Benjamin Britten (1913-1976): Orchestral Works (Turovsky)

51Omw4TBXRLIM-PER-DÍ-VEL !!!

“Britten foi o maior compositor inglês depois de Purcell”, essa frase ouvida inúmeras vezes, é bastante justa. Não quero dizer com isso que estou desmerecendo os inúmeros compositores ingleses do século XX, mas a audição de Elgar, Vaugham Williams, Tippet, Bax… considerados gênios pelos ingleses, requer uma boa vontade por parte do ouvinte, e em certos momentos, é bem verdade que somos recompensados por isso (por exemplo: pedaços da sinfonia n.1 e o concerto para violino de Elgar, a sinfonia n.4 de Willians,…). Com Britten, não precisamos ser complacentes. Talentosíssimo compositor de óperas, entre as melhores produzidas na segunda metade do século XX, Britten não fez parte do “progresso” na música, aliás, detestava Schoenberg e Cia. Adorava Shostakovich, com quem nutriu uma amizade duradoura. Fez inúmeras visitas ao amigo na Rússia. E assim como o russo, resolveu explorar as possibilidades no mundo tonal. Mas tolice dizer, que por esse motivo, a originalidade lhe faltava. Bastam duas notas e já sabemos que foi escrito por Britten. Não canso de recomendar o compositor inglês para aqueles ouvintes pouco adaptáveis as manobras do modernismo. E o primeiro disco que recomendo é este que agora vos trago. Apesar de não ser perfeito nas interpretações, ele traz um pequeno retrato do mundo de Britten.

No primeiro disco encontramos Four Sea Interludes, que são as principais passagens orquestrais da sua mais importante ópera Peter Grimes (para quem deseja ouvir toda peça, recomendo o registro com Vickers e Colin Davis da Philips). Música tão envolvente que sentimos o cheiro da maresia. A suíte de sua ópera Death in Veneza (a última ópera do compositor) é uma peça difícil para o iniciante em Britten. No segundo disco só encontramos pérolas inestimáveis desse grande compositor. Variations on a Theme by Frank Bridge é um dos orgulhos da Inglaterra, assim como a Simple Symphony, que é um clássico inquestionável (a versão para quarteto de cordas é minha preferida).

Benjamin Britten (1913 – 1976): Orchestral Works

Disco 1:
1 – 4. Sea Interludes (4) from Peter Grimes, for orchestra, Op. 33a
5. Passacaglia, for orchestra, Op. 33b (from “Peter Grimes”)
6. Young Apollo, for piano, string quartet & strings, Op. 16 (withdrawn by composer)
7. Death in Venice, opera, Op. 88 Suite

Disco 2:
1 – 11.Variations on a Theme by Frank Bridge, for strings, Op. 10
12 – 22. Lachrymae, reflections on a song of Dowland, for viola & string orchestra, Op. 48a
23 – 26. Simple Symphony, for string orchestra, Op. 4

Performed by I Musici de Montreal
Conducted by Yuli Turovsky

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Briiten (esq.) e seu companheiro de toda a vida Peter Pears. A união era tão reconhecida que a Rainha mandou telegrama de condolências a Pears quando da morte de Benjamin.
Britten (esq.) e seu companheiro de toda a vida Peter Pears. A união era tão reconhecida que a Rainha mandou telegrama de condolências a Pears quando da morte de Benjamin.

CDF

38 comments / Add your comment below

  1. Puxa, fiz o upload do “Ofício de Trevas” mas acho que não se encaixou bem dentro dos padrões PQP. Bem, na minha humilde opinião, achei fantástica, dada a história que a obra possui. Boa oportunidade pra postar, agora na páscoa.

  2. Não sou especialista em Britten, mas pretendo ser. Gosto muito das obras dele de que conheço: a Sinfonia da Requiem, os “Interlúdios marinhos”, a Simple Symphony e, principalmente, “Les illuminations” para soprano e cordas, a Serenata para tenor, trompa e cordas e o maravilhoso Noturno para tenor, sete instrumentos obligatto e cordas, uma obra-prima esquecida.

    Os “Interlúdios marinhos” são pequenos milagres de inspiração, verdadeiras jóias de beleza concentrada. Parece música de sonho. Eu me apaixonei à primeira audição, e olha que é muito difícil acontecer isso comigo (experiência similar tive com “Luonnotar”, de Sibelius).

