Gilberto Gil (1942) como erudito contemporâneo: balé "Z – 300 ANOS DE ZUMBI" (1995)

Gilberto Gil (1942) como erudito contemporâneo: balé "Z – 300 ANOS DE ZUMBI" (1995)

Publicado originalmente em 13.05.2010

A coreógrafa e dançarina senegalesa Germaine Acogny
A coreógrafa Germaine Acogny

Um cliente estadunidense da Amazon chamou este CD de “frivolous” por “não conter nem ao menos uma pop song, como seria de esperar de Gilberto Gil”. Foi aí que pensei em afastar expectativas equivocadas com a um tanto pedante mas não inadequada expressão “erudito contemporâneo”.

Numa coisa o comentador acertou: nenhuma destas 10 peças é canção. Trata-se da música projetada por Gil para um espetáculo do Balé da Cidade de São Paulo em 1995, com coreografia da beninense Germaine Acogny, que trabalhou longo tempo com Maurice Béjart antes de estabelecer sua própria escola no Senegal. A maior parte é instrumental – mesmo se parte dos instrumentos são vozes – e pode ser legitimamente chamada de “minimalista”, mesmo se realizada por procedimentos outros que os de um Glass ou de um Reich. E sobretudo soa de modo compatível com grande parte do que se costuma considerar “erudito contemporâneo”.

Por que ‘projetada’ e não ‘composta’? Porque – como é comum na música culta da Índia, da África, no jazz, e também na Europa até o barroco ou em vertentes do século XX como a estocástica, a aleatória ou em John Cage – o resultado que ouvimos é uma realização única, irrepetível, de um projeto definido até certo ponto, mas não escrito nota por nota. Dentro de parâmetros bem definidos para cada peça, os músicos produziram na hora da gravação o tecido sonoro que vocês vão ouvir.

Quê parâmetros, neste caso? Estou longe de saber, mas quero ‘entregar’ a vocês uma dimensão importante não mencionada em nenhum release, mas que foi percebida de imediato por uma amiga conhecedora da tradição iorubá, a cantora de MPB Paula da Paz: o sentido de cada movimento é dado pela presença estruturante de ritmos e outros sinais sonoros de diferentes divindades iorubás. (Não se faça a confusão de pensar que Zumbi fosse iorubá: era bântu. Entendo é que se recorre aqui à tradição africana mais presente no imaginário da população brasileira atual para homenagear um integrante de outra tradição cuja linguagem simbólica é hoje bem menos conhecida).

Num esboço não exaustivo nem definitivo: a Chamada inicial é pouco característica no sentido acima; talvez se possa falar de uma presença-de-fundo de todo o panteão, ou – sem contradição – do caráter de Oxalá, senhor do plano ideal. Já Meteorum, primeira peça propriamente dita, se abre com os signos daquele que gera e empodera a realidade física, feita de divisões e polarizações, e que tão impropriamente tem sido associado ao diabo judaico-cristão: Exu. Aberto o caminho por ele, temos como que a entrada no mundo manifesto do panteão antes evocado de modo etéreo.

Se há presença diabólica na peça, não é através de nenhum orixá, e sim do ambiente dos navios negreiros, evocado em Flagelo – construção polifônica complexa que certos frívolos facilmente entenderiam como gritaria caótica. Seguem-se a Dança das Mulheres, estruturada num inequívoco toque de Iansã, “senhoras dos raios e das tempestades” – a luta e a força em sua versão feminina – e o Lamento das Mulheres, que parece evocar a “mãe que a todos adota”, Iemanjá, e “seu batalhão de mil afogados” (João Bosco). Lamento brotado inicialmente do fundo do peito, como o blues, chama a atenção como Marlui Miranda faz se juntarem a ele as vozes de cabeça características do lamento indígena.

Na Dança dos Homens parece predominar Oxóssi, o caçador, em plena ação, num espírito próximo ao de seu irmão Ogun, senhor do metal – flecha e lança, portanto – seguindo-se uma Dança da Água e da Paz com características de Oxum, a que distribui com seu balanço a vida doada pelo Sol (esse o ouro maior!) através das águas correntes capilarizadas pelo mundo e pelos corpos.

Na Oração não é de estranhar que não se ouça voz de orixá e sim voz humana, dirigindo-se a Olórun – literalmente “senhor do céu”… e aí chegamos ao Réquiem: não é preciso dizer, o herói é morto: vem recebê-lo Nanã, a velha, senhora da lama e de tudo o que é ancestral, para que seja acolhido carinhosamente no seio de onde um dia partiu.

