Dizem que os Concertos para Violoncelo de Dvořák e Elgar são os dois pilares absolutos do repertório romântico para o instrumento, só que representam universos emocionais e estéticos muito distintos. Uma comparação clássica é que o de Dvořák é como uma paisagem épica, enquanto o de Elgar é um retrato psicológico íntimo. Acho os dois horrorosos e só posto porque sei que meus gostos são um tanto particulares. É curioso como estes concertos estão ligados a alguns grandes solistas. O de Dvořák é associado a Pablo Casals, que o popularizou, e a gravações de grande força como a de Rostropovich + Karajan ou Fournier + Szell. O de Elgar está indissociavelmente ligado a Jacqueline du Pré. Sua gravação com Barbirolli (1965) capturou a juventude, a dor e a paixão vulcânica da obra de uma forma definitiva, tornando-a um ícone. Outras leituras — como a de Truls Mørk — são mais introspectivas e sombrias. Gosto moderadamente desta última.
Dvořák / Elgar: Concertos para Violoncelo (Kliegel, Halász)
Dvořák, Antonín
Cello Concerto in B Minor, Op. 104, B. 191
1 I. Allegro 16:14
2 II. Adagio ma non troppo 12:26
3 III. Finale: Allegro moderato – Andante – Allegro vivo 13:48
Elgar, Edward
Cello Concerto in E Minor, Op. 85
4 I. Adagio – Moderato 08:54
5 II. Lento – Allegro molto 04:38
6 III. Adagio 05:07
7 IV. Allegro – Moderato – Allegro ma non troppo 12:03
Maria Kliegel, violoncelo
Royal Philharmonic Orchestra
Michael Halász

PQP