Boris Tishchenko (1939 – 2010): Sinfonia 7

Boris Tishchenko morreu recentemente (2010). Conhecido e respeitado na Rússia, mas basicamente desconhecido no resto do mundo. Ele foi muito requisitado no ocidente para falar sobre seu mestre Dmitri Shostakovich, com que teve uma relação pai-filho. Além disso, a música de Boris Tishchenko não soa muito distante do mundo shostakovichiano: som tonal, militarizado e muitas vezes prolixo. Numa audição superficial, a música de Boris Tishchenko não atrai. Talvez por isso, no primeiro momento, não concentrei toda minha atenção em sua música, ouvia as suas imensas sinfonias enquanto lia algum livro. Hábito que não costumo ter. Mas, de repente, um milagre aconteceu.
Eu era um leitor voraz de romances, prática que ultimamente não me agrada tanto. Talvez pelo fato de ficar muito mais impressionado com a realidade das biografias e dos livros de história. Mas claro que quando eu me pergunto “por que este homem fez isso?”, a chave quase sempre é dada por um bom romancista. Por isso a leitura de Berlin Alexanderplatz de Doblin era crucial para entender o homem alemão dos anos 1920. Claro que o livro é muito mais que isso, mas não vou seguir adiante em questões literárias…Minha principal surpresa, além de vivenciar os descaminhos da personagem principal, foi ter conhecido a sinfonia n.7 de Boris Tishchenko enquanto lia esse livro. Essa sinfonia é a trilha sonora perfeita, pois todo o ambiente, personagens e fatos narrados no livro ganharam muito mais viço. Minha recomendação é que todos pudessem vivenciar esta experiência emocionante, mas é óbvio que a música sobrevive sem o livro.

Faixas:
1. Symphony No. 7, Op. 119: Movement I
2. Symphony No. 7, Op. 119: Movement II
3. Symphony No. 7, Op. 119: Movement III
4. Symphony No. 7, Op. 119: Movement IV
5. Symphony No. 7, Op. 119: Movement V

Moscow Philharmonic Orchestra
Conduzido por Dmitry Yablonsky
Baixe Aqui

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13 comments / Add your comment below

  1. Tenho sempre o cuidado de colocar Berlin Alexanderplatz, de Alfred Döblin, em minhas listas de dez melhores romances que li. É um livro extraordinário que felizmente recebeu nova tradução há uns três anos, pois a primeira, de Lya Luft, era bem ruinzinha. Li a primeira. Dava para notar a qualidade do livro mesmo através da má tradução.

    Vale a pena ver também o filme de Fassbinder que tem um GRANDE problema: tem 15 horas e meia. Claro que foi feito como uma série para TV, mas já passou no cinema em cinco dias… Vi grande parte na TVE de Porto Alegre nos anos 80. É estupendo!

    Baixando a (falsa) trilha sonora…

  2. Nossa, na minha ignorância achei mais interessante até que várias sinfonias do Shostakovich, muito legal, divertido, dissonante, orquestração colorida etc, vale a pena!

  3. esse filme passou em Floripa, nos anos 80, não me lembro se no Cinema do CIC ou se naquele da Prefeitura, e realmente não tive coragem de encarar as 15 horas de duração. Com relação à tradução vou dar uma fuçada nesta nova que o PQP comentou. Sempre tive vontade em ler pois sou fascinado pela Berlim da República de Weimar.
    By the way, bem vindo de volta, CDF.. sentimos sua falta.

  4. Esse nem eu conhecia! E olha que tem muitos outros que já caíram no esquecimento, e outros dos quais se fala menos, como Schumann, por exemplo. Isso é uma pena, mas não diminui de modo algum o verdadeiro valor da música. Pois é, Tishchenko faz lembrar muito Shostakovich, mas eu, de minha parte, nem sequer me atrevo a fazer comparações.

    Abraço.

  5. Ótimo saber do interesse de vocês pelo livro do Doblin (a série de televisão saiu no Brasil em DVD) e a reação positiva com relação à música de Boris Tishchenko. Pretendo voltar a postar com mais frequência outras obras desse compositor.

    Abraço.

  6. Minha peça predileta do Tishchenko é o concerto para harpa. O resto do que escutei não me cativa muito. Já escutei várias das sinfonias, mas a sétima não tenho certeza. Vou baixar! Valeu!

  7. Achei essa sinfonia um pouco anêmica, talvez não seja uma iniciação muito estimulante na música desse Tishchenko. Procurei mais coisas dele e encontrei um balé, Yaroslavna, que tem uma sonoridade mais original, embora seja talvez dissonante e confusa demais como primeira audição desse comnpositor.

  8. itadakimasu,

    Ótima lembrança, o concerto para harpa é excelente. Colocarei este concerto por aqui.

    Haya de La Torre,

    Para um ouvinte de dias engarrafados, o ínício dessa sinfonia não parece empolgar. Então pule para a faixa 2 e depois a faixa 5. Se a paciência for pródiga, as tensões do primeiro e terceiro movimento levam à recompensas.

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