Ludwig van Beethoven (1770-1827): Trios Arquiduque & Ghost

IM-PER-DÍ-VEL!!!

Quem não conhece o Trio Arquiduque?

(Talvez minha sensibilidade sobre este tema seja prejudicada por uma infância vivida com um pai que ouvia de forma tão intensiva os compositores do século XIX que todas as obras do período parecem ter vindo pré-instaladas no meu cérebro. Então, sempre fico pasmo quando conheço alguém que goste de música e que não saiba nota por nota as principais obras de Beethoven, Schubert, Tchai, Schumann, Chopin, Brahms, Dvorak, Berlioz e outros. Desta forma, quando digo que não gosto de Chopin, Dvorak, Berlioz e da maior parte da obra de Schumann, não significa que não as tenha ouvido minuciosamente).

É o Op. 97 e este número não é casual. Localiza-se no limite da grande virada; lembrem-se que a Sonata Nº 28 é o Op. 101 e ali talvez tenha começado a grande revolução. O que quero dizer é que o Arquiduque é o ápice da primeira fase beethoveniana.

(Sim, sei que toda a literatura fala em três fases e as reconheço. Mas acho que a segunda foi consequência natural da primeira, uma mera evolução ditada por Beethoven e por seu contexto histórico. Já a segunda — ou terceira — é a da verdadeira ruptura).

Sereno, tranquilo e fluente, mais parece um Machado de Assis em pleno domínio de sua arte. Uma espécie de Conselheiro Aires da música. A interpretação do trio Immerseel, Beths e Bylsma é das melhores que já ouvi até hoje. Fiquei muito impressionado.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Trios Arquiduque & Ghost

01. Archduke – 1. Allegro moderato 12:13
02. Archduke – 2. Scherzo: Allegro 06:26
03. Archduke – 3. Andante cantabile 10:58
04. Archduke – 4. Allegro moderato 07:29

05. Ghost – 1. Allegro vivace e con brio 09:55
06. Ghost – 2. Largo assai e espressivo 09:05
07. Ghost – 3. Presto 08:21

Jos van Immerseel – Pianoforte
Vera Beths – Violino
Anner Bylsma – Violoncelo

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Beethoven dando um rolê pensando na tal amada imortal
Beethoven dando um rolê pensando na tal amada imortal

PQP

25 comments / Add your comment below

  1. A melhor gravação que conheço é a de Perlman, Ashkenazy & Harrell. Não conheço a gravação apresentada aqui, e também não tenho vontade de baixá-la porque não gosto do som do pianoforte. Mas eu digo que a presença do extraordinário Anner Bylsma é digna de toda a consideração.

    Quanto ao início da (outra) revolução beethoveniana, no terreno de sua sonatas já observamos uma linguagem indiscutivelmente nova em sua sonata nº 27, op.90, ou seja, realmente na época do Trio Arquiduque.

    1. Ivan,

      conheço demais a versão de Perlman, Ashkenazy & Harrell. É a referência campeã, penso. Esta interpretação que postei é difícil de comparar com quaiquer outras pois é feita com instrumentos de época. Fico com as duas.

      Abraço.

  2. Meu forte não é Beethoven. Dele só conheço o básico. Se ele tivesse composto apenas a Sinfonia Pastoral, pra mim, ele já seria um gênio. Estou exagerando, é claro que gosto de outras obras! Vou dar uma sacada nos trios!

  3. Bem, considerando que a 2ª fase da vida de Beethoven vai de 1802-1816, e que o Trio para piano Op. 97 foi completado em 1811, podemos concluir superficialmente que ele é da segunda fase.

  4. Mas que sorte ter um pai que ouvia tanto esses caras, hein. Já o meu pai só ouvia música gaúcha e achava que a Pour Elise era a 8ª Sinfonia de Beethoven, rsrs.

    Os trios de Beethoven são daquelas obras que estão sempre no meu coração, embora tenha os ouvido pouco ultimamente. Por isso mesmo, agora me deu vontade de ouvir, vou baixar esta interpretação. Acima dos trios de Beethoven, só os de Brahms, pra mim. Os de Brahms sim, digam o que quiserem, mas são os melhores já feitos, insuperáveis, absolutamente perfeitos, e nunca me canso de ouvi-los.

