Olivier Messiaen (1908 – 1992): Des Canyons aux Etoiles..

Messiaen foi o mais importante compositor das últimas décadas. Católico e amante da Natureza. Dedicou boa parte de sua música a Deus e suas criações divinas. Aqui apresento uma de suas mais importantes obras: “Des Canyons aux Etoiles…” Música em doze movimentos inspirada nos cânions americanos no sul de Utah. Coloco esta obra como um complemento instrumental da Paixão Segundo Mateus, pois ressalta que não apenas os homens podem ser divinos, mas a própria natureza rochosa, o deserto, as estrelas numa noite escura e claro, os pássaros…Essa religiosidade e reverência a criação são ingredientes tão tocantes e profundos que abalam as convicções de um ateu melômano…bem, pelo menos durante a audição dessa música tão sincera. Talvez eu arrisque uma pergunta polêmica: A música religiosa pode ser sentida e apreciada em sua totalidade por um ouvinte ateu? Herreweghe disse que fez duas gravações da Paixão Segundo São Mateus: a primeira, quando era um “believer” (já postada aqui) e a segunda, quando virou ateu. Ele disse que “é possível que tão contrastantes fases em minha vida tenham atingido essas interpretações”. Alguém arrisca dizer qual a melhor? Já um amigo ateu me confessou ouvir Bach da mesma maneira que Bruckner ouvia Wagner, sem entender o texto. No caso de “Des Canyons aux Etoiles…”, não há menção explícita do seu catolicismo, por isso, ouvintes de outras crenças vão se sentir em terreno seguro e os ateus podem trocar Deus por Natureza.

Mas ao contrário do que possa parecer essa introdução “nonsense” a música que ouviremos é moderníssima, muitas vezes brutal, com sonoridades estranhas, sons produzidos por ventos. Pode ser confundido com um concerto para piano gigantesco. É bom lembrar que neste magnífico registro contamos com a interpretação da mulher de Messiaen, a pianista Yvonne Loriod.

Realmente um mundo absurdamente criativo esse que Messiaen imaginou.

cd1

1. No. 1, Le Desert
2. No. 2, Les Orioles
3. No. 3, Le Qui Est Ecrit Sur Les Etoiles
4. No. 4, Le Cossyphe D’heuglin
5. No. 5, Cedar Breaks Et Le Don De Crainte
6. No. 6, Appel Interstellaire
7. No. 7, Bruce Canyon Et Les Rochers Rouge-Orange
8. No. 8, Les Ressuscites Et Le Chant De L’etoile Aldebaran
9. No. 9, Le Moqueur Plyglotte

BAIXE AQUI (CD1) – DOWNLOAD HERE

cd 2

10. No. 10, La Grive Des Bois
11. No. 11, Omao, Leiothrix, Elepaio, Shama
12. No. 12, Zion Park Et La Cite Celeste
13. Hymne Au Saint-Sacrement
14. Les Offrandes Oubliées I5/A,B

BAIXE AQUI (CD2) – DOWNLOAD HERE

9 comments / Add your comment below

  1. Caro PQP!
    A resposta para sua pergunta é SIM! Sou agnóstico e tenho um profundo respeito e admiração pela música sacra. Ela é na maioria das vezes bela, forte e sensível. Do meu ponto de vista a manifestação religiosa nada mais é do que o culto ao homem, só que de forma invertida como nos lembra Feuerbach. Deus é a síntese de todos nossos desejos, nosso instrumento mágico que “realiza” e/ou “antecipa” nossas potenciais capacidades ainda não efetivadas, ou seja, Deus é a mais sublime criação humana. Quando fazemos música a Deus e/ou aos deuses estamosna verdade fazendo música para nós mesmos. Abraços do ERASMO

  2. Excelente comentário do Erasmo.

    Meu caro CDF, concordo in-tei-ra-men-te quando você fala em Messaien como o mais importante criador musical das últimas décadas. É incrível que fale francês…

    Minha resposta é SIM, pois acreditamos e vivenciamos o que nos é contado, seja uma história visceral e maldosa de Thomas Bernhard, seja uma história de iluminação, seja uma música de devoção à Cristo. E creio que qualquer pessoa possa acreditar numa mentira com sinceridade, por alguns minutos ou para sempre. Então, tanto faz ser ou não religioso.

    Abraço.

  3. Oh 21º
    Por mais idiota que possa parecer minha resposta ela não o é:
    Você não é Ateu!
    Aliás, não existem Ateus.
    O máximo que você poderia fazer (para comprovar a sua descrença)seria deslocar Deus la de cima(que lugar horrível escolheram para que ele morasse)colocando-o em seu coração.

    …na “bondade” de alguns seres humanos.
    …na “esperança” de que um dia você venha a compreender o incompreensível.
    …no “belo” esforço que representa o simples ato de viver, batendo ou não qualquer record olímpico,
    …na “emoção” de uma pequena frase musical.
    …na “existência” de um mundo interior inexplicável (mesmo que sua única reação tenha sido a de ficar contando os segundos nos quais você ficou olhando seu filho se afogar).
    …na “realidade” dos Canion de um Universo infinito, infinito tão inexplicável quanto o é quem o criou.
    …na existência da “vida”…
    …ou mesmo na existência de um único “Francês Genial” (e olhe que os há a centenas a merecerem nossa admiração).
    Quem sabe?
    …no “sentimento” de beleza que nos traz um florzinha qualquer ou mesmo na “confiança” de que o bem existe…

    Ou seja, meu caro 21º, o máximo que você conseguirá fazer é parar de procurar Deus com o seu consciente e continuar a sentí-lo com o seu coração, alma, amor,espírito, caridade, bondade ou qualquer outra linda oração que represente o bem, tão incompreensível quanto qualquer coisa Divina.

