Francisco Mignone (1897-1986) – Festa nas igrejas e Maracatú do Chico-Rei [link atualizado 2017]

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este Álbum é uma delícia!!!

Postado originalmente em 16 de janeiro de 2009 pelo CVL. Repostado por Bisnaga

Venho em dose dupla hoje.

Quem assistiu ao concerto de fim de ano da Osesp e se encantou com o Maracatu do Chico-Rei de Mignone agora pode acrescentá-lo a seu acervo fonográfico através deste very proudly blog.

Pouco vou falar de Festa nas igrejas, uma espécie de suíte em quatro movimentos emendados, muito benquista por Toscanini, que reproduz mais o ambiente dos fiéis das respectivas igrejas do que a personalidade dos templos em si.

Já o Maracatú de Chico-Rei (grafado originalmente com esse acento no u), um caso pouco comum de balé com coro e orquestra, encanta desde sua primeira execução, na década de 30. Do enredo vocês podem saber mais no encarte, mas o resumo aqui.

Chico-Rei foi trazido para o Brasil escravizado com seus súditos e veio a conquistar trabalhando a própria alforria e a dos demais. Faltam apenas os seis últimos seguidores e isso é o que ele vai resolver na praça principal de Ouro Preto, levando o pagamento em moedas de ouro aos senhores brancos.

Ou seja, o enredo é apenas pretexto pra dança, já que a ação consome meia hora de música.

Apesar da história se passar em Minas, o maracatu de baque virado, ao qual o balé alude, é um ritmo genuinamente pernambucano, no entanto não há nada de maracatu ao longo dos dez curtos movimentos. Minha memória acusa neste momento somente uma peça que bebe diretamente desse gênero folclórico: o primeiro movimento de Quatro momentos n° 3, de Ernani Aguiar (mas Guerra Peixe deve ter algo por aí).

O Maracatu de Chico-Rei é uma peça realista-nacionalista da primeira metade do século passado (de elementos nacionalistas mais exacerbados e não realista de influência jdanovista – pós 1948, como se vê em Guerra Peixe, Krieger e Santoro).

É sobretudo daquelas partituras que se regem sozinhas – estou pra ver um maestro que a estrague – porém digo isso afastando qualquer conotação de mediocridade (as polcas de Strauss II regem a si mesmas também e, por mais que venha a se apontar frivolidade nelas, são um primor de instrumentação, estruturação e comunicabilidade).

A Dança de Chico-Rei e da Rainha N’Ginga se enquadra entre os momentos mais felizes da música de concerto latino-americana, de um colorido orquestral invejável, digno dos melhores compositores russos, e de uma rítmica singular e contagiante nos pontos mais altos, conclamo a voi tutti a prestigiar a primeira aparição de Francisco Mignone aqui no PQP Bach.

Entenda como isso é legal, ouvindo o Maracatú do Chico Rei (se quiser, ouvir a Dança da Rainha N’Ginga, vá para 1:10min):

Ouça! Deleite-se! Atinja o êxtase! (essa frase já é do Bisnaga)

Francisco Mignone (1897-1986)
Festa nas Igrejas e Maracatú do Chico Rei

Festa das Igrejas
01. I. São Francisco da Bahia
02. II. Rosário de Ouro Preto – Minas
03. III. O Outeirinho da Glória – Rio de Janeiro
04. IV. Nossa Senhora da Aparecida – Aparecida
Maracatú de Chico-Rei
Bailado Afro-Brasileiro em 10 movimentos
05. I. Bailado
06. II. Chegada do maracatú
07. III. Dança das mucambas
08. IV. O Príncipe dança
09. V. Dança das três macotas
10. VI. Dança de Chico-Rei e da Rainha N’Ginga
11. VII. Dança do Príncipe Samba
12. VIII. Dança dos seis escravos
13. IX. Dança dos príncipes brancos: minueto e gavota
14. X. Dança final

Orquestra Sinfônica de Minas Gerais
Coral Lírico da Fundação Clóvis Salgado
David Machado, regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE 95Mb

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CVL
Repostado/recauchutado por Bisnaga

20 comments / Add your comment below

  1. Belo post. As obras são muito boas, principalmente o “Miracatu do Chico Rei”. Para mim, esse balé pertence à mesma linhagem de “O chapéu de três pontas” de Falla (embora creio que Falla mantenha por muito mais tempo um nível alto de inspiração). Imagino essa obra sendo interpretada por uma orquestra de nível internacional – seria uma delícia!

  2. Muito bom o post.
    Há muito procurava essas obras.

    Mas fui descompactar e deu erro de crc no Maracatú do Chico-Rei, alguém mais teve o problema?

    Muito Obrigado!

    1. Chequei os arquivos antes de postá-los e não havia problemas. Já teve mais de 50 downloads até agora e ninguém mais acusou o erro.

      Como não sou expert, não sei o que houve com vocês dois, Rameau e Yuri.

  3. Belo post e ótimo blog, parabéns aos responsáveis por ele!!
    Gostaria de dar uma dica: que tal postarem os cds da pianista Clélia Iruzun (especialmente o álbum da obra do Mignone)?
    Ao responsável: como faço para te enviar um disco da pianista goiania Belkiss Spencière Carneiro de Mendonça tocando as valsas do Guarnieri? Seria bom compartilhar com vocês os áudios da melhor amiga e melhor intérprete do Guarnieri.
    Abraços.

    1. Oi, Pedro. No momento posso dizer que só aceitaria o CD nos termos de um post chamado “Espaço aberto a colaborações”. Procure-o e veja se é possível se enquadrar nele.

      Senão, aceito o CD, mas não dou a menor perspectiva de postá-lo devido a meus afazeres.

      1. Não encontrei o post “Espaço aberto a colaborações”…..rs
        Quando estiver mais desocupado e disposto a postar o álbum, enviarei com todo prazer.
        Abraços.

  4. Parabéns pelo post, pelo blog e pelos responsáveis por ele!
    Que tal postarem os cds da pianista brasileira Clélia Iruzun (especialmente o álbum dedicado às obras do Mignone)?
    Gostaria de saber também como entrar em contato com o resposável pelo blog, pois tenho um cd de Valsas do Guarnieri para piano, pelas mãos de sua melhor amiga e melhor intérprete, a pianista goiana Belkiss Spenciére Carneiro de Mendonça.
    Abraços.

  5. Boa tarde, pessoal!

    Alguém, por favor, tem o texto que o coro canta em Maracatú de Chico Rei?
    Nossa, pesquisei, pesquisei, não achei!

    Grato!

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