Arnold Schoenberg (1874-1951): Choral Works

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Ouvir é um ato que requer humildade. É imprescindível acreditar. Infelizmente nossa natureza não é assim, o que alguns chamam de senso crítico, eu chamo de idealização ou característica estética preferida. E isso, na maioria das vezes, leva a um impedimento da expressão do outro. A grande maioria de vocês sabem da dificuldade de ouvir o novo (não estou falando de um período específico da história). Aquela linguagem que é totalmente alheia ao nosso mundo tem que “forçosamente” criar uma memória musical. Pois a apreciação quase sempre vem da lembrança. Não foi a toa que boa parte das grandes obras-primas tiveram uma rejeição inicial. No meu caso, devo confessar que tenho enorme dificuldade com a música medieval e renacentista, isso porque meus ouvidos estão acostumados a uma certa dinâmica que é muito difícil abandonar. Ou talvez a sonoridade, tão próxima da arquitetura das igrejas, seja muito sacrificada numa gravação. Vou citar um exemplo bem geral: estou lendo uma biografia fantástica sobre Handel (Handel – Paul Henry Lang; Dover). Esta biografia foi lançada no início dos anos 1960, época na qual a música barroca, instrumental ou operística, era pouco executada (com exceção de Bach). Há um capítulo fantástico e quase profético sobre a estética das óperas barrocas, praticamente impossível de ser apreciada pelo século XIX e início do século XX. Pois o público valorizava um certo realismo ou tipo de ação no palco, que era inexistente e desinteressante para o ouvinte do período barroco. Tanto Handel como Rameau, por exemplo, deveriam enfatizar apenas as características psicológicas dos personagens, já que a ação (temas bíblicos, romanos ou gregos, em geral) era amplamente conhecida pelo público na época. Muitas vezes o mesmo libreto era usado por vários compositores. O que realmente importava era como o compositor arrancava lirismo e verdade daquilo. Hoje, passado algumas décadas depois do livro, o público é bem menos ortodoxo e muito mais interessado nesse período genial da música, um período além de Bach.

“E o que isso a ver com Schoenberg?” Bem, esse disco com obras corais, praticamente todos a cappela, me lembram um pouco a dificuldade que tenho com a música medieval. É difícil essa empreitada neste momento da minha vida (quanto mais cedo acostumar o ouvido, melhor), mas não vejo a música de Schoenberg mais difícil que a música de Guillaume de Machaut, por exemplo. São mundos tão distantes no tempo, mas tem tanto em comum. Pelo menos, não falta humildade nas minhas audições.

Arnold Schoenberg (1874 – 1951) – Choral Works

1. Satires (3), for chorus and instruments, Op. 28: Am Scheideweg (At the Crossroads)

2. Satires (3), for chorus and instruments, Op. 28: Vielseitigkeit (Versatility)
3. Satires (3), for chorus and instruments, Op. 28: Der neue Klassizismus (The New Classicism)
4. Pieces (4) for chorus & ensemble, Op. 27: Unentrinnbar (Inescapable)
5. Pieces (4) for chorus & ensemble, Op. 27: Du sollst nicht, du mußt (Thou Shall Not, Thou Must)
6. Pieces (4) for chorus & ensemble, Op. 27: Mond und Menschen (Moon and Mankind)
7. Pieces (4) for chorus & ensemble, Op. 27: Der Wunsch des Liebhabers (The Lover’s Wish)
8. Pieces (6) for male chorus, Op. 35: Hemmung (Restraint)
9. Pieces (6) for male chorus, Op. 35: Gesetz (The Law)
10. Pieces (6) for male chorus, Op. 35: Ausdrucksweise (Means of Expression)
11. Pieces (6) for male chorus, Op. 35: Glück (Happiness)
12. Pieces (6) for male chorus, Op. 35: Landsknechte (Yeomen)
13. Pieces (6) for male chorus, Op. 35: Verbundenheit (Obligation)
14. German Folksongs (3) for chorus, Op. 49: Es gingen zwei Gespielen gut
15. German Folksongs (3) for chorus, Op. 49: Der Mai tritt ein mit Freuden
16. German Folksongs (3) for chorus, Op. 49: Mein Herz in steten Treuen
17. Peace on Earth (Friede auf Erden), for chorus & instruments ad lib, Op. 13
18. Dreimal tausend Jahre, for chorus, Op. 50a
19. De Profundis, for chorus, Op. 50b

Performed by Südfunk-Chor Stuttgart
Rupert Hubert

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Schoenberg em seu exílio californiano
Schoenberg em seu exílio californiano

CDF

21 comments / Add your comment below

  1. CDF, orbigado por esta postagem, estou baixando imediatamente e depois dou um pulo aqui para comentar melhor pois não conheço os trabalhos acima. Grande abraço!

  2. Tava faltando um comentário desses nos últimos tempos aqui no blog: denso, rico e conectando o pessoal e o universal.

    A correria da vida cotidiana às vezes nos bloqueia ou canaliza nossas energias para outras tarefas.

    Vou baixar o CD agora, só por causa de suas palavras, CDF.

  3. Que belo texto, CDF… como bem sabes, não sou muito afeito à música contemporânea, mas estou baixando este cd graças à sua paíxão pelo tema.

  4. A terceira das sátiras é aquela famosa do “pequeno Modernsky, que usa uma peruca para ficar parecido com o papai Bach”…

  5. Amigos,
    Depois desse CD maravilhoso e das postagens da Maria Calas, estou definitivamente convencido que o P.Q.P. é de longe o melhor blog de música da web. Parabéns!

  6. preciso da partitura da Pieces (4) for chorus & ensemble, Op. 27: Unentrinnbar (Inescapable)…alguem sabe como achar-la?..obrigada

  7. Ótima introdução! Mas a espressão “E o que isso tem haver com Schoenberg?” é triste, é de doer na alma (não é ‘tem haver’, mas sim ‘tem a ver’).

      1. Vocês sabem que a canção infantil:

        “Batatinha quando nasce,
        Se esparrama pelo chão …”

        Na verdade é:

        “Batatinha quando nasce,
        Espalha as ramas pelo chão …”

        PQPBach é CULTURA!!!

        Avicenna

  8. Por favor, queiram desculpar a péssima intervenção do Farto Lima e sua “espressão”.
    Ao CDF, meus cumprimentos pela bela tradução, na escrita, de suas considerações sempre pertinentes e originais. E ao PQP, por seu cedefismo em revalidar links do cdf.

  9. CDF Obrigado pela postagem, mas não estou conseguindo acessar o arquivo!
    Tenho muito interesse neste trabalho! É possível orientar como baixa-lo?
    Parabéns para o PQP pelo excelente Blog. Um jardim de delícias!

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