Ludwig van Beethoven (1770-1827): As Últimas Sonatas para Piano

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Como transcreveu Alessandro Reiffer aqui Toda vez que ouço as sonatas de Beethoven, o que faço com frequência, tenho certeza que a humanidade vale a pena. Desacreditar dela é um clichê tratado com ironia por alguns filósofos deliciosamente rabugentos e com rabugice por algumas pessoas com preguiça de pensar na complexidade do ser. O restante do texto vale muito a pena, mas estamos aqui com a Mitsuko Uchida e não vamos fazer uma dama aguardar por coisas que estão no blog do Reiffer (link acima).

Quando terminei de ouvir o primeiro disco, escrevi para FDP Bach no MSN: Fim do primeiro tempo, Pollini 3 x 0 Uchida. Porém, logo depois ouvi e reouvi os CDs dela muitas vezes. E passei a admirar justamente a leitura diferente da japonesinha, que a princípio me parecera meio desajeitada. É que a campeoníssima interpretação de Pollini parece tomar conta de tudo, mas, é claro, há sempre lugar para visões, olhares e vieses diferentes. E passei a ouvi-la por ser bem diferente daquilo que para mim é o padrão Beethoven de qualidade (dois links), ambos com mais de dois mil downloads. Mas Uchida é Uchida e ela nos brinda com um Beethoven que, se não nos faz esquecer o gold standard, nos satisfaz totalmente. Por isso, …

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As Últimas Sonatas para Piano

Piano Sonatas No. 28, Op. 101 & No. 29, Op. 106

Piano Sonata No.28 in A, Op.101
1) 1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung (Allegretto ma non troppo)
2) 2. Lebhaft, marschmäßig (Vivace alla marcia)
3) 3. Langsam und sehnsuchtsvoll (Adagio ma non troppo, con affetto)

Piano Sonata No.29 in B flat, Op.106 -“Hammerklavier”
4) 1. Allegro
5) 2. Scherzo (Assai vivace – Presto – Prestissimo – Tempo I)
6) 3. Adagio sostenuto
7) 4. Largo – Allegro risoluto

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Piano Sonatas Op. 109, 110 & 111

Piano Sonata Op. 109 In E Major
1) I Vivace, Ma Non Troppo
2) II Prestissimo
3) III Andante Molto Cantabile Ed Espressivo

Piano Sonata Op. 110 In A Flat Major
4) I Moderato Cantabile Molto Espressivo
5) II Allegro Molto
6) III Adagio, Ma Non Troppo
7) IV Fuga: Allegro Ma Non Troppo

Piano Sonata Op. 111 In C Minor
8. I Maestoso
9) II Adagio Molto Semplice E Cantabile

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Mitsuko Uchida, piano

Impossível não gostar de Uchida.

PQP

27 comments / Add your comment below

  1. Sim, sem duvida. Não me faz acreditar na humanidade, mas ajuda-me a passar por ela de forma digna e espiritualmente pacificada. Adoro este blog. Desde que vos descobri, a minha cultura musical e o meu acervo em mp3 cresceu exponencialmente. Não é que não continue a comprar CD’s originais, simplesmente, há certas obras que simplesmente não as vês em discotecas, mesmo que as queiras comprar. Pois bem…aqui, eu tenho encontrado essas pequenas joias desconhecidas, muitas delas, que muito me tem ajudado nas horas de solidão,só seria possível conhecer através deste blog.
    Adoro-vos
    Fiquem bem caros amigos melómanos. Um abraço.

  2. Excelente interpretação da já veterana Uchida. Poderia alguém tecer um comentário sobre as gravações de Wilhelm Kempff? Parece-me que algumas de suas execuções foram memoráveis. Tenho uma execução da n.14 Op.27, pela pianista Valery Vishnevsky cujo o Presto agitato é de tal perfeição e profundo sentimento que me faz pensar em Beethoven ouvindo no paraíso. Talvez não? Bem, sou completamente ignorante em análises de técnica musical. Se disse besteira, perdoem.

  3. Larry, as sonatas de Beethoven com o Wilhelm Kempff já foram postadas aqui no blog. Ele é considerado o maior intérprete da obra de Beethoven do século XX. E não se preocupe com seus comentários. Ninguém aqui é especialista em nada. Apenas apreciamos a boa música.

  4. Acabei postando o comentário, que segue abaixo, no lugar errado. 😉

    Bom, pessoal, esta é a primeira vez (que eu me lembre…) de ter postado um comentário neste blog. Sempre passo por aqui.

