Arnold Schoenberg (1874 – 1951) – Quartetos de Cordas n.3 e n.4

Agora estamos num terreno árido, mas não menos empolgante que os outros quartetos predecessores. Nesta época (1927) Schoenberg já havia criado o sistema dodecafônico (do grego dodeka: 'doze' e fonos: 'som'), no qual as 12 notas da escala cromática são tratadas como equivalentes, ou seja, sujeitas a uma relação ordenada e não hierárquica. Mas Schoenberg nunca foi tão radical assim, com excessão de uma pequena peça para piano, ele nunca escreveu uma obra inteiramente dodecafônica.

O quarteto de cordas n.3 já não é romântico e expansivo, mas sim clássico, o mais haydniano dos quatro quartetos. A sua estrutura em quatro movimentos (moderato, andante, intermezzo e rondo) segue a velha idéia de forma sonata com exposição, re-exposição, desenvolvimento,...mas com uma relação entre elas quase impossível de conceber para uma primeira audição. No último movimento, o rondo é estruturado da seguinte maneira: A-B-A2-C(+D)-A3-B2-A4-Coda. Onde a seção D é um desenvolvimento de temas anteriores. Enfim Schoenberg leva as últimas conseqüências o que um ouvinte menos atento chamaria de "caos" numa base rígida e perfeitamente controlada. O atonalismo por si só era um terreno muito movediço para Schoenberg, por isso o velho mestre encontrou no dodecafonismo uma forma segura de percorrer estas plagas. No entanto, o quarteto n.3 não é uma obra totalmente dodecafônica. Mas parece ser um consenso entre os críticos que este é o melhor dos quatro quartetos, e quem sabe o mais importante do século XX.

O quarteto n.4 é "mais agradável que o terceiro" (palavras de Schoenberg) e o mais difícil de todos (palavras minhas). Tentar identificar os temas e desenvolvimentos é loucura. Ouço esse quarteto com ouvidos soltos. Gostaria ter a partitura desse quarteto em minhas mãos e ver com meus próprios olhos toda a sua intrincada estrutura. Novamente Schoenberg retoma o velho modelo : allegro molto, scherzo, largo e allegro. É música para poucos.

Disco: 2
1. Quarteto n.3, Op. 30: I. Moderato
2. Quarteto n.3, Op. 30: II. Adagio
3. Quarteto n.3, Op. 30: III. Intermezzo, Allegro Moderato
4. Quarteto n.3, Op. 30: IV. Rondo, Molto Moderato
5. Quarteto n.4, Op. 37: I. Allegro Molto, Energico
6. Quarteto n.4, Op. 37: II. Scherzo (Comodo)
7. Quarteto n.4, Op. 37: III. Largo
8. Quarteto n.4, Op. 37: IV. Allegro

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

19 comments / Add your comment below

  1. Caro CDF Bach
    finalmente uma pessoa de caráter contemporâneo capaz de fazer a retificação de realidade proclamada por Adorno. Ah estou nesse momento estou lendo (mesmo sem saber ler partitura) Fundamentos da composição musical de Schoenberg. O mestre era uma pessoa bem interessante. Que bom que teremos Berio e Cage por aqui. As coisas evoluem.
    Dr. Cravinhos

  2. CDF obrigado pelos posts.
    Algo meio off-topic:
    Nunca entendi porque esta adoração que todo mundo parece ter para postar no Rapidshare. Eles vivem daquilo que é depositado em seus servidores pelos usuarios – que por sinal são os unicos que se arriscam ao fazê-lo – e, em seguida , criam todo tipo de dificuldade para que se baixe os arquivos. Agora criaram esses malditos gatinhos e doguinhos e lá ficamos nós a esperar 80 minutos depois mais 2 minutos e outros 2 por que erramos na escolha das letrinhas e novamente mais 2…
    A ideia basica é que as letrinhas sejam preenchidas por humanos evitando que os arquivos fossem baixados por programas robôs. Agora não mais. A ideia é fazer o cara que quer baixar sofrer, na ridicula hipotese que assim fazendo eles irão ganhar 50-60 euros.
    Encarecidamente vos peço postem em outros hospedeiros. Existem varios e sem as sacanagens do Rapidshare que se acha o maximo. No ritmo em que as coisas vão chegará o dia em que teremos que pagar também para depositar os arquivos.

    No mais meus votos de muito sucesso para o Blog!!!!!!

  3. Leo, é simples.

    As pessoas reclamam do rapid, mas não apontam para outro flagrantemente melhor. No passado, já tentei outros mas esses tinham outros… problemas.

    A solução? Faça como alguns já fizeram. Compre uma conta no rapid e baixe dez arquivos ao mesmo tempo como eu faço! É barato. Use o cartão de crédito e seja feliz.