    Britten me parece muito superior a todos os outros ingleses. Já tive muita boa vontade com Elgar, mas tirando as Variações Enigma e o concerto para violoncelo, ouvir a música do bigodudo se tornou uma verdadeira tortura para mim.

  3. Nas comunidades do Orkut, sempre há aquelas enquetes sobre” qual a sua sinfomia preferida?” ou ” qual parte de determinada música ou composição que você adorou mais?. Bem, para fazer julgamentos ,principalmente sobre música clássica,é preciso adotar duas formas de se avaliar: O subjetivo e o objetivo.
    O subjetivo envolve ,como na primeira vez que lemos um livro,as nossas emoções, quando escutamos algo pela primeira vez e isto nos toca profundamente. A segunda forma, a objetiva, é aquela que julgamos determinada obra usando de nossos conhecimentos técnicos e eruditos sobre a obra.
    Essas duas formas marcam as nossas formas de julgamentos estéticos. A subjetiva vária muito de pessoa a pessoa,pois há determinadas obras que ,para nós são verdadeiras preciosidades,são o nosso jardim especial. Porém ,para outros, essas mesmas oras que nos encantam, são somente um matagal de ervas daninhas.
    O julgamento objetivo. porém, isento de emoções explora ,numa visão mais simplista,a natureza essencial da obra.Nós analisamos partituras, formas de composição,novos caminhos e tendências, enfim, o que pode ser colocado na categoria de arte.
    Um exemplo e a Grande Fuga de Beethoven.Uma obrsa isenta de emoções que ,para ouvir, é um tremendo asco, mas ,se analizarmos as partituras e a forma de composição (julgamento mais objetivo), ela é uma verdadeira obra prima!
    Mas porquê eu estou falando tudo isso? Por que em muitos comentários que aqui vejo ,as pessoas se limitam muito ao julgamento subjetivo. Gostam de obras que somente “encantem” os ouvidos. Técnica muito usada nas músicas modernas da “cultura de massa” que anestesia os nossos ouvidos e grudam neles ,parecendo chicletes.
    Falo de formas de julgar.Daí é que é bom que aprimoremos nossos conhecimentos técnicos sobre música clássica,não privando-nos somente a julgamentos subjetivos. Então essa postagem é fenomenal, fundamental,pois ,a primeira vista, dependendo de nosso subjetivismo, parece composições bestinhas mais se você analisar os arranjos, se revelam obras praticamente estupendas!
    Essas ,então são as nossas formas de julgar na nossas humilde condições. Porém há obras indiscutíveis que são aquelas que,independente e além de nossos julgamneto, ,quando mais ultrapassam e beiram às raízes celestiasis,se tormam primorosas além de qualquer julgamento humano!

  4. “isento de emoções”

    Nem mesmo quando resolvemos problemas matemáticos.

    O “julgamento subjetivo” é objetivamente mais precioso vindo de pessoas que ouvem ou já ouviram tudo, claro, com uma certa atenção. A cultura POP é basicamente formado por pessoas ortodoxas ao extremo, cujo espectro musical é limitadíssimo, por isso o “julgamento subjetivo” delas é pouco qualificado. Então é possível acreditar num “julgamento subjetivo” desde que você conheça bem a fonte. Tá claro? 🙂

    O conhecimento técnico não é essencial. Um especialista pode enaltecer e outro execrar uma mesma obra. Já vi isso inúmeras vezes. Na questão de interpretação o problema é ainda mais subjetivo.

    “Grande Fuga de Beethoven.Uma obrsa isenta de emoções que ,para ouvir, é um tremendo asco,…”

    Eu não sei o que é uma clave de sol, mas sou verdadeiramente apaixonado pelo obra.

