Johannes Brahms (1833-1896) – Violin Concerto in D major, Op. 77, Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108

Já estava na hora de postarmos outra versão deste concerto, com certeza uma das maiores obras já compostas pelo ser humano. E postar uma versão recente, já que as anteriores foram gravações históricas, como a do David Oystrakh, postada ainda nos primórdios do blog.

A amazon.com deu 4 estrelas e meia para este cd, e o editorialista escreveu o seguinte:
The inside covers of this CD’s booklet show violinist and conductor engaged in a whimsical pose of arm wrestling. It’s a curious visual misnomer for the actual character of the Brahms Violin Concerto, which is notably not cast as a bravura showdown between soloist and orchestra. Rather, as this live performance recorded in Chicago Symphony Hall in 1997 so amply demonstrates, the score’s beauty and fascination emanate in large part from its spaciously symphonic conception. Maxim Vengerov imbues his account with all the variety of expressive color, intellectual weight, and deeply personal statement necessary to make Brahms’s poetry vivid–he even supplies his own cadenza in lieu of the usual one by Joachim–yet never detours from the larger vision at stake. The first movement’s coda in fact creates the sensation of a beguiling reverie from which both violinist and ensemble are reluctant to awaken. Gently tapered phrasing from Vengerov, together with Daniel Barenboim’s attention to the gorgeously crafted woodwind scoring, creates a statement of lofty serenity in the Adagio. And in the finale, where performances too often tend to sound watered-down after the weight of what has preceded, bold, snappy accents ensure an exhilarating momentum. A more intimate example of the synergy between Vengerov and Barenboim can be heard in Brahms’s D Minor Violin Sonata. In contrast to Anne-Sophie Mutter’s huge, luxurious sound, Vengerov brings a more introspective but no less passionate demeanor to bear. Despair and peace alternate with moving contrast in this superb work, which has been interpreted as a character portrait of its dedicatee, conductor Hans von Bülow. –Thomas May
O texto abaixo tiro do meu livro de cabeceira sobre Brahms, de Malcolm McDonald:
“A célebre declaração de Josef Hellmesberger de que o Concerto para violino de Brahms, op. 77 não era um concerto ‘para, mas contra o violino’ (e a réplica de Bronislaw Hubermande que é ‘para violino contra orquestra’ – e o violino sempre vence!)” provavelmente devem ser encaradas como respostas às características decididamente ‘sinfônicas’ da obra. E ela assim se afiguraria ainda mais se Brahms tivesse cumprido sua intenção original: uma estrutura em quatro movimentos cujos esboçados movimento lento e scherzo (…) foram totalmente substituídos, fora do tempo, pelo adágio que conhecemos. De fato o Concerto é, em muitos aspectos o sucessor natural da Sinfonia nº 2- na mesma tonalidade em ré menor – e as similaridades são especialmente fortes no primeiro movimento, cuja semelhança com o da SInfonia foi comentada por Clara Schuman na primeira vez que Joachim e Brahms o tocaram todo para ela. Esta aí, de novo, um espaçoso e aparentemente descansado esquema em 3/4, calorosamente romântico em sua coloração orquestral, em seus temas construídos sobre uma formação em tríade e, embora em si mesmos não especialmente prolongados, evoluindo de um para o outro em imensos parágrafos e raramente muito afastados do caráter de uma valsa calma, porém apaixonada. (…)
(…) O tratamento virtuosístico do violino é inaudito em Brahms e sagazmente matizado de muitos elementos. Estão entre estes seus estudos dos grandes concertos clássicos, muito obviamente os de Beethoven mas também aqueles de um mestre menor, Viotti, cujo Concerto nº22 era um dos preferidos de Joachim e Brahms. Também se invoca a escrita para violino de Bach, cuja chacona em ré menor ele transcrevera para piano no ano anterior. E além disso é infuenciado por suas observações, ao longos dos anos, da ardente execução e da honesta personalidade musical de Joachim, o solista para quem o concerto desde o começo foi projetado.”
Como salientou o editorialista da amazon, a cadenza interpretada por Vengerov não é a de Joachim, e sim dele mesmo, Maxim Vengerov. O cabra é macho mesmo. Mexeu num dos cânones da interpretação violinística dos séculos XIX e XX.
Ah, o cd traz também a Sonata nº 3, para piano e violino, numa inspirada interprtação da mesma dupla Vengerov / Baremboim, sendo este último o responsável pelo piano.

