Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (9) Colombo (1964-Belardi) [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Um baita CD!
Apresentamos nesta semana o patriótico poema coral-sinfônico Colombo (aqui agrupado entre as óperas; embora não seja, se aproxima do formato), a última obra de vulto de Antonio Carlos Gomes, apresentada três anos antes de sua morte.
As coisas não iam nada bem pra Carlos Gomes: depois das recepções ruins da injustiçada Odaléa (confira aqui) na Itália e no Brasil, ele voltou a Milão um tanto desanimado. Encontrou lá seu filho Carlos André doente, com tuberculose (este faleceria apenas dois anos depois do pai. Sua única descendente que sobreviveria e que organizaria seu legado seria sua filha Ítala), o que lhe abateu ainda mais.
Como se aprontavam festejos em vários locais pelo 4º dentenário do Descobrimento das Américas, Carlos Gomes começava então a trabalhar em uma peça que tratasse da saga de Colombo, com vistas em alguns concursos, como modo de saldar suas dívidas:

Ainda no Brasil, pedira a seu amigo, o deputado Annibal Falcão, que lhe escrevesse um poema sobre Cristóvão Colombo. Era duplo o objetivo de Carlos Gomes: o concurso que a Prefeitura de Gênova abrira para uma obra musical em homenagem ao IV Centenário do Descobrimento da América; e concurso semelhante que escolheria a cantata a ser apresentada em Chicago, durante a exposição que celebraria essa efeméride. Desta vez, viu-se frustrado. Não foi premiado nem em Chicago nem nas Festas Colombianas de Gênova, onde o comitê organizador preferiu o Cristoforo Colombo de Alberto Franchetti (Lauro Machado Coelho).

Os problemas pessoais não interferiram na qualidade ca composição gomiana. Carlos Gomes continua, em Colombo, a seguir alguns padrões que apresentara em Odaléa: há uma partitura mais leve e mais coesa, bastante melodiosa (esta, admitamos, não tanto quanto aquela ópera) e uma organização mais ágil e sucinta. Além de tudo, esse formato, de poema sinfônico, não admite peças tão extensas. Aqui também, como em Lo Schiavo, ele foge dos padrões comuns e coloca um barítono para o papel do conquistador italiano.
A execução da peça está a cargo de Armando Belardi, um dos grandes entusiastas da obra do mestre campineiro, provavelmenteo regente que mais gravou Carlos Gomes: aqui no P.Q.P., Belardi está em Il Guarany, Fosca, Odaléa e este Colombo. Cercado, também, de ótimos solistas, numa gravação (e captação, graças a Deus) de alta qualidade. Um senão: há alguns cortes.
Semana que vem, a última postagem da série: a versão de Colombo regida por Ernani Aguiar (integral), que considero melhor ainda que esta de Belardi.
Ouça, que vale muito a pena!

Antônio Carlos Gomes (1836 – 1896)
Colombo – poema vocal sinfônico em quatro partes.
Libreto de Albino Falanca (pseudônimo de Albino Falcão).

01 Introdução
02 Ove sono
03 Tal_ cui non ha la terra
04 Era un tramonto d’oro
05 Gloria! trionfo
06 Pur a toccar l’eccelsa ambita meta
07 Non fosti mai si bel
08 Augusta regina
09 È sempre puro il ciel_ calmo il mar
10 Vitoria! Vitoria!
11 Salve immortal conquistator

Colombo – Constanzo Mascitti, barítono
Isabella – Lucia Quinto Morsello, soprano
Fernando – Sérgio Albertini, tenor
Il Frate – Paulo Adonis, baixo
Don Diego – Paulo Scavone, baixo
Dona Mercedes – Mariângela Rea, mezzo-soprano
Don Ramiro – João Calil, tenor

Orquestra e Coro do Theatro Municipal de São Paulo.
Armando Belardi, Regente
São Paulo, 1964.

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE 90Mb (CD, cartaz, info e resumo da ópera)
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Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

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  1. confesso que tenho um baita preconceito por musica erudita brasileira, não sei por que…e esses posts de Carlos Gomes eu, admito, acabo passando de lado… qual de sua música vc indica – para alguém que quer aprender a gostar? hehe