Zumbi, o último movimento, pode não ser o melhor resolvido musicalmente, mas continua simbolicamente rico: soa como celebração, mas seu toque é de Ogun, o guerreiro, com evocações de capoeira: não há ainda uma vitória a celebrar desarmadamente…

Mas talvez chegue além: não há verdade em tentar separar vida, trabalho, luta e celebração. Pois talvez seja essa a mensagem maior que a velha África não cessa de tentar proclamar através dos seus filhos mais diretos ao restante da sua descendência, ou seja: à humanidade inteira.

(Sei que este post caberia melhor em 20 de novembro, mas quem sabe 13 de maio também não seja de todo impróprio!)

Gilberto Gil – Z: 300 ANOS DE ZUMBI
Obra composta para o Balé da Cidade de São Paulo em 1995
01 Chamada
02 Meteorum
03 Flagelo
04 Dança das Mulheres
05 Lamento das Mulheres
06 Dança dos Homens
07 Dança da Água e da Paz
08 Oração
09 Réquiem
10 Zumbi

Gilberto Gil (voz, violão); Marlui Miranda (voz); Lucas Santana (flauta); Lelo Nazário (teclados); Rodolfo Stroeter (baixo acústico e elétrico); Carlinhos Brown (percussão, voz); Gustavo di Dalva (percussão). Gravado no Estudio nas Nuvens, Rio de Janeiro, em 09/1995.


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LINK ALTERNATIVO

PS: Leitores já devem ter percebido que uma das paixões do monge Ranulfus é explorar os ecos menos óbvios da África em música – e então sugere também seus posts de Toumani Diabaté, Chevalier de Saint-George, da Sonata de Beethoven originalmente dedicada a George Bridgetower, das cinco versões dos Afro-Sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, além, é claro, dos de Nina Simone e das 2 versões da ópera Porgy and Bess. Os que não estiverem no ar no momento serão recolocados em breve!

Ranulfus

Schumann (1810-1856): Carnaval, Op. 9 (Versão Orquestral) e outras peças para balé de outros compositores

Schumann (1810-1856): Carnaval, Op. 9 (Versão Orquestral) e outras peças para balé de outros compositores
Bob Schumann posou especialmente para o PQP Bach
Bob Schumann posou especialmente para o PQP Bach

Acho que é notório que eu, Marcelo Stravinsky, adoro arranjos orquestrais de peças pianísticas e vice-versa. Gosto muito, também, de suítes para balé, e aproveitando a deixa do Carlinus, em reviver Schumann , quero compartilhar uma peça que buscava há um certo tempo. Carnaval, Op. 9, é uma série de 22 pequenas peças para piano, baseada nas personagens da Commedia dell’arte.  Escrita no período de 1834 a 1835, foi dedicada ao violinista Karol Lipiński. É subtitulada Scènes mignonnes sur quatre notes (Pequenas cenas em quatro notas).

***

Carnaval, Op. 9

Em cada seção de Carnaval, aparecem uma ou ambas das duas Séries de notas musicais. São elas:
* Lá, Mi bemol, Dó, Si (A-E♭-C-B); em alemão são escritas como A-Es-C-H
* Lá bemol, Dó, Si; em alemão (A♭-C-B): As-C-H.

Essas duas Séries na verdade soletram o que, em alemão, é o nome da cidade onde a namorada de Schumman, Ernestine von Fricken, nasceu (Asch, que agora é Aš, pertencente à República Checa). São também as letras musicais de seu próprio nome: Schumann’.

Em Carnaval, Schumann vai musicalmente além de Papillons, para quem ele mesmo concebeu a história de que era uma ilustração musical. Carnaval permanece famosa por suas passagens resplandecentes de cordas e por seu deslocamento rítmico.

Dentre os vários que orquestraram Carnaval, temos Ravel, que fez arranjos de apenas algumas partes. A versão aqui apresentada, tem orquestrações de Alexander Glazunov, Nikolai Rimsky-Korsakov, Anatoly Lyadov e Alexander Tcherepnin, por encomenda dos Balés Russos, na pessoa de Sergei Diaghilev.

Fonte: Wikipédia

Uma ótima audição!

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Ernest Ansermet – Original Masters Vol. 3

Delibes, from Copélia
01. Tableau 1 – Prélude – Mazurka 05:37

Delibes, from Sylvia
02. Suite – 1. Prélude – Les Chasseresses 05:10

Franck, Le Chasseur Maudit
03. Symphonic Poem 14:39

Chabrier, Joyeuse Marche
04. 03:58

Chabrier, from Le Roi Malgré Lui
05.  Danse slave 05:04

Faure, from Pénélope
06. Prélude 07:55

Schumann, Carnaval, Op. 9 (orchestral version)
07. Préambule 02:33
08. Pierrot 01:17
09. Arlequin 01:09
10. Valse noble 01:37
11. Eusebius 01:27
12. Florestan 00:59
13. Coquette 01:36
14. Papillons 00:59
15. A.S.C.H. – S.C.H.A. 00:52
16. Chiarina 00:56
17. Chopin 01:47
18. Estrella 00:33
19. Reconnaissance 01:33
20. Pantalon et Colombine 01:05
21. Valse Allemande 00:56
22. Paganini 01:26
23. Aveu 01:00
24. Promenade 01:33
25. Pause 00:26
26. Marche des “Davidsbünler” contre les Philistins 02:53

Suisse Romande Orchestra, Ernest Ansermet

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Ernest Ansermet em pose clichê.
Ernest Ansermet em pose clichê.

