Cesar Franck (1822-1890) – Sinfonia em Ré menor e Pièce Heroïque; Vincent d'Indy (1851-1931) – Variações Sinfônicas Istar, Op. 42

Como eu e Ranulfus estamos num empreendimento franckiano, apresento mais uma versão da famosa  Sinfonia em Ré. Surge ainda neste post outro francês, Vincent d’Indy. Seguem alguns dados dos dois compositores. César-Auguste-Jean-Guillaume-Hubert Franck foi um organista e compositor belga. Com quinze anos, após os estudos em sua cidade natal, foi para Paris onde passou a freqüentar o conservatório. Suas primeiras composições datam desta época e incluem quatro trios para piano e cordas (Trio op.1 no.1), além de peças para piano. Já separei os 4 trios para postar. Rute, uma cantata bíblica, foi composta com sucesso no conservatório em 1846. Deixou inacabada a ópera Le Valet de Ferme, iniciada em 1851. Durante muitos anos, Franck levou uma vida retirada, dedicando-se ao ensino e a seus deveres de organista, adquirindo renome como improvisador. Escreveu também uma missa, motetos, peças para órgão e outros trabalhos de cunho religioso. Professor do Conservatório de Paris em 1872, naturalizou-se francês no ano seguinte. Sua obra-prima é o poema sinfônico Les Béatitudes. Foi recebida, no entanto, com frieza na única execução pública durante a vida do autor. Possivelmente, venha a postar este extraordinário poema sinfônico. Outros poemas sinfônicos de Franck são Les Éolides, de 1876, Le Chasseur Maudit, de 1883 e Psyche, de 1888, sendo que os dois primeiros já foram postados aqui e o último ainda será postado. Já, por sua vez, Paul Marie Théodore Vincent d’Indy foi um compositor e professor francês. Em 1894, foi o principal fundador da “Schola Cantorum”. Compôs três sinfonias, as Variações Sinfônicas Istar, três óperas, canções, música de câmara, aberturas, e algumas peças para piano.

Textos com adaptações extraídos DAQUI e DAQUI.

Cesar Franck (1822-1890) – Sinfonia em Ré menor

01. Lento – Allegro non troppo
02. Allegretto
03. Allegro non troppo

Chicago Symphony Orchestra
Pierre Monteux, regente

Cesar Franck (1822-1890) – das ‘3 Peças para Grande Órgão’

04. Pièce Heroïque (versão orquestral)

San Francisco Symphony
Pierre Monteux, regente

Vincent d’Indy (1851-1931) – Variações Sinfônicas Istar, Op. 42

05 – I. Très lent
06 – II. Un peu plus animé
07 – III. Très animé
08 – IV. Le double plus vite

San Francisco Symphony
Pierre Monteux, regente

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Carlinus

15 comments / Add your comment below

  1. A dificuldade de encontrar informações sobre D’Indy em português me fez relembrar a Wikipedia na nossa língua ainda está muito insuficiente.

    Se a gente atribuir uma nota 10 à versão inglesa e à alemã – apenas para fins de comparação, não que elas sejam perfeitas – eu daria 8 ou 9 à verão francesa, mas não mais que 4 à em português. 🙁

    Cadê pessoas de conhecimento que possam ajudar a construir uma enciclopédia coletiva de qualidade na nossa língua? Isso seria um atalho fantástico na democratização do conhecimento entre nós – até mesmo porque o planeta já não tem mais condições de suportar a tamnha produção de livros em papel que seria necessária para isso.

    Da minha parte juro que eu gostaria de participar, mas vivo num aperto danado e isso não me deixa tempo para isso, infelizmente.

    Enfim: tudo isso pra louvar a sua iniciativa de declarar as suas fontes, Carlinus – … e ao mesmo tempo lamentar que a Wikipedia tenha te deixado na mão quanto à informação mais importante para os leitores entenderem o espírito desse disco: D’Indy foi aluno de Franck.

  2. D’Indy foi praticamente o “dono” da música acadêmica francesa da virada do século. (Curiosamente, é dele o livro “Curso de composição musical” que Villa-Lobos levou à tiracolo em sua mitológica viagem pelo Brasil.) D’Indy consolidou teoricamente a ideia da forma cíclica que pode ser tão bem percebida na Sinfonia de Franck. As “Variações Istar” são muito interessantes por apresentarem o tema no final da obra, e não no começo.

