The Dialogue Between Bach and God: The Goldberg Variations, Yunchan Lim
Interlude – M. Buja
Yucham Lim, bem mais do que um pianista especialista em Rachmaninov
Há muitos discos bons sendo lançados quase que diariamente e mesmo discos ótimos, com qualidade técnica tanto dos artistas quanto das produções, numa onda enorme, a cada ano, cada mês. Nessa sequência de lançamentos, de vez em quando, surge um disco que além disso tudo nos oferece a oportunidade de ouvir uma grande obra ainda uma vez como se a primeira, nos revelando todo a sua beleza e encantamento. Foi o que me aconteceu ao ouvir este disco – Variações Goldberg, de Bach, com o pianista Yuncham Lim, gravadas ao vivo – que sortudos os presentes nestes concertos.
Eu havia selecionado duas gravações das tais variações para ouvir, esta e mais outra, que não vou citar nominalmente, ambas muito recentes. Gostei do libreto da outra, o arquivo desta oferecia apenas as faixas. Comecei com a outra, estranhei um pouco a lentidão da ária, mas alguns artistas querem fazer um contraste maior com a primeira e espiritada variação, sem contar com as tantas e tantas repetições. Insisti um pouco mais, mas acabei, pelo meio do caminho, decidindo mudar de disco, afinal não temos o dia todo para Goldbergues e a postagem requer um disco digno dos argutos e exigentes PQP Bachianos, frequentadores do blog.
Pois ao colocar o disco da postagem não senti qualquer coisa outra do que alegrias e prazeres. Sorrisos a cada dobra da partitura, o tempo passou a correr diferente, mais etéreo. Lá pela sétima variação (sei, sete é conta de mentiroso, mas você precisa tirar isso a limpo por si mesmo), com seus sons cristalinos, eu estava completamente fisgado. O disco é bom mesmo, é o que diz minha experiência de muitas ótimas gravações. Como posso afirmar isso tão peremptório? Pois ao terminar o disco, queria ouvir tudo de novo. Não deixe de ouvir!
In a new recording by Yunchan Lim, the youngest winner of the Van Cliburn International Piano Competition in 2022, The Goldberg Variations are set out in a beautiful array. Recorded in Carnegie Hall, on the Perelman Stage in the Stern Auditorium, the modern Goldberg is presented in its finest garb.
Aproveite!
René Denon
Yucham aguardando o pessoal do PQP Bach para a entrevista
Desde a sua fundação, há dez anos, o Ensemble Ouranos tem como objetivo expandir o repertório para quinteto de sopros. “Constellations”, sua primeira gravação para a Alpha Classics, dá continuidade a essa tradição com transcrições de Shostakovich e Ravel. “Summer Music”, de Barber, completa o programa.
Em uma deliciosa crônica – O Recital – a fabulosa imaginação de LF Verissimo cria uma situação inusitada. No recital de um quarteto de cordas (poucas coisas seriam mais formais) surge um ‘quinto elemento’, um homem com uma tuba, vindo dos bastidores. Ele posta-se ao lado do violoncelista e quer tocar, ora bolas! Quer acompanhar o conjunto, improvisar algo, fazer o um-pá-pá…
Eu me lembrei desta crônica assim que vi o repertório do álbum da postagem. O Ensemble Ouranos é formado por cinco músicos que tocam instrumentos de sopros, nenhuma tuba, quase, mas flauta, clarinete, oboé, fagote e trompa. Como diz o libreto, o conjunto foi fundado por cinco solistas do Conservatoire Supérieur de Paris e explora o repertório para quinteto de sopros com liberdade e entusiasmo.
O pessoal do Ensemble Ouranos foi conhecer o novo PQP Bach Warehouse Space, em Erechim
Como o tal repertório não é assim tão extenso, além de obras originais para essa formação, eles vão de arranjos, alguns bem inusitados, o que nos traz de volta ao início da postagem – quarteto de cordas e instrumentos de sopros. Neste álbum eles interpretam o Oitavo Quarteto de Cordas de Shostakovich em um arranjo para quinteto de cordas feito por David Walter.
Eu já havia ouvido o quarteto original antes e tudo indica que é, assim, um expoente na obra de DSCH, quem é mais entendido do que eu que o diga. Eu achei o arranjo convincente como peça de música, mas não é um quarteto de cordas.
Deu um trabalhão, mas conseguimos ver o Samuel sorrir…
No programa do álbum uma peça de Samuel Barber, escrita para a formação de quinteto de sopros, chamada Summer Music. A inspiração para a peça vem de Summertime (e do blues) de Gershwin e também em coisas de Stravinsky. É uma música bem bonita.
A peça da qual eu mais gostei foi o arranjo da suíte Le tombeau de Couperin, de Maurice Ravel.
O disco tem o mesmo jeitão dos lançamentos do selo Alpha, um pouco ‘fora da caixa’, mas tudo feito com muito bom gosto, em particular a capa, bem estilosa.
Maurice Ravel (1875-1937)
Le tombeau de Couperin (Transcription de Mason Jones)
Prélude
Fugue
Menuet
Rigaudon
Pavane pour une infante défunte (Transcription de Guy du Cheyron)
Pavane
Samuel Barber (1910-1981)
Summer Music, OP. 31
Slow and indolent
Lively, still faster
Faster
Tempo primo, joyous and flowing
Dmitri Shostakovich (1906-1975)
Quatuor N° 8 en ut mineur, Op. 110 (Transcription de David Walter)
Largo
Allegro molto
Allegretto
Largo
Largo
Élégie (Arrangement de Lady Macbeth de Mtsensk, op. 29 acte I Scène 3 : Zherebyonok kkobylke toropitsa, Transcription de Nicolas Ramez)
Postagem da highresaudio.com no fb: It is not a very conventional idea to think of Shostakovich as cozy. The Ouranos ensemble not only thinks so, they even play it that way. The outstanding French wind quintet proves this on its latest album, Constellations, complemented by works by Ravel and Barber. …
Enjoy this very fine and beautifully recorded album. Highly recommended *****
Viu? Enjoy, aproveite!
René Denon
Além do homem do um-pá-pá, há outras pessoas querendo acompanhar o grupo Ouranos
Pene Pati, o primeiro tenor samoano a se apresentar nos principais palcos da Europa, possui uma versatilidade excepcional em uma ampla gama de papéis, abrangendo compositores como Mozart, Massenet, Donizetti, Gounod, Puccini e Verdi.
Domingo é dia de ópera e o disco de hoje é um álbum com árias para tenor interpretadas per Pene Pati, um jovem cantor que nasceu na ilha Samoa e cresceu em Auckland, Nova Zelândia. Ele cantava desde sempre, mas tornar-se cantor de ópera veio um pouco depois. Fez parte de um trio – Sol 3 Mio – que teve um disco nas paradas de sucesso da Nova Zelandia em 2014.
Depois de completar sua formação lírica em Cardiff, no Reino Unido, com ajuda da Fundação e do apoio de Kiri Te Kanawa, vencer várias competições, ganhou os palcos dos teatros de ópera de todo o mundo.
Pene está literalmente casado com a ópera. Sua esposa, Amina Edris, também é cantora de ópera e tem uma participação especial no álbum, assim como Amitai Pati, irmão de Pene.
O programa do álbum consiste em 18 números escolhidos para mostrar as características do cantor, mas também reflete seu gosto pessoal. O resultado é uma mistura de árias muito conhecidas – Nessun dorma!, que dá nome ao álbum e talvez seja a mais famosa ária de ópera para tenor, ou Che gelida manina, também de Puccini – com outras menos conhecidas e mesmo alguma raridade.
O disco também alterna peças em italiano (de compositores como Puccini, Verdi, Mascagni) e em francês (Massenet, Berlioz, Gounod). Enfim, uma joia de disco, com ótimas peças para que você desfrute um ‘momento na ópera’!
Pene Pati
Giacomo Puccini (1858 – 1924)
Turandot, Act III: “Nessun Dorma”
Charles Gounod (1818 – 1893)
Faust, Act III: “Salut, demeure chaste et pure”
“Et toi, malheureux Faust” – C’est l’enfer qui t’envoie” – world premiere recording
Jules Massenet (1842 – 1912)
Manon, Act III: “Je suis seul”- Ah! fuyez douce image”
“É sempre um processo delicado criar um álbum que conte a sua história como artista e capture o seu crescimento como músico e a sua trajetória como cantor”, escreve Pene Pati. “Nessun Dorma demonstra o meu amor pela arte de contar histórias e pelas emoções que ela pode evocar… Ao ouvir este álbum, espero que ele o leve a uma jornada emocional.”
De minha parte, eu apenas espero que você tenha muito prazer em conhecer o trabalho desse artista genial, com uma enorme carreira ainda para percorrer.
Aproveite!
René Denon
Imagem de um ‘tenor nascido na Samoa’ enviada pela sempre prestativa equipe do Departamento de Artes do PQP Bach Publishing House a tempo de completar a postagem…
‘La Bohème’ é uma das mais encantadoras histórias de amor que chegaram ao palco da ópera. Na Paris do século 19 um poeta e uma florista vivem uma paixão ardente em meio às alegrias e dificuldades da vida boêmia – vie charmante et vie terrible.
Coleção Folha GO
Hoje é domingo, dia de ópera! E que ópera é essa, estreada em 1 de fevereiro de 1896, 130 anos do dia que escrevo estas mal traçadas… Na batuta estava o batuta Arturo Toscanini, grande amigo do Giacomo, o Giacomino Puccini.
O charme e encantamento de uma noite na ópera pode ser sentido na sequência do filme Moonstruck, O Feitiço da Lua, em português. Os protagonistas, a deslumbrante Cher e o jovem Nicholas Cage, antes de se tornar o endiabrado motociclista, marcam um encontro no Metropolitan, para assistir exatamente a uma apresentação de La Bohème.
O disco da postagem apresenta nos papéis de sweetlovers os cantores Robert Alagna e Angela Ghioghiu, que chegaram a ser casados na vida real. O time é de primeira, a orquestra não poderia ser mais apropriada e o regente, vocês sabem, Riccardo é um bamba.
O que você não pode deixar de ouvir, vezes e mais vezes, nessa versão já resumida? A ária ‘Che gelida manina’ (não é ‘que menina geladinha’, mas sim, ‘Que mãozinha mais gelada!’) é o momento em que o mocinho, Rodolfo, que é um poeta, se apresenta a Mimi, a protagonista. Ele diz: ‘Que faço? Escrevo! Como eu vivo? Vivo!’ Essa é figurinha carimbada, cantada por todos os tenores famosos ou nem tão famosos assim. Pavarotti, Domingo, Carreras, a fila é longa. Aqui Rodolfo está incorporado no Alagna.