Marcelo Stravinsky

French Ballet Music of the 1920s – Les Mariés de la Tour Eiffel & L'Eventail de Jeanne

Estes, curiosamente, são balés compostos a várias mãos, por compositores franceses da primeira metade do século XX, época em que Paris era o point das artes e em que as apresentações de balés rivalizavam de igual para igual com os espetáculos operísticos.

Les Mariés de la Tour Eiffel é um balé de um ato, com libreto de Cocteau e música de Auric, Milhaud, Tailleferre, Honegger, e Poulenc, que teve sua estréia em 18 de junho de 1921. Embora L. Durey não estivesse envolvido no balé, este é, no entanto, considerado uma obra-prima para as idéias musicais do grupo de compositores conhecidos coletivamente como Les Six. Nesta gravação foi suprimido o texto narrativo de Jean Cocteau, muito chato, por sinal, para quem, como eu, não entende “p. n.” de francês.

L’Eventail de Jeanne é um balé infantil coreografado em 1927 por Alice Bourgat e Franck Yvonne. A música foi composta por 10 compositores franceses, cada um contribuiu com uma dança estilizada em forma clássica. São eles, Maurice Ravel, Pierre-Octave, Jacques Ibert, Alexis Roland-Manuel, Delannoy Marcel, Albert Roussel, Darius Milhaud, Francis Poulenc, Georges Auric e Florent Schmitt.

“Jeanne” se refere a uma hospedeira parisiense e patrona das artes, Jeanne Dubost, que dirigia uma escola infantil de balé. Na primavera de 1927, ela entregou a dez dos seus amigos compositores, folhas de seus fãs, pedindo que cada um deles escrevesse uma pequena dança para seus alunos. As crianças estavam vestidas com trajes de conto de fadas e a decoração foi animada por um conjunto projetado com espelhos. Tal foi o sucesso que, dois anos mais tarde, foi realizada na Ópera de Paris com a pequena Tamara Toumanova, que mais tarde viria a se tornar uma famosa bailarina internacional.

É interessante salientar que apenas Poulenc, Auric e Milhaud, participaram dos dois projetos colaborativos. Enfim, este é um cd que me agrada bastante. É ouvir e apreciar!

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French Ballet Music of the 1920s

L’eventail de Jeanne
01. Fanfare (Maurice Ravel) 1:25
02. Marche (Pierre-Octave Ferroud) 03:12
03. Valse (Jacques Ibert) 03:44
04. Canarie (Roland-Manuel) 02:11
05. Bourree (Marcel Delannoy) 03:20
06. Sarabande (Albert Roussel) 03:30
07. Polka (Darius Milhaud) 02:14
08. Pastourelle (Francis Poulenc) 01:58
09. Rondeau (Georges Auric) 03:28
10. Kermesse-Valse (Florent Schmitt) 04:54

Les Mariés de la Tour Eiffel
11. Ouverture: Le 14 juillet (Georges Auric) 02:29
12. Marche nuptiale (Darius Milhaud) 01:57
13. Discours de general: Polka pour 2 cornets a pistons (Francis Poulenc) 00:46
14. La Baigneuse de Trouville: Carte postale en couleurs (Francis Poulenc) 02:03
15. Fugue du massacre (Darius Milhaud) 01:46
16. Valse de depeches (Germaine Tailleferre) 02:33
17. Marche funebre (Arthur Honegger) 03:46
18. Quadrille: Pantalon – Ete – poule – Pastourelle – Final (Germaine Tailleferre) 03:04
19. Ritournelles (Georges Auric) 02:01
20. Sortie de la noce (Darius Milhaud) 00:25

Philharmonia Orchestra, Geoffrey Simon

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Marcelo Stravinsky

50 anos sem Heitor Villa-Lobos (1887-1959): Uirapuru & Sergei Prokofiev (1891-1953): Cinderela

Nota: esta postagem, assim como todas as demais com obras de Heitor Villa-Lobos, não contém links para arquivos de áudio, pelos motivos expostos AQUI

Fazia um tempo que eu tinha prometido fazer essa postagem e, mesmo não sendo um álbum com obras exclusivas de Villa-Lobos,  acho que não poderia ter havido hora melhor, senão nesse dia tão especial e com tantas homenagens. Uma excelente gravação com a sempre magistral e histórica interpretação do grande Stokowski. Vamos as obras!

