Béla Bartók (1881-1945): O Castelo do Barba Azul

Alguns de vocês sabem de meu bloqueio com óperas. na verdade, gosto das modernas Wozzeck, Lulu, das surpresas de Stockhausen e desta pequena ópera de Béla Bartók “O Castelo do Barba Azul”. Gosto muito de ouvi-la (*). Eu gostaria de ter tempo e conhecimento para tentar escrever algo no estilo do genial Euterpe a respeito, mas não vai dar, peçam para eles lá.

Esta gravação de 1965 tem uma qualidade de som absolutamente inesperada para a época e, se foi relançada em 2004, foi por sua estupenda qualidade. Não hesitaria em abraçar a histeria de alguns comentaristas da Amazon que a consideram um dos maiores registros realizados em todos os tempos. Christa Ludwig e Walter Berry conseguem ser perfeitos e emocionais, técnicos e comoventes. Algo realmente raro que chamou a atenção deste que costuma torcer o nariz para óperas.

Confiram, confiram.

(*) Na verdade, acho que as óperas são para ser vistas e ouvidas. Apenas ouvi-las é perder grande parte. Óperas são berro, luz, cenografia e atuação. Ficar só com a música é empobrecê-la. Estou muito errado?

Béla Bartók (1881-1945): O Castelo do Barba Azul

1. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Opening Scene. “Megérkeztünk” 14:27
2. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 1. “Jaj!” “Mit látsz? Mit látsz?” “Láncok, kések” 4:18
3. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 2. “Mit látsz?” “Százkegyetlen szörnyü fegyver” 4:12
4. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 3. “Oh, be sok kincs! Oh, be sok kincs!” 2:29
5. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 4. “Oh! virágok! Oh! ilatoskert!” 5:03
6. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 5. “Ah!” “Lásdez az én birodalmam” 6:54
7. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 6. “Csendes fehér tavat látok” 12:39
8. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 7. “Lásd a régi aszszonyokat” 9:31

Bluebeard____________________ Walter Berry
Judith______________________Christa Ludwig

London Symphony Orchestra
István Kértész, conductor

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E ninguém invocava a Maria da Penha
Uma montagem do Barba Azul de Bartók. E ninguém invocava a Maria da Penha.

PQP

21 comments / Add your comment below

  1. Olha… eu gosto de ouvir ópera como música, como quem ouve um poema sinfônico ou uma sinfonia. As técnicas são as mesmas (os leitmotivs), e pra mim, as luzes, cenografia e atuação tiram a atenção da música.

    Belíssimo post, belíssima gravação! Eu adoro essa ópera!

  2. PQP, eu prefiro assistir óperas ao vivo, é claro, só que o problema é a dominação dos Puciverdi nestas salas de espetáculo. De vez em quando eles tocam uma “Flauta mágica” ou um “Don Giovanni” por aqui, e olhe lá. Se bem que tem um monte de óperas do genial Janacek também. Mas enfim, ouvi-las em casa não é só a solução para isto, mas também uma boa apreciação. Você pode contar com a partitura e com a tradução, o que já são grandes fatores para realmente entender a música. E por mais que o espetáculo seja também teatral, a parte mais importante numa ópera é a música, e as poucas indicações cênicas que um compositor deixa estão também na partitura. Você, ao ouvi-la somente, está no mesmo patamar do compositor, tentando vizualisar a coisa e expressá-la musicalmente, e isto é algo fantástico. Ouvir uma ópera que eu não conheço ao vivo é sempre difícil, acho que os cantores atuando me distraem da música em si.

    Sobre o Castelo, esta ópera é disparadamente a minha favorita. Eu assisti a uma apresentação há alguns anos atrás em SP que foi de cair o queixo. Os cantores, a orquestra, a cenografia, tudo de primeira qualidade. Obrigado pela postagem então, um forte abraço!

  3. Ouvir ópera acompanhada de libreto é tão delicioso quanto ler um livro e imaginá-lo. Com a diferença de que aqui temos a dimensão musical. Aliás, não sou muito visual: é algo tão fugidio a visão, e eu sou tão “lerdo”, aéreo, desatento…

  4. Faço um amálgama do que disseram PQP, Sábio e Gilberto.

    Não gosto de ópera porque não gosto da expressão dramática/teatral em geral e mais ainda porque não tolero o Pucciverdi que domina este repertório. As pouquíssimas óperas de que gosto – este Bartók, “Porgy and Bess”, alguma coisa de Wagner – prefiro somente ouvir, sem toda aquela mise-en-scène distrativa e, na maioria absoluta das vezes, tola.

  5. Berro foi uma metáfora utilizada por um cantor amigo meu.

    Metáfora é a figura de palavra em que um termo substitui outro em vista de uma relação de semelhança entre os elementos que esses termos designam. Essa semelhança é resultado da imaginação, da subjetividade de quem cria a metáfora.

    Ou seja, a metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional (denotativo) e transportá-la para um novo campo de significação (conotativa), por meio de uma comparação implícita, de uma similaridade existente entre as duas.