Essa ária é seguida pela ‘Sì, mi chiamano Mimi’, a resposta da mocinha, falando sobre si mesma: sou bordadeira e sou tranquila e feliz.
Ainda neste ato primo, tem o dueto de amor: ‘O soave fanciulla’, maraviglia!
Mas nem só de mocinho e mocinha se faz uma ópera e o ato segundo começa com uma cena envolvendo muitos personagens, sons e movimentação. Numa sequência de trivialidades, a amiga da mocinha, Musetta, canta sua valsa… ‘Quando me’n vo’ soletta per la via’, as pessoas param e olham… me examinam da cabeça aos pés’.
Desentendimentos, ciúmes, separações, doença e muito frio, pois que é fevereiro em Paris. A mocinha está doente, mas encontra seu amor…
No quarto ato chega a primavera, mas as coisas não estão nada boas. Não sou de dar spoiler, mas essa é fatal, a mocinha morre no final.
Não se preocupe tanto com entendimentos, a ópera nos chega pelo coração, passando pelos ouvidos. Coloque o arquivo para ouvir e deixe-se envolver pela linda música. Aposto que vai acabar procurando o resto da história…
Giacomo Puccini (1858 – 1924)
La Bohème (Highlights)
Act 1 – -Questo mar rosso
Act 1 – Chi è là- – Si sente meglio- (Extract)
Act 1 – -Che gelida manina
Act 1 – -Sì. Mi chiamano Mimì
Act 1 – -O soave fanciulla
Act 2 – Aranci, ninnoli! Caldi i marroni e caramelle
With this new recording, Decca has pretty much sewn up the market on three generations of outstanding Bohèmes. Tebaldi and Bergonzi (still my personal favorite) represent the 1950s, Freni and Pavarotti represent the 70s, and now Gheorghiu and Alagna take us into the new millennium with a recording that ranks among the very best. Only de los Angeles and Björling (on EMI, conducted by Beecham) can really compete with these three recordings.
Aproveite!
René Denon
Ilustração de Arturino e Giacomino enviada pela prestativa equipe de artes do PQP Publishing House…
Que tal embarcar em um avião imaginário rumo à ensolarada Espanha com Domingo Hindoyan e a RLPO? Seu mais recente álbum, ‘Iberia’, apresenta a Espanha através do olhar francês de Chabrier, Debussy e Ravel, e é pura alegria desde as primeiras notas.
A orquestra é inglesa, seu regente é venezuelano, o selo é londrino e os compositores franceses, mas a música é ibérica! Sensual, insinuante, ritmos envolventes, sonoridade grandiosa. Você não se decepcionará, se está buscando música para alegrar seu momento.
O repertório reflete o fascínio dos compositores franceses e artistas franceses com a cultura do país vizinho, especialmente no início do século passado. Nas décadas de 1960 e 70 surgiram ótimos discos com essa temática. O disco da Orquestra Sinfônica de Chicago regida por Fritz Reiner é um exemplo.
A peça que abre o programa desta postagem, España, de Emmanuel Chabrier, é icônica, e as outras peças de Debussy e Ravel seguem a mesma trilha com primor. É uma ótima oportunidade para a orquestra e seu diretor mostrarem seus méritos e alta qualidade. A produção também está impecável e o programa nos reserva uma hora e tanto de ótima audição, terminando com uma gravação do Bolero que me manteve ligado até a última nota.
Emmanuel Chabrier (1841-1894)
España
Claude Debussy (1862-1918)
Images – Ibéria: I. Par les rues et les chemins
Images – Ibéria: II. Les parfums de la nuit
Images – Ibéria: III. Le matin d’un jour de fête
Maurice Ravel (1875-1937)
Rapsodie espagnole: I. Prélude à la nuit
Rapsodie espagnole: II. Malagueña
Rapsodie espagnole: III. Habanera
Rapsodie espagnole: IV. Feria
Miroirs: IV. Alborada del gracioso
Pavane pour une infante défunte
Boléro
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra/Domingo Hindoyan
Domingo apontando os caminhos para as violas da PQP Bach Sinfonietta
Do crítico da plataforma Presto Classical, falando deste álbum e mais um outro, gravados pela mesma orquestra e regente: I admit I’ve had the English album on repeat for the last three weeks, but ‘Iberia’ has quickly grabbed hold of me for its sheer [consults dictionary] alegría de vivir.
Alegria de viver! Aproveite!
René Denon
Ilustração enviada para a postagem pelo Dept. de Artes do PQP Bach Publishing House
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O álbum de Vivaldi foi uma aventura e uma celebração, um exuberante Carnaval Veneziano que, creio, teria deixado o compositor orgulhoso. Essas maravilhosas simples e naturais notas musicais nos aproximam e nos fazem sentir bem. Um tributo à uma existência descuidada, elas celebram a vida.
A primeira motivação para explorar esse disco é (claro) a música, linda música de Vivaldi, no que ela tem de mais atraente: fluidez, colorido sonoro, melodias inesquecíveis. Música para instrumentos de cordas dedilhadas, beliscadas – alaúdes, bandolins, aqui interpretadas ao violão.
O artista também despertou a minha curiosidade, Thibault Cauvin nasceu em família de músicos e toca violão desde sempre. Ganhou uma lista enorme de prêmios, construiu carreira de concertista e visitou o mundo todo, aparentemente.
Desde então, Thibault viajou para mais de 120 países, realizando quase 1500 apresentações, dos palcos mais prestigiados aos lugares mais atípicos, do Carnegie Hall em Nova York à Torre Eiffel, da Sala Tchaikovsky em Moscou à Cidade Proibida em Pequim, do Queen Elizabeth Hall em Londres ao Acrópole de Cartago. A guitarra de Thibault não conhece fronteiras, não tem limites; numa noite, 40.000 pessoas podem ouvi-lo na praia de Royan, na França, e dois dias depois, ele toca em um templo em ruínas na costa do Equador para algumas 200 pessoas privilegiadas. Diversidade, contrastes, aventuras, descobertas, liberdade, encontros, tantos temas caros a Thibault, e que ouvimos em sua música.
Tantas experiências ao redor do mundo acabou resultando em um livro – Alter Ego. Veja a ‘propaganda’ do mesmo: Com sua mochila e violão nas costas, Pierre é um aventureiro que percorre o mundo. Ele encontra muitas vidas que transformam seu mundo: uma mulher argelina com deficiência visual, uma florista no Rio, um mestre do tempo em Ouagadougou, entre outros. Mas, vamos à música!
Antonio Vivaldi (1678 – 1741)
Concerto for Mandolin, Strings and Basso continuo in C major, RV 425
Allegro
Largo
Allegro
Concerto for Luth, Strings and Basso continuo in D major, RV 93
Allegro giusto
Largo
Allegro
Concerto for Violin, Strings and Basso continuo in A minor, RV 356, (L’Estro armonico n°6)
Allegro
Largo
Presto
Concerto for two Mandolins, Strings and Basso continuo in G major, RV 532
Allegro
Andante
Allegro
Trio Sonata for Luth, Violin and Basso continuo in G minor, RV 85
Andante molto
Larghetto
Allegro
Trio Sonata for Luth, Violin and Basso continuo in C major, RV 82
Gostei tanto do disco que passei a imaginar a vida do Padre Vermelho na Sereníssima República. É claro que, além da música, outros aspectos prazerosos da vida vêm à mente. A julgar pelas imagens de que nos chegaram, não diria que Vivaldi fosse glutão (como deve ter sido o Saxão Inglês), mas apreciaria a boa comida, os vinhos?
A cozinha veneziana era rica em pratos com frutos do mar, famosos até hoje, sem contar os produtos trazidos de outras partes pelos seus comerciantes – bons vinhos e mesmo bacalhau da Escandinávia. Uhmmm… água na boca!
Sarde in Saor
Sarde in saor é um maravilhoso prato de antipasto veneziano feito com sardinhas fritas em camadas com cebolas, passas e pinhões marinados em vinagre e açúcar.
Baccalà Mantecato
Bacalhau salgado batido até formar uma mousse aveludada com azeite e alho, servido sobre polenta grelhada. Cremoso, salgado e delicado — este prato conta a história das rotas comerciais marítimas de Veneza para a Escandinávia.
Seppie al nero
Sépia cozido com sua tinta preta, geralmente servido com polenta ou usado em risoto.
Thibault Cauvin é um dos guitarristas mais talentosos, carismáticos e procurados do mundo hoje. Ele está viajando pelo mundo todo o ano a convite dos festivais e salas de concerto mais prestigiados. Sua extensa programação de turnês varia de Nova York a Hong Kong, São Paulo a Istambul, Londres a Melbourne e Cingapura e Tel-Aviv, sendo calorosamente aceito pelos críticos em mais de 1000 ocasiões. Ele também participou de muitos programas de TV e rádio e colaborou com músicos, compositores e orquestras sinfônicas famosos. Considerado um artista inovador e criativo, Thibault é regularmente convidado de honra em festivais, universidades e conservatórios em todo o mundo para dar aulas de mestrado, palestras ou para julgar competições.
An ideal coupling of unsurpassed performances, these stereo recordings of Gary Graffman’s performances of Prokofiev’s First and Third piano concertos should be heard by anyone who loves Prokofiev’s music. (James Leonard)
Sobre o disco de música de Rachmaninov: This performance is a prime example of the phrase, “Oldie but goodie.” Inkpotter Isaak Koh called it well-paced and beautifully played.
Gary costumava ser um nome comum nos Estados Unidos e em países de língua inglesa lá pelos anos vinte do século passado, até as décadas de 50 e 60, como no caso dos atores Gary Cooper e, mais recentemente, Gary Oldman, sem esquecer o regente Gary Bertini. Há também uma cidade estadunidense chamada Gary, que fica em Indiana, na beira do Lago Michigan, perto de Chicago. Gary, a cidade, é famosa pela siderurgia, que lhe dá um aspecto acinzentado, e por ter sido cenário de alguns filmes de suspense… Se te oferecerem passar as férias em Gary deve ser alguma pegadinha. Mas, o Gary da postagem é outro – Gary Graffman – e nos deixou no ano passado, já bem idoso. Gary Graffman foi um pianista espetacular, como atestam os dois discos da postagem. Virtuose do mais alto calibre, mas também músico profundo, sensível e abrangente.
