Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonias Nº 10 e Nº 8 (CDs 12 e 13 de 16)

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Na minha opinião, é difícil encontrar obra mais perfeita do que o adágio da décima sinfonia de Mahler. Aqui, Bernstein dá um banho na interpretação desta música que amo talvez mais do que toda a oitava sinfonia. Abaixo, o texto que publiquei quando da minha primeira postagem da oitava de Mahler:

Mahler não gostava que chamassem sua oitava sinfonia de “Sinfonia dos Mil”, mas não é nenhum absurdo. Para ser executada, ela precisa de um contingente apenas 4 vezes menor do que o número de soldados americanos mortos no Iraque e é bom que o palco esteja mais firme que o governo Bush.

É uma obra mais impressionante do que bela e nem é bem uma sinfonia, mas uma gigantesca cantata. Sua execução exige, entre orquestra e coro, mais de mil figuras. Servem como textos o hino Veni creator spiritus e o coro final da segunda parte do Fausto de Goethe. Nem todos acham que o resultado justifica os colossais recursos exigidos. Dentre estes estou eu, P.Q.P. Bach.

O que me interessa nesta sinfonia é a rica polifonia empregada, um tributo a meu pai e às estruturas criadas por ele. Abaixo, em itálico, copiado daqui, está o detalhamento do exército empregado.

SINFONIA No.8
(para 8 solistas – 3 sopranos, 2 contraltos, tenor, barítono e baixo – 2 coros mistos, coro infantil, órgão e orquestra)
Apelido: ‘Dos Mil’
Tonalidade principal: Mi bemol Maior
Composição: 1906-1907
Revisão: não houve
Estréia: Munique, 12 de setembro de 1910 (solistas: Gertrud Förstel, Marta Winternitz-Dorda, Irma Koboth, Otillie Meyzger, Tilly Koenen, Felix Senius, Nicolo Geisse-Winkel, Richard Mayr. Leipzig Riedelverein, Viena Singverein, Coro Infantil da Escola Central de Munique, Orquestra do festival, regência de Mahler)
1a.Publicação: 1911 (Viena, Universal Editions)
Instrumentação:
2 piccolos
4 flautas
4 oboés
Corne-Inglês
Clarinete em Mib
3 clarinetes em Sib e La
Clarone
4 fagotes
Contrafagote
8 trompas
8 trompetes (4 fora do palco)
7 trombones (3 fora do palco)
Tuba
Tímpanos
Triângulo
3 pares de pratos
Bombo
Tam-Tam
Sinos grandes
Glockenspiel
Celesta
Piano
Harmônica
Órgão
2 harpas
Mandolim
Quinteto de cordas (violinos I, II, violas, cellos e baixos com corda C grave)
Soprano I (Magna Peccatrix)
Soprano II (Una poenitentium)
Soprano III (Mater Gloriosa)
Contralto I (Mulier samaritana)
Contralto II (Maria Aegyptiaca)
Tenor (Doctor Marianus)
Barítono (Pater ecstaticus)
Baixo (Pater profundus)
Coro infantil
Coro Misto SCTB I
Coro Misto SCTB II

Duração: aprox. 85-90 minutos

Movimentos:
I- Hymnus: Veni, Creator Spiritus
II- Final scene from Goethe’s ‘Faust’ part II

Texto:
1) ‘Veni, creator spiritus’, atribuído ao monge medieval Hrabanus Maurus
2) Cena final do Segundo Fausto de Goethe

Programa:
É um dos mais interessantes de Mahler, uma sinfonia muito significativa em termos filosóficos e espirituais para o compositor. O primeiro movimento é um hino medieval que evoca o espírito criador, e o segundo movimento é a redenção humana através do Amor cristão, que Mahler achou, muito propriamente, nas palavras de Goethe.

Comentários:

O subtítulo ‘Dos Mil’ foi colocado contra a vontade de Mahler, por razões comerciais, já que sua estréia realmente contava com um contingente instrumental de 1023 músicos. É a única sinfonia de Mahler inteiramente cantada, como uma grande cantata sinfônica, e que transparece um grande otimismo espiritual em seus únicos 2 movimentos. No último, entretanto, há subdivisões que indicam certa ordenação próxima à forma-sonata, ainda que bastante diluída. Somente o primeiro movimento e o final do segundo (o maior de Mahler, de aprox. 50 minutos) contém grandes efeitos de massa dignos da enorme instrumentação exigida, o que lhe valeram severas críticas e também raras execuções, apesar de poder ser executada com metade deste número (na estréia a orquestra e o coro estavam duplicados).