  5. Não sei se sabe, minha mãe foi cantora lírica da OSPA, Helena Weinberg. Eu praticamente me criei dentro de uma orquestra, inúmeros ensaios da OSPA foram realizados na minha casa. Sou um apreciador de música, muito mais do que um estudioso. Gosto muito do Bella Bartok e do Dvorak, por isto fiz aquele comentário. Quanto a Chopin e Shumann, concordo inteiramente. Parabéns pelo site, vou dar uma lida geral nele e, daqui para frente, acompanhá-lo. Grande abraço, Paulo

  6. Tentando de novo: Não sei se sabe, minha mãe foi cantora lírica da Ospa, praticamente me criei dentro da orquestra. Sou apreciador de música, muito mais do que um estudioso. Gosto muito de Bella Bartok e Dvorak, quando a Chopin e Schumann, de acordo, melosos demais, até chatos. Parabéns pelo site, vou acompanhá-lo. Abraço.

  7. Vergonha… Já ouvi muitas obras de câmara de Beethoven, pela extinta Rádio Morena, aqui de Campinas (Intermezzo – Marco Padilha), mas pouco me sensibilizaram, eu estou para ouvir todas na sequência, prestando bastante atenção, como fiz com Brahms, cuja música de câmara me convenceu muito mais!

  8. Devo representar a classe dos ignorantão e, sem vergonha de participar, perguntar uma coisa:

    Por que as últimas sonatas são consideradas tão revolucionárias assim? Tudo bem, da Hammerklavier pra frente são todas minhas favoritas, mas não consigo ver a Appassionata e a Les Adieux atrás, por exemplo, se o critério for, sei lá, inventividade, originalidade, etc. Lá no miolão, da 13 até a 18, digamos, dá pra perceber que se trata de uma estética um pouco diferente, mas não consigo perceber nenhum critério objetivo que possa separar claramente uma Moonlight ou uma Tempest do resto dos trabalhos posteriores. Se alguém tivesse o trabalho de explicar, seria ótemo.

    Bom, bora ouvir esses trios, de que nunca tinha ouvido falar. Obrigado, PQP, por mais essa.

    Abraços a todos.

    1. Você tem toda razão, Danilo A.!

      Essas divisões em fases geralmente são elaboradas por burocratas desocupados em suas Academias Musicais Empoeiradas.

      As fases tentam separar em degraus a “evolução” melódica, harmônica e rítmica de um compositor. Mas para nós, que tocamos e/ou ouvimos música com paixão e entusiasmo, elas não fazem a mínima diferença.

    1. Renato, devo postar essa integral do Perahia/Haitink logo, logo. A primeira versão que ouvi de um concerto para piano de Beethoven foi o Imperador com eles.

  9. Qual é a lógica de quem diz que não gosta de Chopin, Dvorak, Berlioz e da maior parte da obra de Schumann? Esses diletantes… Chopin é compositor de salão, sua fama se dá pelo pouco conhecimento de um certo público e dos pianistas que só querem se exibir. Berlioz faz em grande parte antimúsica, só se mantém no repertório por rotina de maestros que sabem tudo de regência, cor instrumental e pouco de música. Já Dvorak e Schumann são de outra categoria completamente diferente e infinitamente mais alta, são românticos, mas que fazem música de verdade, estruturada. Schumann é um artista enorme que compôs obras comparáveis aos maiores mestres e infelizmente sucumbiu à loucura quando estava se tornando cada vez mais clássico. Não existe essa história de que a maior parte de sua obra é fraca, ele tem sim obras fracas, mas poder-se-ia dizer o contrário, que a maior parte é fantástica.

  10. Esses grandes autores todos têm seus méritos, acho que nós como ouvintes que temos dificuldades ao ouvir um ou outro, às vezes por uma questão de divergência de estilo mesmo. Gosto de Chopin e Dvorák e adoro Schumann e Berlioz, mas tenho problemas com alguns autores de peso do século XX, como Schoenberg, Boulez e Stockhausen, o que é uma limitação minha.

    Como sempre, obrigado pela postagem! 😉

    1. Ei, isso que eu disse aqui em cima foi em tom de brincadeira, ok? Esqueci de colocar um emoji pra dar a entonação das palavras. Levem na esportiva tá? 🙂

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