O fotografo do PQP Bach estava tentando colocar todo mundo na mesma polaroid… (orçamento curto)
Foi também professor, atuando no Curtis Institute of Music, da Filadélfia. Lang Lang foi seu aluno, assim como Yuja Wang e, mais recentemente, Haochen Zhang.
Para a postagem em sua lembrança escolhi dois discos que tem similaridades (compositores russos virtuoses do piano), mas que diferem pelo apelo ao público. Enquanto Rachmaninov, com seu Concerto No. 2 e as Variações sobre um tema de Paganini são peças de grande apelo popular, os Concertos Nos. 1 e 3 de Prokofiev são mais ‘modernosos’, oferecendo um bom contraste entre os discos.
Ambos são verdadeiros clássicos da discografia de Concertos para Piano e oferecem, cada um à sua maneira, grandes possibilidades de entretenimento. Afinal, agradar a gregos e baianos não é tarefa fácil.
Sergei Prokofiev (1891 – 1953)
Piano Concerto No. 3 In C Major, Op. 26
Andante, Allegro
Andantino (Tema Con Variazioni)
Allegro Ma Non Troppo
Piano Concerto No. 1 In D Flat Major, Op. 10
Allegro Brioso – Poco Piú Mosso – Tempo Primo
Meno Mosso
Andante Assai
Sostenuto
Piano Sonata No. 2 In D Minor, Op. 14
Allegro, Ma Non Troppo
Scherzo. Allegro Marcato
Andante
Vivace
Piano Sonata No. 3 In A Minor, Op. 28, “From Old Notebooks”
The power and dexterity of his First Concerto is astonishing, but it is Graffman’s capacity to articulate the inexpressible yearning of its Andante assai that makes his performance indescribable. Szell and his Cleveland Orchestra are models of responsible support, Columbia’s mid-’60s stereo sound is clear and deep, and the inclusion of Graffman’s outstanding 1962 recordings of Prokofiev’s Second and Third piano sonatas is as enjoyable as it is inescapable.
Gary Graffman’s recording of Rachmaninoff’s Piano Concerto No. 2 with Bernstein and the NYP is generally hailed as a powerful, emotionally charged performance, known for its dramatic interplay, intense energy, and Graffman’s brilliant, sometimes fiery, pianism.
Domingo é dia de ópera – pelo menos para a Rádio MEC – e nada como um disco com árias de óperas de Mozart para encher a sala de música com os mais diversos sons e sentimentos – raiva, medo, persuasão – você pode nomear, vai encontrar tudo lá, inclusive um bocado de gozação. O disco é uma compilação de muitas gravações pelo selo amarelo, mas todas relativamente recentes, com cantores magníficos.
Liderando o time a soprano Anna Netrebko, cantando também o galês Bryn Terfel, Thomas Quasthoff, Elīna Garanča e outros. Entre os regentes Claudio Abbado e Charles Mackerras. A lista completa dos créditos está logo a seguir.
Eu gostei do disco, que parte logo para a ação, nada de ouverture, começamos logo com a anfitriã cantando uma ária da personagem Susanna, de As Bodas de Fígaro. A seguir alguns comentários (em parte amparados pelo Chat PQP Bach) sobre as árias apresentadas no disco.
Terfel como Fígaro
“Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar” (Susanna, de As Bodas de Fígaro): Esta é uma ópera buffa, por excelência. Trocas de papéis, jovem disfarçado de garota (papel sempre interpretado por cantora), um tentando passar a perna no outro. Nesta ária, Susanna está vestida como a Condessa e finge cantar uma canção de amor para o Conde; há uma enorme sinceridade nesta “falsa ária”, porque na verdade ela está cantando para Fígaro (embora ele não saiba disso e fica extremamente enciumado). Falsa nobreza, mas sentimentos verdadeiros; um sonho para os amantes do teatro.
“Ho già vinto la causa! … Vedrò mentr’io sospiro” (Conde, de As Bodas de Fígaro): O Conde quer dar uma de bonzinho, abriu mão do direito da ‘primeira noite’, mas está de ‘olho na butique’ da Susanna, até perceber que está sendo engabelado por todos, praticamente. É claro, fica furioso… Ária típica de ópera buffa.
“Parto, parto, ma tu, ben mio” (Sesto, La clemenza di Tito): ‘Ópera séria’, a última composta por Mozart, e esta é uma ária cantada pelo personagem Sesto (um contralto ou meio-soprano, de novo, mulher fazendo papel de homem), expressando seu conflito ao ter que partir, apesar do amor por Tito, seu amigo e imperador. Eu conheço pouco essa obra, nunca ouvi uma gravação completa, mas a ária é bem especial. Chama a atenção a interação da voz com o clarinete obbligato. Certamente Mozart, que era um perfeito ‘alfaiate’ para as vozes dos cantores com quem estava trabalhando, também prezava as amizades com os músicos. Aqui, o papel do clarinete certamente se deve ao seu amigo Anton Stadler.
Thomas, como ele mesmo…
“Madamina, il catalogo è questo” (Leporello, Don Giovanni): Essa é figurinha carimbada, a famosa ária do catálogo, na qual Leporello, o faz-tudo do mulherengo Don Giovanni, conta à pobre Donna Elvira, a lista de conquistas do famoso sedutor, revelando o mau caratísmo do famoso nobre.
“Oh smania! oh furie!” (Orestes, Idomeneo): É um famoso recitativo e ária dramática da ‘ópera séria’ que demonstra a maestria de Mozart em expressar emoções intensas, particularmente no personagem atormentado de Oreste, marcando um passo significativo em sua maturidade como compositor de ópera. O texto em italiano expressa tormento extremo, raiva e desespero, condizentes com a situação desesperadora de Orestes.
“In diesen heil’gen Hallen” (Saratro, A Flauta Mágica): Aqui uma ária para baixo profundo, personagem típico das companhias de ópera daquela época. O primeiro Sarastro chamava-se Franz Xaver Gerl e era membro da troupe de Emanuel Schikaneder, outro amigão de Wolfie. Ele foi o primeiro Papageno. A Flauta Mágica não era uma ‘ópera’ (no sentido buffa ou séria), era um Singspiel, uma brincadeira em alemão.
“Fuggi, crudele, fuggi!” (Donna Anna e Don Ottavio, Don Giovanni): Neste caso um dueto com a prima dona da ópera e o tenor. O dueto é dramático, os dois cantam na presença do corpo do Comendador, pai de Donna Anna, morto por Don Giovanni. Don Ottavio é o noivo da moça e quer protegê-la e tal, mas está mais para um ‘dois de paus’. Ah, mas suas árias são lindíssimas.
“Là ci darem la mano” (Don Giovanni, Zerlina): Nesse belíssimo dueto, daquele que não esquecemos mais, o péssimo Don Giovanni tenta seduzir a povera raggazza, Zerlina, que está noiva de Masetto. O Don quase consegue seus intentos, mas é impedido pela chegada dos outros personagens da ópera, que estão na sua cola…
Königin der Nacht
“Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen” (Rainha da Noite, A Flauta Mágica): Ária icônica, até quem não ouve música clássica, que dirá ópera, conhece. A Rainha da Noite promete mover as forças das profundas para conseguir seus intentos vingativos. Há quem diga que Mozart inspirou-se na sogra para esse papel. A Vingança do Inferno Ferve no Meu Coração. Barra pesada…
“Der Vogelfänger bin ich ja” (Papageno, A Flauta Mágica) Nesta deliciosa ária o lado mais terreno do quarteto principal da ópera se apresenta: o caçador de pássaros sou eu! Papageno é aquele que sente fome, tem sede, quer encontrar sua Papagena! Maraviglia!
“Ah, perdona al primo affetto” (Annio e Servilia, La clemenza di Tito): Dueto do Ato I da ópera, cantado pelos personagens Annio (um jovem nobre romano, frequentemente interpretado por uma mezzo-soprano) e Servilia (irmã de Sesto). É um momento de terno amor juvenil e resignação, que ocorre depois que Annio descobre que o Imperador Tito escolheu Servilia para ser sua imperatriz. Tipo, Tristão e Isolda, mas bem distante, viu…
“Zeffiretti lusinghieri” (Ilia, Idomeneo): Ária da princesa troiana cativa, na qual ela expressa seu amor por Idamante, pedindo aos ventos que levem suas declarações, em um momento de solidão e ternura antes de saber da ameaça de sacrifício que paira sobre seu amado. Parece enredo de novela de fim de tarde, mas é isso, tudo muito bonito.
“Soave sia il vento” (Fiordiligi, Dorabella e Don Alfonso, Così fan tutte) É um belíssimo trio no qual as irmãs Fiordiligi e Dorabella, junto com o cínico Don Alfonso, se despedem de seus amados Ferrando e Guglielmo, que estão em um barco fingindo ir para a guerra. É enrolado, mas tudo faz parte da aposta entre os rapazes e Don Alfonso. Elas estão pedindo que o vento seja suave e as ondas calmas para os amantes possam navegar tranquilamente. Um momento de paz e beleza lírica, encerrando assim o programa do álbum.
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar
Ho già vinto la causa! … Vedrò mentr’io sospiro
Parto, parto, ma tu, ben mio
Madamina, il catalogo è questo
Oh smania! Oh furie…
In diesen heil’gen Hallen
Fuggi, crudele, fuggi!
Là ci darem la mano
Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen
Der Vogelfänger bin iIch ja
Ah, perdona al primo affetto
Zeffiretti lusinghieri
Soave sia il vento
Anna Netrebko (1, 5, 7, 12)
Elīna Garanča (3, 11)
Bryn Terfel (2, 13)
Thomas Quasthoff (4, 8, 10)
René Pape (6)
Christoph Strehl (7)
Erika Miklósa (9)
Miah Persson e Christine Rice (13)
Orchestra Mozart & Claudio Abbado (1, 5, 7, 12)
Scottish Chamber Orchestra & Charles Mackerras (2, 13)
Staatskapelle Dresden & Sebastian Weigle (3, 4, 8. 10, 11)
This is, in other words, a collection of golden eggs worth anyone’s money. It must be regretted that DG have omitted texts and translations but at least provide thumbnail resumes of the contents of each number.
Aproveite!
René Denon
Sir Charles encorajando o grupo do PQP Bach Opera CIA
“Ele revelou uma imensa musicalidade que convenceu em cada nuance”
Carsten Dürer, Piano News
Esta deve ser a minha primeira postagem em 2026 – um disco espetacular que tem várias características que me atraem imediatamente. É o primeiro disco de um artista extremamente promissor – um jovem pianista que ganhou prêmios significativos, como o Concurso Geza Anda de Zurique e o Martha Argerich Steinway Prize, pianista com a qual ele tem feito boas parcerias.