E FDP Bach escreveu:

Meu irmão PQP já andou postando esta sinfonia aqui, com um belo texto explicativo, por este motivo não irei perder muito tempo com detalhes. A única coisa que tenho a falar é que esta versão de Bernstein é no mínimo exuberante, com o coral inicial “Veni Creator spiritus” capaz de levantar defuntos de seus túmulos. Absolutamente magnífico.

Meu sonho de consumo é assistir a uma apresentação desta sinfonia em um ambiente com uma acústica impecável, e claro, com uma orquestra de grande porte, como a Wiener Philharmoniker. Não há como não se impactar com a grandiosidade de seu início. É de arrepiar os cabelos.

Mahler – Sinfonias Nº 10 e Nº 8

Disc: 1

Sinfonia Nº 10: Adagio

1. Andante – Adagio

Sinfonia Nº 8

2. Part 1. Hymnus “Veni, creator spiritus”. Allegro impetuoso “Veni, creator spiritus”
3. Part 1. Hymnus “Veni, creator spiritus”. A tempo. Etwas (aber unmerklich) gemäßigter; immer sehr fl
4. Part 1. Hymnus “Veni, creator spiritus”. Tempo 1. (Allegro impetuoso) “Infirma nostri corporis”
5. Part 1. Hymnus “Veni, creator spiritus”. Tempo 1. (Allegro, etwas hastig)
6. Part 1. Hymnus “Veni, creator spiritus”. Part 1. Hymnus “Veni, creator spiritus”. Sehr fließend – N
7. Part 1. Hymnus “Veni, creator spiritus”. Plötzlich sehr breit und leidenschaftlichen Ausdrucks – Mi
8. Part 1. Hymnus “Veni, creator spiritus”. “Veni, creator spiritus”
9. Part 1. Hymnus “Veni, creator spiritus”. a tempo. “Gloria sit Patri Domino”

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Disc: 2
1. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Poco adagio
2. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Poco adagio
3. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Più mosso. (Allegro moderato)
4. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Moderato. Pater ecstaticus: “Ewiger Wonnebrand”
5. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Allegro – (Allegro appassionato) Pater profundu
6. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Allegro deciso. (Im Anfang noch nicht eilen). C
7. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Molto leggiero. Chor der jüngeren Engel: “Jene
8. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Schon etwas langsamer und immer noch mäßiger. D
9. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Im Anfang (die ersten vier Takte) noch etwas ge
10. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Sempre l’istesso tempo. Doctor Marianus: “Höchs
11. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Äußerst langsam. Adagissimo. “Dir, der Unberühr
12. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Fließend. Magna Peccatrix: “Bei der Liebe, die
13. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Una poenitentium: “Neige, neige, du Ohnegleiche
14. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Unmerklich frischer. Selige Knaben: “Er überwäc
15. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Sehr langsam. Mater gloriosa: “Komm! hebe dich
16. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Hymnenartig (Ungefähr im selben Zeitmaß weiter)
17. Part 2. Finale Scene from Goethe’s “Faust”, Part 2. Sehr langsam beginnend. Chorus mysticus

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Margaret Price
Judith Blegen
Gerti Zeumer
Agnes Baltsa
Kenneth Riegel
Hermann Prey
José van Dam

Rudolf Scholz, órgão

Leonard Bernstein
Vienna Philharmonic Orchestra

Este é o cara
Este é o cara

PQP

14 comments / Add your comment below

  1. Obrigado, PQP.

    Baixei a gravação do Bernstein postada pelo FDP, e a Oitava é…é…sem palavras. Recordo-me de quando postou a primeira gravação (com os russos), disse que todo este aparato, para alguns e para você, não valia o resultado. Respeito sua opinião, claro, mas deixe-me objetar (existe isso?).

    Posso soar um pouco afetado, mas tem certas músicas que nos aproximam de Deus, ou algo tão grande e bom quanto esta idéia, porque Deus é uma idéia, certo? A música de Mahler é dessas que nos levam ao céu. Imagine você assistindo uma coisa dessas ao vivo!