  5. Acho que você não me entendeu. O julgamento subjetivo ,por advir dos sentimentos, nossa realidade empírica, pelo uso de emoções e desejos, faz com que julgamos uma obra de forma limitada, de acordo com nossa emoções ,que variam de pessoa para pessoa. Daí ,quando mais objetivamos o nosso pensamento,analisando os aspectos estruturais da obra e as escutarmos de uma forma mais racional, conseguimos dar ao subjetivo uma educação estética além de um instinto nato.
    Você me forneceu um exemplo maís banal do julgamento subjetivo: Você acha a Grande fuga como uma obra altamente “sentimental” e eu, ao contrário, escuto-a como uma coisa altamente “técnica”, abstrata…
    Ou seja essa é o julgamento de natureza subjetiva. Ela varia.Porém usamos de nosso julgamento objetivo, Mais racional, indenpendente de quem gosta ou não gosta( sentimentalmente) da Grande Fuga, ela é uma onra prima ,devido a sua complexa estrutura musical…
    Retomamos àqueles filósofos da Estética, na Alemanha na época do Sturm an Drang,quando discutiam o conceito do belo.Um modo de captar a verdade,que não seja por meios racionais, ou seja a verdade pelo sentimento que só a arte poderia dar ao homem. Aqui sim, você pode encontrar base às suas objeções e tambèm no livro de Kant “Crítica da Faculdade de Julgar”.
    Somente uma evolução espiritual ,unida ao subjetivismo nosso, pode encontrar uma harmonia perfeita de julgamento estético_ objetivo e subjetivo- e não nos deixar nossas formas de jujulgamento estético à deriva como se fosse um tendência inata e instintual.
    O subjetivismo somente pode ser uma fonte segura de julgamento estético,se for altamente objetivo,numa evolução gradual a posteriori, e não a priori.

  6. Eu entendi, por isso que não concordo. Existem obras no século XX extremamente complexas que morreram depois de uma única apresentação, principalmente na década de 60. E não creio que elas verão a luz do dia outra vez, seja qual for o argumento objetivo que você for adotar. A arte teve sempre objetivo de agradar o público, mesmo compositores “difíceis” como Schoenberg pensavam assim. No entanto, o primeiro e mais importante ouvinte de um compositor é ele mesmo. Por isso Beethoven tardio já imaginava que seu público teria que fazer uma “forcinha” para alcançar o mesmo nível que o Beethoven-ouvinte. Mas o público de Schoenberg e de Beethoven existe. Por isso a música desses compositores é ainda interpretada. E posso te garantir que boa parte desse público não é formada por musicólogos.

  7. Você cometeu duas erros de raciocínio nos seus argumentos.
    Se você disse que “a arte teve sempre o objetivo de agradar o público” você .comete ,em seguida,outra ambiguidade: Dizer que”…seu público devia fazer uma forcinha para alcançar o mesmo n´vel que Beethoven -ouvinte…” Ou seja um argumento anula o outro. Agora vou te corrigir:
    Todo bom artista nem se preucupa com o seu público.Nãotem um conceito de “público. Seu público se limita a quem possivelmente poderà ouvir a sua música.Todo grande gênio, ainda naquela fase em que sua arte estava subordinada as viscitudes e vontades de editores e Pessoas da corte – política, chega um momento em que sua arte passa a ser inintelígível ao “público”. Foi assim com Mozart e Beethoven.Toda a boa obra de arte depende de uma certa autonomia de criação, superar as barreiras limitadoras do que pode ser só “curtido no momento”.
    Então, Schoenberg pensava não num público mais no que pode ser considerado um “público”.Claro que houve aqueles que compuham para cortes, como aquele Strauss que compôs aquelas valsas para os burgueses,como tambèm fez Mozart.Mas as obras de sua grande genialidade não poderia pensar em um conceito de “público”.Generalizar a tudo o que o público pede , ou fazer as vontades das massas,poderia causar um fenômeno qu ocorreu com a música moderna: Regressão da audição musical ,como conceitou Adorno, o decaimento da aura que cercava a produção músical.Por isso que a música clássica contemporânea -Schoenberg ou Webern- preferiu se estilhaçar ,desfragentar-se,pontuar-se do que sofrer o processo “demoníaco” da arte subordinada ao público de massa.
    O público,concluindo sempre foi a massa homogenea ,multipla em seus julgamentos estéticos. Como Schiller, somente a educação estética de alguns é que podem fazer julgamentos justos quando ás obras de arte…
    Aguardo resposta…

  8. Beethoven, assim como Mozart e Haydn, escrevia música para ganhar dinheiro e agradar o público, enfim fazer sucesso. Mas naquela época, no famoso período clássico, o público era desejoso de inovações (haja vista a negligência com relação à música de Bach e o barroco em geral), por isso Beethoven ganhou reconhecimento em vida, sendo um revolucionário. Haydn foi recebido como gênio pelo povo inglês, povo extasiado com as brincadeiras e inovações das sinfonias londrinas. Mozart também foi admirado e seria um homem riquíssimo se tivesse vivido mais. Os grandes mestres são aqueles que sabem manipular bem a emoção humana. No entanto a grande arte pode revirar os olhos de alguns ou levar outros a bocejar. Enfim, há o público decente e aquele público de merda.