O repertório do disco é instigante – reúne peças que exigem virtuosismo do intérprete e que têm diversas relações umas com as outras, sempre se referindo de volta a uma peça de Ravel. Afinal, o título do disco é Reflexões Ravelianas, numa tradução livre, como dizem por aí, os (mal)tra(du)tores.
O disco começa com o mistério e o fantástico de Gaspard de la nuit (Ondine, Le gibet e Scarbo) – obra especialíssima de Ravel, inspirada pelos poemas de Aloysius Bertrand e que se propunha ao desafio de se tornar ‘a mais difícil’ peça para piano, superando a famosa Islamey, de Mily Balakirev, a próxima peça do disco. Essa parte do disco é uma enorme exibição de virtuosismo, mas também de muita musicalidade.
Para a próxima parte duas peças que se conectam especialmente: Jeux d’eau, uma das primeiras obras-primas de Ravel, seguida de sua precursora Les jeux d’eaux à la Villa d’Este, de Liszt. Esta peça de Liszt é verdadeiramente sensacional. Essas duas peças também se relacionam com Reflets dans l’eau, a primeira peça do Primeiro Volume de Images, de Debussy, mas que não faz parte deste disco, só mencionei porque eu adoro essas coisas.
A próxima conexão é com Viena, das valsas. As Valsas Nobres e Sentimentais, de Ravel, foram inspiradas nas valsas de Schubert, mas também na música do rei das valsas, Johann Strauss II. Assim, para refletir tudo isso, completando o programa, uma peça de um quase exato contemporâneo de Ravel, Leopold Godowsky. Ele foi um pianista-compositor virtuose tão exacerbado que não se satisfazia com as dificuldades das obras dos outros autores, dava a elas um extra spin, uma torcida a mais. Lembre-se do que ele fez aos Estudos de Chopin e veja o que ele fez com os temas do Fledermaus. Impressionante!
Maurice Ravel (1875 – 1937)
Gaspard de la nuit
Mily Balakirev (1837 – 1910)
Islamey
Maurice Ravel
Jeux d’eau
Franz Liszt (1811 – 1886)
Les jeux d’eaux à la Villa d’Este
Maurice Ravel
Valses nobles et sentimentales
Leopold Godowsky (1870 – 1938)
Metamorfoses Sinfônicas sobre Temas de ‘Die Fledermaus’, de J. Strauss II
Anton Gerzenberg, born in 1996 in Hamburg, is an outstanding artist of the younger piano generation. After winning first prize at the Geza Anda Concours in Zurich in 2021 and being presented as a “Great Talent” at the Wiener Konzerthaus from 2022 to 2024, he established himself with a remarkably versatile repertoire. His virtuosic, subtly nuanced playing captivates both audiences and critics. In June 2024 he received the Martha Argerich Steinway Prize.
The 2025/26 season opened with a duo recital with Martha Argerich at the Summer Music Days in Hitzacker (described by NDR Kultur as “a concert from another star”) and with several programs at the prestigious Accademia Chigiana in Siena.
Taí um disco do qual eu compraria uma cópia física!
Para os ouvintes, estas obras a quatro mãos oferecem uma dupla recompensa: o prazer imediato de uma música bem elaborada e discursiva e a satisfação mais profunda de sentir as vozes de dois pianistas unindo-se numa única arquitetura expressiva. Esta música – compacta em escopo, expansiva em sentimento – permanece um testemunho do gênio de Schubert: uma arte da conversa que faz com que um espaço pareça, de repente e para sempre, mais íntimo.
James Jolly
Como Schubert morreu relativamente jovem, eu achava que a sua ‘Sinfonia Inacabada’ assim ficara por ‘justa causa’, o compositor morreu e a obra ficou sem ser arrematada. É vero que ele a deixou inacabada ao morrer, mas não foi a morte que o impediu de a terminar, uma vez que a composição da sinfonia ocorreu em 1822. A razão para abandonar a obra deve ser bem mais prosaica, a falta de perspectiva de executá-la ou mesmo por razões estéticas, não foi só esta obra que ele deixou (in)completa.
Na verdade, no ano de sua morte, Schubert estava artisticamente muito vivo, este período resultou em uma cesta cheia de obras primas. O quanto Schubert estava consciente de sua iminente morte é um mistério. Apesar de incrivelmente talentoso, Schubert poderia ser bastante tímido. Viveu na mesma cidade que Beethoven, a quem idolatrava, mas nunca o visitou. E, pasmem, passou a ter aulas de contraponto com Simon Sechter! Queria aperfeiçoar-se!
Todas as obras desse disco foram compostas nesse ano de 1828, a fuga reflete mais evidentemente esses estudos. A Fantasia em fá menor é bem provavelmente a mais famosa delas, outras interessantes e famosas interpretações podem ser encontradas aqui, aqui e aqui.
Bertrand e Leif adoraram conhecer o parreiral da Vinícula PQP Bach em Alegrete
O livreto que acompanha o arquivo traz uma entrevista com os dois (excelentes) pianistas feita por James Jolly (ex-editor da Gramophone). Nesta entrevista descobrimos algumas curiosidades, como a diferença, para os pianistas, entre tocar um piano a quatro mãos, situação na qual os dois dividem o mesmo teclado, e o caso das interpretações em duo pianistico. Leif Ove Andsnes já compareceu aqui na lojinha tocando nessa formação com Marc-André Hamelin, num disco com obras de Stravinsky, que você pode acessar aqui.
Franz Schubert (1797 – 1828)
Fantasia in F minor D.940 (January–March 1828)
Allegro in A minor D.947 “Lebensstürme” (May 1828)
Pianists Bertrand Chamayou and Leif Ove Andsnes join forces to record Schubert’s magnificent Fantasia in F minor, presenting a landmark Schubert 4 Hands album. This release arrives 40 years after Radu Lupu and Murray Perahia’s legendary CBS recording and 60 years after Benjamin Britten and Sviatoslav Richter’s historic Aldeburgh Festival performance.
Parte da entrevista, traduzida pelo Chat PQP, agora com inteligência artificiosa: (Em 1828, Schubert procurou o compositor e professor Simon Sechter para orientação em contraponto – não exatamente a atitude de um homem que sabia que estava perto da morte.) LOA: “Todo esse novo interesse por mais vozes, vozes independentes, manifesta-se maravilhosamente nessas peças. Há tanta coisa acontecendo. Quero dizer, o domínio de certas passagens e a vivacidade das vozes intermediárias em Lebensstürme são simplesmente inacreditáveis. E a Fantasia, em seu uso do contraponto, é uma peça realmente magistral. E a pequena Fuga em Mi menor mostra claramente como ele estava estudando contraponto. Acho uma fuga incomum e realmente bela.” BC: “O interesse pelo contraponto foi claramente um desenvolvimento em sua escrita. E o fato de ele estar trabalhando com Sechter é uma prova de que ele estava interessado em desenvolver ainda mais suas habilidades em contraponto. É curioso que tantos compositores, em algum momento perto do fim de suas vidas, como Chopin, por exemplo, se dediquem cada vez mais ao contraponto. Esse tipo de desenvolvimento, essa busca por mais linhas melódicas, é claramente o que Schubert almejava naquele momento.”
Aproveitem!
René Denon
Ilustração da dupla enviada pela turma do Dpt. de Artes da PQP Bach Publishing House
O foco da primeira postagem da série (?) ‘Ele, por elas…’ foi a Sonata ‘Waldstein’, um marco na produção de meio período do Ludovico, assim como a Sonata ‘Appassionata’. Eu gosto das interpretações temerárias, que vão na linha ‘fogo, foguinho…’, como a do Mikhail Pletnev (aqui), Maurizio Pollini (algum lugar no blog, eu aposto) e a própria Valentina Lisitsa (aqui).
A postagem de hoje é mais uma coisa de conjunto – a última vez que Beethoven comporia sonatas para piano, mais uma vez um grupo de três, mesmo que neste caso cada sonata tenha recebido um número de opus individual. Ouvir as três sonatas do Op. 2 (1795-6) e depois as sonatas deste disco, com op. 109 (1820), op. 110 (1821) e op. 111 (1822), revela uma jornada de uma vida artística genial. Experiência similar pode ser feita com os quartetos, comparando os seis quartetos do op. 18 e o grupo dos chamados Últimos Quartetos.
É verdade que a experiência e a impetuosidade podem ser ferramentas importantes para o intérprete, especialmente num conjunto de obras como estas. Não consigo deixar de comparar as interpretações do jovem Maurizio Pollini com as do maduro Willem Kempff. E vejam que Pollini as regravou no seu próprio período de maturidade. Bom, divago, como sempre… Vamos dar atenção à essa pianista espetacular, chamada Anne Queffélec. Com uma ótima discografia, ela gravou peças que demandam muita técnica, dando ênfase aos compositores franceses. Mais recentemente ela tem gravado obras de Scarlatti, Handel, Mozart.
O disco da postagem é relativamente recente, um disco maravilhoso dedicado a Beethoven, que reúne essas três sonatas que transcendem o estilo clássico ainda mais do que a Hammerklavier. O domínio da técnica, impecável, e a experiência desta pianista lhe dão a liberdade para nos brindar com sua sensível interpretação, trazendo a sua perspectiva da maturidade do genial compositor.
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Piano Sonata No. 30 in E Major, Op. 109
Vivace ma non troppo, sempre legato – Adagio espressivo
To echoe Beethoven’s own words: “Music is the only incorporeal introduction to the world of knowledge (…) a higher revelation than all wisdom and philosophy… reaching beyond even the starry sky to the original source”. That is indeed where the epiphanies of the ultima verba uttered by the last three sonatas take us: on a journey of initiation that could not be undertaken in reverse. Let us listen to it…
“The rest is silence”
(Anne Queffélec)
Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico
Salmo 126:2
Feliz Natal!
A Cantata Unser Mund sei voll Lachens teve sua estreia no Serviço Matinal (às 7 da manhã) da Igreja de São Tomás, em Leipzig, no Dia de Natal do ano 1725, há exatos 300 anos! Sua música foi adaptada da Suíte Orquestral No. 4. O festivo primeiro movimento saúda o recém-nascido e a parte rápida da abertura está cheia de bocas sorridentes.
