O órgão essencial de Johann Pachelbel (1653-1706) [REVALIDADO]

Acabo de perceber que dentro de 12 dias minha primeira postagem neste blog fará dois anos. (Só dois? Parece uma vida!). Junto com isso lembrei que no início um dos meus objetivos era aumentar a oferta de música organística no blog. Razões mil me afastaram desse objetivo, mas tenho muito gosto em ainda ter comemorado minha primeira semana de blog, em 04.05.2010, fazendo esta postagem, pois a música organística de Pachelbel parece ser das poucas coisas capazes de provocar efeitos de serenidade na alma inquieta do monge Ranulfus.

Agora o Rapidshare ameaça apagar o arquivo. Eu poderia simplesmente fazer um download pra impedir, mas… muito melhor me parece reavivar o post, pois é provável que as novas gerações de ouvintes pequepianos nem tenham reparado em sua existência.

Então vai aqui, para inspirar uma manhã de domingo, a “serenidade emotiva” deste grande músico, tão injustamente tratado como compositor de uma obra só (o Cânon em Re menor). E a partir do próximo parágrafo os senhores têm o texto original da postagem.

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Como o velho Chico, nosso leitor e amigo Nahum Pereira “vem de Minas / onde o oculto do mistério se escondeu”, e então não é de estranhar que tenha um sentido especial para o sacro – com o qual suspeito que voltará a me assessorar em posts futuros. E, parte disso, ele e eu concordamos que é desejável que se introduza mais o órgão neste blog . . .

Hammm… ah, sim, o Nahum pretende refazer em qualidade melhor que 128 kbps as gravações que já compartilhou – mas avisa que isso pode demorar meses (ele é um sujeito ocupado, tão pensando o quê?) e não quero ficar privando vocês do órgão & prazeres correlatos por tanto tempo. Então comecemos!

Pachelbel é um nome bem esquisito, nem os alemães têm certeza como se pronuncia. Vi um organista de Hamburgo (von Kameke) dizer “Parrélbel”, mas a maior parte parece concordar em “Párrelbel” (claro que a transliteração do CH alemão em RR carioquês é apenas uma aproximação!).

É uma felicidade, portanto, que ele ofereça coisas melhores que o nome pra gente ouvir: sua música – e esta é muuuuito mais que o famoso Cânon.

Como Kerll, Froberger, Muffat pai e filho, Johann Pachelbel é do Sul da Alemanha – e isso significa mais conexão com a Itália e a França que se ele se chamasse Buxtehude, palavra que naquele mundo até soa como um pântano frio do Norte. E essas conexões “latinas” talvez expliquem uma certa vertente melódica em Pachelbel que parece conversar mais fácil com sensibilidades não-germânicas – embora outra parte dele se entenda com Buxtehude muito bem, obrigado.

Pachelbel já tinha 32 anos quando o pai do PQP nasceu, e este ainda estava nos seus 21 quando aquele morreu. Quer dizer: não se trata de um menor que viveu paralelamente, e sim de um dos que levantaram a bola pro JSB cortar, bola que sem eles nem estaria lá.

E acho que por enquanto isto é mais que suficiente a dizer sobre ele. Só, como nota pessoal, comento que tenho um gosto especial pela “Ária Sebaldina com variações”, faixa 16. O arquivo inclui encarte completo em inglês/alemão/francês (trabalhosa cortesia do Nahum!)

Johann Pachelbel, Music for Organ – Werner Jacob, 1990
01 [I] Präludium in dm
02 [II] Fuga in dm
03 [III] Ciacona in dm
04 Choral*: Nun komm, der Heiden Heiland
05 Choral: Meine Seele erhebet den Herren
06 Magnificat – Fuga
07 Choral: Gelobet seist du, Jesu Christ
08 Choral: Vom Himmel hoch, da komm ich her (I)
09 Choral: Vom Himmel hoch, da komm ich her (II)
10 Toccata in F
11 Choral: Wie schön leuchtet der Morgenstern
12 Ciacona in fm
13 Partita s. Choral Christus, der is mein Leben
14 [I] Präludium in cm
15 [II] Fuga in cm
16 Aria Sebaldina com variazioni
17 [I] Toccata in cm
18 [II] Ricercare in cm

* Diferente de “coro”, na tradição luterana “choral” (pron. korál) significa “hino”, bem como peça instrumental elaborada a partir da melodia de um hino – e é com esse sentido que inclusive organistas bem posteriores (como Franck) usam a palavra.

. . . . . . BAIXE AQUI – download here

Ranulfus

8 comments / Add your comment below

  1. Grande Ranulfus! Não há nenhum problema em pôr aí meu nome todo. Afinal, todos aqui nos identificamos por gostar de música de qualidade. E, como você já sabe, Pachelbel e Buxtehude são, de longe, meus compositores preferidos para o chamado “Rei dos Instrumentos”, entre outros ótimos. Portanto, ver meu nome publicado ao lado do grande Pachelbel é, pra dizer pouco, uma enorme honra e razão de satisfação pessoal. Abraços!

  2. Maravilhosa gravação…
    Quando teremos mais música francesa para órgão além do Franck? Gostaria de ver postada a suite gótica do Boellmann se fosse possível….

    1. Obrigado pela apreciação, Schlendrian!

      Farei o possível para trazer mais órgão para cá, em com variedade, mas serei sincero: vou primeiro que tudo postando o que tenho; simplesmente não tenho a possibilidade de parar para correr atrás. E também há outras coisas a postar, além de órgão.

      De órgão francês, tenho em vista no médio prazo alguns barrocos, algumas peças de Jehan Allain e algum Messiaen – mas vou anotar seu pedido da Suíte Gótica e ficar de olho!

      E dos antigos (independente de nacionalidade) é prioridade para mim trazer o órgão de Sweelinck. Acho uma loucura que eu não esteja encontrando isso na net em lugar nenhum!

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