  6. O próprio Bernstein, em sua série de aulas em Harvard, argumenta em favor da música como uma linguagem metafórica por excelência. Daí, talvez, a dificuldade de se falar objetivamente da música. Ainda que não precisemos cair nos arroubos subjetivistas de Nestróvski e cia, falar de música sem recorrer a matáforas inevitavelmente emprobrece essa fala.

  7. Gosto da música simplesmente pela melodia… ou aprecio ou não. Letra, pra mim, é só um detalhe, e não me apego muito a esse detalhe. Também não sou muito chegado a óperas e dificilmente me preocupo com o enredo, portanto, muitas vezes, acho irrelevante assistir, com exceção de uma apresentação ao vivo, fico satisfeito apenas em ouvir a música.

  8. Strav, acho que você quis dizer que gosta da música simplesmente pela música em si. Provavelmente você aprecia sim belas harmonias, ritmos excitantes ou coloridos tonais interessantes… certo?

  9. Olha, PQP, se você considerar Wagner, talvez eu diria que a perda é considerável. Mas em geral o que vale mesmo na ópera é a música: os librettos não são ruins, mas a história nem sempre anima.

    Depois de ter assistido a muitas óperas gravadas (ao vivo infelizmente não consigo com a frequência que gostaria), cheguei a conclusão que o que sobra é a música, ou seja, não costumo lembrar de uma ópera pelo seu espetáculo visual.

    Claro que talvez essa minha conclusão seja por eu já conhecer as histórias e ter visto pelo menos uma vez as óperas. Mas acredito que sejam duas experiências diferentes: ver uma ópera e ouvir uma ópera. No final, elas se complementam.

  10. PS. Escrevi tão mal que quase não dá para entender! hauhauhauhauha…
    No fim, eu quis dizer que, para mim, não há perdas quando não se assiste às óperas, mas sem dúvidas ver e assistir são duas experiências recomendáveis e, a meu ver, complementares.

  11. Concordo com as opiniões sobre o espetáculo em si. Mas ontem assisti uma “Tosca” sensacional, com a Georghiu, o Alagna e o Rugiero Raimundi. A cena em que a Tosca mata o vilão é fantástica, além de serem grandes cantores, são excelentes atores. Para quem se interessar, basta digitar “Tosca” no Youtube.

  12. Agora, com relação à Wagner, me dá um pouco de fastio assistir qualquer uma das óperas do ciclo do Anel. Aqueles longos “recitativos” me dão sono.

  13. Por falar em ópera, no fim do mês passado (novembro) aconteceu a pré-estreia do Festival da Ópera Brasileira.

    A apresentação foi na Casa dos Carneiros, sede da Fundação homônima, situada numa fazenda próxima ao distrito do Pradoso, em Vitória da Conquista, Bahia. Sim, ópera brasileira, e das boas, no meio do nada. Coisa linda.

    Fui e presenciei algo fantástico. A pré-estreia mostrou ao público as obras, ainda em andamento, da “Domus Operae” (Casa da Ópera), as quais serão inteiramente inauguradas na primeira edição do Festival, em julho de 2011. Épico.

    Vi três cenas de três óperas diferentes, todas compostas por Elomar Figueira Melo. Não sou fã de ópera, mas aplaudi de pé o que vi e adorei.

    Saudações!

    Renato
    Vitória da Conquista/Bahia

  14. boa noite, vou meter o bedelho na discussão já que sou um apaixonado por opera. nao concordo nao. na verdade, acho que, dependendo da encenação, ve-las pode ser um experiencia penosa, senão desastrosa. a triste, lamentavel mania de fazer encenaçoes pseudo-brechtinianas, onde cantores e coro aparecem com as caras pintadade de branco, com labios prestos, olhos fundos, contornados de roxo e preto funeral, numa aparencia cadaveria, podem fazer com que alguem abandone o teatro as pressas pela saida de emergencia e jamais volte a ouvir uma opera sequer. o que seria uma perda irreparavel. imaginem brünhilde com jeito de caminhoneiro…ou ainda, la traviata como uma louca saida de uma rave. cruz credo!!! mas se voce se permitir ouvir numa sala, no quarto, em silencio birgit nilsson em salome, com sir georg solti, ou em elektra. ou ainda la schwartzkopf em ariadne auf naxos. ou suzanne danco e hilde güden em don giovanni com josef krips, ou em le nozze com erich kleiber, com o olhos fechados, saboreando cada compasso, cada nota, cada maravilha que essas verdadeiras devotas da arte nos legaram, ai voce, com certeza, quererá mais e mais. todah rabah!!!

  15. estupenda! fenomenal! formidável! eletrizande! wundervoll! introuvable! stupenda! großartig! electrifying! é desses momentos que só acontecem tal como a aparição do cometa halley em 1910 – que minha amada avozinha, então com 4 aninhos presenciou extasiada no colo de meu amado bisavô. esta gravação é digna do tesouro de cleopatra! muito, muito, muito obrigado!

  16. in tempo: peço venia para discordar quanto à ópera: eu, por exemplo, amo ouvi-las. não suporto as encenações modernas; in my humble opinion, uma mais feia que a outra. ouvindo, imagino a encenação by myself.

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