Paul McCartney (1942) – Standing Stone

Não, este post não é um Interlúdio. Desde 1991 que o ex-baixista dos Beatles sente que tem algo a dizer nas salas de concertos e esta obra aqui é um de seus acertos (o outro é o oratório Ecce Cor Meum).

As opiniões dos ouvintes se dividem sobre a experiência erudita de McCartney: ou ele é um grande fazedor de obras clichês, que conta com a ajuda de uns amigos orquestradores (não sei se há um deles por trás de Standing Stone – nas outras peças eu sei quem são), ou é esforçado e competente e vai mais longe; ou ele está se metendo a fazer obras que não passarão de medianas e que serão ouvidas porque ele é um figurão, ou elas são melhores do que muita coisa por aí feitas por compositores com mais tempo de estrada.

Acompanho tudo o que Paul vem compondo e fico com as segundas opiniões acima. Não posso exigir que ele seja o que não é [nem poderá ser], mas parte do que ele faz para as salas de concerto tem seus bons méritos e calhou dessa parte conter as peças de maior porte.

Sobre a trajetória erudita de Paul até aqui:

O Oratório de Liverpool (1991) é uma ópera não declaradamente autobiográfica para sala de concerto orquestrada por [e com muitas intervenções de] Carl Davies – tem árias bonitas mas carece muito de coesão dramática. Tratando-se de “opus 1”, os solistas da primeira execução mundial ajudaram a atrair os holofotes: Kiri Te Kanawa, Sally Burgess, Jerry Hadley e Willard White (Paul é Paul e a EMI ajuda, não é?).

Standing Stone (1997) – algo como “a pedra que se encontra de pé”, um termo em inglês para menir (as pedras que Obelix fabrica) – é um poema sinfônico em quatro movimentos e 19 partes (!?), que duram 80 minutos. Na verdade, um longo poema [literário] de Paul baseado em temas celtas deu origem à obra sinfônica e ainda a duas telas a óleo, reproduzidos no encarte do álbum.

A garland for Linda (2000) não entra na contagem. É uma coletânea de peças corais dos amigos de Paul – a única que ele compôs para o álbum foi Nova.

Working classical (1999) se trata de uma compilação de obras não eruditas de Paul arranjadas para quarteto de cordas (pelos tais amigos orquestradores) ao lado de composições originais, como Junk, e ainda três peças sinfônicas. Não empolga.

Sobre Ecce cor meum (2005) falarei alguma coisa em breve. Quanto a Standing Stone, os títulos dos movimentos e das partes da obra, reproduzidos abaixo, dão ideia do argumento que a construiu.

***

Standing Stone

Movement I – After heavy light years

1. “Fire/Rain” Allegro energico – 4:30
2. “Cell Growth” Semplice – 8:30
3. “‘Human’ Theme” Maestoso – 3:36

Movement II – He awoke startled

1. “Meditation” Contemplativo – 3:57
2. “Crystal Ship” Con moto scherzando – 2:02
3. “Sea Voyage” Pulsating, with cool jazz feel – 3:39
4. “Lost At Sea” Sognando – 4:37
5. “Release” Allegro con spirito – 1:54

Movement III – Subtle colours merged soft contours

1. “Safe Haven/Standing Stone” Pastorale con moto – 4:11
2. “Peaceful moment” Andante tranquillo – 2:09
3. “Messenger” Energico – 3:35
4. “Lament” Lamentoso – 2:26
5. “Trance” Misterioso – 5:32
6. “Eclipse” Eroico – 4:57

Movement IV – Strings pluck, horns blow, drums beat

1. “Glory Tales” Trionfale – 2:40
2. “Fugal Celebration” L’istesso tempo. Fresco – 4:25
3. “Rustic Dance” Rustico – 2:00
4. “Love Duet” Andante intimo – 3:43
5. “Celebration” Andante – 6:15

Sinfônica de Londres e coro, regidos por Lawrence Foster

BAIXE AQUI

CVL

18 comments / Add your comment below

  1. CVL, obrigado!
    Se o Macca tivesse a idéia de adentrar nesta área 20 ou 25 anos antes, com certeza sentiriamos a influência senão a intervenção direta do George Martin.
    Luciano

  2. Caro CVL
    acho que o senhor Paul McCartney não confia é na perpetuidade do rock, que acabará tomando outras caras e desaparecendo como muitas “coisas eternas” já limparam o beco.
    Dr cravinhos

  3. Não sei tenho curiosidade por “Standing stone”. Assisti uma vez a um vídeo de “Liverpool Oratorio” e, vou te contar, é algo constrangedor de tão ruim.

