Robert Schumann (1810-1853) – 5 Stucke im Volkston (5 Pieces in Folk Style), Op. 102, Cesar Franck (1822-1890) – Violin Sonata in A major (arranged for Cello), Peter Ruzicka (*1948) Recitativo for Cello and Piano, Camille Saint-Saëns (1835–1921) Introduction and Rondo capriccioso – Radutiou, Runberg

Chove já há alguns dias aqui em minha cidade. É uma chuva intermitente, teimosa. Dizem que tem um sistema de alta pressão agindo sobre o estado, aliado a um ciclone extra tropical que está sobre o oceano, por isso o tempo está nublado e chuvoso em todo o sul do país.
O teclado de meu notebook está com problemas, na verdade é um problema de fábrica. O saudoso Ammiratore, um mestre na administração de dezenas de computadores em seu serviço, comentou que o problema não estaria no teclado, que por sinal já foi trocado, e sim na placa mãe. Ou seja, a solução seria comprar um novo. E isso, meus caros, está totalmente fora de cogitação.
Quem também é um mestre em seu instrumento é o violoncelista Valentin Radutiu, que nos traz uma das mais belas versões que já ouvi da maravilhosa Sonata de Cesar Franck, em sua versão para o irmão maior do violino. O rapaz é um grande expoente do seu instrumento neste começo de século XXI, e este belíssimo Cd é uma prova disso, levando em conta que é sua estréia no mercado fonográfico, o rapaz tinha 25 anos na época em que o gravou. Mas ele não se deixa intimidar, e encara com muita energia e coragem a Sonata de Franck e outras duas outras obras igualmente técnicas e muito difíceis, o “Recitativo para Violoncelo e Piano” de Peter Ruzicka e ‘Introduction and Rondo capriccioso in A Minor, op. 28” de Saint-Säens.
Estes dias chuvosos são um tanto quanto melancólicos, talvez por este motivo escolhi Franck e Schumann para iniciar os trabalhos do dia. E foi uma escolha apropriada.  Espero que apreciem.

01. 5 Stucke im Volkston (5 Pieces in Folk Style), Op. 102 No. 1. Mit Humor
02. 5 Stucke im Volkston (5 Pieces in Folk Style), Op. 102 No. 2. Langsam
03. 5 Stucke im Volkston (5 Pieces in Folk Style), Op. 102 No. 3. Nicht schnell, mit viel Ton zu spielen
04. 5 Stucke im Volkston (5 Pieces in Folk Style), Op. 102 No. 4. Nicht zu rasch
05. 5 Stucke im Volkston (5 Pieces in Folk Style), Op. 102 No. 5. Stark und markiert
06. Violin Sonata in A major, M. 8 (arr. J. Delsart) I. Allegro ben moderato
07. Violin Sonata in A major, M. 8 (arr. J. Delsart) II. Allegro
08. Violin Sonata in A major, M. 8 (arr. J. Delsart) III. Recitativo – Fantasia Ben moderato – Largamento con fantasia
09. Violin Sonata in A major, M. 8 (arr. J. Delsart) IV. Allegro Moderato
11. Introduction et rondo capriccioso in A minor, Op. 28 (arr. V. Radutiu for cello and piano)

Valentin Radutiu – Cello
Per Rundberg – Piano

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Georg Friedrich Händel (1685-1759): Aberturas

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Aberturas

Não sei se Pinnock e seu The English Concert gravaram o Messias antes deste disco de 1986, apenas sei que, há 30 anos atrás, eles já estavam preparados para fazerem aquele que é, na minha opinião, o melhor registro do famoso oratório de Händel. Pois esta turma tem (ou tinha) Händel no DNA. Essas aberturas, ouvidas juntas, guardam algo de pomposo, talvez de repetitivo, mas a sonoridade da orquestra de Pinnock estava finamente preparada para mais. Como amo a música barroca, me lambuzei e me satisfiz mesmo aqui. Um belo disco.