    Mas… …alguém, alguma vez, já disse que Deus é comprensível?

    …compreensível???

    …que nada 21º!!!
    Ele é… …APENAS… …sensível…

    Um grande abraço e continue a sentir que Deus está em seu espírito…
    Edson

  4. Olá, caros amigos.
    É uma bela obra, não é mesmo?
    Os timbres inesperados exercem uma importante atração descritiva sobre mim.
    Igualmente as associações dos mesmos com às bruscas mudanças de intensidade e de volume instrumental, decorrentes da junção e da “disjunção” súbita ou progressiva das sonoridades de instrumentos comuns com outros muito pouco comuns são marcantes em seus efeitos.
    Por exemplo: são claramente identificáveis as máquinas de vento e a de areia e o que significam como elementos expressivos.
    Igualmente, a parte reservada à percussão (na qual acredito podermos incluir o piano, pois, ele é tratado como tal), é de importância vital por serem bastantes raras as intervenções melódicas (no sentido comum da palavra).
    É possível identificar, também, que cada um de seus movimentos foi elaborado sem uma preocupação formal com a hierarquia. Ao ouvi-los, cada um deles assume um caráter quase que de identidade com os demais.
    No entanto, é quase impossível, ouvindo a obra uma só vez, identificar toda a riqueza de que é revestida.
    Tampouco parece possível penetrar, de imediato, em todas as cores dessa viagem descritiva que vai desde os Canyons dos Estados Unidos da América do Norte ao Universo, como um todo, em suas explosões aterradoras as quais assumem, na verdade, um caráter de grandiosidade por vezes “cataclísmica” entrecortada, aqui e ali, por tensas calmarias que irão desaguar em um movimento final da mais pura religiosidade.
    Uma religiosidade verdadeira.
    Pungente.
    Claro que os Títulos atribuídos por Messiaen a cada um dos 12 movimentos deveriam levar à percepção mais profunda do significado expressivo sonoro,pictórico e descritivo de cada um deles. Contudo, acho pouco provável que isto seja viável de imediato, salvo, por exemplo, no magnífico solo do sexto movimento ou no sentido óbvio do décimo segundo.
    Bem… …é necessário ouvir mais e mais e ainda mais e procurar deixar-se envolver pela gigantesca genialidade de Messiaen nas composições que ele faz com sonoridades muitas vezes pouco identificáveis.
    Eu penso que o mais importante é que, apenas após havermos assimilado o significado expressivo de toda essa gigantesca narração, descrição e pintura sonoras nos voltemos, por uma questão de erudição, à busca de identificar os rótulos para sabermos, então, o que produziu e como foi produzida tal e qual paleta sonora.
    As ouvimos! Claro que as ouvimos!
    …e, muitas delas, extremamente expressivas… mas …como foram mesmo produzidas?
    Um grande abraço a todos e vamos continuar com essa riqueza de postagens musicais.
    Edson

  5. Messiaen é simplesmente d-e-m-a-i-s. Estou terminando o curso de bacharelado em composição e adivinha qual é o meu tema? 🙂
    De tanto pesquisar sobre a vida dele, cada vez me apaixono mais por sua música. Não creio que você deva acreditar em algo para ouvi-lo. Isso só trará uma escuta e apreciação diferente, creio eu. Cada um ouve de um jeito e interpreta de outro, certo?
    Sugiro que você vá atrás das obras:
    – Vingt Regards sur l’Enfant Jésus (especialmente o tema que abre – Tema de Deus: “O Olhar do Pai”)
    – O Sacrum Convivium
    – Visions de l’Amen

    abraço!

  6. Desculpem por minha muito provável ignorância musical, mas não curti muito a obra desse Messiaen, tampouco captei algo poético ou divinamente inspirador, quer seja eu ateu ou crente. Talvez esteja mais habituado a ouvir a linha mais tradicional e clássica. Porém, como disse Richard Strauss:”Não existe música abstrata. Existe música boa e música ruim. Se for boa, significa alguma coisa.” Nesse contexto, posso dizer que a música de Messiaen é boa e tem sua significação mas não é excepcional.
    Para os interessados segue link Mitsuko Uchida – Box Set Schubert Piano Sonatas em FLAC site em russo):

    http://boxset.ru/mitsuko-uchida-plays-schubert-8cd-boxset

    Saúde.

  7. Olá, primeiramente parabéns pela iniciativa. Agradeço pela oportunidade de ter acesso às obras deste acervo fantástico. O link para o Cd2 do Olivier Messiaen: Des Canyons aux Etoiles foi deletado 🙁 Se possível, poderia subir o arquivo novamente, por favor? Obrigado. Abraço a todos

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