Um bom CD que vale pale segunda faixa, Elveen, homenagem ao baterista Elvin Jones, que está no grupo nesta faixa e na 5ª. De resto, adoro Marsalis, mas ouvi este disco sem real entusiasmo apesar do incrível apuro técnico e musicalidade do quinteto. As harmonias são lindas, mas nenhum dos temas é particularmente memorável e, embora os solos individuais sejam bons, não acontece muita coisa. No geral, é uma homenagem bastante estranha ao blues. Na verdade, o principal significado deste conjunto é que, aqui o grande trompetista reuniu pela primeira vez o núcleo do seu quinteto. Musicalmente esta trilogia pode ser contornada. ouça as gravações mais recentes de Marsalis. Não obstante, este é um álbum relaxante. Wynton Marsalis é um músico, compositor, líder de banda, aclamado educador e um dos principais defensores da cultura americana. Ele é o primeiro artista de jazz a tocar e compor em todo o espectro do gênero, desde as raízes de Nova Orleans até o bebop e o jazz moderno. Ao criar e executar uma ampla gama de músicas para quartetos e big bands, de conjuntos de música de câmara a orquestras sinfônicas, de sapateado a balé, Wynton expandiu o vocabulário do jazz e criou um corpo vital de trabalho que o coloca entre os mais importantes músicos de nosso tempo.
.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south
1 Harriet Tubman 7:39
2 Elveen 12:12
3 Thick In The South 10:14
4 So This Is Jazz, Huh 12:25
5 L.C. On The Cut 13:29
Bass – Bob Hurst
Drums – Elvin Jones (tracks: 2, 5), Jeff Watts
Piano – Marcus Roberts
Tenor Saxophone – Joe Henderson
Trumpet – Wynton Marsalis

PQP

IM-PER-DÍ-VEL !!!

IM-PER-DÍ-VEL !!!


IM-PER-DÍ-VEL !!!
As três últimas Sonatas para Piano de Franz Schubert, incrivelmente compostas em setembro de 1828, poucas semanas antes de sua morte prematura, constituem um testamento sonoro de rara grandeza e introspecção. Longe de serem meras heranças beethovenianas, elas revelam um Schubert já plenamente visionário: a estrutura clássica é invadida por harmonias inquietantes e uma expressividade que oscila entre o desespero e a transcendência. A D. 958 ecoa a fúria dramática de Beethoven, mas com a melancolia tipicamente schubertiana. A D. 959 expande-se em um Andantino de dor quase expressionista, seguido de um Scherzo fantasmagórico. A D. 960 coroa essa trilogia. Abre com um tema de simplicidade celeste, só para submergir em regiões de silêncio perturbador e nostalgia cósmica. Juntas, formam uma viagem ao abismo e à redenção — não como confissão biográfica, mas como geografia da alma humana, onde a forma clássica se rompe para dar voz ao inefável. São, nas palavras de Alfred Brendel, “a despedida de um poeta que já habitava um mundo além do seu tempo”.