    1. Olha, Gabriel, boa questão!
      Eu, particularmente, de uns anos pra cá, tenho me viciado cada vez mais em música erudita brasileira: consigo ver movimentos e expressões de nosso país, nossas sonoridades e me sinto representado nelas.
      Mas há que se começar e, pra isso, vou pensado aqui pra você em obras belas, melodiosas e que são fáceis, que agradarão na primeira audição.
      – Se você gosta de música instrumental, sem vozes, indico o Episódio Sinfônico (Francisco Braga), a Sinfonia em Sol (Alberto Nepomuceno), as aberturas de Maria Tudor e Odaléa (Carlos Gomes), o Noturno de Odaléa (Carlos Gomes), as aberturas Zemira e Abertura em Ré (Padre José Maurício Nunes Garcia), o Despertar da Montanha (Eduardo Moura) e o maravilhoso, estupendo Concerto para Piano e Orquestra em Formas Brasileiras (Hekel Tavares).
      – Ainda somente instrumental, mas de formação menor, para orquestras de câmara: a genial Sonata em Ré (Carlos Gomes), o Concerto para Harpa (Radamés Gnatali) e a Alvorada da ópera Lo Schiavo (Carlos Gomes)
      – Se você gosta de música do século XX, precisa conhecer Villa-Lobos, um dos grandes compositores do mundo nesse século. Recomendo dele: A Floresta do Amazonas (inteira), Choros nº10, Bachianas Brasileiras, especialmente as de nº 4, 5, 7 e 8, o Canto do Cisne Negro e o Concerto para Harmônica (gaita) e Orquestra. Tem outras obras de compositores do século XX (ou da virada do XIx pro XX) que misturaram ritmos e sonoridades populares aos cânones clássicos, e saiu muita coisa boa como Mourão (César Guerra-Peixe), Maracatu do Chico Rei (Francisco Mignone), Congada (idem), Batuque (Alberto Nepomuceno), Batuque (Lorenzo Fernandez), Kyrie da Missa Armorial (Cussy de Almeida), o Capricho Medonho (Marcílio Onofre), a Missa de Alcaçuz (Danilo Guanais) e a sublime Ave Maria (Jorge Armando)
      – Se gosta de solos vocais e ópera, comece com Il Guarany, Lo Schiavo e Maria Tudor, todas de Carlos Gomes. Veja primeiro os solos de soprano de Gomes, que são, a meu ver, os mais bonitos.
      – Se, por fim, a sua praia for música com coral/sacra, ouça As Costureiras (Villa-Lobos), o Invitatório das Matinas de Natal (Pe. João de Deus de Castro Lobo – de arrepiar até os cabelos da nuca), o Credo (Inácio Parreira Neves), o Gloria da Missa a 5 Vozes (André da Silva Gomes), o estupendo Salmo 150 (Ernani Aguiar), o Requiem e a Missa de Santa Cecília (Padre Maurício Nunes Garcia), o Magnificat (Manoel Dias de Oliveira) e a portentosa Missa em Aclamação a Dom João VI (Von Neukomm).
      Ainda pulei vários compositores bons!
      Dê uma olhada em parte disso. Você vai mudar de ideia. Se não quiser sair baixando tudo, veja no youtube: tem boa parte. Querendo baixar, tudo isso tem aqui no P.Q.P.Bach ou no Música Brasileira de Concerto.
      Sobre música brasileira, na verdade CVL é o cara mais indicado aqui. ele é craque! Se for música antiga, colonial, o Avicenna domina. Também podemos chamá-los…
      Espero ter te ajudado a desvendar esse universo imenso e maravilhoso da música brasileira. Ainda tem muita coisa pra gente tomar conhecimento…
      Abraço e boa sorte

      1. Muito obrigado! Ajudou muito!
        vou procurar direitinho tudo que me indicou e, em tempo, falo aqui! Quem eu estava começamdo já a ouvir ultimamente foi Villa-Lobos, mais especificamente com seu choros n. 10 – E adorei a peça!
        Gosto tanto de peças apenas instrumentais como das com vozes… apenas não sou muito chegado à música clássica sacra, com exceção dos réquiems, composições que adoro!
        Bem é isso. Mais uma vez, muito obrigado!

        1. Que bom que ajudei.
          Uau! Villa-Lobos já é difícil de gostar de cara! Geralmente, pra começar, escutamos os românticos (século XIX) e classicistas (Séc. XVIII e XIX) que são mais palatáveis. Barrocos, renascentistas necessitam, a meu ver, mais dedicação e, para compreender as pirações dos modernos é bom conhecer os compositores de movimentos que os precederam. Mas vá fundo! A listinha que te passei é bem variada.

      2. Caramba, Bisnaga, resposta sensacional mesmo. Pra ser sincero, como o amigo de cima, conheço pouquíssimo de música erudita brasileira. Aliás, também não tenho muita pressa (2011 foi o ano Mozart pra mim, ouvi muita coisa dele), prefiro conhecer com calma antes o mainstream da música europeia. De qualquer modo, adicionei tudo à minha lista de coisas a baixar futuramente. Vou guardar e ouvir com muita curiosidade, quando for a hora.

        Abraços.

        1. Andre, se você está ainda na fase Mozart, os compositores aqui do Brasil mais alinhados com a estética dele são o Pe. José Maurício Nunes Garcia e o Sigmund Ritter von Neukomm (que era austríaco, aluno de Salieri, e conhecia pessoalmente Mozart, trazendo algumas de partituras de suas músicas para o Brasil). Esses dois faziam coisas muito parecidas com Mozart. Geniais, ambos.

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