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Aberturas

Alceste;
HWV 45 Act 1: Grand Entrée
1 Maestoso 2:46
Agrippina;
HWV 6 Sinfonia:
2 Without Tempo Indication – Allegro – Adagio 4:04
Il Pastor Fido; HWV 8a
3 Without Tempo Indication – Lentement 4:12
4 Largo 3:53
5 Allegro 2:12
6 (Menuet) 2:00
7 Adagio 8:20
8 (Allegro) 3:24
Saul; HWV 53
Act 1: Sinfonia

9 Allegro 4:05
10 Larghetto – Adagio 2:42
11 Allegro 2:38
12 Andante Larghetto 2:40
Act 2: Sinfonia “Wedding Symphony”
13 Largo _ Allegro 4:44
Teseo; HWV 9
Ouverture

14 Largo – Without Tempo Indication 5:19
Samson; HWV 57
15 Andante – Adagio 3:53
16 Allegro 1:42
17 Menuetto 2:17

The English Concert
Trevor Pinnock

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O gordo mestre da ópera barroca
O gordo mestre da ópera barroca

PQP

DESAFIO PQP! -> Beethoven (1770-1827): Famosas Sonatas para Piano ֎

DESAFIO PQP! -> Beethoven (1770-1827): Famosas Sonatas para Piano ֎

BTHVN

Sonatas Famosas

 

Luar sobre a Lagoa de Piratininga…

Três sonatas para piano que se destacaram por receberem apelidos: Patética, Ao Luar e Waldstein. Além da numeração ou da tonalidade, essas sonatas ganharam tanto a predileção do público que são conhecidas pelo nome. E realmente, se você quiser dar a alguém uma ideia de como a música de Beethoven é magistral, estas três sonatas serão um excelente ponto de partida. No conjunto há aqueles momentos de suspense, de enternecimento, nos quais os lencinhos vão aos olhos, também aqueles eloquentes silêncios e, principalmente, aquelas irrupções tempestuosas de acordes e de emoções que, se não destroem os pianos, podiam arrebentar uma corda ou duas.

Conde Waldstein

Aqueles entre nós que já ouvem música há mais tempo têm suas preferidas versões, suas escolhas já feitas. De qualquer forma, percorrer as prateleiras de CDs buscando aquela versão especial para ouvir no momento ou para mostrar a alguma companhia enquanto se bate um animado papo sobre música é uma boa antecipação do prazer. Se bem que CDs e prateleiras são cringe e o que é in agora é escolher o arquivo certo no aplicativo estiloso.

Eu tinha um amigo que gostava de adivinhações. Ele selecionava uns dois ou três discos (não tínhamos tantos naqueles dias) com música de um mesmo compositor e fazíamos audições às cegas – mais ou menos como se fazem nos cursos de degustação de vinhos – e depois tentávamos adivinhar as peças e os intérpretes. As peças era a parte mais fácil, mas adivinhar o intérprete era mais complicado e em muitos casos tínhamos interessantes surpresas.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata No. 8 em dó menor, Op. 13 – Pathetique

  1. Grave – Allegro di molto e con brio
  2. Adagio cantabile
  3. Rondo (Allegro)

Sonata  No. 14 em dó sustenido menor, Op. 27, 2 – Ao Luar

  1. Adagio sostenuto
  2. Allegretto
  3. Presto agitato

Sonata No. 21 em dó maior, Op. 53 – Waldstein

  1. Allegro con brio
  2. Introduzione. Adagio molto
  3. Rondo. Allegretto moderato – Prestissimo

Pianista…

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MP3 | 320 KBPS | 129 MB

Assim, proponho essa brincadeira para nossos seguidores, de adivinhar o intérprete destas três lindas sonatas. Se você se divertir ouvindo os arquivos, já ficarei muito feliz. Se adivinhar quem está por trás das teclas, mais ainda. Aquele que enviar uma mensagem fazendo uma tentativa de acertar, terá acesso livre a tantos downloads quanto conseguir e, se além disso, acertar o nome, ganhará uma cocada (virtual)! Não deixe de participar da brincadeira e mantenha contato com o blog para quando houver a grande revelação!

Aproveite!

René Denon

Meu sobrinho pensou que era a música deste Waldstein…

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Isaac Stern Plays Mozart

Havia um tempo, não muito tempo atrás, em que a Terra era dominada por excepcionais violinistas, mestres supremos e soberanos de seus instrumentos: David Oistrakh, Jascha Heifetz, Henryk Szering, Nathan Milstein, Isaac Stern, entre outros. E todos eles eram contemporâneos, habitavam o planeta ao mesmo tempo, e dominavam os palcos do mundo todo.