    Tenho 30 anos, gosto muito de música. Meu background musical é de muito rock, e praticamente isso (tirando uma ou outra coisa em música eletrônica da década de 70/80, um outro jazz – Coltrane e Monk). Recentemente comecei a me interessar por música erudita e comecei pelas sinfonias mais conhecidas do Mozart. Rapidamente pulei para Beethoven e me apaixonei pela nona. Agora, estou apaixonado pelas sonatas. Por três delas, na verdade: a Moonlight, a Appassionata e a Pathetique (adoro todos os movimentos). Ouço tanto que as tenho na cabeça, quase inteiras, vão e voltam o tempo todo.

    Gostaria que algum conhecedor me indicasse um caminho pra percorrer as sonatas do Beethoven, pois minha vontade é “sacar” todas as 32 pra depois pular pra alguma outra coisa clássica. Como disse, estou apaixonado… Quais sonatas vocês acham que devo ouvir agora? Quais pianistas? Quais gravações?

    Outra pergunta: o que vocês acham do Barenboim como pianista e como regente? Para mim, as melhores interpretações das sonatas que conheço são dele (já ouvi versões de muitos outros, incluindo Pollini, que é realmente impressionante).

    Ah, uma última pergunta: o que há de mais parecido com Musica Ricercata, do Ligeti, para se ouvir em música erudita?
    Um abraço a todos os colaboradores do blog e aos comentaristas. Leio-os há tempos…

  5. Não conheço essa gravação da Uchida, da qual sou fã tocando Mozart. Mas tenho de reconhecer que ela é uma grande musicista, e que deve ter inserido sua marca pessoal nestas obras primas de Beethoven.
    Um grande nome da atualidade tocando Beeethoven é Paul Lewis, que lançou pela Harmonia Mundi a integral das sonatas, e no final do ano passado lançou sua integral dos concertos para piano, que está sendo considerada a melhor integral dos últimos anos. É o grande nome em Beeethoven da atualidade. Qualquer hora destas boto estas coleções aqui.Vale a pena.

  6. amigos, fui vítima de uma profunda fatalidade. tive problemas com meu HD e perdi todas as pastas com as letras a e b. já baixei muita coisa de novo, mas infelizmente alguns links aqui do pqp expiraram. é o caso dos quartetos de cordas de brahms. amigos, por piedade, repostem essas preciosidades novamente! aqui vai o link da postagem: http://pqpbach.opensadorselvagem.org/johannes-brahms-1833-1897-quartetos-de-cordas-completo-e-quinteto-para-piano/

  7. Danilo, temos como praxe aqui no PQP que apenas o autor da postagem libera o comentário. Tivemos alguns problemas no passado, por isso fizemos essa opção. Como o PQP está de férias, em algum lugar no interior de Minas Gerais, longe de tudo e de todos, o seu comentário ainda não tinha sido aprovado.
    Estes seus questionamentos sobre as sonatas de Beethoven são todos de ordem pessoal. Por exemplo, para mim, Wilhelm Kempff foi o grande intérprete destas sonatas, porém estas gravações foram feitas a 50 anos atrás. Para algumas pessoas, estas interpretações podem soar datadas, por isso preferem alguma mais recente. Sugiro que você ouça todas as opções que oferecemos aqui no PQP, e em outros blogs, para poder ter sua própria opinião, pois bem sabes que o que é bom para um, não necesssariamente é bom para outro. Falando por mim mesmo, outra opção bem interessante, e bem mais atual, é a versão que o Paul Lewis gravou para a Harmonia Mundi, feita de um só fôlego, agora nos anos 2000. Você a encontra no avaxhome e em outros blogs. Entre minhas sonatas favoritas, estão, claro, a sonata “Ao luar”, a “Patética”, a “Tempestade”, a “Hammerklavier”, “Apassionata” e claro, as três últimas. Podes começar por essas, para entender um pouco a genialidade de Beethoven. Interessante mesmo seria você começar do começo, com o perdão da redundância, a partir das primeiras mesmo, para conhecer melhor sua evolução enquanto compositor.
    Com relação ao Baremboim, reconheço que tenho algumas restrições a ele, apesar de considerá-lo um dos músicos mais completos da atualidade, excelente pianista e excelente regente. Podes ouvir suas gravações das sonatas sem medo. Inclusive, foi a minha primeira integral. Ah, estou esquecendo um outro favorito do blog, o imenso Alfred Brendel, se não me engano também postado aqui no PQP.
    Com relação ao Ligety, não sou a pessoa mais indicada aqui do blog para comentar, desconheço sua obra. Talvez outro colega possa ajudá-lo.

  8. Daniel, recomendo que leia este post de Milton Ribeiro sobre o conjunto das sonatas de Beethoven e a evolução do compositor ao longo da vida:
    miltonribeiro. opsblog. org/ 2009/02/19/louco-por-beethoven/

    (tire os espaços)

  9. Obrigado pelas dicas, FDP.

    Baixei os dvds de todas as 32 tocadas pelo Barenboim, além de ter sua gravação de quando era mais jovem. Realmente entrei em Beethoven pela porta do Barenboim e continuo achando as performances dele algo genial.