  9. Você comete dois erros no seus primeiros argumentos, generalizando como se a função única de um artista fosse somente para ganhar dinheiro. Lembre-se que te disse que tem sempre uma fase do artista que produz obras para agradar o público ,porém ,numa fase mais amadurecida, ele produz as sua obras mais primorosas e mais genias que causam até a revolta do público. Aí que o artista é artista. Nessa fase só pode-se pensar não no público mas num possível “público”.
    Outro erro: Mozart, como provam as inúmeras biografias, mal era respaitado na Alemanha por suas grandes obras. Morreu na miséria!
    Outro e último erro: Artistas não são manipuladores das emoções humanas. como fazem certos expoentes da cultura de massa, que criam “músicas chicletes” com sons agradáveis, que grudam e anestesiam a nossa mente.Porém ,todo verdadeiro artista consegue transmutar,aí sim, às emoçoes humanas ás categorias da criação artística. As pirincipais obras geniais captam a essência do ser humano,no nós podemos sentir ao escutá-las , ao que nós temos de mais íntimo…Aí é que desanda a arte, pois são variáveis as nossas formas de julgamento estético… Artista como um mero manipulador de sons qualquer gênio faz para agradar, mais às grandes obras não se limita e não se generalizam a issa besteira que você disse…Artistas como foram Mozart e Beethoven não manipulam ,eles criam….e o público que se foda!!!!

  10. Veja bem, fomos claros nos nossos argumentos. E é óbvio que eu tenho uma visão das coisas bem diferente da sua. Quem segue uma linha de pensamento mais adequada? Ou será que ambos escreveram besteiras? Cabe ao público decidir :).

    1. “…ambos escreveram bestiras…”Acha que os nossos argumentos não estão seguros assim?São falácias?Ou “besteiras” é um modo camuflado de refutar ironicamente minhas objeções?

  11. Quando as formas de argumentações racionais e lógicas começam a se esgotar, surgem às falácias!
    Xingamnetos, pancadaria, desqualificações irônicas dos adversários,enfim desagrgamento dos concordantes a integração de teses. Vejo que agora voc~e ,devido ao esgotmanto das suas afirmações, já joga a responsabilidade da resolução a um hipotético público(…cabe ao público decidir…).
    E lembre-se: Minha tese inicial foi quanto ás formas de julgamentos estéticos e que descambou ,levado erroneamente por você, ao gosto do público…
    Quanto às formas de julgar uma obra musical, e não apreciar.Corrija seus argumentos…

    1. um baldezinho de água fria pra refrigério dos ânimos. discutir arte sempre é algo bem divertido, principalmente se os oponentes desgostam exatamente do que o outro ama. não podemos dizer que o artista produz sua arte sem qualquer pensamento num público eventual. caso isso fosse, ele não precisaria externar sua arte, bastaria apenas contemplá-la introspectivamente, não é mesmo? mas o mistério da obra de arte é jogado para fora, é deixado no mundo para quem quiser ver e ouvir. acho que beethoven é um exemplo bem bom mesmo para ilustrar essa acalorada batalha de floretes sem gume. Beethoven escreveu música para todos os gostos. foi mozartiano, foi outras coisas menos evidentes, e por fim foi ele mesmo. acho que ele se libertou da necessidade de agradar em maior grau apenas a partir da nona ou a missa. mesmo nos últimos quartetos, evidente desligamento do gosto popular, podemos notar uma certa hesitação, traço claro de que ele sentia fortemente o chamado da aprovação pública. veja o 127 e o 135. exatamente o primeiro e o último quarteto da série de cinco. estes retornam de certo modo à tradição clássica, não contêm com tanto ímpeto a sonoridade e o vigor dos seus irmãos mais machos. enfim, penso que é da natureza do artista demonstrar algo. sim, a arte é alguma necessidade interna, mas essa necessidade parece se completar apenas quando há um público. e ele está sujeito ao julgamento mais diverso possível. e o artista adora isso. e ele sempre toma uma postura de negação, de repúdio. ele, paradoxalmente, tras sua arte ao público, para dizer que é incompreendido. e o público julga como bem entender. há indivíduos que compreendem perfeitamente a estrutura da música de bartok, compreende sua relevância, mas simplesmente preferem ouvir um delicadinho quarteto imperador. se dissermos e admitirmos que bartok fez sua música apenas para aqueles que conseguem assimilar suas simettrias, estariamos sendo absurdos. a estrutura de uma obra é apenas e tão simplesmente para construi-la. é claro que há algum deleite em delinear, numa audição, a forma ou os procedimentos utilizados pelo compositor. mas esse é um deleite também musical, não é o racionalismo de uma análise fria, no papel. quando estamos ouvindo uma música e também estamos compreendendo sua estrutura interna, na verdade estamos apenas ouvindo a música mais atentamente e recebendo seus efeitos. certamente não precisamos analisar uma obra no papel para chorar de emoção. e, entretanto, mesmo compreendendo os caminhos de uma obra ao ouvi-la, ainda assim podemos nos emocionar ou deleitar com ela. e com isso quero dizer que uma audição sempre será subjetiva, pois só há objetividade na estrutura, necessariamente. o papel é objetivo. e se a audição é subjetiva, podemos dizer então que há audições menos ou mais profundas. e penso que as mais profundas são aquelas onde o ouvinte se deleita genuinamente, mesmo sem saber porque. ninguém pode dizer que alguém não está se deleitando, quando esse alguém diz que está, não é mesmo?

