Karol Maciej Korwin-Szymanowski (1882-1937) – Complete Works For Violin & Piano

Já faz um bom tempo que Szymanowski deveria ter aparecido por aqui. Ranulfus e CVL têm conversado nos bastidores sobre a possibilidade de postá-lo. Não quis me antecipar a eles. O fato é que este post já estava agendado.  Por isso, acredito que outras obras do compositor polonês devem surgir por aqui. Seguem alguns dados do moço: Szymanowski estudou piano com Henrich Neuhaus. Em seguida, recebeu instrução de Zawirski e Noskowski, nas disciplinas de harmonia, contraponto e composição. Suas composições foram apresentadas por grandes intérpretes, entre eles o violinista Pawel Kochanski e o pianista Artur Rubinstein. Sua ópera “Rei Roger” (1924) é um de seus maiores sucessos. Compôs dois Concertos para Violino e Orquestra, quatro sinfonias, música de câmara, canções e várias obras para piano. A sua Sonata nº2 para piano, Opus 21, é de 1911, e teve sua primeira execução pública realizada por Artur Rubinstein. Szymanowski é autor também de Metópes e Mirtis, peças para piano que revelam influência de Debussy. Suas vinte mazurkas, Opus 50, são obras escritas numa linquagem moderna e em nada se assemelham às de Chopin. Entre seus quatro Estudos para piano, Opus 4, o terceiro é provavelmente uma de suas mais belas criações. Boa apreciação!

Extraído DAQUI

Karol Maciej Korwin-Szymanowski (1882-1937) – Complete Works For Violin & Piano

Nocturne & Tarantella, Op. 28
01. 1. Nocturne
02. 2. Tarantella

Mythes, Op. 30
03. 1. La Fontaine D’Aréthuse
04. 2. Narcisse
05. 3. Dryades & Pan

Romance In D, Op. 23
06. Romance In D, Op. 23

Violin Sonata In D Minor, Op. 9
07. 1. Allegro Moderato: Patetico
08. 2. Andantino Tranquillo & Dolce
09. 3. Finale: Allegro Molto, Quasi Presto

3 Paganini Caprices, Op. 40
10. 1. Andante Dolcissimo (#20)
11. 2. Adagio (#21)
12. 3. Tema: Vivace (#24)

Lullaby, Op. 52, ‘La Berceuse D’Aïtacho Enia’
13. Lullaby, Op. 52, ‘La Berceuse D’Aïtacho Enia’

Alina Ibragimova, violino
Cédric Tiberghien, piano

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Carlinus

21 comments / Add your comment below

  1. Caro Carlinus!

    Que bela postagem é esta que você nos traz! Nunca tinha ouvido falar deste compositor. Baixei o arquivo e nas 2 primeiras faixas que ouvi já gostei de Szymanowski.
    Fico imaginando quantos bons compositores há e que não conheço.
    Enquanto escrevo escuto “Violin Sonata”, ela me traz à memória a primeira impressão que tive deste polonês: a música dele lembra um Brahms mais… cool, pois ele não tem a densidade das músicas deste último, talvez seja o fraseado que lembre Johannes, enfim, lembrando Brahms, e este é um dos meus compositores favoritos (é difícil dizer isto pois são tantos!) não posso deixar de querer conhecer mais a obra de Szymanowski.

    Até a próxima postagem.

  2. Parabens pela postagem. Este compositor foi de uma riqueza impressionante, especialmente em sua Sinfonia Nº 3 , seu Stabat Mater, e Sua ópera Rei Rogerio. Mithes, incluido neste CD, é uma de suas melhores obras.

  3. Nos anos 70 alguns jovens estudantes da Escola de Música e Belas Artes do Paraná encaminharam um abaixo-assinado ao maestro Roberto Schnorrenberg e ao secretário de cultura do PR pedindo que nos grandes festivais de verão que o “Schnô” dirigia também fosse cantado algo mais recente que Mozart e Beethoven. O abaixo-assinado gerou um bafafá no conselho da escola e a quase demissão de uma professora que assinou junto. Consta que o Padre Penalva – apesar de compositor de vanguarda – gritava: “quem são esses fedelhinhos!”

    E no entanto, no festival de 77 cantou-se, além do Mozart das Vesperas Solemnes de Confessore, o Te Deum de Kodály e o Stabat Mater de Szymanowsky – e este que vos escreve teve o privilégio de estar no meio 😀

    Fomos todos arrebatados pela intensidade emocional e a maestria da escrita sinfônica e coral do polaco – “como não conhecíamos esse mestre?” E no entanto de lá pra cá eu ainda não havia cruzado com ele de novo uma só vez.