Três anos antes Bach preparara a música para seu primeiro Natal como cantor da Igreja de São Tomás e para tanto compusera uma primeira versão do Magnificat. Dessa composição, ele também ‘emprestou’ um trechinho de música, adaptando o Virga Jesse floruit (de Jessé nasceu a vara, de Jessé nasceu a vara, da vara o Salvador…) para o coro Ehre sei Gott in der Höhe (Louvado seja Deus, nas alturas), o cara era mesmo fera!
Jos feliz com a afinação dos meninos sopranos do PQP Bach Choir
No disco desta natalícia postagem o Magnificat é a versão posterior preparada por Bach em 1733, com nova orquestração e apenas com os trechos cantados em latim. Na primeira versão, identificada por BWV 243a, Bach interpola os textos em latim por ‘interlúdios’, que foram suprimidos na nova versão. Como explica Jos van Veldehoven no livreto do disco: ‘Essas interpolações já eram conhecidas no século XVI. Compositores acrescentaram canções de Natal alemãs e latinas entre os versos do Magnificat, tornando o texto deste último inseparável do Natal’.
A peça adaptada para a cantata, o Virga Jesse floruit é o quarto destes interlúdios, que na cantata tornou-se o coral Ehre sei Gott in der Höhe. Nesta gravação do Magnificat, o regente, que é holandês, usa música de três compositores holandeses (Dirck Janszoon Sweelinck, Jan Baptist Verrijt e Johann Hermann Schein) e um parente de João Sebastião (Johann Michael Bach) para seguir a tradição e usar ‘interlúdios’ na apresentação do Magnificat.
Aproveito a postagem para desejar a todos um feliz Natal e que muito se deliciem ao som dos holandeses… tocando Bach.
Como é Natal, você ganha o presente: The Netherlands Bach Society’s recording of Bach Cantata 110 (“Unser Mund sei voll Lachens”) and the Magnificat, led by Jos van Veldhoven, is universally acclaimed for its vibrant, joyful, and pristine sound, featuring fresh-sounding, first-rate soloists and choir, demonstrating both majesty and intimacy, with critics praising its technical brilliance and authentic spirit, often highlighting the captivating instrumental work and welcome inclusion of 17th-century Dutch motets within the Magnificat.
Escrevo estas mal traçadas ainda em novembro, mas com dezembro já quase virando a esquina. Contrariando todas as mais acuradas previsões climáticas, nem mesmo o INPE conseguiu prever essa, já há árvores cuneiformes com seus galhos cheios de neve nas mais diversas partes de Niterói. O clima de Jingle Bells está no ar…
Uma das coisas que eu mais gosto nesta época do ano é a motivação para ouvir velhas canções natalinas em suas diferentes formas, sempre com uma nota de saudosismo, mas também uma de esperança. Eu já andei postando alguns álbuns com essa temática, como você poderá desencavar aqui, aqui ou ainda aqui.
Para este ano, seguindo minha nova tendência de ouvir jazz e coisas afins, escolhi o álbum de um pianista estadunidense que se mudou de mala, bagagens e piano para a Europa, ficando o resto da vida na Dinamarca.
A talented bop-based pianist, Kenny Drew was somewhat underrated due to his decision to permanently move to Copenhagen in 1964. He recorded with Howard McGhee in 1949 and in the 1950s was featured on sessions with a who’s who of jazz, including Charlie Parker, Coleman Hawkins, Lester Young, Milt Jackson, Buddy DeFranco, Dinah Washington, and Buddy Rich. […] He also appeared as a sideman on classic Blue Note albums including John Coltrane Blue Train, Dexter Gordon Dexter Calling, Grant Green Sunday Mornin’, and Jackie McLean Bluesnik. […] Drew recorded many dates for SteepleChase in the 1970s and remained active up until his death.
One of America’s piano greats meets one of Japan’s most traditional reedmen — in a setting that would prove to be a real highlight for both musicians at the time!
Esse disco é uma ‘postagem pronta’! Pensei em usar o subtítulo ‘Ocidente se encontra com Oriente’, no estilo ‘West meets East’, mas achei apelativo, sem contar que poderia levantar falsas expectativas. Sem contar que poderiam achar que estou falando de Istambul.
O disco reúne dois expoentes do jazz, em excelente forma, o pianista Teddy Wilson e o clarinetista Eiji Kitamura. É quase um detalhe geográfico que Teddy era estadunidense, Eiji é japonês e o disco foi gravado em Tokyo, no dia 5 de outubro de 1970. Nada surpreendente para o atual panorama globalizado, mas naqueles dias, a situação era outra. Os dois geniais músicos estavam acompanhados por Buffalo Bill Robinson na bateria, Masanaga Harada no baixo e Ichiro Masuda no vibrafone.
O programa é de clássicos do jazz como a magnífica ‘Stars fell on Alabama (last night)’, ‘On the sunny side of the street’, ‘Dream a little dream of me’, ‘Body and Soul’ e mais algumas, num total de 10 faixas para se deleitar.
Teddy Wilson foi um pianista magistral (um de seus álbuns ganhou o título ‘The Impeccable Mr. Wilson’). Há dois álbuns de Lester Young (outro mestre do swing jazz), nos quais o acompanhamento de piano é de Teddy Wilson em um e no outro Oscar Peterson. Vale a pena conferir.
Mas, o instrumento melódico deste disco é o clarinete de Eiji Kitamura, que desde sua primeira aparição no disco, no lado ensolarado da rua, vai te transportar para um clube de jazz em algum lugar como New Orleans, tal a pureza e beleza do som.
Há também o vibrafone de Ichiro Masuda que dá um colorido sonoro bem especial ao disco. O grupo parece ter tocado a metade da vida juntos (bem, a outra metade passaram fazendo outras coisas…), de tão integrados que são.
O disco todo respira uma certa inocência remetendo a um tempo mesmo anterior aos anos 1970, quando foi gravado. Teddy Wilson não mudou seu estilo ao longo de toda a sua carreira e, no caso dele, creio que podemos tomar como um elogio.
Kitamura devoted himself to clarinet playing while still an undergraduate at Keio University in Tokyo. He first came to prominence in the U.S. at the 20th Anniversary Jam Session of the Monterey Jazz Festival in 1977. His following in Japan was built previous to this on his regular television program.
He prefers to interpret traditional swing jazz rather than modern jazz and according to Allmusic is most strongly influenced by Benny Goodman and Woody Herman.
Teddy Wilson was one of the swing era’s finest pianists, a follower of Earl Hines’ distinctive “trumpetstyle” piano playing. Wilson forged his own unique approach from Hines’ influence, as well as from the styles of Art Tatum and Fats Waller. He was a truly orchestral pianist who engaged the complete range of his instrument, and he did it all in a slightly restrained, wholly dignified manner at the keyboard.
During his time with Benny Goodman, Wilson made some of his first recordings as a leader. These records featured such greats as Lester Young, Billie Holiday, Lena Horne, and Ella Fitzgerald. Wilson’s arrangements with Holiday in particular constitute some of the singer’s finest work, mostly due to Wilson’s ability to find the right sound to complement Holiday’s voice and singing style.
This is a musical letter from my heart: my Inspirations.
Um ótimo disco para ouvir na tarde de domingo, depois daquele almoço de família, quando todo o mundo busca algum cantinho para relaxar e esperar o futebol. A vovó e a acompanhante se atracam num desses filmes de terror que as fazem dar gritinhos e dizerem ah… a todo momento. A vovó aqui é adepta da TV por streaming e só vê a novela se for de época. O tiozão prefere o sofá em frente da outra TV onde verá o jogo de Palmeiras contra o Mirassol, o Brasileirão está na reta final e pegando fogo. A patroa prefere um soninho na cama mesmo e eu vou de Romain Leleu com sua corneta.
Cheguei aos discos dele quase por acaso, primeiro um com Concertos clássicos para trompete, Haydn, Hummel e Neruda. Depois outro com concertos mais recentes, um composto por Jolivet e outro que foi composto para ele, o cara é bom.
O foco de hoje é em um disco de 2016 no qual ele é acompanhado por um Quinteto de Cordas.
Eu adorei o disco, ouvi logo duas vezes, deu tempo certinho antes do começo do jogo. O disco faz uma mistura de canções arranjadas para trompete e cordas, realmente do arco da velha. A batidíssima ‘Ária na Corda Sol’ me soou muito bem e o que dizer do virtuosismo da Fantasia Carmen? Só ouvindo… E tem o tema de Cinema Paradiso, pois é, diversidade.
Deixe de ser preconceituoso, relaxe na poltrona e deixe-se envolver por essas ondas de som, a combinação das cordas com o trompete está ótima. Gostei também das três canções brasileiras, como são bonitas! Águas de Março e Chega de Saudade, de Tom Jobim, e Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá, que fecha o disco.
Eu certamente vou me divertir durante o jogo, os rubro-negros aqui de casa certamente estarão com um secador de cabelo em cada mão….
Joseph Kosma (txt. Jacques Prévert), Les Feuilles mortes (4’24)
Grigoraş Dinicu, Hora Staccato (2’01)
Astor Piazzolla (txt. Horacio Ferrer), Fuga y misterio (5’34)
Ennio & Andrea Morricone, Cinema Paradiso (5’23)
Gabriel Fauré (txt. Romain Bussine), Après un rêve (3’05)
Georges Bizet & Manuel Doutrelant, Fantaisie sur Carmen (11’29)
Reynaldo Hahn (txt. Paul Verlaine), L’Heure exquise (2’39)
Louis-Claude Daquin, Le Coucou (1’48)
Antônio Carlos Jobim, Águas de Março (3’44)
Antônio Carlos Jobim (txt. Vinícius de Moraes), Chega de saudade (3’58)
Vincent Peirani, Random Obsession (creation) (8’21)
Johann Sebastian Bach, Aria (extrait de / from BWV 1068) (2’53)
Pablo de Sarasate, Zapateado (3’47)
Kurt Weill (txt. Roger Fernay), Youkali (extrait de / from Marie Galante) (3’42)
Luiz Bonfá (txt. Maria Antonio), Manhã de Carnaval (5’18)Romain Leleu (soloist)
“The man who is restoring the trumpet’s prestige” is how Télérama described Romain Leleu, both a worthy representative of the purest tradition of the French trumpet school and a musician-adventurer, always ready to explore new universes.
Veja o recado dele, Romain Leleu:
My chosen palette was rich in warm and primary colours, a sonority that was at once both brilliant and lyrical, even sensual. Day in, day out, we, as an ensemble, tried out new work, commissioned new arrangements and played them before live audiences to get their response.