  12. Você foi o que chegou bem mais perto do que eu quis dizer. As formas de julgar de uma determidada peça musical.Objetivo e subjetivo.A questão caiu na generalidade de um público ampo, massificado e homogêneo.Se isso fosse inteiramente certo, me perguntem com sinceridade:Você acha que Beethoven ,quando compunha a sonata 32, opus 111,estava pensando seriamente num público?

  13. A discussão sobre objetividade e subjetividade é realmente muito antiga, o que não significa que ela esteja esgotada. No classicismo houve uma tendência à estética da forma, contrapondo-se à estética do sentimento do barroco, período anterior. Eduard Hanslick em “O Belo Musical” apresenta a forma musical como o próprio espírito da música. É lógico que se isso causou muitas discussões e contravenções e acredito que Hanslick na verdade nunca foi muito bem compreendido com suas afirmações. Elas tem muito a ver com que o amigo Bruno Lopes estava dissertando com CDF Bach. Se a discussão objetividade x subjetividade já inflamou aqui neste blog nos dias atuais, imaginem o que causou nos séc. XVIII e XIX quando a filosofia estava inflamada de rupturas e novas idéias.
    Tudo que foi dito até agora é bastante interessante. Todos temos tendências de pensamentos, mas, acredito ainda num equilíbrio onde as idéias se encontram. Por exemplo, eu acredito que seja possível uma pessoa que não conhece nem uma clave de sol, como CDF Bach (que eu duvido que não conheça mesmo…rsrs), poder jugar uma obra por sua estrutura apartir dos elementos mais essenciais e rudimentares, tais como altura, duração, intensidade, timbre, etc… É possível ultilizar parâmetros rudimentares até mesmo de harmonia, onde percebe-se movimentos harmônicos e funções principais, cadências, enfim, dá pra fazer um movimento espiral (como diria Murray Schaffer) no sentido de expandir o conhecimento e adquirir novas ferramentas para a análise e julgamento. Penso que até mesmo nossa emoção mais subjetiva se tornará mais aguçada.
    Bravo meninos!

  14. Gostei muito do disco, e teria um pedido: alguém tem gravações dos Canticles, de Britten, especialmente o III, Still Falls the Rain, e se existir na gravação com Denis Brain na trompa?
    Belo trabalho, continuem sempre.

  15. Gostei desse papo sobre estética musical.

    Bruno disse – Falo de formas de julgar.Daí é que é bom que aprimoremos nossos conhecimentos técnicos sobre música clássica, não privando-nos somente a julgamentos subjetivos. Então essa postagem é fenomenal, fundamental,pois ,a primeira vista, dependendo de nosso subjetivismo, parece composições bestinhas mais se você analisar os arranjos, se revelam obras praticamente estupendas!

    Acontece que a própia analise técnica é sempre subjectiva. A própia escolha de analisar técnicamente uma obra é subjectiva e a avaliação final que se faz, quer dizer o concluir que tal obra tem ou não valor depende do valor que o autor dá ao método de avaliação.