    Este CD vem confirmar que o CDF tinha razão: não se trata de um compositor menor! Quem sabe é caso de tentarmos mais uma campanha de resgate e promoção aqui!

    Detalhe: nessas horas vem o impulso de conhecer mais a pessoa, não é mesmo? Com essa, fiquei sabendo que de 1917 a 1919 Szymanowsky não compôs pois dedicou-se a escrever ‘Efebos’, um romance gay explícito – porém só um capítulo traduzido para o russo e quatro poemas também gays haveriam sobrevivido a uma queima de seus papéis em 1939, 3 anos depois da morte – cf. http://www.oliari.com/storia/szymanowsky.html

    Outra coisa é que o 3º dos Caprichos de Paganini que ele elaborou serviu de base também a uma série de variações de Andrew Lloyd Weber, com participação de seu irmão Julian no cello (o mesmo do concerto de Nyman), que avançam escandalosa e deliciosamente por um certo jazz-rock. Ainda hei de postar aqui, hehehe…

  4. Por coincidência, tomei conhecimento deste compositor anteontem e estou baixando sua Terceira Sinfonia, “A Canção da Noite”…

  5. Ranulfus, sobre suas palavras: “Quem sabe é caso de tentarmos mais uma campanha de resgate e promoção aqui!” Podemos sim! O resgate de Frack tem sido um sucesso. Com relação Szymanowski, posso começar pelas sinfonias e pelo Stabat Mater, que cantaste na década de 70. O que achas? Claro, tudo isso a longo prazo, pois o Cesar Franck está nos esperando.

    Abraços!

  6. Ranulfus, mundo pequeno este. Nos meados dos anos 70 eu era um adolescente curitibano de uns doze ou trezes anos de idade, morando a pouco mais de duas quadras da Escola de Mùsica e Belas Artes do Paraná. Até tentei estudar na escola, mas a grana andava curta na época e meu pai não tinha como arcar com estes custos. Mas lembro-me de sempre passar ali na frente, quando voltava do centro da cidade. Na época, eu morava ali mesmo na Emiliano Perneta (a escola de Belas Artes ficava quase na frente do Instituto Estadual de Educação), na esquina com a Lamenha Lins, e depois mudamos para a rua de trás, Dr. Pedrosa. Acabei me envolvendo com música assim mesmo, mas por conta própria. às vezes eu passava ali na frente e ficava ouvindo os ensaios, mas a vergonha adolescente me impedia de entrar no prédio sozinho. Minha mãe tentou me inscrever para aulas de violino, mas parece-me que era necessário ter o instrumento, aí já viu, né? Era um gasto muito grande para o mísero salário de meu pai. Mas foi ali que comecei a cultivar o gosto pela música clássica. Tinha uma rádio AM (não lembro qual o nome, pode ser Rádio Estadual do Paraná?) cuja programação era dedicada exclusivamente à música clássica. Eu tinha um radinho de pilha, e ficava ouvindo o dia inteiro, enquanto meus amigos ouviam Sidney Magal, Suzy Quatro, entre outras pérolas da década de 70). Puxa, que boas lembranças que o teu comentário me trouxe.

    1. Mundo MUITO pequeno mesmo!!!! Queria entrar em mais detalhes, mas isso é melhor nos bastidores, né? rsrs

      Também a continuação do papo com o Carlinus sobre ‘Projeto Szymanowsky’, tô transferindo pra lá… Até mais!

  7. Com relação ao Szymanowski, não conheço sua obra. Vou baixar para conhecê-la. A violinista em questão, Alina Ibragimova, tem uma excelente gravação das Partitas e Sonatas de papai, que pode ser encontrada no excelente blog listado aí ao lado, Music is the Key.

  8. Aí,Ranulfus. Não sei se serve…rs. Só tenho um certo desgosto por não encontrar tradução em português para o libreto destas obras corais. Esta sinfonia, parece, usa poemas do persa medieval Rumi (creio que traduzidos para o polonês). Assim também, o oratório “A Epopéia de Gilgamesh”, de Martinu usa como libreto uma tradução tcheca das tabuletas babilônicas, que narram as aventuras do rei de Uruk… Se alguém souber de algum lugar onde encontrar as tais traduções…Infelizmente, acho que não existem.

    1. Existe mais de uma versão em português da Epopéia de Gilgamesh. Acho que inclusive já encontrei o texto completo (não é logo) NA NET, para download ou em html mesmo. Não estou localizando agora, mas existe… e deve existir também na rede de sebos estantevirtual.com.br . Não sei se lá vc encontra algo de Rumi, mas não é impossível, eu consegui Saadi lá, depois de anos de busca.