Johannes Brahms – Violin Concerto in D major, Op. 77, Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108

1. I. Violin Concerto in D major, Op. 77 – Allegro non troppo
2. II. Adagio
3. III. Allegro giocoso, ma non troppo vivace
4. Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108 – I. Allegro
5. II. Adagio
6. III. Un poco presto e con sentimento
7. IV. Presto agitato

Maxim Vengerov – Violin
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Baremboim – Piano e Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDP Bach

30 comments / Add your comment below

  1. As sonatas para viola são transcrições do próprio Brahms das sonatas para clarinete. São obras lindíssimas – sou apaixonado pela Sonata no. 1 – e soam muito bem na viola, embore eu as prefiro no clarinete.

    Sobre o concerto para violino, acho Vengerov bem apagado. Quer uma gravação recente e de arrepiar os cabelos (principalmente no primeiro movimento)? Joshua Bell com Dohnányi. É uma gravação tristemente esquecida e para mim, junto com a de Shaham com Abbado, a melhor da geração atual de violinistas.

    Bell é um violinista assombroso, um dos meus prediletos. Muito superior a Anne Sophie Mutter, por exemplo.

    1. É mesmo Villalobiano!
      Um grande músico e maior ainda instrumentista. Assombroso, é a palavra correta para descrervê-lo.
      Ele é meio chegado a fazer alguma pesquisas interessantes.
      Certa vez colocou-se no Hall de um Estação de Metrô super movimentada perto do Carnegie. Vestrido modestamente mas não como um pedinte. Titou seu Stradivarius da caixa, afinou-o normalmente e começo a tocar obras de arrepiar. O movimento era intenso, gente sempre muito apressada e que nem ouvia o Stradivarius nem o grande artista que ali se encontrava. De fato, ninguém dava a mínima para aquele concerto gratúito pelo qual teriam de pargar uns 200 dolares po um lugarzinho lá em cima. Algumas pessoas (poucas, umas três ou quatro), com pena daquele homem que tocava direitinho e nem tinha para comer, atiravam alguma poucas moedas na caixa de violino que se encontrava aberta a seus pés. Depois de seu Recital Público gratúito, ele guardou o violino fecho a caixa do mesmo e saiu, como havia entrado, um total não reconhecido por uma multidão que não reconhecia música de qualidade.
      Dev haver tirado boas lições de sua experiência.
      Nó também podemos aproveitar e tirar as nossas.
      Agora! Que o Bell é genial isto ele. ASSOMBROSO.
      Um grande abraço.
      Edson

  2. O maior concerto para violino que conheci até esta altura da vida foi o de Henrique Oswald, compositor romântico brasileiro pouco lembrado. Ouvi a obra em uma sessão privada num estúdio, já que a gravação ainda é inédita (está no CD master) e vai ficar por um bom tempo, pois falta R$ para lançar.

    Fico doente com o fato de que esse concerto é quase totalmente desconhecido, enquanto ele deveria ser parte integrante do repertório standard mundial. Outro concerto magnífico também é o segundo de Camargo Guarnieri, que começa com uma cadência absurdamente bonita e cheia de energia interior, de modo que, quando a orquestra intervém, cinco minutos e meio depois de a peça começar, você sente repouso em lugar de sentir o peso da sinfônica.

    1. Os compositores brasileiros não deixan nada a desejar aos europeus. Nossa tradição musical é riquissima musica.Um exemplo a bossa-nova,alguns dizem que é influência do samba e do jazz.O que é um engano! È um estilo bem refinado… e comparar àqueles generos não é de fato um elogio.

  3. Ciço, diz para o pessoal lançar o concerto do Oswald pela internet. Não vai custar o preço do lançamento do CD físico – talvez não custe nada. Eu doaria, sem problema nenhum, para baixar essa gravação.

    1. Tem um prob, VL: a única gravação lançada desse concerto, que ainda não conheço, é com o Oscar Borghetti, em vinil. Essa que ouvi no CD master está trancada no estúdio e naturalmente os produtores não iriam liberá-la assim, de graça.

      1. Então, “o pessoal” a quem me refiro são justmaente os produtores. Ainda acho que, se eles estão sem dinheiro para lançar o CD, que lancem na internet. Peçam doações. Tenho certeza absoluta: concerto de Oswald na Fnac a R$ 40 vende 50 cópias; concerto de Oswald na internet de graça consegue 5000 downloads e ainda umas 200 doações.

