheli (1935): Vom Winde beweint /
Alfred Schnittke (1932-1998): Concerto For Viola And Orchestra

1. Kancheli: Vom Winde beweint (1990) – 1. Largo molto 9:45
2. Kancheli: Vom Winde beweint (1990) – 2. Allegro moderato 7:59
3. Kancheli: Vom Winde beweint (1990) – 3. Larghetto 8:08
4. Kancheli: Vom Winde beweint (1990) – 4. Andante maestoso 12:02

5. Schnittke: Concerto For Viola And Orchestra (1985) – 1. Largo 3:51
6. Schnittke: Concerto For Viola And Orchestra (1985) – 2. Allegro molto 11:19
7. Schnittke: Concerto For Viola And Orchestra (1985) – 3. Largo 13:55

Kim Kashkashian
Dennis Russell Davies and Kim Kashkashian and Orchester Der Beethovenhalle Bonn (Kancheli)
Rundfunk-Sinfonieorchester Saarbrücken (Scnittke)
Dennis Russell Davies

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Com a fama que os violistas têm, a extraordinária Kim Kashkashian só pode desconfiar de seu instrumento
Com a fama que os violistas têm, a extraordinária Kim Kashkashian só pode desconfiar de seu instrumento

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Francis Poulenc (1899-1963): Concerto Campestre / Suíte Francesa / Sinfonietta, etc.

Francis Poulenc (1899-1963): Concerto Campestre / Suíte Francesa / Sinfonietta, etc.

Um belo CD. É um prazer sempre renovado ouvir o Concerto Campestre de Poulenc. A Sinfonietta, idem. E a dupla Rogé-Dutoit sai-se maravilhosamente. A música de Poulenc é eclética, pessoal e melodiosa, ornamentada por dissonâncias do século XX. Tem talento, elegância, profundidade de sentimento e um doce-amargo que são derivados da uma personalidade entre o alegre e o melancólico. Poulenc é ainda um compositor bastante desconhecido, que aguarda o reconhecimento público. Ele não abriu uma nova escola de composição, causou poucos escândalos — apesar de sua declarada homossexualidade –, mas sua alegria, qualidade e ousadia mereciam um público maior.

Francis Poulenc (1899-1963): Concerto Campestre / Suíte Francesa / Sinfonietta, etc.

Sinfonietta, FP 141
1 I Allegro Con Fuoco 8:37
2 II Molto Vivace 5:54
3 III Andante Cantabile 7:23
4 IV Finale 6:25

Concert Champêtre, FP 49
5 I Allegro Molto 10:36
6 II Andante 6:04
7 III Finale 8:07
8 Pièce Brève Sur Le Nom D’Albert Roussel, FP 50 2:07
9 Bucolique, FP 160 (From “Variations Sur Le Nom De Marguerite Long”) 2:26
10 Fanfare, FP 25 2:51

Deux Marches Et Un Intermède, FP 88
11 I Marche 189 1:35
12 II Intermède Champêtre 1:50
13 III Marche 1937 1:51

Suite Française, FP 80
14 I Bransle De Bourgogne 1:22
15 II Pavane 2:25
16 III Petite Marche Militaire 1:07
17 IV Complainte 1:29
18 V Bransle De Champagne 1:42
19 VI Sicilienne 1:53
20 VII Carillon 1:37

Pascal Rogé, cravo
Orchestre National De France
Charles Dutoit

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Poulenc e um amigo
Poulenc e um amigo

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 4

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 4

A Quarta Sinfonia em sol maior de 1899-1900 pode ser considerada um epílogo para as três primeiras sinfonias. É a sinfonia mais intimista e em menor escala de Mahler, com orquestra reduzida e virtualmente nenhum efeito grandioso. É também a mais curta da série. Não se pode falar em ingenuidade em relação a uma composição tão sutil, mas a atmosfera é certamente infantil, de modo sumamente apropriado. Não admira que seja a mais popular e acessível sinfonia de Mahler, e é a primeira em que ele se conservou fiel aos quatro movimentos do modelo clássico. Pensou em chamá-la de Humoresque. Os movimentos estão tematicamente inteligados à maneira usual de Mahler. “Eu queria realmente escrever um humoresque sinfônico que acabou se convertendo numa sinfonia completa, enquanto que antes, quando quis escrever a Segunda e Terceira sinfonias, acabei escrevendo cada uma delas com o tamenho de três.”

Sua composição demorou muito tempo para os padrões de Mahler: o quarto movimento Das Leben Himmlische (Vida Celestial) foi tomado do Des Knaben Wunderhorn, ciclo de lieder escrito em 1892. Este movimento deveria ser parte, inicialmente, da Terceira Sinfonia. Como esta já estava imensa, Mahler então decidiu colocá-lo no final da sua Quarta Sinfonia e escreveu seus três primeiros movimentos.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 4

1. Bedächtig, nicht eilen
2. In gemächlicher Bewegung, ohne Hast
3. Ruhevoll, poco adagio
4. Sehr behaglich

Sylvia McNair
Berlin Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink

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mahler2

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