Dentre estes acima citados, Isaac Stern era o mais novo. Morreu em 2001, aos 81 anos. Apesar de ter nascido na Ucrânia, ainda bebê seus pais imigraram para os Estados Unidos, se estabelecendo em San Francisco.

Estas gravações dos concertos de Mozart valem cada minuto de sua audição. Nomes como George Szell, Pinchas Zukerman, Jean Pierre Rampal e Daniel Barenboim estão entre os maestros que o acompanham, então a qualidade está garantida.

Espero que apreciem.

CD 1

01-Concerto No 1 in B-flat Major for Violin – I. Allegro moderato
02-Concerto No 1 in B-flat_Major_for_Violin –  II. Adagio
03-Concerto No 1 in B-flat Major_for_Violin – III. Presto

Columbia Symphony Orchestra
George Szell – Conductor
Isaac Stern – Violin

04-Concerto No 2 in D Major for Violin – I. Allegro moderato
05-Concerto No 2 in D Major for Violin – II. Andante
06-Concerto No 2 in D Major for Violin – III. Rondo. Allegro

English Chamber Orchestra]
Alexander Schneider – Conductor

07-Concerto No 3 in G Major for Violin – I. Allegro
08-Concerto No 3 in G Major for Violin – II. Adagio
09-Concerto No 3 in G Major for Violin – III. Rondo. Allegro

Members of Cleveland Orchestra

CD 2

1. Concerto Nº 4 in D Major for Violin I. Allegro
2. II. Andante cantabile
3. III. Rondeau. Andante grazioso

English Chamber Orchestra
Alexander Schneider – Conductor

4. Concerto No 5 in A Major for Violin I. Allegro aperto
5. II. Adagio
6. III. Rondeau – Tempo di Menuetto

Columbia Symphony Orchestra
George Szell – Conductor

7. Adagio for Violin and Orchestra in E Major, K. 261
8. Rondo for Violin and Orchestra in C Major, K. 373

English Chamber Orchestra
Alexander Schneider – Conductor

Disc: 3
1. Concertone in C Major for Two Violins I. Allegro spiritoso
2. II. Andantino grazioso
3. III. Tempo di Menuetto – Vivace
4. Sinfonia Concertante for_Violin Viola I. Allegro maestoso
5. II. Andante
6. III. Presto

Pinchas Zukerman – Violin, Viola
English Chamber Orchestra
Daniel Baremboim – Conductor

7. Serenade No6 in D Major K239 I. Marcia. Maestoso
8. II. Menuetto
9. III. Rondeau. Allegretto

Franz Liszt Chamber Orchestra

CD 4
01-March in D Major K.249
02. Serenade in D Major K.250 248b Haffner I. Allegro maestoso – Allegro molto – Jean-Pierre Rampal
03. II. Andante
04. III. Menuetto
05. IV. Rondeau. Allegro
06. V. Menuetto galante – Trio
07. VI. Andante
08. VII. Menuetto
09. VIII. Adagio – Allegro assai

Franz Liszt Chamber Orchestra
Jean Pierre Rampal – Conductor

10. Adagio for Violin and Orchestra in E Major, K. 261
11. Rondo for Violin and Orchestra, K. 373

Franz Liszt Chamber Orchestra

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FDP

Johannes Brahms (1833-1897) – As Danças Hungaras em diversas opções

A história da composição destas ‘Danças Húngaras’ é meio nebulosa, desde acusações de plágio até desconfianças sobre como Brahms as compôs se nunca foi até aquele país, nem teve contato direto com sua cultura. Isso remete ao excepcional trabalho de resgate que o colega Vassily Genrikhovich vem fazendo da obra de Bártok, quando trouxe alguns cds da obra etnográfica do genial compositor húngaro, coletada após anos de pesquisa, material que poderíamos chamar de ‘raiz’, afinal, o compositor gravou diretamente dos camponeses húngaros. Mas afinal, como Brahms se inspirou para compor estas danças? Malcolm McDonald assim nos explica:

“(…) essas datam de muito tempo, desde seu encantamento inicial com as melodias ciganas que ficou conhecendo por meio de Reményi. A atração exercida por estas melodias exóticas, com a sua conexão supostamente direta com uma tradição folclórica viva, foi aumentada pela amizade com Joachim –  que era húngaro e compositor de pelo menos uma obra extremamente ambiciosa “à maneira húngara”.