  4. Ah, sim, Sertão e FDP: existe também o maravilhoso Trio para clarinete, piano e violoncelo em transcrição do autor para viola, piano e violoncelo. Confesso que sinto muito mais falta do clarinete no trio do que nas sonatas. A combinação de violoncelo e clarinete é muito mais rica timbristicamente do que a combinação entre violoncelo e viola. De qualquer maneira, vale ouvir.

  5. Caríssimo P.Q.P. Bach!

    Deliciosa postagem! To lambendo os ‘beiço’ aqui ainda.
    Mas, tenho que pedir. Mesmo sabendo que você não tem saco nenhum para o SAC, eu tenho que pedir. Mendigo que sou, peço-lhe, encarecidamente, se possuir, o Stabat Mater de Dvorak ;o. Aliás. Como tenho, quase, certeza de que não serei atendido (a esperança inexiste e resta, sim, um fio de ilusão), aproveito o momento de abuso e peço que compartilhe suas outras versões do Stabat Mater, digo, os Stabat Mater de outros compositores.

    Ciente de que o SAC não me ouvirá, dou graças ao Senhor.

  6. E por falar em clarinete… Puxa, adoro a sonoridade do clarinete. É tanta coisa maravilhosa e disponível pra gente escutar que as vezes quero ouvir tudo de uma vez e acabo por não ouvir nada. Mas, com certeza vou baixar essas duas sonatas de Brahms nas suas versões originais para clarinete, depois dou uma verificada na versão para viola.

  7. Hugo, reconheço minha ignorância ao admitir que não conheço o Stabat Mater de Dvorak. Com relação ao meu irmão PQP, bem, ele particularmente não é muito fã de Dvorak. Sugiro procurares no avaxhome, creio ter visto alguma gravação desta obra por lá.

  8. E pensar que este concerto foi tido durante algum tempo como Concerto Contra o Violino… Hoje é uma peça básica para qualquer violinista que se preze. É uma obra simplesmente fantástica.

  9. Muitissimo obrigado F.D.P Bach.
    Encontrei algumas versões do Stabat Mater de Dvorak no site Avaxhome. Não entendo a implicância do seu irmão pelo Dvorak. Claro que não chega nas ordens superiores mas produziu muita música maravilhosa.

    Grato,
    Hugo.

  10. Hugo, o mano PQP tem suas implicanciazinhas, assim como todos nós. Das versões disponíveis no avaxhome para o Stabat Mater me chamaram a atenção o Sinopoli e o Kubelik.

  11. A gravação de Kubelík é bem boa. Sou fã de Dvorák, mas por algum motivo o jeitão mais “arcaico” do Stabat mater não me emociona muito. Prefiro o Requiem.

    Se eu não me engano, o disco do Kubelík vem junto com as “Lendas”, em versão para orquestra. Aí sim. São dez miniaturas de uma pureza maravilhosa, música linda que me comove sempre. (E corram atrás da versão para dois pianos, é de chorar de tão bonito.)

  12. Caro PQP,

    Valeu por mais esta gravação!
    Se me permite ser chato – de novo -, tem um erro no texto do McDonald: as obras são na tonalidade de Ré MAIOR. Não sei se você digitou certo, mas deve ter sido erro de tradução.
    Infelizmente já peguei um erro deste tipo, mas abominavelmente pior: no “Guia da Música Orquestral de 1700 até hoje”, calhamaço de quase 1200 páginas, toda vez em que deveria estar escrito MENOR os infelizes conseguiram “traduzir” por BEMOL. Isto explica por que Haydn escreveu uma “sinfonia em sol bemol”.

    Villalobiano: Uma amiga minha recentemente foi aos States para ver a Martha Argerich. Obviamente não deu, mas conseguiu um ingresso para ver a A. S. Mutter – e ficou DECEPCIONADA com o que ouviu; tanto que, imediatamente após o concerto, ela me mandou um torpedo bastante… contundente. Claro, não que a mulher toque “mal”; simplesmente, diz minha amiga, é bem menos do que dizem da tal germânica.

  13. “(…)Uma amiga minha recentemente foi aos States para ver a Martha Argerich. Obviamente não deu, mas conseguiu um ingresso para ver a A. S. Mutter – e ficou DECEPCIONADA com o que ouviu; tanto que, imediatamente após o concerto, ela me mandou um torpedo bastante… contundente. Claro, não que a mulher toque “mal”; simplesmente, diz minha amiga, é bem menos do que dizem da tal germânica.”

