Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Concertos para Piano 23, 27 e 21 / Música Funeral Maçônica / Sinfonia Nº 40 (Jarrett-Davies)

Vamos então de Keith Jarrett em sua experiência mozartiana. Antes, porém, peço que deixem de lado seus intérpretes favoritos, como Géza Anda, Mitsuko Uchida, Alfred Brendel, Arhut Rubinstein, entre tantos outros, e prestem atenção à esta interpretação de Jarrett. Esqueçam as peripécias virtuosísticas que estão acostumados a ouvir dos dedos de Jarrett e se surpreendam com o lirismo e a tranquilidade que ele consegue transmitir com sua interpretação. Nem parece o mesmo músico que se torce, retorce, geme, grita, quando toca jazz. Aqui temos um músico plenamente consciente de seu talento, de sua capacidade, e que se rende ao gênio mozartiano, prestando-lhe uma belissima homenagem. Lento em alguns momentos? Pode até ser, mas desta forma ele consegue extrair da música elementos e detalhes que não se encontram em outras interpretações mais, digamos, virtuosísticas.

O acompanhamento é de primeiríssimo nível, com uma Sttugarter Kammerorchester simplesmente perfeita, com um balanço impecável, dirigida por outro grande pianista, Dennis Russel Davies.

De quebra, vai de brinde uma Sinfonia nº40 e a Maurerische Trauermusik, (Masonic Funeral Music), k. 477.

Espero que apreciem.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Concertos para Piano 23, 27 e 21 / Música Funeral Maçônica / Sinfonia Nº 40 (Jarrett-Davies)

CD 1

(01)piano concerto 23 – allegro
(02)piano concerto 23 – adagio
(03)piano concerto 23 –  allegro assai

(04)piano concerto 27 – allegro
(05)piano concerto 27 – larghetto
(06)piano concerto 27 –  allegro

CD 2

(01)masonic funeral music k. 477

02)piano concerto 21 – allegro maestoso
(03)piano concerto 21 – andante
(04)piano concerto 21 – allegro vivace assai

(05)symphony 40 – molto allegro
(06)symphony 40 – andante
(07)symphony 40 – menuetto (allegretto) – trio
(08)symphony 40 – allegro assai

Keith Jarrett – Piano
Sttutgarter Kammerorchester
Dennis Russel Davies – Conductor

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Jarrett e a tchurma de Stuttgart.

FDP

4 comments / Add your comment below

  1. A postura de Jarrett diante da escrita de Mozart é quase contemplativa. Abre mão de soluções líricas e de grandes coloridos expressivos em favor de uma presença algo ausente. Isso é uma certa idéia de Mozart, e pode soar bonito, ainda que sem desmerecer a poesia e a expressividade intensa de Brendel et alii. Não seria indevido, todavia, Jarrett exibir-se mais neste concerto, situando a interpretação de Mozart no universo artístico-pianístico que ele desenvolveu com tanta originalidade como solista. Em geral, ao tocar partitura erudita, Jarrett revela-se comedido. Destacam-se, neste caso, as apoggiaturas no andante do #21, uma beleza.

  2. Tudo bem, simplicidade, vazio, somente o básico, mas o Jarrett deixa a marca dele na bela frase improvisada aos 5:36 do andante do PC21.

  3. Ouvi novamente os 3 concertos executados por Keith Jarrett, em uma longa viagem por belas paisagens, e concluí que Jarrett é mesmo o maior gênio musical de nossa era. Ouvindo estes concertos, não se pode supor que quem os executa é o jazz man que naquele mesmo momento sacudia a cena com seu trio, e que fez tantas revoluções ao piano improvisado; parece que a vida toda foi um pianista erudito especializado em Mozart, como notou D. Rovena. As execuções são limpas, seguras, claríssimas, com lirismo e imaginação e um controle de vozes próprio de quem seguiu a escola de Bach. Jamais qualquer jazzista realizou algo similar na música erudita, e nenhum erudito no jazz, e nenhum jazzista no jazz. Jarrett, Mozart atual.

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