(…) Brahms considerava as ‘Danças’ arranjos e, embora algumas das melodias possam de fato ser originais, a maior parte se origina de músicas ciganas populares do tipo czarda, muitas das quais podem ser encontradas em edições húngaras. (…) Brahms, na realidade, foi acusado de certo plágio dessas fontes, embora seja provável que ele tenha anotado a maioria das melodias de ouvido a partir do repertório de Reményi (…).

Ainda baseado em McDonald:

“Tudo isso de lado, as formas e intensificações que Brahms impôs ao seu material preferido são indiscutivelmente suas. As Danças são composições legítimas, mesmo que ele não tenha composto o material básico. (…). Brahms tira o máximo partido da liberdade rítmica, das oportunidades para ritmo cruzado e rubato, do estilo melódico popular e das cadências exoticamente moduladas que o meio de expressão oferecia”.

Ao contrário de outras ocasiões em que trouxe essas obras, hoje às ofereço em três versões : para dois pianos, com as divinas irmãs Labèque, a versão orquestral imortalizada por Claudio Abbado em sua passagem pela Filarmônica de Viena, e uma versão muito especial, nas mãos do excepcional violinista Oscar Shumsky acompanhado por piano. Estas transcrições foram realizadas pelo próprio Joseph Joachim, violinista húngaro muito amigo de Brahms. Até ter acesso a este CD, só conhecia algumas destas danças tocadas neste formato em discos solos de violinistas, nunca em sua íntegra.

A pergunta é: qual a minha versão favorita? Poderia citar a versão para dois pianos imediatamente, pois foi meu primeiro contato com estas obras, e foi o CD que me apresentou as Irmãs Labèque, mas o colorido orquestral da Filarmônica de Viena e a riqueza melódica e rítmica extraída do violino de Shumsky tornam minha decisão mais difícil, por isso prefiro dizer que são as três, cada uma delas traz sua magia. Por isso recomendo as três.

P.S. Citações extraídas de McDonald, Malcolm. Brahms. Tradução Mario e Claudia Martinelli Gama. Jorge Zahar Editor, 1993.

01. Hungarian Dances: No.1 in G minor (Allegro molto)
02. Hungarian Dances: No.2 in D minor (Allegro non assai – Vivace)
03. Hungarian Dances: No.3 in F major (Allegetto)
04. Hungarian Dances: No.4 in F sharp minor (Poco sostenuto – Vivace)
05. Hungarian Dances: No.5 in G minor (Allegro – Vivace)
06. Hungarian Dances: No.6 in D major (Vivace)
07. Hungarian Dances: No.7 in F major (Allegretto – Vivo)
08. Hungarian Dances: No.8 in A minor (Presto)
09. Hungarian Dances: No.9 in E minor (Allegro ma non troppo)
10. Hungarian Dances: No.10 in F major (Presto)
11. Hungarian Dances: No.11 in D minor (Poco Andante)
12. Hungarian Dances: No.12 in D minor (Presto)
13. Hungarian Dances: No.13 in D major (Andantino grazioso – Vivace)
14. Hungarian Dances: No.14 in D minor (Un poco Andante)
15. Hungarian Dances: No.15 in B flat major (Allegretto grazioso)
16. Hungarian Dances: No.16 in F major (Con moto)
17. Hungarian Dances: No.17 in F sharp minor (Andantino – Vivace)
18. Hungarian Dances: No.18 in D major (Molto vivace)
19. Hungarian Dances: No.19 in B minor (Allegretto)
20. Hungarian Dances: No.20 in E minor (Poco Allegretto – Vivace)
21. Hungarian Dances: No.21 in E minor (Vivace)

Katia & Marielle Labèque – Pianos
Orquestra Filarmônica de Viena
Claudio Abbado – Condutor
Oscar Shumsky – Violino
Frank Maus – Piano

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Béla Bartók (1881-1945): Quartetos Nº 2 a 4 (Tátrai) #BRTK140 Vol. 8 de 29

Béla Bartók (1881-1945): Quartetos Nº 2 a 4 (Tátrai) #BRTK140 Vol. 8 de 29

Aqui, toda a coleção.