This new album represents the results of my search for that purest and richest of sounds.
This is a musical letter from my heart, a soundscape that is both personal and mythic: my Inspirations.
Thanks to everyone who encouraged me to share this music with you.
Striking and Virtuosic: Etsuko Hirose plays Balakirev –
‘… electrifying performance …’
O disco desta postagem foi uma ótima descoberta! Eu sabia que Balakirev havia composto uma das peças mais difíceis do repertório para piano, intitulada Islamey, e conhecia a bonita transcrição de uma canção de Borodin, The Lark (A Cotovia), que postei há já algum tempo. Bem, um disco inteiro com obras para piano, incluindo uma sonata, me surpreendeu.
Balakirev foi um membro do pioneiro Grupo dos Cinco, junto com Mussorgsky, Glinka, Rimsky-Korsakov e Borodin, e que deu forma ao que conhecemos como música russa. Ele foi ótimo compositor e excelente pianista. Balakirev não era, definitivamente, do tipo acadêmico, e passou por diversos períodos de crise, sem compor. A peça que abre o disco foi esboçada na juventude, recebeu a aprovação de Glinka, mas só ganhou sua forma final quase quarenta anos depois.
A pianista eu descobri ouvindo discos de convidados de edições do Festival La Roque d’Anthéron, uma ótima maneira de descobrir outros talentos além dos famosos músicos divulgados fartamente na mídia. Gostei muito. Ela nasceu em Nagoia e estreou aos seis anos tocando o Concerto para Piano No. 26, de Mozart. Creio que foi Gieseking quem disse: a música de Mozart é mais fácil para crianças do que para adultos. Talvez seja isso. Etsuko completou seus estudos na França, com Bruno Rigutto e Nicholas Angelich. Gravou inicialmente para a Denon e posteriormente para a Mirare. Este disco foi gravado em 2012.
Mily Balakirev (1837 – 1910)
Fantasia para Piano sobre temas da ópera de Glinka
O disco é de 2012, mas Etsuko disse ter valido a pena a espera para estrear no blog…
Trecho da resenha estrelas na Amazon: I had expected this music to be a bit unmemorable and Etsuko Hirose to be on the gentler side, but was wrong on both counts. This is a superb disc, the music overflows with melody and ebullience in a Tchaikovsky-like manner, and Hirose produces a wonderfully big sound, generous and commanding in terms of her virtuosic dispatch.
Eu também achei superb!
René Denon
M Balakirev – O pessoal do Departamento de Artes do PQP Bach Publishing House, solicito como sempre, eficiente como nunca, enviou esta ilustração para a postagem…
What I hear on the streaming isn’t what I hear in the hall!
Garrick Ohlsson ganhou o Concurso Chopin de Piano em 1970 e é conhecido como um excepcional intérprete da obra do compositor polonês, mas tem um repertório enorme, que inclui obras de Beethoven, Rachmaninov, Brahms, Granados, Scriabin, Bartók, Prokofiev, Liszt, entre outros.
Garrick foi o presidente do júri da edição deste ano do Concurso Chopin, cujo vencedor foi Eric Lu. A decisão certamente levantou mais comentários do que tem em geral acontecido. Talvez tenha sido o excesso de talentos ou mesmo outras as razões. O próprio Ohlsson explicou em entrevistas disponíveis na net as dificuldades de se chegar a um resultado em uma competição deste nível. Veja a frase que escolhi para iniciar a postagem.
Mas, hoje o dia é de Mozart, uma linda gravação feita ao vivo do Concerto para Piano No. 27, o último composto por Mozart. Pelo que entendi, Garrick Ohlsson foi chamado para substituir Igor Levitt como solista no concerto, devido a problemas de saúde deste último. Certamente seria uma noite mágica, mas, talvez, devido a isso, Garrick Ohlsson fez uma ótima apresentação – uma interpretação cristalina, muito bonita, mesmo aristocrática do último concerto de Mozart.
A orquestra e o regente Franz Welser-Möst, o atual diretor musical, certamente estavam em perfeita colaboração com o solista. A Orquestra de Cleveland e sua longa linhagem de famosos diretores musicais com ótimas gravações de obras de Mozart, mostra todas as suas qualidades.
Isso fica evidente na obra que completa o programa, a Sinfonia No. 29, obra que Mozart compôs entre seus 18 ou 19 anos, quando ainda morava em Salzburgo. Não há evidências que esta obra tenha sido apresentada em Salzburgo (eles não sabem o que perderam), mas em 1783, quando já morava em Viena, Mozart pediu a seu pai que lhe enviasse a partitura da obra e é bem possível que então a obra tenha sido apresentada. A interpretação aqui é do tipo ‘big band’, orquestra moderna, mas não se preocupe com isso, aproveite essa quase uma hora de ótima música.
“Ohlsson’s virtuosity here isn’t speed or extremes of technique but rather exceptional clarity. Even where the composer turns playful, as in the third movement, the pianist retains his stunning equanimity, allowing not so much as a single measure to sound muddy or hurried.”
Xiayin admirando o resultado do óleo de peroba usado pela turma do PQP Bach em seus pianos…
Este disco com música de Brahms é um dos melhores entre os que ouvi esta semana – vale a pena! Cheguei até ele depois de ler um artigo tratando de boas gravações do Concerto para Piano No. 2, de Tchaikovsky. Pois é, há mais concertos para piano de Tchaikovsky além do Concerto No. 1, mas isto é outra história .
Como estava dizendo, no tal artigo sobre o Concerto para Piano No. 2 de Tchaikovsky, a ‘brilhante’ pianista chinesa-estadunidense Xiayin Wang é mencionada. Ela gravou um disco para a CHANDOS com o este concerto e o Concerto de Khatchaturian. Eu decidi investigar o que havia disponível em meus fornecedores com a moça. Um bocado de música romântica virtuosística, Rachmaninov e Scriabin, além dos Concertos de Tchaikovsky e Khachaturian. Há também um surpreendente disco com obras de Enrique Granados, incluindo as maravilhosas Valsas Poéticas. Este disco ainda aguarda considerações, Granados é viciante, mas intoxicante também. Aí chegamos a dois discos com obras de câmara do romantismo alemão, quartetos e quintetos com piano de Schumann e de Brahms. O Schumann ainda está na fila e o Brahms está aqui.
O disco com as obras de Brahms é de 2008, do selo canadense MARQUIS, e traz dois dos três quartetos com piano de Brahms, os de Números 1 e 3. São 74 minutos de ótima música, apesar de que tive que mandar ver no botão de volume, mais do que usualmente é necessário. Neste disco, Xiayin Wang é acompanhada pelos rapazes do Amity Players.
Os quartetos com piano de Brahms estão bastante representados aqui no blog, em especial o de Número 1, que tem o inesquecível último movimento ‘cigano’, com certeza resultado de lembranças dos dias que Johannes passou em companhia do ‘outro’ amigo violinista húngaro, Eduard Reményi. Eu não deixaria de ouvir as gravações que podem ser encontradas aqui, aqui e aqui, gravações novas e jurássicas. Mas, hoje é dia de Xiayin Wang e seus parceiros do Amity Players. Eles estão soberbos, tanto no movimento cigano quanto no lindíssimo movimento lento do Terceiro Quarteto. Confira!
Trecho de uma crítica deixada na Amazon: The demand on interpretative skill [made by these works] is huge, and a mere possession of technique could never do justice to the pieces choosed in this album. Xia Yin Wang and the Amity Players did a more than splendid job
Trecho de uma crítica de outro álbum da pianista: ‘Introducing Xiayin Wang’ is recorded very quietly; one will need to crank it up to get the full effect. Nevertheless, Wang is quite an exciting player and has precisely those qualities that make the prospect of seeing this artist in concert appealing — breadth of repertoire, sensitivity of touch, and a beautiful overall sound.
The Nash Ensemble is still the best champion that any composer could hope to have
The Times
Membros do Nash Ensemble (mais atual)
Vocês sabem que quando dois ou mais ensejos se unem, o destino está conspirando para algo acontecer. No caso aqui, nada de muito importante, apenas mais uma postagem para o blog. Primeiro, música de câmara francesa – Gabriel Fauré o compositor. Eu já sou fã de carteirinha. Depois, os intérpretes são membros do Nash Ensemble, grupo musical inglês formado em 1964 por Amelia Freedman por alunos da Royal Academy of Music. Estabelecendo-se como uma ótima referência para música de câmara, com um enorme repertório que inclui música contemporânea, também devido à flexibilidade de suas possíveis formações, logo começou a fazer registros fonográficos. Inicialmente para o selo CRD, como o caso do disco da postagem, depois para Virgin Classics e Hyperion, como no recente lançamento que você poderá encontrar aqui.
O programa do disco é bem atraente, todas as peças são de composição de Fauré, mas cada uma leva uma combinação diferente de instrumentos, rendendo uma audição estimulante do disco. A Sonata para Violino No. 1 é um primor e abre os trabalhos com Marcia Crayford ao violino, acompanhada pelo pianista do grupo Ian Brown. Depois a pianista Susan Tomès (do Domus Quartet) interpreta a Suíte Dolly, para piano, que termina com o ótimo ‘Le Pas Espagnol’, um lindo ‘paso doble’. Completando o disco, o Segundo Quinteto com Piano, obra menos divulgada que os famosos Quartetos com Piano, com vários membros do grupo. Um disco despretensioso, mas excelente.
Membros do Nash Ensemble (perto da época da gravação do disco)
Composer Harrison Birtwistle comments: ‘Michael Tippett used to say that the world was divided between those on the side of the angels and those not. In the case of Amelia Freedman and her Nash Ensemble there is no question they stand well over the line of good and blessed with wings of gold’.
Asas de ouro!! Aproveite!
René Denon
Dolly!!
PQP Bach Quizz: Por que o grupo escolheu esse nome?
a) Por que as primeira gravações foram feitas em Nashville;
Eu te direi o que é liberdade para mim: não ter medo!
A pessoa que viria ser Nina Simone nasceu Eunice Kathleen Waymon, na Carolina do Norte, em 1933. Filha de uma ministra metodista e um faz-tudo, mostrou seus talentos musicais muito cedo (surpresa?) e desde os três anos tocava ao piano toda música que ouvia. Logo estava estudando piano clássico. Estava inclinada a tornar-se uma pianista, mas as indicações para escolas de música falharam e o destino seguiu seu curso. Para conseguir fechar as contas no fim do mês, buscou trabalho como pianista no Midtown Bar & Grill, em Atlantic City. Para garantir o trabalho, teve que cantar além de tocar o piano. Seu repertório de canções de Gershwin, Cole Porter, Richard Rogers, atraiu um fã clube de ouvintes. Seus voz rica e profunda, combinada com seu domínio do teclado, logo atraíram frequentadores de casas noturnas por toda a Costa Leste. Não demorou para surgirem propostas de gravações e assim nasceu Nina Simone (Nina de pequenina e Simone de Simone Signoret). Em 1959 foi lançado ‘Little Girl Blue’, álbum postado aqui pelo Ranulfus (link revitalizado, aqui) e o resto é história.