    Achar uma obra estupenda só porque a parte técnica é bem conseguida é como achar uma refição estupenda só porque o nutricionista disse que ela tinha os ingredientes na proporção ideal.

    Óbviamente qualquer um pode e deve manifestar-se e dizer gostei ou não de uma obra ela fez-me ou não vibrar, sem precisar de um conhecimento técnico, tal como no caso da comida !! poruque a musica é um fenómeno sensorial, e nós ouvintes ou analistas somos intérpetes de um acontecimento sonoro, nada mais. Comentamos o que julgamos ter ouvido.

    Porém, hoje em dia, vive-se na ditadora do especialista. Tem especialista para tudo e parece que niguem pode manifestar o que sente. Tem-se insegurança qunto ao que se sente e assim fica mais fácil esconder-se atrás de uma opinião técnica.

    Jamais se saberá o que Beethoven teve em mente quando escreveu a quinta, porque se alguem soubesse, esse seria a personificação do própio. Como disse Miles Davis – Cara se voce sentedesse tudo o que eu digo, voce era eu.

    Tem gente que diz as melhores obras são…….., as melhores interpetações sáo as do maestro tal…..Isso só faz sentido se ele ressalvar que está indicando o que mais lhe agrada.

  16. Tá aí algo a ser explorado e estudado: o que leva uma pessoa a gostar mais desse ou daquele som. Qual é a relação do som com a emoção, com o cérebro, com nossos aspéctos cognitivos? Na teoria dos afetos do período barroco cada intervalo musical corresponde a um sentimento, uma emoção, mas, na verdade isso tudo é uma representação. Até que ponto isso é uma representação ou é o próprio sentimento?
    Sei da existência de um livro chamado “Alucinações Musicais” que trata da questão do efeito das ondas sonoras em nosso cérebro. Tive a oportunidade de comprá-lo, mas, não tive o dinheiro…hehe! Se alguém souber de outros títulos, será muito rico se puder deixar aqui algumas indicações de leitura a respeito deste assunto.

  17. Penso realmente que pedantismo intelectual não ajuda em nada, ão contribui em nada para que nossas avaliações estéticas “não fiquem à deriva”…
    Nesse caso, se tenho que ler isso, prefiro realmente que fiquem a deriva.

    E depois,

    “porém ,numa fase mais amadurecida, ele produz as sua obras mais primorosas e mais geniais que causam até a revolta do público. Aí que o artista é artista.”

    isso também não é uma generalização? isso é sempre assim? ou sera que isso tambem é um argumento que precisa de correção?

    analogamente, quando assisto documentarios sobre pintores (SESC TV – Mundo da Arte, muito bom!), o que me deixa realmente exasperado são as terriveis horrorosas analises dos curadores, sejam elas subjetivas ou objetivas.

  18. gostei disso:

    “Porém, hoje em dia, vive-se na ditadura do especialista. Tem especialista para tudo e parece que niguem pode manifestar o que sente. Tem-se insegurança qunto ao que se sente e assim fica mais fácil esconder-se atrás de uma opinião técnica.”

    gostei mesmo!
    alias, gostei de tudo, é Joaquim nao é?

  19. Em tempo…

    fiz o curso de filosofia da Usp, fui aluno de Oswaldo Porchat e estudei o ceticismo…

    Foi então que fui curado dessa doença que é a confiança incondicional na razão e seus fundamentos de verdade.

  20. Olá!
    Primeiramente qro agradecer por esse trabalho maravilhoso q vc esta fazendo!
    Acho q principalmente pra nós estudantes de música…apaixonados e miseráveis enquanto universitarios ou no curso tecnico… 😛

    Cara! Vc colocou uma gravação da Simple Symphony do britten!Desacreditei! O____O essa era uma das músicas q só tocando com a camerata eu podia ouvir… rss;..

    Bom.. ja sou sua seguidora….e por isso vou ter a cara de pau de fazer pedido…
    Eu vi q vc colocou a sonatina pra clarinete e piano de Genzmer…. e eu qria saber se vc consegue o divertimento para duas flautas e cordas e a Sinffonieta para cordas….

    Sei q estou sendo abusada.. mas nao custa tentar 😛

    Muy Grata!!!