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Se não  me engano, as gravações do Tátrai são de 1967 e o som diz com mais ou menos clareza: venho dos anos 60… Esta gravação da integral dos quartetos de cordas já foi postada no início deste Ano Bartók –, mas creio que os completistas ficariam nervosos se não postássemos todos os 29 CDs deste esplêndida coleção, não? Então, aí está!

Béla Bartók (1881-1945): Quartetos Nº 2 a 4 (Tátrai) #BRTK140 Vol. 8 de 29

1 String quartet No. 2 in A minor, Sz. 67, BB 75 (Op. 17): I. Moderato
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 2, op. 17, Sz. 67, BB 75: I. Moderato
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1915 until 1917)
part of:
String Quartet no. 2, op. 17, Sz. 67, BB 75
10:04

2 String quartet No. 2 in A minor, Sz. 67, BB 75 (Op. 17): II. Allegro molto capriccioso
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 2, op. 17, Sz. 67, BB 75: II. Allegro molto capriccioso
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1915 until 1917)
part of:
String Quartet no. 2, op. 17, Sz. 67, BB 75
7:33

3 String quartet No. 2 in A minor, Sz. 67, BB 75 (Op. 17): III. Lento
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 2, op. 17, Sz. 67, BB 75: III. Lento
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1915 until 1917)
part of:
String Quartet no. 2, op. 17, Sz. 67, BB 75
8:44

4 String quartet No. 3 in C-sharp major, Sz. 85, BB 93: Prima parte. Moderato
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 3, Sz. 85, BB 93: I. Prima parte. Moderato
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1927)
part of:
String Quartet no. 3, Sz. 85, BB 93
4:36

5 String quartet No. 3 in C-sharp major, Sz. 85, BB 93: Seconda parte. Allegro
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 3, Sz. 85, BB 93: II. Seconda parte. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1927)
part of:
String Quartet no. 3, Sz. 85, BB 93
5:37

6 String quartet No. 3 in C-sharp major, Sz. 85, BB 93: Ricapitulazione della prima parte. Moderato
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 3, Sz. 85, BB 93: III. Ricapitulazione della prima parte. Moderato
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1927)
part of:
String Quartet no. 3, Sz. 85, BB 93
2:53

7 String quartet No. 3 in C-sharp major, Sz. 85, BB 93: Coda. Allegro molto
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 3, Sz. 85, BB 93: IV. Coda. Allegro molto
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1927)
part of:
String Quartet no. 3, Sz. 85, BB 93
1:57

8 String quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: I. Allegro
string quartet:
Takács Quartet
recording of:
String Quartet no. 4, Sz. 91, BB 95: I. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1928)
part of:
String Quartet no. 4, Sz. 91, BB 95
6:05

9 String quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: II. Prestissimo, con sordino
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 4, Sz. 91, BB 95: II. Prestissimo, con sordino
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1928)
part of:
String Quartet no. 4, Sz. 91, BB 95
2:57

10 String quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: III. Non troppo lento
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 4, Sz. 91, BB 95: III. Non troppo lento
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1928)
part of:
String Quartet no. 4, Sz. 91, BB 95
5:16

11 String quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: IV. Allegretto pizzicato
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 4, Sz. 91, BB 95: IV. Allegretto pizzicato
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1928)
part of:
String Quartet no. 4, Sz. 91, BB 95
2:44

12 String quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: V. Allegro molto
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 4, Sz. 91, BB 95: V. Allegro molto
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1928)
part of:
String Quartet no. 4, Sz. 91, BB 95
5:20

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Bartók em 1919

PQP

Vivaldi (1678–1741): Con amore – Concertos Diversos – Tafelmusik Baroque Orchestra – Elisa Citterio ֍

Vivaldi (1678–1741): Con amore – Concertos Diversos – Tafelmusik Baroque Orchestra – Elisa Citterio ֍

Antonio Vivaldi

Con amore

Concertos Diversos

Tafelmusik Baroque Orchestra

Elisa Citterio

 

Esta é a postagem de número 300 que preparo para o PQP Bach! Para esta festiva oportunidade, pelo menos para mim, escolhi um disco delicioso, com música de Vivaldi. O programa do disco reflete a sua capa, um maravilhoso buque de diversidade. Além disso, optei por escolher um disco que não enfatiza a individualidade, mas celebra a coletividade. É um disco com lindos concertos diversos com seus solos distribuídos pelos membros da orquestra, na medida em que são demandados.

