Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Sinfonia No. 1 em Fá menor, op. 10 e Sinfonia No. 7 em Dó maior, op. 60 -"Leningrado"

Já fazia algum tempo que eu tencionava postar este CD com duas das sinfonias de Shostakovich, um dos meus compositores favoritos. É uma grande gravação com o Bernstein. Podemos ver duas versões de Shostakovich neste post: primeiro a do jovem que compõe a sinfonia número 1; habitado por aspirações intelectuais e sonhos de mocidade; e, segundo, a do compositor maduro que compôs a sinfonia número 7, alcançando o domínio da arte da composição sinfônica. Para alguns, a sinfonia número 7 – juntamente com a 8 – são as grandes obras de Shosta. Incluiria em minha humildade as de número 5, 11, 13 e 14. Lauro Machado Coelho diz que “Foi em Kúbishev que a Sétima estreou, em 5 de março de 1942, transmitida pelo rádio para todo país, sob a regência de Samossúd. A orquestra do Bolshói, que também fora evacuada, teve que ser aumentada com vários músicos extras, trazidos da frente de batalha. Foi um acontecimento político cercado de divulgação mais intensa. E em 22 de março, tendo podido retornar a Moscou, Samossúd e a orquestra do Bolshói, reforçada pela Vsiosoyúznaia Radio Orkiestra (a Orquestra da Rádio União), a executaram na capital”. O mais surpreendente no relato do Lauro Machado é a inclusão do depoimento do musicólogo Geórgui Shnêirson que descreve como se deu a execução da obra: “Antes do início do quarto movimento, o responsável pela defesa antiárea surgiu, de repente, ao lado do maestro. Ergueu a mão e anunciou, num tom calmo, para não semear pânico, que o alarme de ataque aéreo tinha soado. Ninguém abandonou seu assento e a sinfonia foi tocada até o fim. O seu poderoso finale, que anuncia a vitória sobre o inimigo, criou uma atmosfera inesquecível, que não deixou ninguém indiferente. O homem uniformizado apareceu de novo e repetiu as palavras que, naqueles dias, as pessoas já se tinham acostumado a ouvir: “Um alarme antiaéreo acaba de soar”. As pessoas responderam: “Nós já sabemos!” e a interminavel ovação continuou”. A Sétima Sinfonia está vinculada à guerra. Nasceu para ser eternizada. Ela fez nascer um sentimento nacionalista no povo soviético. Não deixe de ouvir esse relevante documento artístico fecundado no século XX, mas imortalizado como evento do mais alto valor para a arte. Boa apreciação!

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Sinfonia No. 1 em F menor, op. 10 e Sinfonia No. 7 em C maior, op. 60 -“Leningrado”

Disco 1

Sinfonia No. 1 em F menor, op. 10
01. I. Allegretto [08:58]
02. II. Allegro, Meno Mosso [04:52]
03. III. Lento, Largo [10:19]
04. IV. Allegro Molto [10:50]

Sinfonia No. 7 em C maior, op. 60 -“Leningrado”
05. I. Allegretto [31:43]

Disco 2

01. II. Moderato [14:54]
02. III. Adagio [19:25]
03. IV. Allegro Non Troppo [18:51]

Chicago Symphony Orchestra
Leonard Bernstein, regente

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Carlinus

3 comments / Add your comment below

  1. Fico me perguntando o que Bernstein gravou que não fosse bom. Talvez, por ironia do destino, Overture Candide. Acho que Candide com Bernstein na Regencia uma meleca.
    Aliás ( rsrsrsrsrsrs) muito boa postagem viu ?!
    eauiheiauheiuahe
    Abraços 😀

  2. Acho a história da 7º sinfonia de Shostakovich maior do que a própria sinfonia. Mas, vá lá, é uma boa obra. Não do porte de Babi Yar ou da 14º, penso eu. Mas sim, uma boa sinfonia.

  3. Concordo Vanderson, e percebi alguns recaimentos dele ao interpretar outras obras. Ele se tornou famoso devido suas apresentações, e como regênte era irregular, capaz de arrebatamentos gloriosos e interpretações inadmissíveis, ao ponto de vista de cada um. Podemos aceitar e até mesmo elogiar algumas de suas regências de obras de Tchaikovsky e Liszt, como também podemos rejeitar, pelo tratamento dado a elas.

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