Nina Simone impaciente com a demora do fotógrafo enviado pelo PQP Bach em capturar uma boa imagem dela…
Eu escolhi postar um álbum com uma coletânea de sucessos, que eu amei, desde a escolha das músicas quanto ao cuidado com a qualidade sonora, necessária para fazer jus a uma cantora e musicista do nível dela. Sem contar também com a variedade de inspirações, pois que Nina Simone foi tão enorme, tão diversa que é impossível coloca-la em um ou mesmo alguns rótulos. Escolhi também uma álbum como foi lançado nos dias em que ela era artista do selo Philips, com o espetacular título ‘I Put A Spell On You’. Há algumas músicas repetidas nos dois álbuns, mas eu não ligo para isso. Para arrematar, escolhi mais quatro músicas que gostei muito, que considero bem significativas. São PQP Bach-bônus…
A maioria das canções foram gravadas em estúdio, mas algumas poucas foram gravadas em eventos e revelam como era significativa a química que ela tinha com o público. Uma delas é ‘I loves you Porgy’, de Gershwin, gravada no Carnegie Hall, assim como ‘Mississipi Goddam’. Temos aqui uma pequena amostra de como ela foi significativa na cultura estadunidense. A primeira canção é um clássico, ária da ópera Porgy and Bess, enquanto a outra canção revela o engajamento da artista com o movimento dos direitos civis.
É claro que o mais importante é que você mergulhe nos arquivos e descubra por si mesmo a riqueza e a variedade da arte de Nina Simone, mesmo numa pequena amostra como esta, mas não resisto à tentação de mencionar algumas das canções. ‘Feeling Good’ é uma dessas que todo o mundo conhece, inclusive meu embasbacado filho, ao chegar aqui em casa e ouvir o Denonsão mandando ver de Nina Simone. ‘Ne me quitte pas’ mostra que ela era realmente grande intérprete e ‘Lilac Wine’ uma que eu não conhecia e que me deixou de queixo caído.
As quatro extra canções eu escolhi um pouco por serem conhecidas mais na interpretação de seus autores originais, como as canções de Bob Dylan, uma delas associada ao movimento dos Direitos Civis (não é o ‘Blowing in the Wind’), assim como uma dos ‘bitos’, de George Harrison. Não podia ficar de fora a deliciosa ‘I want a little sugar in my bowl’, da própria Nina Simone, com toda a sensualidade que uma cantora pode colocar em uma linda canção, para arrematar a fatura. Essas faixas vieram do álbum Miss Simone – The Hits.
Como disse o Chat PQP Bach, Nina Simone tinha a reputação de ser volúvel, imprevisível, impaciente, muito introspectiva e às vezes mal-humorada. Era também muito ciumenta e ansiosa. Mas era, ao mesmo tempo, incrivelmente talentosa, inteligente, sincera e criativa. Era assim uma versão de saias estadunidense do Tim Maia. Nas décadas de 70 e 80 morou em muitos lugares, como Libéria, Barbados, Inglaterra, Bélgica, França, Suíça e Holanda. Em 1993 instalou-se em Carry-le-Rout, próximo a Aix-en-Provence, França, onde viveu até sua morte em abril de 2003. Segundo ela, sua função como artista é “…fazer as pessoas sentirem profundamente. […] E quando você capta a mensagem, quando conquista o público, você sempre sabe, porque é como eletricidade pairando no ar.” Espero que você goste da postagem e aprecie um pouco essa grandiosidade artística.
Aproveite!
René Denon
Agora que a postagem está pronta, podemos relaxar um pouquinho…
Johannes Brahms aquecendo o ambiente com suas notas musicais e seu charuto….
Schubert e Schumann compuseram mais (relativamente) Lieder do que Brahms, mas este disco nos dá uma excelente mostra do que ele produziu de melhor nesse gênero. Aproveito também para celebrar a carreira do barítono inglês Thomas Allen, que esteve muito ativo como cantor de ópera, música sacra e como recitalista desde os anos 80 até recentemente. Allen é particularmente identificado com papéis de óperas de Mozart, como o Don Giovanni.
Este disco foi gravado em outubro de 1989, um excelente momento em sua carreira. Além do acompanhamento ao piano pelo experiente Geoffrey Parsons, o disco de selo Virgin Classics conta com a direção artística do então já famoso Andrew Keener. Falando nisso, Andrew foi entrevistado na edição de abril deste ano de 2025 da BBC Music Magazine. Ele deixou uma frase bem marcante: Reading reviews for the first time was life changing. I fell madly in love with records. (Ler resenhas pela primeira vez mudou minha vida. Me apaixonei perdidamente por discos). Um disco como este da postagem revela esse cuidado e essa dedicação.
Johannes Brahms (1833 – 1897)
Wir Wandelten, Op. 96 No. 2 (Hungarian Poem) – Traditional
Der Gang Zum Liebchen, Op. 48 No. 1 (Bohemian Poem) – Traditional
Komm Bald, Op. 97 No. 5 – Klaus Groth
Salamander, Op. 107 No. 2 – Karl von Lemcke
Nachtigall, Op. 97 No. 1 – Christian Reinhold
Serenase, Op. 70 No. 3 – Johann Wolfgang von Goethe
Geheimnis, Op. 71 No. 3 – Carl Candidus
Von Waldbekränzter Höhe, Op. 57 No. 1 – Georg Friedrich Daumer
Dein Blaues Auge Hält So Still, Op. 59 No. 8 – Klaus Groh
Wie Bist Du, Meine Königin, Op. 32 No. 9 (Persian Poem, Hafiz) – Traditional
Meine Liebe Ist Grün Wie Der Fliederbusch (From Junge Lieder), Op. 63 No. 5 – Felix Schumann
Die Kränze, Op. 46 No. 1 (Greek Poem) – Traditional
Sah Dem Edlen Bildnis, Op. 46 No. 2 (Magyar Poem) – Traditional
An Die Nachtigall, Op. 46 No. 4 – Ludwig Heinrich Christoph Hölty
Die Schale Der Vergessenheit, Op. 46 No. 3 – Ludwig Heinrich Christoph Hölty
In Waldeseinsamkeit, Op.85 No. 85 No. 6 – Karl von Lemcke
Você pode ouvir este disco em alguma plataforma de streaming, como a TIDAL.
Andrew Keener testando a sala de som do PQP Bach Classical Records…Sir Thomas Allen cantando uma seleção de Lieder de Schubert, Schumann, Brahms, Mahler e Hugo Wolf para o pessoal do PQP Bach
Se você não é um habituée do mundo da canção clássica, Lieder, um disco inteiro pode ser um pouco demais. Minha sugestão é começar aos poucos – ouça algumas canções, deixe que as suas melodias se imprimam na parte boa de sua memória. E, se você não fizer caso de minha intromissão, sugiro que não deixe de ouvir as seguintes canções: Wir Wandelten; Der Gang zum Liebchen; Der Salamander; Wie bist du, meine Königin; Meine Liebe ist Grün (esta, especialmente para os palmeirenses); Wiegenlied (que todo mundo já ouviu alguma vez…); Von ewiger Liebe; Botschaft. Depois, retorne e amplie sua experiência com outras canções. Espero que assim você possa adaptar para si a frase do produtor do disco, o ótimo Andrew Keener, dizendo: Me apaixonei perdidamente por Lieder!
Eu adoro o filme “Uma Janela Para o Amor” (A Room With a View), de 1985 – já lá se vão 30 anos – com o par Helena Bonham Carter e Julian Sanders. Nunca esqueci as cenas nas quais a Lucy Honeychurch toca trechos de sonatas para piano de Beethoven. Acho que a música desempenha papel relevante na história revelando-nos aspectos da personalidade da personagem representada então pela jovenzinha Helena Bonham Carter. Um verdadeiro furacão. Inspirado nessas imagens achei que seria interessante ouvir alguns discos gravados por mulheres com música de Beethoven. Ele interpretado por elas. É claro que há dezenas de postagens aí no seu PQP Bach mais próximo com essas características, mas não custa nada tentar algumas coisas novas.
Começamos com um disco que faz parte da gravação integral das Sonatas para Piano do famoso Ludovico pela pianista nascida na Ucrânia, hoje residente na Carolina do Norte, Valentina Lisitsa. Ela é, assim como a Lucy Honeychurch, um furacão… Já andou aqui pelas nossas colinas tocando Scriabin e Rachmaninov, em postagens de Playel e FDP Bach. No Instagram dela aparece o epíteto @queen_of_rachmaninoff.
Eu adorei o disco, especialmente a interpretação da Waldstein. As outras sonatas também estão muito boas, com a poderosa Appassionata brilhando também! Aproveite bastante esse disco e, quem sabe, você se interesse também pelo resto das sonatas.
Quase não há algum aspecto da vida espanhola, da música e dança popular espanhola, que não tenha encontrado seu lugar no microcosmo que Scarlatti criou com suas sonatas.
Domenico Scarlatti nasceu em 1685, o mesmo ano em que nasceram Bach e Handel, dois gigantes da música barroca. O pai de Domenico era um famoso compositor napolitano de óperas e Domenico seguiu os passos do pai, produzindo o mesmo tipo de música que ele. Mas, Domenico era um ás do teclado, especialmente do cravo. De 1720 em diante sua vida se entrelaçou com a Corte Portuguesa e ele tornou-se professor de música da princesa Maria Bárbara de Bragança, que se casou com o príncipe que se tornaria o rei Ferdinando IV de Espanha. De Portugal para Espanha, do fado para o flamenco, calles e castanholas, tudo combinando para a criação de 550 ou mais peças maravilhosas para instrumentos de teclado, que desde suas criações fazem parte do repertório de grandes cravistas e pianistas.
Muzio Clementi editou 10 dessas sonatas em 1791 (ano da morte de Mozart, Beethoven tinha 21 anos e ainda estava morando em Bonn). Carl Czerny (que foi aluno de Beethoven), Brahms e especialmente Chopin tinham grande admiração pelas sonatas de Scarlatti.