Ninguém deve roubar ou matar por este CD. Ele é bom, mas também não é extraordinário. As Cantatas de Alessandro Scarlatti (1660-1725) — em especial suas mais de 600 cantatas para voz solo e baixo contínuo — representam o ápice da cantata profana barroca italiana, moldando um gênero que equilibrava drama, lirismo e intimidade. Não se comparam às Cantatas Italianas de Handel, que humilha AS de cima a baixo. Compostas predominantemente para vozes de castrato ou soprano, essas obras são micro-óperas sem cenário, estruturadas em uma sequência de recitativos expressivos (onde a palavra avança a ação) e árias. Scarlatti refinou a forma do recitativo acompanhado e consolidou a ária com orquestração rica, utilizando o baixo contínuo não apenas como suporte, mas como personagem ativo no diálogo com a voz. Seus temas — quase sempre extraídos da mitologia clássica — ganham vida através de uma escrita vocal que exige tanto agilidade técnica quanto profundidade retórica, enquanto as linhas do baixo prenunciam o Classicismo, mas não se entusiasme muito. Em suas cantatas, Scarlatti lançou as bases para a ópera séria do século XVIII, tornando-se assim um arquiteto fundamental da expressão vocal barroca.
As sinfonias que abrem (ou “interrompem”) algumas das Cantatas de J.S. Bach não são “sinfonias” no sentido clássico posterior, mas sim movimentos instrumentais de abertura que funcionam como prelúdios orquestrais. Em geral, Bach utilizava esses movimentos para estabelecer o afeto teológico e musical da cantata, muitas vezes reaproveitando material de seus próprios concertos (como os Concertos de Brandemburgo) ou criando texturas contrapontísticas densas. Essas aberturas, muitas vezes em forma de concerto grosso, revelam não apenas a maestria instrumental do compositor, mas também sua capacidade de fundir o sagrado e o profano: o mesmo material que animava uma dança secular podia, na Cantata, elevar-se como invocação ao divino. Assim, as sinfonias das cantatas são portais sonoros que convidam o ouvinte a adentrar um universo onde a música instrumental e a vocal dialogam em serviço à expressão espiritual. Esta gravação é muito boa e, digamos, atléticas — como lhes é exigido.
Uma Cantata formada exclusivamente de poemas sobre a morte. A Sinfonia Nº 14, op. 135, composta em 1969, marca um ponto extremo na trajetória de Shostakovich, afastando-se definitivamente do modelo sinfônico tradicional para se aproximar de um ciclo de canções orquestrais. Escrita para soprano, baixo, cordas e percussão, a obra reúne poemas de García Lorca, Apollinaire, Küchelbecker e Rilke, todos atravessados pela consciência aguda da finitude, da violência e da injustiça histórica. Aqui não há redenção nem ironia protetora: a música é austera, cortante, muitas vezes esquelética, e trata a morte não como abstração metafísica, mas como realidade política e humana concreta. A Sinfonia Nº 14 soa como um testamento artístico e moral, em que Shostakovich, já gravemente doente, confronta o silêncio final, recusando qualquer consolo fácil e transformando o próprio gênero sinfônico em um espaço de reflexão existencial.
Uma bela gravação de obras fundamentais do século XX.
Nada demais por aqui. As tais “Introduttioni teatrali” (op. IV, 1735) são um conjunto de seis peças orquestrais curtas compostas por Pietro Locatelli. O título significa “Introduções Teatrais”, claro. Elas são uma mistura de dois estilos da época. Seguem a estrutura da abertura da ópera napolitana (rápido-lento-rápido) e utilizam a formação do concerto grosso, com um pequeno grupo de solistas (concertino) e a orquestra completa (ripieno). Na prática, funcionam como pequenas cenas instrumentais dramáticas, situando-se na fronteira entre a música puramente instrumental e o mundo da ópera. Eu não achei nada atrativo, mas julgue você mesmo.
Encontrei três belas Cantatas neste vol. 31 da edição de Rilling das Cantatas Completas de Bach. São muitos CDs, mas sem maiores informações sobre solistas. A Hänssler fez uma edição popular da integral. Comprei-a, só depois vi que as informações são pra lá de parcas. Há duas Cantatas excepcionais neste CD, a 158 e a 42. A 67 vale pela originalidade. Eu sempre fico impressionado com Rilling, um grande maestro da época da “Música não historicamente informada”, porém com perfeito senso do estilo barroco. Por que fico impressionado? Porque sempre acho que ele morreu, mas ele está vivinho da silva. Hoje tem 93 anos e ainda está ATIVO. Que siga! (Pois é, ele faleceu no dia 11 de fevereiro). Ouçam a BWV 42 e a 158. São lindas!

O flautista, maestro, luthier e lenda brasileira Ricardo Kanji (1948-2025) comanda este bom CD com obras de Telemann. Kanji fundou, em 1966, o lendário Musikantiga, com seu irmão Milton Kanji, Dalton de Lucca e Paulo Herculano. Foi um dos pioneiros mundiais na música barroca, foi sucessor de seu mestre Frans Brüggen no Conservatório Real de Haia e membro fundador da Orquestra do século XVIII. “Trabalhei com os melhores músicos da cena de música antiga, na qual me especializei. Na Europa, esse movimento começou há cinquenta anos. Na Holanda, eu e meus professores estudamos muito os tratados, os métodos dos séculos XVII e XVIII. Pesquisamos como a música era feita nessa época para entender o que eles achavam importante em termos de acentuação e de interpretação e conhecer os seus gostos pessoais. Fomos reunindo todas essas informações e desenvolvemos uma forma de tocar baseada nesses conceitos completamente diversa da maneira romântica de se tocar”, contou em 2005. Este disco corrobora o cuidado e a enorme qualidade do trabalho de Kanji. E o repertório é muito bom!
IM-PER-DÍ-VEL !!!