  2. A Oitava é uma maravilha e vale cada músico no palco. Se o aparato fosse cinco vezes maior, ainda assim valeria a pena. É a minha sinfonia mahleriana predileta – depois vem a Nona. E essa gravação do Bernstein é um absurdo! Há trechos no primeiro movimento em que tudo é feito muuuuuuito rápido. O final é de arrepiar os cabelos. Mas tem coisa que fica meio perdida nesse extâse todo. Acho até que Abbado, mais equilibrado, consegue elucidar melhor muito dos detalhes dessa obra. E a versão de Solti é bem legal também.

  3. Não gosto de Mahler, mas admito que a 10ª sinfonia é uma obra espetacular, ainda que incompleta. Bernstein também está brilhante nessa gravação. Gosto muito da gravação do Sinopoli também, já ouviu?

  4. CARAMBA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Que interpretação mais extraordinária! Não só foi incrivel a tuação de Bernstein; mas de cada músico! Eles tinham que ter ganhando um prêmio por ter tocado, gravado isso! Está tão magnifica essa gravação, que no meu HomeTheater, é como se sentisse dentro da própria orquestra, no lugar do maestro. E meu coração quase saiu pulando pela minha boca.

    Extraordinário mesmo!

    Muito obrigado por dispornibilizar tão magnifica gravação. Se alguem ficar sabendo de uma apresentação ao vivo dessa sinfonia em São Paulo, me avisem, por favor.

    Esse blog/site é uma das maiores maravilhas do mundo virtual!

  5. Evandro: Em 2010 e 2011 comemoram-se o aniversário de 200 anos e o aniversário de morte de 150 anos de Mahler, respectivamente. Nesses dois anos a OSESP vai apresentar todas as sinfonias dele, e como o programa de 2010 já saiu, é certo que em 2011 vamos ter essa sinfonia na Sala São Paulo.

  6. Por favor, dê upload novamente no link, porque o Rapidshare diz que o arquivo só podia ser baixado 10 vezes, e para baixar novamente é necessário colocá-lo de novo.

    Obrigado, um abraço e parabéns pelo blog estupendo que tem

  7. Exato!
    Leio os comentários e fico curiosíssimo para ouvir a execução regida por Bersntein, mas o link precisa ser revalidado. Agradeço muitíssimo pelo blog. Uma coisa é baixar um CD na net, outra é ter acesso à variedade musical e aos comentários que você fazem aqui.
    E, posto que já quase não escuto mais outra coisa além de música erudita, deixo um forte abraço a todos vocês, em parte responsáveis por isso!

  8. Concordo basicamente com todos comentaristas,a interpretação ideal seria a propria expressão dos sentimentos do Mahler regendo. Temos que contentar nos com gravaçoes (acho a melhor tecnicamente com o Abbado) pois as de Bernstein não sao limpas . Espero que apresentem a 8 na Osesp pois as interpretações da 2 e 3 foram otimas.
    Não quero gabar me diante dos participantes….mas estive em Viena dia 25 e27 de março; assisti a 8 com um tal de Billi dirigindo comentario geral : DROGA e rapido demais(ou não queria pagar hora extra ou tinha que ir ao banheiro ou estava com sede ou… DIRIGIR MAHLER é dificil mesmo

  9. Esse blog mudou minha vida para sempre, é rotina minha visita aqui, não canso de baixar as versões de sinfonias de Mahler e Bruckner. Quanto à oitava…Cheguei a desistir de tentar gostar da sinfonia. Um dia achei que consegui digerir com a versão de Solti, que consegue botar uma espécie de ordem nas gritarias, a nuance de cada voz e cada instrumento fica limpa e perceptível. Mas então sempre acabo deixando de lado e ouvindo as outras 9 sinfonias bem mais frequentemente que essa…

    Seria interessante, por um gosto pessoal meu, ver como essa sinfonia seria numa versão puramente orquestral, adaptada, pra tentar entender realmente como sentir e digerir toda essa música, que por exemplo fica muito clara pra mim na parte instrumental no inicio do segundo movimento, adagio.

  10. Audições mais frequentes da Oitava revelam um poder mágico e hipnótico.
    Sublime, comovente e espantosa criação musical. Abraços. Dirceu.

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