      Se não encontrar mesmo, tenho uma tradução pessoal do primeiro capítulo do Gilgamesh, feita do inglês há muitos anos, e nunca suficientemente revista. Por isso te sugiro só recorrer a ela em último recurso… rsrs

  9. Ranulfus: estavamos no mesmo coro cantando o Stabat Mater. Foi minha descoberta do compositor.Tinha 19 anos. Percebo lamentavelmente ,um preconceito homofobico de diversos comentadores.

    1. Que coisa incrível, Colarusso! – eu nunca imaginaria que temos a mesma idade e que naquele momento você “era um garoto / que como eu / amava Beethoven, Brahms e Bach” (ou quaisquer outros compositores ao gosto de cada um). Acho que em 1977 eu ainda sonhava com ser regente… mas como sentenciou John Lennon, “vida é o que acontece enquanto você está fazendo outros planos”.

      Mais uma coincidência: em 79, último ano em que dei aulas de piano, tive dois alunos irmãos de cerca de 10 anos, que hoje não tocam. Na saída, o irmãozinho menor estava na porta com seu pianinho de brinquedo exigindo “a aula dele”. Bem mais tarde ele foi seu aluno de análise… (Não acho legal abrir identidades de terceiros aqui; se quiser, posso comentar mais por email, tenho um ranulfus[arroba]bol.com.br).

    2. Hoje cedo postei uma 2.a resposta aqui, depois fiquei na dúvida se cabia e retirei. No fim avaliei que cabe pelo menos parte do que havia dito, e volto postar.

      Quanto possíveis comentários homofóbicos, acho compreensível que, como “ação compensatória”, se busque denunciar a homofobia onde estiver, pois o grau de sofrimento já causado no mundo por esse proconceito NÃO é brincadeira não. Mas talvez a gente também deva ser cuidadoso nisso, pra não começar a ver chifres em cabeça de cavalo.

      Pois, como os outros comentadores abaixo, também não acho que o blog apresente casos propriamente de homofobia.

      Minha impressão pessoal é que ele foi criado com um tom desbocado, nada delicado mesmo, com uma intenção parecida com a do filme ‘Ludwig van’ que Mauricio Kagel fez na Alemanha nos anos 70.

      Kagel achava que o ‘culto da cultura’ pequeno-burguês, de tom religioso, tinha tornado impossível uma relação de gente pra gente com Beethoven e sua obra. Como músico, achava essa situação intolerável – e aí fez todo um filme onde a música de Beethoven é acompanhada por imagens sem nada de “sublime”, culminando com o ápice da Nona Sinfonia acompanhada de uma bunda de elefante defecando. (E ele que me perdoe a tentação de perguntar se não foi inspirado por seu próprio nome, que se pronuncia à alemã…)

      Enfim, posso estar enganado, mas minha impressão é que o PQP, fundador do blog, teve uma intenção parecida. Há um certo humor difuso mais sutil, mas volta e meia vira mesmo “O Crítico Musical de Bagé”, ou algo assim – num gesto que não vejo diferente do de Mauricio Kagel.

      E aí nós que fomos entrando depois naturalmente escolhemos fantasias que combinassem com a festa que já vinha rolando!

      Parte disso tem sido mesmo um brincar desbocado com a vida pessoal dos compositores e outros músicos, independente da sua orientação sexual – e creio que foi isso que o CVL quis dizer abaixo, falando do tom no próprio tom.

      E eu mesmo, neste momento estou falando de fora do personagem, mas não por muito tempo. Não quero ser “o estraga-prazeres” no sentido dado por Johan Huizinga no seu estudo Homo Ludens. O que você pode ver no título do meu post de hoje (Guiomar e Beethoven no Quarto), ou no meu comentário de hoje cedo no recente post de sinfonias de Brahms – comentário que tem tudo menos homofobia! E valei-nos São Kinsey!

  10. Uai, não percebi isto do “preconceito homofóbico”. Quem manifestou, e a propósito de que? Sendo eu homossexual…rs

  11. Sempre tem alguém que aparece para se tornar o mais novo chato de galocha de nosso blog, Haya.

    Não podemos comentar sobre os relacionamentos homoafetivos dos compositores que seguiram sua assumida orientação sexual, mas quando falamos que Wagner era um comedor, Schoenberg tomou uma galha segura – e Weill mais ainda – e se Brahms pegou ou não pegou Clarinha, aí todo mundo pode rir? Ah… coisa nenhuma!

    Um coisa é fazer graça, outra é condenar a conduta alheia. Aqui no blog só não gostamos de nazistas – e de gente sem-noção.

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