  21. Gostaria de agradecer, porque foi através desse post que tive meu primeiro e gratíssimo contato com a música de Britten. Acho que é o máximo de modernidade em matéria de música que posso digerir…rs

  22. Sobre isso, eu penso seguinte. Eu até concordo com a justificativa da crítica impressionista.

    A “primeira impresssão” que o ouvinte tem da obra é importante. Todavia, essa audição é sempre condicionada, seja pela crítica ou pelo juízo (histórico) que se tem do compositor.

    Por exemplo, Mozart é sempre gênio do mais alto gabarito. E todos sabem disso.

    Porém, não são todas suas obras que são geniais ou que representam um avanço significativo em relação a algumas de suas outras obras.

    Mas todas as pessoas, ao ouvirem-no, sempre terão boa vontade em aprecia-lo. Afinal, estamos falando de um dos maiores compositores do ocidente, e não seria bacana falar que não gostou de Mozart…

    O mesmo, todavia, não ocorre com compositores mais “desconhecidos” do grande público, como Berio (ou mesmo Schoenberg).

    Mesmo que suas obras sejam de alto calibre, quem não o conhece (ou a razão deles comporem daquele modo) raramente vai ouvi-lo com o mesmo interesse que ouviria um músuco mais conheceido ou canonico.

    Coisas diferentes assustam nossos sentidos. Alias, nossa sensibilidade é sempre fruto do meio, da cultura, etc. Quem ouve canto gregoriano certamente sentírá um estranhamento ou ouvir musica moderna.

    O que eu quero dizer, resumidamente, é isso: sem que exista uma crítica que vá além do “eu gosto ou não gosto” fica muito difícil fazer e compreender música.

    Sem que sejam fixados critério objetivos de comparação (e evolução) é inocuo selecionar uma obra como “grande” com base no critério pessoal, meramente subjetivo, seja de quem ele advir.

    É possível sabermos e explicarmos com uma “linguagem quase matemática” o porque do serialismo ser diferente do tonalismo, ou porque Webern é diferente de Bach.

    Mas com base no critério pessoal ficariamos sempre no quem grita mais alto, ou no argumento de autoridade.

    Em ambos os casos, nós, como ouvintes, perderíamos muito.

    A musica também.

  23. O entendimento tecnico de um obra de arte não acrescenta nada à obra em si. O compreender que uma obra segue uma determinada lógica e desse modo faz sentido lógico, não lhe confere valor estético. Porque O valor estético náo está na obra, mas sim no apreciador.

    No caso da musica isso é notorio. Vários maestros entendem de modo diverso uma mesma obra. E talvez vislumbrem o que o compositor tinha em mente. Muitos compositores se queixaram que suas obras eram mal tocadas por outros. Ficam frustados por os intérpetes interpertrem suas obras. Ao ouvinte cabe o papel de vislumbrar o vislumbre que o interprete vislumbrou naquela obra.

    Assim não há um valor absoluto para as obrs de arte. Quanto muito à uma constatação estatistica, de que esta ou aquela obra são mais ou menos apreciadas. Se o numero de opiniôes variar a obra muda de valor.
    Mahler foi vaiado agora é aceite. Mozart admirava Stamitz que hoje é um desconhrcido.

    Só quem quer seguir uma escola precisa das ferramentas para compeender essa escola ou dar-lhe um desenvolvimento lógico.

    Podemos explicar matematicamente a diferença entre Bach e Webern, mas não a apreciação que se faz da obra desses compositores.

    Arrisco dizer que talvez Bach seja mais aprecido porque, ao contrário de Webern, sua musica está mais próxima dos padrões culturais que se formaram nos ultimos 100.000 mil anos. Pricipalmente o tecido ritmico.

  24. Francamente, tais discussões me desanimam. Não chego a ler três ou quatro linhas se percebo que os comentários enveredam para temas subjetivos e apelos pessoais.
    Limito-me a baixar os CDs, agradecer ao blog por tamanha contribuição e deixar as tagarelices para quem gosta de perder tempo.

  25. Sempre tive a impressão contrária: Vaughan Williams e Elgar são facílimos e deliciosos de ouvir desde o começo. Já Britten é muito mais pesado, exige muito mais paciência do ouvinte. É só comparar o Concerto para Cello de Elgar e [qualquer coisa] de Vaughan Williams e, por outro lado, por exemplo, o pesadíssimo War Requiem. Já ouvi esse Requiem um monte de vezes e, simplesmente, não desce. Só continuo tentando porque o universo inteiro jura que é uma obra-prima.

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