    Agora estou na “fase” Tempest, depois das três primeiras que ouvi e reouvi (Pat., Moon. e Appas.). O terceiro movimento é viciante, mas é a primeira vez em que vejo o Barenboim sendo superado na interpretação: achei a do Kempff superior.

    Vou procurar as gravações do Paul Lewis.

    Obrigado pelo link, Martini.

    Abraços!

  10. Que bom, Danilo que você gostou das dicas, Danilo. Como comentei em outra postagem, ninguém aqui é especialista em nada, apenas seguimos nossa intuição e sensibilidade musical.
    Com relação ao Kempff, só tenho a dizer que ele é referência não apenas nas sonatas de Beethoven, mas também em Schubert e Schumann. Foi um dos grandes nomes do piano do século XX, ao lado de Gilels, Richter, Rubinstein, entre outros.

  11. Aproveitando a deixa: qual compositor é o mais próximo do Beethoven, ao menos quando se trata de piano? Acho algumas sonatas do Mozart bacanas, fora isso ainda não consegui entrar em nada.

    Nada de Chopin ou Debussy me fisgou ainda, por isso a pergunta.

  12. Danilo, sugiro Schubert, que apesar de ter vivido apenas 31 anos, foi um grande compositor para o piano. Suas sonatas são belíssimas, e proporcionaram um grande desenvolvimento tanto da técnica pianística quanto do próprio desenvolvimento do instrumento. Novamente a grande referência é Wilhelm Kempff, imbatível nesse repertório.
    Um pouco mais denso, porém, seguindo a trilha de Beethoven, temos Brahms, cujos concertos para o instrumento são dois monumentos, considero inclusive o seu segundo concerto a maior obra já escrita para o instrumento. Temos excelentes versões aqui no PQP, mas recomendo a minha favorita, com o Stephen Kovacevich acompanhado pela Filarmônica de Londres, regida pelo Colin Davis, numa interpretação muito inspirada. As sinfonias de Brahms também são fundamentais no repertório. Para ele, sempre recomendo Karajan. Um aviso: não se trata de um compositor de fácil assimilação.Sua obra para piano não é muito extensa, apesar de ter sido um exímio pianista. Postei há algum tempo atrás um cd do Kristian Zimerman, pianista polonês, tocando essas obras.
    No mais, é difícil relacionar quem é melhor ou pior: vai de você ouvir e criar sua própria opinião. E ouça mais Chopin e Debussy. Impossível não se comover com eles. Postei uma série de 4 cds da obra de Debussy com um cara chamado Bavouzet. Trata-se de uma gravação recente, com um novo enfoque, e uma leitura mais “moderna”, com o perdão das aspas. E para Chopin, seu maior intérprete sempre será Arthur Rubinstein.
    Poderia continuar com a lista, mas vou parar por aqui. Preciso ir trabalhar. Um abraço.

  13. Oi, Danilo, muito bom saber dos seus questionamentos. Eu também já passei por uma fase rock, mas depois que se descobre o erudito… aí não tem volta. Eu conheço pelo menos 40 versões de cada uma das 32 sonatas de Beethoven (eu sou completamente apaixonado por Beethoven), e muitas dessas versões me decepcionaram. Existem intérpretes que definitivamente não nasceram para tocar Beethoven. E Daniel Barenboim é um deles (pode ficar abismado). Mas você só vai compreender bem isso se você comparar versão por versão.

    Todas as sonatas de Beethoven são espetaculares. É o maior monumento da literatura pianística de todos os tempos. Eu não gosto de Barenboim porque suas versões, lentas demais, e sem dinamismo, não condizem ao estilo de Beethoven. As mudanças de dinâmica e ritmo produzidas por esse jeito de tocar não surpreendem tanto o ouvinte. O psicológico jogo de antagonismos típico da arte beethoveniana perde-se completamente nas mãos de Barenboim e de muitos outros.

    Se você gostou de Barenboim, é porque você ainda não conhece nada. Ele sempre me causa péssima impressão.Vou citar 5 pianistas que você não pode deixar de conhecer. O primeiro deles é o maior intérprete de Beethoven, e como consequência, é o maior de todos os pianistas: é o norte-americano Stephen Kovacevich. Pelo menos 10 das melhores versões das sonatas saem de suas mãos. Outro gigante é Friedrich Gulda, sobretudo para as sonatas da fase mais jovem do compositor. Wilhelm Backhaus é outro grande conhecedor de Beethoven, e sua Appassionata é insuperável. Richard Goode e Jeno Jando também possuem integrais de muita qualidade.

    Pergunte mais!