    A Sinfonia tem como característica principal (além de um tema inicial quase idêntico ao de “Os prelúdios” de Liszt, hehehe) o movimento intermediário que combina andante e scherzo, primeiramente lado a lado e depois simultaneamente – sim, ao mesmo tempo, com exatidão de compasso.

    Essa gravação do Monteux é absolutamente paradigmática. A obra é de muita difícil interpretação – pode soar muito aborrecida e pesada facilmente. Escutem a gravação do Furtwängler, por exemplo. Pfff.

  3. Tem mais uma coisa interssantíssima nesse disco: a faixa 4, uma versão orquestral da Pièce Heroïque, que eu só conhecia em órgão. Você que é fera nesse campo, José Eduardo, saberia se essa versão orquestral é do próprio Franck?

    A Pièce Heroïque está nos meus dois recentes posts de órgão do Franck (com André Isoir e com Hans-Eberhard Ross). Para mim, ouvir em orquestra parece “esclarecer” a música, traduzindo-a para uma linguagem mais usual… mas ao mesmo tempo parece banalizá-la um tanto, não? Fica a pergunta: em que medida a mensagem é independente do meio, ou o meio é parte constituinte da mensagem? (Claro que MacLuhan deu a resposta dele lá nos anos 60, mas eu lá sou de ir pela resposta dos outros? rsrs)

    Então, a ofensiva tá funcionando, né Carlinus? Esses dias não tinha quase nada de Franck, agora temos 3 versões da mesma peça pra comparar… 😀 Obrigado por mais essa!

    PS: tem razão sobre essa realização, José Eduardo! Pra ser honesto, é a primeira vez que eu entendo pq o Carpeaux encheu tanto a bola dessa sinfonia! Tá cheio de filigranas que me haviam escapado em todas as gravações que ouvi anterioremente!

      1. Hehhehe… a faixa 4 em si JÁ ESTÁ NO ARQUIVO DE DOWNLOAD, Carlinus… a menos que eu tenha surtado feio ontem à noite. JURO QUE OUVI

        [ Ufa, encontrei prova material! Olha aqui o nome do arquivo:
        04 Franck – Piece Heroique (orchestrated).mp3 😀 ]

        Tudo o que está faltando é a referência da faixa na lista aí em cima.

        Se vc estiver sem tempo, posso colocar ali na lista pra você, é só dizer. (Na verdade TAMBÉM estou sem tempo, mas… ahhhh, a paixão! 😀 )

      1. Valeu, José Eduardo!

        Também tenho paixão por correr atrás de informações – mas a gente não dá conta de ir sozinho atrás de tudo. Aí a beleza do tal “pensar em rede”!

  4. A Wikipedia em português tampouco fornece informações muito relevantes (quando fornece alguma), sobre nomes como Albert Roussel, Florent Schmitt, Gabriel Fauré, Paul Dukas…Obras destes compositores também não são nada fáceis de encontrar. De Fauré, há o Réquiem, e acabou. Quanto a Dukas, é verdade que sua obra é muito pouco extensa, mas não acho justificável reduzí-la ao “Aprediz de Feiticeiro”, e foi um pouco difícil encontrar uma gravação do balé “A Fada”, ou de suas obras para piano. Por fim, já que o assunto era D’Indy, o que pude apurar sobre ele não compõe um retrato lá muito lisonjeiro. Um seguidor de Franck, convertido mais tarde ao wagnerianismo, (de que pode ser considerado um epígono
    com tintas francesas) sem abandonar de todo as lições do mestre; que fundou a Schola Cantorum para faze frente ao conservadorismo do Conservatório, mas que acabou solidificando sua visão musical num academicismo mais avançado; que procurava compensar a pouca imaginação melódica mediante a elaboração harmônica…Estas “Variações Sinfônicas” são consideradas por alguns sua obra mais original.

  5. Essas discussões aqui ‘tão rendendo. “Mente coletiva”, não no sentido de homogênea, mas justamente pela cooperação entre diferentes. Passou a noite martelando na minha cabeça, a observação do José Eduardo: “Curiosamente, é dele [D’Indy] o livro ‘Curso de composição musical’ que Villa-Lobos levou à tiracolo em sua mitológica viagem pelo Brasil.”

