Guilherme Bauer (1940) – Partita Brasileira e outras obras

O carioca Guilherme Bauer, aluno de Guerra-Peixe, tem obras muito bem estruturadas e serenamente orquestradas, só que doem no ouvido de tão atonais que são – se não doerem, soarão insípidas. Deste CD, o mais importante do compositor, só escapam as Sugestões de inúbias, para duo de flautas, e as Cadências para violino e orquestra – a primeira peça, por não abafar o material folclórico sobre o qual se baseia (merecia até uma versão acompanhada por orquestra, pois tem um lastro sinfônico latente), e a segunda, pelo desafio que impõe ao solista.

As Cadências para violino guardam relação direta com sua homônima para piano e orquestra, de 23 anos depois. A orquestra intervém pouco e é pela própria força do instrumento principal que a obra se sustenta. Bem mais palatável (já que não seguem nenhum tratado de harmonia alienígena) são as descontraídas Variações rítmicas (que Guilherme Bauer diz se chamar Variações sinfônicas), um verdadeiro jongo-do-crioulo-doido para piano e orquestra digno de ser dançado pela Lacraia do MC Serginho. O compositor lamentou que o atabaque que faz dueto com o piano no primeiro minuto da peça não tenha sido captado pelos microfones.

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Partita Brasileira

1. Sugestões de inúbias (1991)
Flautas: Eduardo Monteiro e Alexandre Eisenberg

Trio (1980)
2. I. Andante com embolada
3. II. Allegro – batucada
Trio Fibonacci

Partita brasileira (1994/2001)
4. I. Prelúdio
5. II. Clamor
6. III. Canto
7. IV. Abaianado
8. V. Rabecando
Violino: Erich Lehninger

Duas peças para violoncelo e piano (1989/1993)
9. Recitativo
10. Retornos
Andreas Polzberger (cello) e Sven Birch (piano)

11. Quarteto n° 2 (1997)
Quarteto Moyzes

12. Cadências para violino e orquestra (1982)
Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Henrique Morelembaum
Violino: Erich Lehninger

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Variações rítmicas, para piano e orquestra (1991)

Orquestra não identificada
Regente: Dante Anzolini
Piano: Ruth Serrão

Já que mencionei as Cadências para piano e orquestra, me lembrei elas ganharam semana passada o prêmio de melhor obra experimental de 2008 (não sei o que elas têm de experimental) da APCA. Mando-as junto com uma pecinha curta em dois movimentos.

Cadências para piano e orquestra (2005)

Gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles, durante a XVI Bienal de Música Contemporânea Brasileira, em 2005

Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Luís Gustavo Petri
Piano: Midori Maeshiro

Instantes pianísticos (2003)
I. Mutações
II. Freqüências

Piano: Midori Maeshiro

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CVL

5 comments / Add your comment below

  1. Olá.

    Descobri o blog faz poucos dias, mas já me tornei literalmente uma adicta. Não entendo nada de música erudita e aprendi a ouvir e a me interessar pela musica clássica com aqueles cds de banca, faz anos. Mas a falta de tempo por conta dos estudos e por não ter alguém que pudesse me apresentar grandes obras, acabei conhecendo pouca coisa, muitas vezes de pouca qualidade.

    Encanta-me a emoção e os sentimentos que podem ser transmitidos e captados pela música.

    Na minha ignorância musical, os compositores russos chamam a atenção, pois, ao ouvi-los e fechar os olhos, é como se estivesse frente a uma profusão de cores com nuances às vezes suaves, às vezes fortes e gritantes. Os corais são outra maravilha à parte. Tenho o The Red Army Choir. Não há como não se arrepiar ao escutar os vermelhos em alto e bom som. Parece medieval, parece clássico, parece… não sei exprimir com palavras.

    Esses atonais também são ótimos pelo incômodo que às vezes causam. Acho muito mais interessante do que uma composição às vezes “redondinha”, mas que não empolga, não trasmite uma mensagem sentimental e se torna algo burocrático, apenas agradável aos ouvidos, quase música de elevador.

    Parabéns a todos pela página.

    1. Em breve, prestarei um tributo a você, Bessa, por essa bonita mensagem, e a todos os amantes da música russa. E aguarde Camargo Guarnieri qualquer dia desses, para ouvir peças atonais de primeira linha e bastante voz própria.

  2. Olá Villa.
    Gosto muito de seus comentários e apresentações.
    São muito bem estruturados e guardam sempre uma intrínseca relaçao com o objeto.
    Mas daqui desses píncaros nevados, nos quais a noção do tempo não existe, o espaço nada significa e no qual o espírito se volta apenas para o infinito imponderável com o qual se funde e confunde, nada nais justo do que dizer: ninguém está só quando está bem consigo mesmo.
    Ocorre, porém, que ao tentar partilhar esta verdade com vocês, vi que não seria possível.
    Mesmo assim, não pude deixar de lhes desejar todo o bem que é,sim, possível partilhar.
    Infelizmente, porém, apenas saiu esta meladeira ai de baixo o que prova que o infinito não é uma boa fonte de inspiração salvo quando o subconsciente o apreende e com ele se mistura.
    Um grande abaço a todos e que todos me perdoem pela intenção frustrada do desejo abaixo expresso:

    Bem,
    desejo que este Ano tão Novinho e que acaba de nascer, seja muito e muito bem-vindo.

    O RESTO FOI TOTALMENTE CENSURADO POR FALTA DE DECOCORO CRIATIVO!!!!!!!!!! Abração! Está tudo muito frio.
    Edson

  3. Caro PQPBach,
    Parabens pelo maravilhoso site…gostaria de instruções para me tornar um futuro colaborador.
    O link para baixar o CD “partita brasileira e outras obras” do Bauer está inativo…Pergunto-lhe se seria possivel reativá-lo?
    Abraços

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