Alberto Ginastera (1916-1983) – Concertos para piano

Eu disse que não iria aparecer no carnaval, mas depois vi que seria uma boa oportunidade dos melômanos avessos à folia recorrerem ao blog e de eu cumprir a autopromessa de postar algumas obras que estavam separadas há um bom tempo aqui no PC.

Embora eu tivesse essa interpretação dos concertos para piano de Ginastera com Dora de Marinis no HD, a gravação enviada por Ortlieb ao mano PQP estava em melhores condições e é ela que está sendo ora postada, com os devidos agradecimentos a ambos. O SAC funcionou porque também, nas próximas semanas, vou dar uma volta por outros países das Américas.

Depois do post de Quadros de uma exibição com Emerson, Lake and Palmer, foi lembrado num comentário de um visitante que o trio inglês homenageara Ginastera. Agora vocês poderão ouvir o quarto movimento do primeiro concerto, que é difícil de se arrombar para os intérpretes (o concerto como um todo e esse movimento em particular) e requer uma sincronia perfeita entre estes e a orquestra tão meticulosa quanto a do finale do Rach 2.

Interessante a história contada por Emerson na Wikipédia em inglês: ele e Ginastera se encontraram na Suíça (na casa do compositor argentino, que vivia com a última esposa, Natalia, violoncelista), durante as gravações de Brain Salad Surgery, em busca do aval do arranjo da “Toccata” para a banda. Ginastera, que mal falava inglês, respondeu que achou a versão “diabólica”, querendo dizer “sensacional”, mas o tecladista entendeu “terrível” – Natalia precisou explicar a Emerson o que o marido queria dizer, já que o inglês ficara aborrecido.

Ginastera later said, “You have captured the essence of my music, and no one’s ever done that before.”

O primeiro concerto é também o que João Carlos Martins, numa célebre matéria do Jornal Nacional pelos idos de 1995, executou com brilhantismo no Carnegie Hall quando de sua volta às salas de concertos, após alguns anos parado em virtude da interminável tentativa de reabilitação dos movimentos das suas mãos.

Bom proveito.

***

Ginastera Piano Concertos

1. Piano Concerto No. 1, Op. 28: I. Cadenza e varianti
2. Piano Concerto No. 1, Op. 28: II. Scherzo allucinante
3. Piano Concerto No. 1, Op. 28: III. Adagissimo
4. Piano Concerto No. 1, Op. 28: IV. Toccata concertata
5. Piano Concerto No. 2, Op. 39: I. 32 variazioni sopra un accordo di Beethoven
6. Piano Concerto No. 2, Op. 39: II. Scherzo per la mano sinistra
7. Piano Concerto No. 2, Op. 39: III. Quasi una fantasia
8. Piano Concerto No. 2, Op. 39: IV. Cadenza
9. Piano Concerto No. 2, Op. 39: V. Finale prestissimo

Slovak Radio Symphony Orchestra Bratislava (Orchestra)
Dora De Marinis (Performer)

BAIXE AQUI

CVL

9 comments / Add your comment below

  1. Está aí um compositor incrível que merece mais atenção!

    Estes concertos são incríveis, os conheço de longa data, e por sinal por esta mesma gravação (gostaria muito de conhecer outras).

    O primeiro concerto é o meu preferido, considero (claro opinião própria) um dos maiores de todos os tempos, é explêndido, absurdo mesmo. Lembro-me que a primeira vez que o vi/ouvi foi neste vídeo http://www.youtube.com/watch?v=kiDD6anVW1g

    Interpretação de João Carlos Martins e a Osesp regida por Rafael Pacheco

    Realmente me deixa emocionado (sei que podem pensar, como ficar emocionado com isso?) mas eu fico e ponto final! É algo extra-sensorial.

    Parabéns pelo melhor blog da net, e só para ser chato, postem mais Ginastera e música contemporânea em geral o/

    1. O João Carlos Martins gravou sim, com a Sinfônica de Boston e o Erich Leinsdorf, completado pelas “Variações Concertantes”, do mesmo Ginastera. Mas isso foi no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça e a gravação é mais do que raríssima (nunca a ouvi). Há algumas outras, uma bem boa da gravadora ASV, com o pianista Oscar Tarrego e Filarmônica da Cidade do México + Enrique Bátiz. Acho-a melhor do que a Dora de Marinis. Ginastera era um grande compositor que deixa os brasileiros da geração dele (Santoro e sobretudo Guarnieri) no chinelo!

  2. Gosto bastante de Ginastera e não conhecia esses concertos. Esperava algo mais próximo do Concerto para harpa ou de “Estancia” – algo como um Bartók argentino.

    Que nada! Encontrei nesses concertos o Messiaen argentino. Sensacional!

    1. Se ainda não conhece estas peças e quiser o Ginastera mais bartotkiano, tente: Sonata nº 1 para piano e o Quarteto de cordas nº 2.

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