Schopenhauer

A inexprimível profundidade da música, tão fácil de entender e no entanto tão inexplicável, deve-se ao fato de que ela reproduz todas as emoções do mais íntimo do nosso ser, mas sem a realidade e distante da dor. […] A música expressa apenas a quintessência da vida e dos eventos, nunca a vida e os eventos em si.

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  1. Eu tive um professor que dizia que a gente só gosta da música se ela diz algo a respeito do que aconteceu contigo. Por isso tanta gente gosta de sertanejo com as letras sobre cornos, vai saber…

  2. Para Schopenhauer, a música era a arte maior, superior até mesmo àquela que ele realizava: a literatura.
    É de fato estranho imaginar um pessimista supremo deliciar-se de forma tão absoluta e sincera com uma arte tão emocional feito a música.

  3. Schopenhauer aborda a música na terceira parte de sua obra maior, o Mundo como vontade e representação. Trata-se da seção intitulada Metafísica do belo. Para Schopenhauer, assim como para o primeiro Nietzsche, a música está acima de todas as outras artes porque é capaz de expressar a essência mais última das coisas – a coisa em si, em termos kantianos – de forma direta e independente dos acessórios do sensível. Note-se aí o profundo significado metafísico do prazer musical

    Em Schopenhauer, a música é vontade corporificada, ou seja, ela permite um acesso completo ao que há inesclarecível, incomensurável, intraduzível em termos racionais. A arte musical, assim, é capaz de fornecer um saber sobre o mundo que ultrapassa todas as outras formas de saber. A seção 52 de O mundo como vontade e representação diz, em outras palavras, a mesma coisa que o trecho postado por PQP Bach:

    “De modo algum a música é como as outras artes, reprodução das idéias, mas reprodução da própria vontade (…) por isso o efeito da música é tão mais poderoso e incisivo que o das outras artes; pois essas somente se referem à sombra, aquela porém à essência. ”

    A partir dessa idéia, é possível compreender toda a gigantesca apologia da música que Nietzsche realiza em O Nascimento da Tragédia e sua inovadora tese segundo a qual a arte trágica nasce do seio da música.

    Abraços!

  4. Hum, filosofia… Para mim o interessante em falar de música é a música ser tão fácil de analisar — é facilmente decomponível em frequências e durações — e ser ao mesmo tempo irredutível à análise — a essência, ou seja o prazer que nos dá, escapa sempre à racionalização. Pode-se tentar partilhar o prazer, nunca explicá-lo.

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