O programa começa mui propriamente com uma abertura de ópera – Ottone – uma sinfonia, passando para um tradicionalíssimo concerto para violino – Amato Bene –, seguindo para concertos com instrumentos de sopros – fagote e oboés. E como o tema do disco é amor, temos o Concerto L’Amoroso, seguido por um concerto de câmara, com destaque para um alaúde. Para fechar a programação, dois concertos com muitos instrumentos, para fazer brilhar de vez a orquestra e os seus membros, numa festa pródiga em amor e alegria, coisas que andam aí um bocado em falta.

Este é o primeiro disco gravado pela Tafelmusik Baroque Orchestra sob a nova direção de Elisa Citterio que também é solista em alguns dos concertos.

Eu ouvi o disco numa preguiçosa manhã de domingo, sentado na varanda, tomando um solzinho nas pernas e lendo os jornais atrasados da semana (aqui recebemos os jornais em papel nas sextas-feiras, sábados e domingos) e fazendo as palavras cruzadas acolhendo as dicas dadas pela minha querida!

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Ottone in Villa – Abertura

  1. Allegro
  2. Larghetto

Concerto para Violino em dó menor, RV 761 – ‘Amato Bene’

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto para fagote em ré menor, RV 481

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro non molto

Concerto para 2 Oboés em dó maior, RV 534

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto para violino em mi maior, RV271 – ‘L’Amoroso’

  1. Allegro
  2. Cantabile
  3. Allegro

Concerto para alaúde em ré maior, RV 93

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto para 4 violinos, viola e baixo contínuo, RV553

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto for 2 violinos, 2 oboés e fagote em ré maior, RV 564a

  1. Allegro
  2. Adagio non molto
  3. Allegro

Elisa Citterio, violino e direção

Cristina Zacharias, violino

Patricia Ahern, violino

Geneviève Gilardeau, violin

Julia Wedman, violino

John Abberger, oboé

Marco Cera, oboé

Dominic Teresi, fagote

Lucas Harris, alaúde

Tafelmusik Baroque Orchestra

Gravado entre 30 de outubro até 2 de novembro de 2018, em Humbercrest United Church, Toronto, Canada
Gravado por TRITONUS Musikproduktion, Stuttgart, Alemanha

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 378 MB

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MP3 | 320 KBPS | 174 MB

Elisa testando a acústica do Salão Rosa do prédio do PQP Bach Corp. em Guapimirim

“In the collective imagination Vivaldi truly represents ‘l’italianità,’ or the Italian character.

Vivaldi’s music speaks unambiguously to people’s hearts.” —Elisa Citterio

The tempos all feel right, faster movements sounding upbeat but never breakneck, and slower movements given space to breathe but not enough to drag. Metrically, meanwhile, it’s precise but also far from rigid-sounding, thanks to sensitively shaped and coloured phrases and inventive ornamentation…where some bands will make a feature of their period instruments’ slightly less couth tonal tendencies, this lot definitely prefer polish.

Gramophone – January 2020

Two Baroque Violins

Depois você me escreva contando como foi que desfrutou desta belezura de disco!

Viva Vivaldi! Salve a Tafelmusik!

Tafelmusik

Aproveite!

René Denon

Uma palhinha…

Mozart (1756–1791): Concertos para Piano Nos. 9 & 17 – Olga Pashchenko & Il Gardellino ֎

Mozart (1756–1791): Concertos para Piano Nos. 9 & 17 – Olga Pashchenko & Il Gardellino ֎

Mozart

Concertos para Piano Nos. 9 & 17

Olga Pashchenko

Il Gardellino

 

 

Gostei de tudo neste disco, começando pela capa, colorida e jovial. E como a cada vez que acabo de ouvi-lo quero ouvir de novo, achei que deveria postá-lo.

