Frank Zappa (1940-1993) – obras orquestrais

Esse CD duplo com a Sinfônica de Londres regida por Kent Nagano é a mais sensacional incursão de Frank Zappa na música erudita. As obras de Zappa em questão talvez apresentem a orquestração mais complexa e colorida desde Ravel – e são nitidamente experimentais (estrutura zero, ou perto disso, e brainstorm dez). Apesar de intrincadas, os músicos desdenharam delas durante as gravações, como se o roqueiro não soubesse o que estava escrevendo. Mesmo assim, você releva numa boa os eventuais erros de execução (eu mesmo não os encontro – procurá-los mataria o prazer que sinto com essas peças).

Costumo dizer que Zappa conseguiu concretizar uma classical-rock fusion, que compositores como Jon Lord (com aquele concerto para grupo de rock e orquestra), por exemplo, não lograram bem, mas Zappa também extrapolou o limite do pastiche e da obra séria – ouçam Strictly Genteel, que mais parece uma big band do especial de fim de ano de Roberto Carlos, porém de uma emoção ao mesmo tempo sincera e desatada.

***

Disc: 1

1. Bob in Dacron, First Movement
2. Bob in Dacron, Second Movement
3. Sad Jane, First Movement
4. Sad Jane, Second Movement
5. Mo ‘n Herb’s Vacation, First Movement
6. Mo ‘n Herb’s Vacation, Second Movement
7. Mo ‘n Herb’s Vacation, Third Movement

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Disc: 2
1. Envelopes
2. Pedro’s Dowry
3. Bogus Pomp
4. Strictly Genteel

Orquestra Sinfônica de Londres, regida por Kent Nagano

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CVL

PS.: A partir da próxima semana não tem mais jeito: salvo alguma exceção, só vou poder aparecer às sextas.

17 comments / Add your comment below

  1. Parabéns Villa.

    Você sempre enfocando pontos primordiais de uma boa apreciação estética da Obra de Arte.

    Poucas vezes vi escrito (ou mesmo dito) que os críticos musicais (e, igualmente os docentes)não ouvem bem o que criticam, pois, perdem a maior parte do tempo na busca de defeitos estruturais com o objetivo de demonstrar cultura.

    É claro que isto os impede de uma apreciação despojada de preconceitos.

    Ou seja, que consigam uma verdadeiro prazer estético.

    Quer dizer: um prazer de caráter subjetivo, veja-se, contemplativo de reminiscências alojadas no subconsciente que, aqui e ali, é chamdo de alma, espírito ou outra denominação similar

    Conheço apenas uma pessoa que tenha dito isto assim tão claramente.

    É naturqal que os docentes, uma ou outra vez, sejam obrigados a agir assim, fechando a percepção estética de seus alunos (e a deles mesmos),pois, uma de suas funções é a de repassar conceitos, além da análise de formas e estruturas.

    Mas parece que a infuência da formação docente é muito forte.

    Sobretudo sobre eles próprios.

    Assim, ela (esta formação) permanece estranha à própria natureza da Arte.

    Bem, continuando nesta linha daria para ecrever um longo trabalho…

    …seja docente seja de crítico de Arte…

    …sobre A Nartureza da Arte…

    Mais uma vez o parabenizo por sua visão clara de “Arte”.

    Agora vou baixar o Zappa.

    Apenas às sextas… …é pena, mas, a grosso modo é o que eu também estou podendo fazer agora.

    Um grande abraço.
    Edson

    1. Eu que deveria parabenizá-lo pela agudeza de seus observações, Edson.

      Você tocou (mais uma vez) em um ponto crucial e latente dentro do universo da música clássica hoje: a questão da crítica e de seus maus exercitadores.

      Você anda pelo Recife? Quando eu estiver em sua cidade, gostaria de tomar um café com você – na vida real.

      Grande Abraço.

  2. I downloaded it four times, using different browsers and different PCs; the result is always the same. The strange thing is that I got the same message of error by using either Winzip or Winrar. The same happens which 7Zip, which however extacts even damaged files. Track 2 is marked as “damaged”, but when I try to listen to it is seems normal…

  3. Percebemos que movimentos como o trash metal e death metal e algumas das mesmas vertentes, que possui vários músicos saídos de conservatórios de músicas… por outro lado temos Frnak Zappa, que na vertente do rock psicodélico, agregou, num passe de mágica,a música clássica…Gostei muito pois originalidade, que só advém da música alternativa, é coisa tão estranha e rara hoje que poucos alternativas sobras para a música hoje.A Cultura de massa sabe que ,para manter a banalidade do consumo de “porcarias”,só mesmo numa alienação mental somadas as baixas qualidades socio-econômicas do povão!!! A orinalidade,o que gera impulso ao novo e ao sentido da vida é coisa muito perigosa…Valeu Frank Zappa…

  4. Realmente a faixa 2 está corrompida e não abre. A faixa 2 do CD que abre com a Sinfonia Índia de Chavez também apresentou o mesmo problema (1º mov. do Concerto de de Halffer). Onde é possível achá-la?

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