Heitor Villa-Lobos, 125 anos

Esses dias estava pensando com meus botões e me lembrei que Heitor Villa-Lobos nasceu em 1887 eque, portanto, faria 125 anos neste ano de 2012. Pensei: “se não me engano, ele nasceu em março; vou ‘googar’ pra ver o dia certo e fazer uma postagem comemorando o aniversário do gênio“. Mas nem fiz isso, abro o google hoje e me deparo com este selo comemorando a data. Me senti impelido em responder.

Villa-Lobos não foi apenas um grande compositor brasileiro. Foi um dos mais prolíficos e versáteis autores de todo o mundo no século XX, um dos grandes nomes da música erudita de nosso planeta. Com mais de mil (isso, mil!) composições, o pai de CVL foi também o ser humano que mais registrou, em partitura, cantos de pássaro na história.

Não tenho como esconder aqui que Villa-Lobos é dos compositores que mais aprecio. Pra ser bem direto, o cara era muito foda! Fazia desde música infantil (“O Cravo Brigou com a Rosa”, “Teresinha de Jesus” e “Fui no Tororó” são algumas delas), até música de câmara e formações para pequenos grupos (orquestra de cordas, hepteto de sopros, oito violoncelos e uma soprano) chegando mesmo a coisas megalômanas, como o Choros nº14, com duas orquestras e fanfarra (infelizmente, sua partitura desapareceu…), ou o Choros nº10, com orquestra, reco-reco, ganzá, pandeiro e a turma cantando em tupi, assim como ocorre no Descobrimento do Brasil, músicas ensandecidas, delirantes e impregnantes.

Lembro de quando escapei da turma numa viagem didática em São Paulo e entrei no Theatro Municipal, pagando R$ 5,00 pra ver um concerto (estudante pooooobre…). A Orquestra Municipal e o seu Coro executaram o Choros nº10… Acho que nunca senti uma coisa como aquela em um concerto! Delírio, força, peso… Tinha tudo isso naquela partitura orgástica.
(Aproveite e veja o Choros nº10 – segunda parte – e talvez você me entenda)
http://www.youtube.com/watch?v=DKLvqhwzgTI

Ele compôs 14 choros, 9 Bachianas, 12 sinfonias, balés, óperas, concertos para todo o tipo de instrumento que você imaginar (um dos mais belos, por exemplo, é o Concerto para Harmônica e Orquestra), além da vastíssima obra para piano (5 concertos, o Choros nº11 e uma penca de peças solo e infantis) e para violão (Choros nº1, 5 prelúdios, 12 estudos e um concerto com orquestra), referências para os músicos nesses instrumentos.
Aqui, o Concerto para Harmônica (3º movimento):
http://www.youtube.com/watch?v=7UnVmG-DDhY

Sua orquestração demonstra um compositor com um domínio pleno (e raro) de todos os instrumentos da orquestra (Infelizmente, não postamos obras desse mestre aqui por conta de direitos autorais). Uns compositores puxavam mais para as cordas, outros para os sopros. Villa-Lobos passeia pelos timbres dos instrumentos como (quase) ninguém! E suas obras mais volumosas possuem uma base, um poder dos graves simplesmente absurdo! Soma-se a isso a sua capacidade de reelaborar os temas musicais, esticando-os, comprimindo-os, alternado e alternando-os de uma forma estritamente moderna e única.
(ops, melhor parar por aqui que acho que já estou começando a babar)

Bom, mas o que que eu vou dizer mais do cara?
Acho que um singelo “Parabéns, Villa-Lobos”! Como diria Obama, “You are the man“! P.Q.P, Villa-Lobos!

 

Bisnaga

10 comments / Add your comment below

  1. Caramba, Bisnaga, incrível. Fui lendo seu texto e logo percebi que você falava do décimo choro (‘Rasga o Coração’). Não é à toa: é por causa de obras como essa que dizem que a música é universal. Certa vez coloquei pra tocar aqui em casa e meu pai, que não entende bulhufas de música clássica, ficou comovido.

    Também tive a oportunidade de assistir ao vivo, porém, tenho de admitir que faltou alguma coisa na apresentação. Não sei se a acústica era ruim ou o coro era muito pequeno, mas ele não teve a força necessária para se impor ante a orquestra. (Foi com a Orquestra Sinfônica de Santo André, por sinal, um dos melhores grupos do Brasil).

    Sempre que ouço essa música, tão única no repertório erudito, fico pensando: “Puta que pariu, se nós, brasileiros, raramente temos a chance de conhecer uma obra com uma sonoridade tão diferente (e familiar!) como essa, imagine o que estamos perdendo de obras não muito famosas de compositores estrangeiros – afinal, Villa é, sim, um nome consolidado no repertório das grandes orquestras, mas quem (que não seja do meio musical) conhece bem a totalidade da criativadade de sua obra?” Talvez haja tanto Villas por aí a serem descobertos, tantas novidades, tantos sons diferentes… como o mundo é vasto!

    Para quem mora em SP, aqui vai uma dica: inscrevam-se enquanto há tempo na palestra da OSESP sobre Villa-Lobos.

    14/03 – quarta -19h30 – Leopoldo Waizbort [Villa-Lobos]

    http://www.osesp.art.br/portal/paginadinamica.aspx?pagina=musicanacabeca

    Abraços!

    OBS: acho que os links do youtube estão trocados.

    1. DEtalhe: Villa-Lobos é, há muitos anos, pelo menos um dos 5 maiores arrecadadores de direitos autorais do Brasil. Não é à toa…

  2. Pois é, Parabéns Villa… Nem me toquei da data de tão enrolado que ando, mas curiosamente ainda ontem de noite, antes de ir dormir, ouvi algumas obras suas para violão e fiquei lembrando de minha aspiração quando adolescente de ser um violonista de concerto, só que fiquei apenas na aspiração, pois sempre fui um violonista mediocre. Mas que a música do Villa sempre me inspirou e sempre vai me inspirar, ah, isso vai…

  3. Infelizmente nosso Villalobiano mor, nosso colega Ciço Villa-Lobos, está afastado do blog por motivos particulares, passando um frio do cão lá no longinquo Canadá… pois é, o Villa fez aniversário, e o Ciço, que está no Canadá, não vem para a festa.

  4. hahahaha Todo mundo comemorando o aniversário do Villa-Lobos… menos o Ciço, que tá no Canadá! (redundante dizer que foi piadinha de última hora, não é?)

    Puxa, Bisnaga, você parece ser o nosso postador de música brasileira agora. Pena que não possa postar Villa-Lobos. Sobre o que você escreveu, tens toda a razão.

    1. Hahaha, e justo no Canadá, como a Luiza…
      Mas não ache que sou o postador de música brasileira do blog, não. Não tenho um décimo do acervo de caras como o CVL e o Avicenna (guardando os respectivos períodos, claro). Quem me dera… Mas meu acervo tem crescido. Vejamos no futuro em que isso vai dar.

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