  4. Sou “novo” na música erudita (antes tarde que nunca),antes ouvia e não compreendia,fui envenenado adolescente na “música rápida”. conheço o trabalho do sr. mccartney,respeito,único músico pop melódico,mas ele ousar a fazer música erudita?! achei um pouco demais. já gostei dos “Bitous”,agora minha praia é mais “Chopin” e “Tchaikovsky”,enfim,ele bem que tentou…

  5. Talvez eu morra e nunca entenda: como as pessoas idolatram tanto os Beetles? O mais curioso é que já ouvi gente que não gosta de Debussy ou Tchaikovsky, mas acha esse grupo o máximo! Escutei de gente que diz entender de música! Quem sabe é porque eu não entenda. Acho que vou continuar não querendo entender. Acho os Beetles sem graça, envelhecidos e demodés. Bach, por exemplo, é muito mais moderno. Quem sabe isso se dá porque ele é eterno.
    Esse desabafo foi pra dizer que defendo o fato desse Sr. ser um figurão, só isso.

    1. Robson,Tantos Complexos,Ficamos Com a Escola de Frankfurt,Herbamas,etc…Eles Analisaram Bem Sobre Música e Cinema,Não chegaram a um Concenso,Deveriam? Não gostavam da Vertente “Moderna”,e sim do Clássico,Porém Respeitavam o Jazz (Distantemente) Fato é, se gostam do Mc cartney ou Tchaikovsky,Se Foram Maiores ou Menores,Quem se Importa? Só os Sectaristas,Nós que Ouvimos “Música” Agradecemos por tanta Diversidade,Beijos!

  6. Os bitoumaníacos que me desculpem, em que pesem as credenciais mercadológicas do bretão, mas um figurinha que mal sabe tocar contrabaixo se aventurar em composição clássica é demais! Alguém já ouviu o concerto pra guitarra elétrica do Malmsteen? É a coisa mais horrível que se pode fazer com uma orquestra. Bem, gosto não se discute, por mais amargo que seja o sabor. Help! I need somebody, Help! 😉

  7. Larry Fine!? Ou Robertinho do Recife??? uhauauhaua!
    Volto a Afirmar com Minha parte “Julhinho de Adelaide” (Helenice),é o que foi dito…
    Quando envelhecermos de verdade estes debates não serão + Necessários,e ser “Forever Young” é a pior das Canções…
    Melhor parar por aqui,de Filosofar “bach” com Bateria de Salgueiro,Viva Lobão! Sá Carneiro! Viva Chopin e Beethoven e o Chorinho do “Tom”,mas sem “Carmina Burana” por favor…

  8. OK, as colocações sobre a diferença entre as peças de McCartney e as dos compositores clássicos são válidas. Não tem como comparar a produção de um compositor como Bach a alguém com formação roqueira, que “tem algo a dizer nas salas de concerto”, como foi colocado no blog.

    Mas diferenças à parte, que é uma delícia ouvir “Crystal Ship” no carro com volume acima do médio, ah isso é! Pode-se perceber claramente as interfaces entre os instrumentos, a harmonia nas mudanças de tempo…

    Entendo pouco de música. Comprei o CD mais por curiosidade e fiquei realmente surpreendido, pois de alguém com formação roqueira, não esperava nem metade do que é a peça! E pelo meu pouco entendimento, Standing Stone consegue transmitir ao ouvinte a idéia de uma viagem a uma região inóspita, como creio que seja o lugar onde a rocha se encontra. Espero um dia ter a oportunidade de visitar este lugar!

  9. É uma paródia comparar música erudita e música clássica.
    Todas são músicas, e cada uma em sua vertentes, há os bons, médios e os abaixo da média, cada qual com o seu valor.
    Sou beatlemaniaca, e não sou expert, embora escutar muito e apreciar demasiadamente a música clássica. Creio eu que os ‘bitous’ no geral e cada um com sua carreira solo contruibuiram muito com a música e também no âmbito social, a influência que eles tiveram na música, cinema e arte é impossivel passar desapercebida. Assim como muitos outros na música clássica/erudita.
    Há lugar ao sol pra esses e outros demais grupos ( exceto restart e aqueles que não sabem nem escrever o próprio nome direito).
    Tudo que é sincero, de boa qualidade e que não vise lucro imediato, têm o meu voto para ouvir e ficar atenta, e mais tarde passar a gostar, acho um erro quem se fecha sem ao menos conhecer.
    Se o Paul quis ‘tentar’ na música clássica, é claro que ele conseguiu com mais facilidades, pois é um ‘figurão’, ainda bem, pois assim contou com apoio, sozinho, como ele é de outra vertente, e por mais que seja excepcional, não conseguiria fazer o que fez, ainda que de qualidade mediana. No entanto, ele ousou, e isso já é válido.

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