Horowitz, Ralph Kirkpatrick, Michelangeli são alguns nomes de uma geração de tecladistas que sempre mantiveram, cada um com seu talento e forte personalidade, vivo o interesse pela obra de Domenico. Eu admiro imensamente as gravações feitas na década de 1990 por Mikhail Pletnev (generosa seleção de 31 sonatas) e Ivo Pogorelich (15 belíssimas sonatas) que me deixaram Scarlatti-dependente. Essas e as (poucas, pena!) sonatas gravadas por Perahia no seu disco com obras de Handel e Scarlatti, outro disco antológico. Passei muito tempo ouvindo esses discos, de novo e de novo. Identificar as sonatas que aparecem em duas (ou mais) dessas gravações é uma diversão muito prazerosa.
Mas, hoje é dia de Alberto Urroz, o artista que escolhi para a postagem, parte da homenagem e a comemoração pelos 340 anos de nascimento do grande Domenico Scarlatti. Isso porque decidi buscar entre os lançamentos mais recentes gravações que exibissem um contínuo interesse pela obra dele e que mostrassem que as novas gerações de intérpretes estão a altura das grandezas dos intérpretes do passado, mesmo que recente.
Urroz dando um ‘test drive’ em um grand da coleção de pianos do PQP Bach Coop.
Escolhi este particular disco do pianista Alberto Urroz por vários motivos. O disco gravado pelo selo espanhol lbs Classical, foi gravado no Auditório Manuel de Falla, em Granada, entre 2 e 4 de setembro de 2017 e tem produção impecável. Som espetacular e livreto muito informativo em espanhol e inglês. A escolha cuidadosa das sonatas forma um conjunto muito representativo. As Sonatas K. 9, em ré menor, K. 96, em ré maior, K. 8, em sol menor, K. 213, em ré menor, aparecem também no álbum de Mikhail Pletnev e eu as amo. Dois exemplos de ‘pares de sonatas’: K. 208 e 209, em lá maior, e K. 132 e 133, em dó maior. A Sonata em lá maior, K. 208 é outras dessas figurinhas carimbadas, linda, é introspectiva e tímida, enquanto sua ‘irmã’, K. 209, é extrovertida, toda saída. Uma deve ter seguido para o convento enquanto a outra vivia nas ruas e feiras… Se você já é fã da obra de Scarlatti, vai se deliciar com o disco. Se você ainda não tem tanta familiaridade assim com ela, encontrará aqui um bom lugar para começar, uma oportunidade para travar conhecimento com música que vai lhe encantar por toda a vida.
Alberto Urroz’s interpretations of Scarlatti’s piano sonatas have been praised for their color, movement, and rhythmic sense, which are informed by dance and subtle variations in timbre.
As the artistic director of the Mendigorria International Music Festival in Spain, pianist Alberto Urroz has produced and created multidisciplinary programs featuring music, art, and dance. I mention this only because color and movement inform his Scarlatti playing, meaning that his rhythmic sense is informed by dance, and he discreetly varies his timbre to imbue repeated phrases with variety and to underline the composer’s tangy dissonances. […] In all, there’s lots of engaging music-making afoot, and if you share my weakness for investigating Scarlatti piano collections, give this release a spin.
I gave even more than one spin…
Aproveite!
René Denon
Tri-gênios da música barroca! Eles compravam suas perucas do mesmo ‘peluquero’…
Eu acho o concerto em ré menor a maior obra que alguém já escreveu e as grandiosidades estão ali, mesmo antes que o piano toque uma só nota, no grande tutti… Ele não é Beethoven, não é Mozart, não é Wagner, mas eu prefiro o (concerto) em ré menor mais do que qualquer concerto dos ditos grandes compositores.
[Dito por Kovacevich, que não é o pianista da gravação, em uma entrevista por ocasião do relançamento de suas gravações para a Philips]
Desafio Revelado
Pianista: Peter Donohoe
Orquestra: The Philharmonia
Regente: Yevgeny Svetlanov
O Ernesto apontou logo cedo pela manhã o correto nome dos artistas, mas deixei mais um pouco a brincadeira no ar. Posteriormente, luisque também indicou o nome do pianista… Mas, apesar da rapidez das descobertos, pelas mensagens do Adilson e do Otavio Ferraz, valeu a pena esticar um pouco mais a brincadeira, uma vez que ela pode ter provocado o ato de ouvir um pouco mais atentamente essa linda gravação. Fico muito feliz com as mensagens, mostrando o interesse pela postagem…
Quanto as cocadas, estão ainda em suspenso, pois assim como foi apontado pelo Adilson, pode ter havido intervenção da IA no lance, que está desde então submetido ao VAR do PQP Bach. Aguardem…
A imagem mais comum de Brahms é de um senhor barbudo, velhusco, que pelo menos para mim, lança uma sombra de seriedade sobre a sua música. Essa impressão é reforçada pelo título de algumas de suas peças, como o Réquiem Alemão e Quatro Canções Sérias. Para fechar o cortejo, uma nota outonal, nostálgica, deixada pelas suas últimas peças para piano e pelas obras de câmara com clarinete – que eu adoro, vamos deixar isso bem claro…
A música desta postagem é um contraste com essa imagem – é música que pulsa com vida, cintilante – reflete um momento de juventude e vigor, que eu percebi bem nesse disco.
Pensei bem pouco (como quase sempre) e decidi apresentá-la na série Desafios do PQP Bach, que tem andado meio esquecida. Só para lembrar nossos assíduos 32 leitores e informar aos eventuais recém-chegados ao blog, o desafio consiste em adivinhar o nome dos artistas que gravaram o disco. Essa brincadeira surgiu da ideia de ouvir a música, a interpretação, sem pré-julgamentos, sem a influência dos nomes na capa do disco. Assim mesmo como naquelas situações nas quais ligamos um rádio e pegamos uma música em andamento e ficamos a dar tratos na bola. Só que aqui, já antecipamos a música, apenas os artistas ficam anônimos. Mas, como acreditamos na importância em dar os créditos aos artistas, após um tempo da postagem no ar ou assim que algum arguto nauta revelar a correta identidade dos misteriosos artistas, editamos a postagem para que a verdade seja apregoada.
Então é isso, vocês já sabem, quem acertar os nomes dos artistas que apresentam aqui o grande e maravilhoso Concerto No. 1 para Piano de Brahms ganhará tantos downloads grátis quantos quiser, a tradicional cocada do PQP Bach (ao vencedor, as cocadas!) e a glória do reconhecimento de todos os nossos visitantes!!
Descrição da abertura do concerto em um site de uma famosa orquestra, lembrando as palavras de Kovacevich, no início da postagem: Tímpanos estrondosos, cascatas de trinados duplos e uma tensão harmônica opressiva sublinham a sensação de uma paisagem sonora titânica, quase primitiva, desde o início. Apesar de toda a sua autoconsciência em relação à tradição, Brahms apresenta suas ideias com confiança inabalável. Após essa exposição orquestral, o pianista solo entra com um novo tema suavemente melancólico. Brahms justapõe o cataclismo do material de abertura com um lirismo suavemente reflexivo — os extremos que definem esse movimento gigantesco — e, assim, intensifica o drama inerente de tragédia e consolação do concerto.
Grande jazz, uma gravação soberba e nos deixamos levar por essa música mágica que faz bem para o coração e para a cabeça. [Debernardi]
45:43 é pouco mais do que a duração de uma metade de um jogo de futebol. Se levarmos em conta a famosa cera dos ‘jogatores’ e os descontos com as consultas ao VAR, é bem menos do que meio jogo de futebol. Mas, esse disco com esse ‘Total Time’ é por demais precioso! Uma verdadeira joia, música para satisfazer e alegrar as mais diversas audiências. Eu tenho o CD desde os primórdios. Uma amiga recém-chegada de uma temporada de estudos na BigApple me emprestou alguns de seus CDs de jazz em troca de meus poucos de música clássica e eu me apaixonei. Assim, logo que tive alguma oportunidade, fui comprando minhas próprias cópias daqueles maravilhosos discos. Com o tempo, fui aprendendo mais sobre os músicos e sobre as histórias dos próprios discos. Esse aqui, “Nigerian Marketplace”, merece ter sua história mais divulgada, assim como ser ouvido por muitas pessoas.
Lá pelos anos 1970 Oscar Peterson era um pianista veterano e junto com um grupo de excelentes músicos, se juntou a Norman Granz no novo selo musical nomeado Pablo. O pessoal já havia trabalhado com ele, desde os dias da Verve. O disco desta postagem é fruto dessa colaboração e foi gravado ao vivo, no Montreux Jazz Festival, em 16 de julho de 1981. Veja o que Granz conta no livreto do álbum: Nos últimos dois anos, Oscar Peterson, entre aparições pessoais, vem compondo uma obra importante intitulada “ÁFRICA”. O que começou como uma canção em homenagem ao líder nacionalista negro sul-africano, Nelson Mandela, que estava preso, e sua esposa, Winnie, inevitavelmente se transformou em um épico de grande escala. Peterson chamou o primeiro tema, da suíte ainda inacabada, de “Nigerian Marketplace”. No verão passado, julho de 1981, ele se apresentou no Festival de Jazz de Montreux com Niels-Henning Ørsted Pederson no baixo e Terry Clarke na bateria e, como surpresa, incluiu esta composição em seu programa. O público ficou encantado com sua linha melódica assombrosa, e foi um sucesso estrondoso.
A propósito, Herbie Hancock se apresentou no programa da mesma noite, e acredito que o competitivo Peterson, inspirado pelo colega pianista que tanto o aprecia (e de quem ele gosta reciprocamente), fez uma apresentação magnífica.
Ao lançar este álbum do concerto, convenci Peterson a permitir a inclusão de “Nigerian Marketplace”, não apenas como uma prévia da suíte completa, mas como uma apresentação única por si só.
Nigerian Marketplace (O. Peterson)
Au Privave (C. Parker)
Medley: Misty (E. Garner) & Waltz For Debby (B. Evans)
Nancy With The Laughing Face (J. VanHeusen, P. Silvers)
Immaculate bass performance, possibly my favorite contrabass sound and playing out of any jazz recording, feels like this guy is effortlessly materializing bubbles of air out of his fingers just by waving his hand in the air.
Obviously peterson is amazing – who would have known ?! – and the drummer is very solid… but that bass man. This album used to be my favorite jazz album and though i don’t listen to it very often nowadays, i still enjoy the whole of its running time whenever i decide to revisit it. Definitely recommended.