    Importante: não ganho nada com isso, só acho um saco esse papinho de sempre.

    Abraço.

  4. Prezado Leo Da Vinci.
    O Poder de persuasão (singular) ainda é uma arma nas maõs de certas pessoas.
    Gostaria de ajuda-lo dizendo que para burla o servido Rapidshare terá de alto desligar o seu modem a cada download, gerando um novo IP. O incomodo é que terá de ser um de cada vez sem necessidade. Não 10 ou mais download mas é uma alternativa.
    Boa Sorte.

  5. Sr. Leo,
    2ª ajuda para burlar o rapid: quando errar a senha não fique esperando mais 2 minutos, clique em “retornar para à página anterior” no canto superior esquerdo de seu navegador, e tente a senha de novo. O rapid aceita.

  6. PQP,
    Tudo bem! Não tenho nenhuma intenção de polemizar. Apenas fiz uso dos comentários. O Blog é seu.
    Como você pediu, aponto alguns free-hostings flagrantemente melhores:

    http://www.badongo.com/
    http://www.4shared.com/
    http://www.easy-share.com/
    http://www.boxstr.com/

    O site

    http://www.prospector.cz/Free-Internet-services/Online-storage-space/

    aponta MAIS de 100 free-file-hostings

    Alguns desses hostings sites são como o Windows – uma porcaria de Sistema Operacional – mas como todo mundo está acostumado vai ficando. O Linux é gratuito e é melhor mas as pessoas preferem pagar 500 REAIS ou usar um Windows pirata. Mas este é outro papinho que a maioria não entende.

    Importante: Não é tão simples comprar conta em Rapidshare quando se ganha 400 reais de bolsa e sem cartão de crédito. Mesmo assim somos felizes… estudando e ouvindo boa música.

    Abraço.

  7. Gê,
    Obrigado pela força.
    Na verdade pra mim esta solução não funciona. Meu provedor não fornece um novo IP a cada conexão ainda que o IP não seja totalmente estático. Ele é renovado mais ou menos a cada semana.
    Assim que puder entro em contato em seu e-mail
    Abraço

  8. Caro Leo Da Vinci
    era essa a solução que eu iria te passar. Já tive um provedor de Ip estático. Não gosto de nem lembrar.
    Dr.cravinhos

  9. Concordo inteiramente com Leo da Vinci, o Rapidshare é uma porcaria, para quem pode pagar tudo bem. Infelizmente só leio não ouço nada.

  10. Ótimo post de boas vindas ao século XX. Aproveito para pedir também o Pierrot Lunaire, se possível a gravação do Boulez com o sopronado Christine Schäfer.

    Abraços…

  11. Caro CDF Bach, inicialmente, seja bem vindo.

    Apenas gostaria de consignar que a tarefa de postar música contemporânea ou moderna é árdua.
    No último concerto que assisti do gênero, na saudosa OSPA, ano passado, decidi que se um dia, por infortúnio do destino, eu me tornar legislador, certamente erigirei como tipo penal a composição de música moderna. “Aquilo” não é música. Saí extremamente frustrado e pesado da OSPA.

    Fora brincadeiras, e fracos preconceitos, espero que consigas mudar minha idéia (que espero seja errônea) sobre o gênero. Não foi na oportunidade desses quartetos ainda.

    Por enquanto continuo como referência de harmonia e musicalidade as supremas composições do mestre Bach.
    Abraço a todos…

  12. Fermassi,

    Já fui num concerto cujo programa só tinha Botesini, Boquerino e Bocetino, todos do período clássico. Se eu não conhecesse Haydn, Mozart e Beethoven diria que esse período na história da música era um lixo. Então não desanime e procure aquele que você acha que merece ser ouvido.

  13. Exato, amigo C.D.F.

    Schoenberg “dá um banho” na grande maioria dos compositores “tonais”.

    A grande ironia é que esse compositor perdeu espaço na segunda metade do século XX, a partir dos anos 50, justamente por ser considerado “romântico”.

    A maioria das pessoas não tem “gás” nem pra ouvir um movimento de quarteto de Beethoven, quanto mais essas obras.

    Talvez o grande problema de Schoenberg sejam seus maus imitadores, o que nos faz lembrar daquela “coisa chata” e mal tocada que eventualmente ouvimos em um ou outro concerto. Mas o original não tem nada de chato, assim como Beethoven não tem. Mas, assim como Beethoven (e, na minha opinião, Bach), requer uma certa “iniciação”.

    Parabéns pelo magnífico post.

  14. Com certeza caríssimo C.D.F Bach.
    Minha pretensão não é ser reducionista, muito pelo contrário, acompanharei teus posts com a avidez de mudar minha superficial opinião sobre esse gênero.
    Abraços, boa semana.

Deixe uma resposta