    A Mutter atualmente deixa a desejar. Seus ultimas gravações, concertos para violino e as sonatas para violino de Mozart, entre outras, são irritantes. Quer fazer TÃO bonito que acaba estragando. Sinto muito mais prazer em ouvir essas obras com o Yehudi Menunhim.
    Mutter foi digna de nota quando era adolescente sob a batuta de Karajan. Os concertos para violino de Beethoven e Brahms, e para violino e cello, com Antonio Menezes, todos sob a batuta do “kaiser”, são referenciais. Parece que o tempo não fez muito bem para ela. ficou famosa, perfeccionista, egocentrica, linda, mas perdeu o “feeling” nas interpretações. Tornou-se um Karajan feminino em final de carreira, exagerando na técnica em detrimento da emoção.

  14. Assino embaixo, Sander. A Mutter no começo da carreira era muito mais interessante do que atualmente. Vc já ouviu as sonatas de beethoven que ela gravou? no mínimo esquisitas.

  15. Não FDP, não conheço as gravações das sonatas de Beethoven pela Mutter. Mas, se forem como as de Mozart, não devem ser grande coisa.

  16. Saio aqui em defesa da diva alemã Anne-Sophie Mütter.

    Se uns dizem que ela exagera na técnica em detrimento da emoção, eu digo que emoção falsamente exagerada é muitas vezes pior, ainda mais quando se trata de compositores como Brahms ou Beethoven, que exigem certa contenção na falta de algo melhor. Mas não estou acusando Vengerov, que também é genial, mesmo com sua intrigante coreografia de caras e bocas.

    Se ela pode ser acusada de alguma coisa, nessa fase “madura”, é de exagerar em suas rupturas com os cânones de interpretação. Mas mesmo nisso creio que ela deva ser admirada, porque a mesmice impera entre os bem-adestrados violinistas contemporâneos, e a geração nova só confirma ainda mais essa tendência. Às vezes é melhor arriscar do que optar pelo caminho da mediocridade, que com certeza não é o dela.

  17. Anne-Sophie, Pollini, Martha Argerich… …são mais ou menos da mesma geração?
    Devem ser e parece que a maturidade não lhes faz muito bem.
    Oi! Nada de discussão.
    É apenas um opinião assim tipo palpite…
    Abração.
    Edson

  18. Na verdade, a Anne-Sophie é uma geração mais nova que o Pollini, ela nasceu, se não me engano, em 1964,enquanto que o Pollini e a Argerich são nascidos na década de 1940.
    De qualquer forma, são excepcionais intérpretes.
    Lendo o comentário do Soy Gardel, não posso deixar de concordar com ele quando fala da mesmice da nossa geração. A inovação é importante, que o digam as sonatas de Beethoven que a Mutter lançou, muitos puristas torceram o nariz.
    Existem alguns vídeos no Youtube para quem quiser conhecer estas interpretações.

    1. Oi FDP! Em parte você tem razão.
      Você a perde quando joga “a mesmice” nas costas da nossa geração o que me leva a compreender como sendo a geração de intérpretes atual.
      Fantástica geração capaz de manter-se fiel a ela mesma e, simultaneamente, buscar as fontes que lhe deram origem.
      Justamente é no termo “puristas” que eu encontro os erros da geração Pollini-Martha (e, por tabela, Anne-Sophie).
      Não se decidem.
      Nem são uma coisa nem outra.
      Nem revolucionam e nem são fieis.
      Com o tempo, tornaram-se um meio termo que não é compatível com a criatividade e, menos ainda, com a Arte.
      De novo eu coloco que isto não é uma questão que possa servir ao debate, pois, não é uma percepção do cognitivo e sim do subjetivo.
      Porém, é justamente por isto que devemos nos manifestar.
      Por não ser um fato mensurável e sim um bem do espírito que, como sentimos mais do que sabemos, é multifacetado e admite inúmeras concepções, heterogênas sim, mas não destituídas das características próprias da sensibilidade de cada um.
      É nesta subjetividade não analítica, que a diferencia da psicanálise e de todas as demais ciëncias da psiqué, que se situa o Artista que, ou vivencia de fato o que faz ou não tem porque fazê-lo, independetemente dos aplausos ou apupos de tal ou qual geração ou público.
      De fato, não cabem discussões.
      É apenas uma opinião que não pode ser comprovada a não ser por minha própria sensibilidade.
      Por isto, um abraço fraterno a todos os que se preocupam com a Arte e com o respeito e mesmo com a saudação das bem vindas diversidades de percepção (veja-se interpretação), o que quase nos obriga a externá-las monstrando que, também, são bem vindas.
      Edson

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