  14. Caramba, pessoal, obrigado pela atenção, pelo papo e pelas indicações.

    Ivan, realmente sou principiante. Não conheço nada de música erudita mesmo. Mas tenho alguma sensibilidade artística.

    Das quatro sonatas que posso dizer “conhecer bem” pois posso quase tocá-las inteiras dentro da minha cabeça, já ouvi bastante gente tocando. Não sei se é porque comecei pelo Barenboim, mas acho que ele é animal! Assim como o Rubinstein e o Pollini. Engraçado, pois só algumas coisas do Kempff me tocaram, outras me pareceram meio mecânicas demais. Das sonatas que amo, comparo as versões. Engraçado, cada um tem sua marca, e continuo gostando do Barenboim.

    Enfim, devo estar falando besteira, assim como quando vejo alguém dizer que Lars Ulrich é um grande baterista de metal.

    No fim, é muito bom ter este tipo de experiência, pois o que estou passando agora (a euforia da ignorância e falta de formação pra fazer um julgamento adequado) é o que vejo ao acompanhar meu irmão adolescente (e seus amigos) descobrindo o rock. Acho que sei como você se sente. Agora sei como eles se sentem, e sei que eles não aceitam que Lars Ulrich nunca tocou bateria como um verdadeiro baterista. Yet…

    Arte é uma coisa tão indeterminada que você nunca sabe o que vai emocionar, mover alguém. Se move, é bom.

    Bom, vou puxar Schubert.

  15. Danilo, não se desculpe jamais por gostar de um ou outro. O gosto é pessoal. Ninguém pode dizer que você está falando besteira simplesmente porque considera o Baremboim um bom intérprete de Beethoven. Ninguém é dono da verdade. Como você pode saber que o Kempff é o melhor se você nem sabia da existência dele, e num país como o Brasil, como você teria acesso às gravações de um cara que já morreu há décadas atrás, e que fez nome em uma época em que provavelmente seus pais ainda nem se conheciam, se é que já tinham nascido? Os critérios de escolha são pessoais, sinto-me ofendido quando alguém me diz que eu devo estar maluco por estar ouvindo determinado intérprete. Já tivemos problemas com comentários aqui no blog de gente que se considerava o expert no assunto e que simplesmente humilhava nossas postagens porque considerava o fulano de tal melhor.
    A nossa função aqui do PQP é oferecer música de qualidade, claro que temos os nossos favoritos, mas volto a repetir que você só vai chegar a uma conclusão após ouvir muitas e muitas vezes, e com diferentes intérpretes. Só assim você poderá criar critérios e estabelecer parâmetros para comparar as mais diversas versões
    E na boa, Lars Ulrich é muito palha… vi um show do Metallica em que ele simplesmente não dá conta de solar, e esse show é dos anos 90. Sugiro que ouçam um cara chamado Mike Portnoy, ex baterista do Dream Theater, e com certeza o grande nome do instrumento na atualidade. Versatilidade, criatividade, técnica e um domínio absurdo do instrumento é o que você vai encontrar ali.

  16. Pois é, FDP, quando alguém me fala do Ulrich, eu digo Portnoy e pronto. Sem contar que, fora o DT, o Portnoy sempre teve trocentos projetos paralelos tocando em muitos estilos diferentes. Enfim, aí sim não tem comparação. É realmente por ignorância que alguém considera o Lars alguma coisa…

    Se você achou o Lars ruim nos anos 90, tente ouvir algo do Metallica ao vivo agora. É lastimável. E na adolescência eu cheguei a achá-lo o máximo na bateria! Por isso que entendo se um dia eu execrar o Baremboim, mas também entendo que neste meu momento de ignorância quase completa as versões dele do Beethoven são fodonas. Me movem, e se me movem, são excelentes.

    Quanto ao comentário para o Ivan, eu não me desculpei, só reconheci a minha ignorância em música erudita (que ele apontou e é fato, vou fazer o que?). Procurei pelo Kovacevich e gostei muito do que ouvi.

    Valeu FDP!

  17. É que no rapidshare o download além de ser mais do que alguns outros como o megaupload, ele também só te deixa baixar uns 2 consecutivos e depois vc tem que esperar uns 30 min pra baixar de novo!

  18. Olá … aprecio a música clássia á pouco tempo, e gosto bastantes daquelas fervorosas, complicadas e ‘assombrosas’
    tocadas em piano á exemplo de .bach S. com toccata.

    alguem me recomenda algo do tipo??

  19. Juro que não distinguiiria Mitsuko Uchida nem pela sua cara, nem pelo nome se é homem ou mulher…se bem que em música clássica o que importa é o que vem de dentro do piano e dentro da alma do executante.
    Com todas as vênias.
    Efusivos abraços e furiosos beijos a todos….

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