    Pra dizer o que quero é preciso distinguir que há vários níveis na constituição de um compositor. Sem pretender esgotar, me interessa aqui distinguir: (1)talento pessoal na geração de material sonoro interessante em uma ou mais das dimensões melódica, rítmica, tímbrica, harmônica (“inspiração” I); (2)conhecimento de técnicas de composição, isto é: de desenvovimento e organização dos materiais acima; (3)talento pessoal no uso das técnicas acima (“inspiração” II); (4)um treco difícil de definir: estrutura humana pessoal suficiente para estabelecer ressonância entre sua aventura pessoal de produção e questões humanas que grupos suficientemente grandes têm em comum: anseios políticos, metafísicos, ou mesmo psicológicos pessoais, desde que tidos em comum por um número suficientemente grande de indivíduos.

    Não há dúvida que d’Indy foi um compositor menor, aluno de um compositor maior. Aliás, essa coisa (apontada por Haya) de combater o conservadorismo anterior para se tornar ele mesmo um conservador, isso se diz também de Saint-Saëns. Mas se ele conseguiu condensar conquistas anteriores nesse seu “Curso de Composição”, de tal modo que através dele compositores naturalmente muito mais bem dotados receberam alimento NO NÍVEL 2 dos enumerados acima, então sua participação na história da música está mais que justificada.

    Mas o mais espantoso disso é pensar em Villa-Lobos como membro da família franckiana – o que de modo nenhum é absurdo, depois de enunciado & refletido!

    O que NÃO equivale a definir Villa-Lobos como “compositor influenciado por César Franck”. Isso seria ridículo, como são no fundo ridículas as tentativas de explicar Franck como “compositor influenciado por Liszt”. Os grandes não “são influenciados” pelo passado: eles o usam estímulo e/ou como alimento – o subsumem (no jargão filosófico) ou antropofagizam, como diria o Oswald.

    E quando um coelho come cenoura, o coelho não vira cenoura: a cenoura é que vira coelho. 😉

  6. Rapaz, eu não queria escrever ainda mais neste post, mas… tenho que comentar duas qualidades inacreditáveis: a da gravação e a da regência.

    Sobre a gravação, me pergunto que milagres a eletrônica anda conseguindo realizar, pois mal acreditei quando li que o Pierre Monteux morreu em 1964.

    E quanto à regência, me pergunto o que é que eu estava fazendo este tempo todo, que ainda não havia ouvido Pierre Monteux – sem sombra de dúvida um regente muito superior à quase totalidade dos que já ouvi!

    E ainda fiquei embasbacado ao ler que foi ele quem regeu a famosíssima estreia da Sagração da Primavera em 1913. Um marco tamanho da história da música, prestes a completar 100 anos… e eu aqui ouvindo uma interpretação magistral desse mesmo regente…

    … e ainda por cima com essa qualidade de som… É, confesso: estou em-bas-ba-ca-do!

    1. A gravação, se não me engano, é do final da década de 1950. É da era de ouro da estereofonia. A RCA estava testando os equipamentos de quatro faixas, as gravações são absolutamente incríveis. Boa parte das modernas não se compara a elas! Sorte que as remasterizações da série “Living Stereo” são muito boas, muito fiéis.

      E o elenco da RCA na época? Efeitos do pós-guerra: Monteux, Munch, Reiner, Heifetz, orquestras americanas em seu auge. É disso que os sonhos discográficos são feitos, amigos.

  7. Sobre o Monteux, mais umas coisinhas:

    Ele foi talvez o primeiro a dar nível internacional à sinfônica de Boston, que regeu entre 1920 e 1924, antes do Koussevitzky assumir a orquestra por 25 anos e transformá-la no principal conjunto dos EUA.

    O período de Monteux com a Sinfônica de São Francisco foi entre 1936-52. Então a gravação é bem antiga mesmo!

    Outro que tem ligações estreitas com D’Indy e Franck é o Nepomuceno, aliás, estou baixando esse disco para usar as obras numa comparação com a Sinfonia em Sol Menor que o compositor brasileiro escreveu em 1893.

    Não deve ser à toa que Nepomuceno foi o principal defensor do Villa-Lobos na década de 1910, entrando em brigas homéricas com o Oscar Guanabarino por causa disso.

    Sobre os verbetes da wikipedia, estou contribuindo lá, por enquanto ainda muito devagar, e mais nos compositores brasileiros, cujos verbetes são sofríveis. Precisamos de mais gente editando, sem dúvida – a coisa tá feia por lá…

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