Schubert (1797 – 1828) – Fantasia Wanderer e Schumann (1810 – 1856) – Fantasia Op. 17

A Fundação Maurizio Pollini volta a divulgar a grande obra fria e cerebral de nosso patrono. Nós, um pequeno PQP e uma grande Lais, ambos de coração irremediavelmente duro, poderíamos deixar nossos filhos morrerem no mar revolto, perguntando-nos apenas sobre quantos minutos eles permaneceram vivos, pois só temos preocupações com a técnica. Somos desumanos. Por isso, só aceitamos ouvir (apreciamos Pollini, pois não amamos nada nem ninguém) este pianista puramente cerebral enquanto comemos nossas vitelas swiftianas.

Hum… Chega de bobagens. A Wanderer é uma de minhas preferências absolutas desde que a ouvi com Alfred Brendel há muitos anos. Depois, comprei uma gravação emocionadíssima de Vladimir Feltsman e agora recebo da Lais este registro de nosso querido Maurizio Pollini. Há um comentário no site da Amazon que diz que o grande pianista Szebok definiu a inteligência como a parte do cérebro que vê e analisa as outras partes enquanto trabalham. Não há porque a técnica e a inteligência — pois Pollini é uma inteligência superior — anularem a emoção. Revolto-me contra esta dicotomia da qual alguns fazem repetidamente uso. Enquanto leva calor a cada detalhe da Wanderer, Pollini nunca perde de vista a estrutura geral. Este CD é uma das primeiras gravações em LP que Pollini fez para a DG e torna as outras gravações que conheço… simples, incompletas.

A fuga final da Wanderer é interpretada de forma admirável. Já o Schumann é muito inferior e nem me arrisco a comentar a inerpretação: sempre achei esta música inferior.

Schubert & Schumann (1810 – 1856) – Fantasia Wanderer e Fantasia Op. 17

1. Fantasy in C Major “Wanderer” – 1. Allegro con fuoco ma non troppo 6:28
2. Fantasy in C Major “Wanderer” – 2. Adagio 6:36
3. Fantasy in C Major “Wanderer” – 3. Presto 4:48
4. Fantasy in C Major “Wanderer” – 4. Allegro 3:42
5. Fantasie in C, Op.17 – 1. Durchaus fantastisch und leidenschaftlich vorzutragen – Im Legenden-Ton 12:16
6. Fantasie in C, Op.17 – 2. Mäßig. Durchaus energisch – Etwas langsamer – Vielbewegter 7:56
7. Fantasie in C, Op.17 – 3. Langsam getragen. Durchweg leise zu halten – Etwas bewegter

Maurizio Pollini, piano

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11 comments / Add your comment below

  1. A prezada Laís e o PQP parecem não esquecer o Lombardo e agora realmente exageraram…ehehe….Mon dieu! Pollini em Schubert? Kempff ,o maior pianista em Schubert(nem vou falar de Schnabel), deve estar dando voltas no túmulo,além é claro do Brendel, já citado, que tem um DVD magnífico com quase tudo das sonatas e Wanderer e o escambau…pense bem, se você tem Alemães e Austriacos em Schubert ,você vai ficar com o Lombardo?….ahahah…

  2. Olha, sem querer novamente entrar nos méritos pollinianos, e dizendo que ainda não ouvi esta gravação, desvio o foco para outra polêmica que julgo ainda mais séria: como assim a “Fantasia Op.17” de Schumann é uma obra menor, meu Jesus? Não precisa gostar, claro, mas trata-se de uma das obras mais importantes do repertório para piano, uma das mais importantes de Schumann, e uma das mais significativas do Romantismo, graças à sua mescla de liberdade formal com senso de construção musical acurado, além de todas as suas referências extra-musicais, algo romântico e schumanniano por excelência…

  3. Caros amigos.
    Vejam só como são as coisas.
    Schumann… Inferior…
    Inferior…
    Inferior como? …a quem??? …porque????
    A Fantasia, tocada por Pollini, não diz mesmo a que veio. Mas a de Pollini… …não é a Fantasia de Schumann.
    A de Schumann é uma obra extraordinária.
    Mas é preciso saber tocá-la,ouvi-la… …e revivê-la…
    Se quiser tocar, ouvir e reviver com o raciocínio…
    …bem… …torna-se, apenas, em fria análise científica.
    Ou não?
    Será que há diferença entre Ciência e Arte?
    Ou é tudo apenas racional?
    Bem… …para mim não é…
    Um grande abraço a todos.
    Edson

  4. É, meu caro 21º.
    Opiniões… … …bem… …você sabe… …claro que você sabe que opiniões e palpites não são sinônimos.
    Ou são?
    Mas eu tenho a certeza de que você tem um sólido embasamento para classificar a Fantasia do Robert, como uma obra menor. Por isto eu fiz as indagações.
    Mas… …deixa pra lá… …é verdade que as vezes não sabemos a razão que nos leva a gostar ou não gostar de alguma coisa.
    Mas… …quando não sabemos a razão?
    Não deixa de ser controlado pelo cérebro?
    Bem, mas eu prefiro ficar com minha opinião postada na versão do Kempff tocando Schubert, opinião esta que até mesmo defende o queridinho Pollini.
    Bem… …não adianta prolongar tudo isto, pois, pode até ser desgastante ao invés de ser produtivo, não é?
    Um abração.
    Edson

  5. Engraçado, eu também considero a Fantasie do Schumann uma oubra inferior à Wanderer, porém FAN-TAS-TI-CA na sua categoria. Quem resiste à essa abertura tão carregada de sentimentos. Minha nossa!

  6. Eu, até um tempo atrás, também não gostava muito da Fantasia de Schumann. Mas comprei um CD do Arnaldo Cohen tocando-a… mudou minha vida!

    Recomendo altamente a gravação dele. Talvez PQP Bach goste dela…

    É simples assim: realmente mudou minha concepção de interpretação e técnica.

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