Onde está você, Cristina Ortiz? Dando master classes em Londres e Nova Iorque? Pois esta baiana faz a maior falta ao Brasil. Ou a Porto Alegre, pois acabo de ler que ela 
IM-PER-DÌ-VEL !!!
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Thomas Tomkins (1572–1656) foi um importante compositor inglês da Renascença tardia e do início do Barroco, pertencente à grande tradição polifônica da Inglaterra elisabetana e jacobina. Ele é visto como um dos últimos grandes polifonistas da escola inglesa, encerrando uma era que começou com Tallis e Byrd. Sua música, especialmente a sacra, permaneceu em uso em catedrais inglesas mesmo após a Restauração (1660). Sua produção reflete tanto a solenidade da tradição litúrgica quanto a sensibilidade humanista do final do Renascimento. Trabalhou como organista e mestre de coro na Catedral de Worcester e, mais tarde, tornou-se Gentleman (membro) da Capela Real, servindo sob os reinados de Elizabeth I, Jaime I e Carlos I. Viveu em um período turbulento: testemunhou a Guerra Civil Inglesa (1642–1651), que levou ao fechamento de muitas igrejas e capelas, interrompendo sua carreira musical institucional. Compôs hinos sacros tanto em estilo polifônico tradicional quanto em estilo mais declamatório (verse anthems), adaptando-se às necessidades litúrgicas da Igreja da Inglaterra. Escreveu também madrigais e canções, incluindo contribuições para a antologia The Triumphs of Oriana (1601), uma coletânea em homenagem à rainha Elizabeth I. Além disso, deixou obras para órgão e virginal, muitas vezes de caráter contrapontístico. Mesmo em meio à transição para o estilo Barroco (com homofonia e baixo contínuo), Tomkins manteve uma linguagem polifônica densa e rica, influenciada pela tradição de Byrd e Tallis.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Os “Concertos em Sete Partes” (Concerti Grossi in Seven Parts), de Charles Avison, têm uma relação direta com Domenico Scarlatti. Avison baseou explicitamente esses 12 concerti grossi (publicados em 1744) em temas extraídos das sonatas para cravo de Domenico Scarlatti. Avison admirava profundamente a inventividade melódica e harmônica de Scarlatti. Ele não apenas orquestrou as sonatas, mas realizou um trabalho de transcrição e adaptação, reorganizando e combinando temas de várias sonatas de Scarlatti (que eram peças para teclado solista) no formato do concerto grosso barroco, para orquestra de cordas e continuo, que era popular na Inglaterra da época, seguindo o modelo de Corelli. Essa coleção é considerada um dos exemplos mais extensos e ambiciosos da adaptação da obra de um compositor para um meio diferente no século XVIII. Foi uma forma de popularizar a música de Scarlatti no contexto de concerto inglês. Charles Avison era o mais importante compositor e teórico musical inglês de sua geração, atuando principalmente em Newcastle. Obviamente, nutria grande admiração pela música italiana, especialmente por Corelli, Geminiani e Scarlatti. Ele via em Scarlatti uma fonte de “Fantasia e Fogo” musical. A escolha de Scarlatti como fonte foi ousada, pois suas sonatas eram consideradas modernas, virtuosísticas e continham harmonias audaciosas para a época. Os Concertos em sete partes de Avison são, em essência, uma homenagem e uma reelaboração artística da obra de Domenico Scarlatti.
Um grande disco com um belo concerto e três das melhores Aberturas (ou Suítes) de Telemann. Gosto muito de La Bouffonne e da Grillen, mas adoro mesmo é a Alster, com sua radical irreverência. A versão deste disco é mais comportada do que a da Akademie für alte Musik Berlin, mas ainda assim é muito digna. No vídeo abaixo, temos a Akademie dando um banho de conhecimento sobre como abordar o grande Telemann, compositor muito inferior a Bach, mas infinitamente mais popular do que o mestre em suas épocas. Ouçam por exemplo o vídeo abaixo a partir dos 8min30. A Akademie se esparrama, enquanto que O Collegium Musicum 90 apenas se deita.
Este é outro disco imperdível desta compositora polonesa muito pouco conhecida no Brasil. Uma injustiça. São obras realmente consistentes trazidas pela gravadora Chandos que acertou em cheio ao escalar a também polonesa Joanna Kurkowicz. O sétimo concerto é maravilhoso e mostra uma compositora — Bacewicz era também violinista — absolutamente segura. Os dois dois concertos também são bons, mas tão modernos quanto o sétimo.