.: interlúdio :.

Hesitei quase a semana inteira para postar este álbum. Já havia subido o arquivo há alguns dias, e eu pensando, será que não vou arranjar briga com os leitores mais conservadores do blog? Será que PQP, FDP e CDF não irão me botar pra dormir na rua, enquanto Clara joga no lixo todos os meus brinquedos – entre eles o meu fone de ouvido de mascar que eu tanto gosto?

Ora, também não haverá de ser para tanto. É sexta-feira, e este é um disco de sextas-feiras. Leve e bem-humorado, simples aos ouvidos, harmônico e, como eu, bem-intencionado.

Quase todo mundo conhece Björk – se não pela voz, pelas esquisitices que comete em nome de sua música e imagem avant-garde. O que quase todo mundo ignora, porém, é que antes mesmo de lançar-se em carreira solo, a pequena islandesa de voz gigante gravou um disco de standards de jazz. Islandeses, no caso.

O ano era 1990, e o Tríó Guðmundar Ingólfssonar foi incumbido de gravar um disco-memória do jazz local. Sendo uma formação econômica, precisariam de uma voz para a empreitada. O octogenário baterista Steingrímsson lembrou então da garota de 16 anos que vivia zanzando pelos corredores da rádio (onde mantinham há muito um programa ao vivo), apaixonada por jazz, e que estava sempre em bandas malucas de rock. Björk – a essas alturas, com 24 de idade – topou na hora, e foi a responsável por criar o setlist. Além das canções locais, alguns temas internacionais – como “I Can’t Help Loving that Man”, “Ruby Baby” e “You Can’t Get A Man With A Gun” (aqui traduzida para “Það Sést ekki Sætari Mey”). Daí já se pode notar a tônica: jazz-pop dos anos 50. É disco de platina e, mais que amor de verão, durou excursões até 1992 – quando Steingrímsson morreu.

Às vezes easy-listening, noutras dançante; singelo e honesto álbum, onde, é claro, a voz de Björk reina com descontração. Vai bem com vinho branco e sorrisos.

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Björk Guðmundsdóttir & Tríó Guðmundar Ingólfssonar: Gling-Gló (224)
Björk Guðmundsdóttir: voice
Guðmundur Ingólfsson: piano, tambourine
Guðmundur Steingrímsson: drums, maracas, christmas bells
Þórður Högnason: bass

Produzido por Tómas Tómasson para a Smekkleysa

download – 90MB
01 Gling gló 2’44
02 Luktar-Gvendur 4’05
03 Kata Rokkar 2’56
04 Pabbi Minn 2’44
05 Brestir og Brak 3’23
06 Ástartröfrar 2’43
07 Bella símamær 4’00
08 Litli tónlistarmaðurinn 3’23
09 Það Sést ekki Sætari Mey 4’00
10 Bílavísur 2’38
11 Tondeleyo 3’29
12 Ég Veit ei Hvað Skal Segja 3’03
13 Í dansi með þér 2’26
14 Börnin við Tjörnina 2’46
15 Ruby Baby 4’00
16 I Can’t Help Loving That Man 3’40

Boa audição!

17 comments / Add your comment below

  1. Caro bluedog,

    Nunca tinha ouvido falar deste disco da Bjork, vai como uma curiosidade. Creio que o objetivo do blog é exatamente isso: sair do lugar-comum, e postar coisas diferentes. Já ouvi jazz norueguês e fiquei impressionado com a qualidade. E a Bjork, apesar de suas excentricidades é uma baita cantora.
    Por acaso vc conhece um cd do Pat Metheny em que ele toca com uma cantora polonesa chamada Anna Maria Jopeck (acho que é assim que se escreve)? É simplesmente maravilhoso. São arranjos de músicas do próprio Metheny, com letra em polonês. Vou prepará-lo para uma futura postagem.

  2. Jan Garbarek , o saxofonista, norueguês acho, eu conhecia e aliás em um disco com Shankar; agora Bjork em Jazz é surprise, vivendo e aprendendo…rsrsrs..parabéns pela garimpagem!

  3. Bem lembrado, Príncipe, Jan Garbarek, Excelente saxofonista … tem discos antológicos gravados pela gravadora ECM com o Keith Jarrett.

  4. Um dia desses visitando a comunidade do Béla Bartók no orkut, havia um tópico lá que achei curioso. Não sei quem criou o tópico, mas copio o que ele escreveu:

    “BARTOK reencarnou em BJORK
    Ouço os dois e tenho certeza que são as mesmas pessoas.
    Parece devaneio, mas é sério.
    Ambos são as “coisas” mais avassaladoras da música.
    Punhal de prata na Alma. ISSO É ARTE !

    GOSTARIA QUE ESSE TÓPICO NÃO SE DESTINASSE SOMENTE PARA
    CONHECEDORES PROFUNDOS, E SIM PARA AQUELES QUE, COMO EU, SE “DROGAM” COM A LISERGIA DA MÚSICA DE BARTOK, principalmente os concertos solos de cordas e solos de violino, ou de ambos com supremacia de um dos dois.”

    E então, o que vocês acham? Ambos os músicos tem um caráter violento e delicado ao mesmo tempo, mas não sei se devem ser comparados. Não sei se há um ponto maior neles dois além do fato de ambos terem sido usados no filme Quero ser John Malkovich.

  5. Blue..

    Fazia um tempo que eu procurava esse cd para ouvir…
    Uma amiga minha é mega fã da Bjork e vive falando de um cd de jazz, entre outros, da cantora.

    Devo admitir: a Bjork, apesar da excentricidades, é uma pessoa fantástica! E ainda compõem, arranja e canta muito bem!
    Bem, ela é uma fofa!

    Humm.. se alguém ainda não viu o “Dancer in the dark” com ela, aconcelho ir a locadora mais próxima e assistir o filme em casa com uma caixa extra-grande de lenços! rsrsrs

    Blue, você conhece uma moça chamada Katie Webster?
    Eu tenho um cd dela aqui em casa e gosto muito dele. Infelizmente, acho ela um pouco desconhecida por muita gente.
    Enfim, estou louco por outros cds dela.. então… isso acaba sendo uma indireta!

    Abraços
    R.

  6. Dear FDPBACH OR PQPBACH,

    Greetings.

    Could u please upload the “PIANO TRIOS OF ROBERT SCHUMANN BY THE BEAUX ARTS TRIO OR BY ANY OTHER TRIO”.

    THANKS IN ADVANCE,

    JOHN

  7. Bluedog,

    Adorei o CD de Bjork. Sou fã dela e foi MUITO LEGAL descobrir que ela já cantou jazz também. Ajuda a entender por que ela mantém toques de inteligência na música que ainda canta.

    Você merece beijos,

    Rameau

  8. Nossa… Não gosto do som dela, mas vou baixar, porque de jazz eu gosto (e de novidades muito mais… ;0 ).

    Ótimo post. Abraços.

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