Uirapuru – Poema Sinfônico

Há um interessante paralelo entre o poema sinfônico Uirapuru de Heitor Villa-Lobos e O Pássaro de Fogo, de Igor Stravinsky. Ambos são uma representação pictórica musicada de um pássaro encantado que é transformado num ser humano, e ambos foram compostos durante os primeiros períodos de suas carreiras de compositores, apontando-lhes o caminho que suas composições seguiriam nos anos seguintes.
Uirapuru, foi composto em 1917. Foi um dos primeiros sucessos das obras sinfônicas nas quais Villa-Lobos utilizou material folclórico que ele havia reunido durante suas viagens feitas pelo interior brasileiro.
A instrumentação de Uirapuru é extensa e inabitual. Ao lado da instrumental convencional orquestração, inclui o violinofone (um violino com uma trompa adaptada) e desta forma produzindo sons latino-americanos como o coco, tamborim, surdo e o reco-reco.
Na partitura do Uirapuru Villa-Lobos modela uma determinada história sobre a qual o poema sinfônico é baseado. É um conto original, que o compositor organizou com muitas e diferentes lendas brasileiras.

Modinha das Bachianas Brasileiras Nº 1

Em sua série de nove Bachianas Brasileiras que é composta para várias combinações de instrumentos e vozes, Villa-Lobos temperou numa amálgama magnífica, o espírito e a técnica de seu ídolo, Bach, com os melódicos contornos da música folclórica brasileira. A primeira dessas imensamente atrativas pequenas suítes datam de 1930. Foi composta para uma orquestra de violoncelos e em três movimentos. Embolada (Introdução); Modinha (Prelúdio) e Conversa (Fuga). Embolada subentende-se “expansão”; Modinha, é uma forma de canção brasileira e é aqui tratada à maneira de uma ária de Bach. Conversa, como sua denominação faz subentender, é uma forma de conversação. A lírica Modinha é frequentemente apresentada fora do contexto e como um movimento autônomo, tal qual é ouvida nesta gravação.

Cinderela (A Gata Borralheira) – Suite de Balé

A Gata Borralheira é o seguinte do último bailado de Sergei Prokofiev. Começa em 1941, foi interrompido quando da invasão da Rússica pela Alemanha e não completado até 1944. Inicialmente foi apresentado como a primeira nova obra pós-guerra no Teatro Bolshoi em Moscou, em fins de 1945. O libreto é de Nicolai Volkov, coreografia de Rostislav Zakharov, quadros de Peter Williams e Galina Ulanova, dançando o papel-título. Esta versão difere alguma coisa de outras das familiares audiências americanas, como terão sido apresentadas em “tournées” e na televisão, pelo Royal Ballet. A última alardeada coreografia foi de Frederick Ashton e quadros de Jean-Denis Malclés. A primeira apresentação na Europa Ocidental deu-se no Covent Garden de Londres, em dezembro de 1948, com Maria Shearer substituindo a Gata Borralheira por indisposição de Margot Fonteyn, que posteriormente se tornou a principal intérprete desta parte da obra. Com excessão da retirada dos trechos menores, ambas as versões seguem o familiar conto de fadas de Perrault.
Para a Gata Borralheira, Prokofiev escreveu alguma de sua mais insinuante música, uma combinação de seus melhores esforços como compositor de música de contos de fadas e música para bailado. Tempos depois, completando a Gata Borralheira, extraiu duas suites de concerto da partitura original que foram publicadas como suas Opus 107 e 108. Nenhuma dessas suites seguiu a sequência do balé; cada uma delas foi arranjada como um balanço musical e variado, antes que por exatidão cronológica. No presente arranjo dos seis movimentos da suite, Leopold Stokowski intentou combinar elementos de ambos Opus, agrupando-os na ordem do bailado e, de cada tempo, concluindo a variedade musical. Em assim fazendo, ele retirou dois movimentos de cada suite e somou dois movimentos – Gata Borralheira e o Príncipe, e Apoteose – Finale, do corpo da partitura do bailado.

Fonte: Encarte do cd

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Villa-Lobos: Uirapuru & Sergei Prokofiev: Cinderela

01 Uirapuru (14:07)

02 Modinha (Prelúdio) de Bachianas Brasileiras Nº 1 (7:56)

Gata Borralheira (Cinderela)
03 Fada da Primavera e Fada do Verão (4:00)
04 Gata Borralheira vai ao Baile (1:00)
05 Gata Borralheira no Castelo (7:00)
06 Gata Borralheira e o Príncipe (4:09)
07 Valsa da Meia-Noite da Gata Borralheira (4:00)
08 Apoteose – Finale (3:31)

Stadium Symphony Orchestra Of New York
Leopold Stokowski

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Marcelo Stravinsky