Ludwig van Beethoven (1770-1827) – String Quartets – CD 6 de 7 – Amadeus Quartet

Dia destes acompanhei uma discussão nos comentários de uma postagem destes Quartetos de Cordas de Beethoven que trazia um questionamento no mínimo interessante: se ele não tivesse ficado surdo teria composto as obras que compôs, principalmente estes últimos quartetos, obras extremamente difíceis e complexas? Qual seria sua reação se por um milagre ele voltasse a ouvir e fosse na audição de um conjunto de cordas interpretando suas obras? Ele as reconheceria como suas?
Não pretendo entrar no mérito da discussão, minha formação é em História e esta partícula “se” não se aplica à nossa profissão. Trabalhamos com fatos, e não suposições. E se Napoleão não tivesse perdido a guerra? E se o Dia D fosse um fracasso da estratégia militar aliada? E se os romanos tivessem derrotado todos os bárbaros? E se eu tivesse ido estudar Engenharia Civil no lugar de História? E se Beethoven não tivesse ficado surdo?
O gigantismo de Beethoven é um fato, ninguém contesta sua inserção no cânone da cultura ocidental ao lado de Dante, Shakespeare, Goethe, Bach entre alguns outros. Não precisa de defensores. Na verdade somos nós quem precisamos da sua música para nos ajudar no dia a dia, nos aliviar das tensões existentes nas relações humanas e na nossa própia compreensão de nós mesmos.
Já contei para os senhores uma historinha sobre uma apresentação que assisti do maravilhoso Kódaly Quartet tocando o op. 130? Foi interesssante, porém vergonhoso para o recém inaugurado Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis, lá pelos idos de 1988. Antes de começarem a tocar, o líder do conjunto comentou que ainda estavam estudando aquela obra, e que era possível que se cometessem erros durante sua execução (alguns anos depois descobri já naquela época eles eram contratados da Naxos para a gravação da Integral de Haydn e do propio Beethoven). Pois bem, no meio da obra, talvez uns 20 e poucos minutos de execução, eis que o sistema de iluminação do teatro simplesmente se apaga, porém logo a luz retorna, menos de 15 segundos, talvez. Nunca esquecerei a cara dos músicos: via-se a frustração em seus rostos, pois ainda seguiam a partitura à risca dado à complexidade da peça, e claro que haviam parado, mas sem falarem nada, retornam exatamente de onde haviam parado, claro que depois de receberem aplausos, meio que constrangidos, de nossa parte. Não preciso dizer que a apresentação foi magnífica: um Haydn beirando a perfeição e um Beethoven inesquecível, apesar do problema técnico.
O op. 130 nas mãos do Amadeus Quartet também beira a perfeição. A sonoridade do conjunto é espantosa, e a cumplicidade entre os músicos deixa-nos atônitos. Coisa de gente grande.
Para seu deleite.

01- String Quartet 13, Op.130 – I. Adagio ma non troppo – Allegro
02- String Quartet 13, Op.130 – II. Presto
03- String Quartet 13, Op.130 – III. Andante con moto, ma non troppo
04- String Quartet 13, Op.130 – IV. Alla danza tedesca. Allegro assai
05- String Quartet 13, Op.130 – V. Cavatina. Adagio molto espressivo
06- String Quartet 13, Op.130 – VI. Finale. Allegro
07- String Quartet 14, Op.131 – I. Adagio, ma non troppo
08- String Quartet 14, Op.131 – II. Allegro molto vivace – attacca-
09- String Quartet 14, Op.131 – III. Allegro moderatto – attacca-
10- String Quartet 14, Op.131 – IV. Andante ma non troppo
11- String Quartet 14, Op.131 – V. Presto – Molto poco adagio
12- String Quartet 14, Op.131 – VI. Adagio quasi un poco andante
13- String Quartet 14, Op.131 – VII. Allegro

Amadeus Quartet

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FDPBach

5 comments / Add your comment below

  1. Obrigado, Charlies. Meu desejo era já ter terminado de postar essa coleção, porém com a conexão de internet que tenho é praticamente impossível subir tudo de uma só vez. Preciso me controlar e não postar mais estas coleções tão grandes, ficarei apenas nos álbuns simples.

  2. Nosotros que não temos a formação d FDP Bach podemos especular sem culpa. O que não leva a nenhuma conclusão mas é divertido. É aí que os escritores se esbaldam. E veja só que argumento interessante: Philip K Dick (Blade Runner, O pagamento, etc) escreveu um livro entitulado “O homem do castelo alto”. O início da trama: A 2ª Guerra Mundial terminou e o Eixo venceu. Os Estados Unidos foram ocupados e divididos entre a Alemanha (metade leste) e o Japão (metade oeste). Um anônimo lança um livro, que circula clandestinamente, especulando como seria o mundo se os Aliados tivessem vencido. Achei uma ideia muito interessante.

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