É uma mistura de inovação e tradição que abrilhanta ainda mais o resultado. Temos dois excelentes concertos para piano de Mozart, mas não ainda aqueles maiorzões que viriam do vinte em diante. Os concertos são interpretados por uma jovem fortepianista russa que merece toda a nossa atenção (há outros surpreendentes discos da moça por aí…), acompanhada pela orquestra Il Gardellino, que foi formada há já mais de trinta anos pelo oboísta Marcel Ponseele e pelo flautista Jan De Winne.  O selo Alpha garantia de bom acabamento.

Dito isso, sei que você já vai colocar o mouse em outros ícones, pois que eu também receava os instrumentos de época, mas calma, experimente este aqui. Os fortepianos (um para cada concerto) soam muito bem e audíveis aqui e a interpretação vale ser apreciada. Assim, se você quiser ouvir esta linda música com ouvidos renovados, vá em frente, caso contrário e insista em ser cringe, siga para outras gravações como a combinação Serkin, LSO e Abbado nos mesmos concertos. Nada contra, mas…

Estes dois concertos têm em comum o fato de terem sido compostos por Mozart para duas pianistas que cruzaram seu caminho em diferentes situações. O Concerto No. 9 foi composto para Victorie Jenamy, pianista francesa que passava por Salzburgo e era filha de um famoso coreógrafo. Ela o deve ter tocado pela primeira vez em 4 de outubro de 1777. Eu adoro o movimento lento deste concerto que é um dos mais significativos dos que foram compostos em Salzburgo.

Babette

O Concerto No. 17 foi escrito para uma aluna de Mozart, Maria Anna Barbara Ployer, que o estreou em 13 de junho de 1784 em um concerto no qual esteve presente Giovanni Paisello. Mozart devia confiar muito nos talentos da aluna com quem tocou também a Sonata para dois pianos, K. 448. Deve ter sido uma noite e tanto. A instrumentação do concerto é bem rica para os padrões, com flauta, oboés, fagotes e trompas, além das cordas. Ouça com atenção o início do movimento lento, quando esperamos ouvir a entrada do piano e ouvimos um pequeno trecho de flauta, oboé e fagote…

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Concerto para Piano No. 9 em mi bemol maior, K271 “Jeunehomme”

  1. Allegro
  2. Andantino
  3. Rondeau.Presto

Concerto para Piano No. 17 em sol maior, K453

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Alegretto – Presto

Olga Pashchenko

Il Gardellino

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Olga em sua última visita à sede do PQP Bach de Porto Alegre, tomando uma brisa às margens do Guaíba…

I am happy to say that Pashchenko and colleagues catch both [concertos] beautifully. Pashchenko is full of play and exuberance but never at the expense of the darker undercurrents of the music.

[…]

You can tell by my comparisons, that I feel Pashchenko’s conception of these works is essentially operatic rather than symphonic, which I think is as it should be. Without a sense of the dramatic narrative of these works, something of their magic gets lost and I, for one, believe that, in almost everything he wrote, Mozart was composing operas.

Trechos de uma crítica que você poderá ler na íntegra aqui.

Aproveite!

René Denon

O piano, forte, de Mozart…

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Dialoge — Peças arranjadas para flauta e alaúde (Oberlinger & Karamazov)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Dialoge — Peças arranjadas para flauta e alaúde (Oberlinger & Karamazov)

É de alto nível, tem até obras com todos os movimentos, mas é um disco de gatinhos. É inevitável. Afinal, Oberlinger é uma estrela e estrelas raramente escapam de cometer esses discos para se popularizarem ainda mais. Mas… Seus méritos começam por ter permanecido exclusivamente em Bach, sem fazer salada de compositores. Então, quando digo que é de alto nível, quero deixar claro que as interpretações são esplêndidas, a audição do disco não provoca quebras de estilo ou de sonoridade e o disco é muito agradável, tanto que foi complicado deixar de ouvi-lo, pois é autêntico Bach, mesmo que sejam transcrições em sua maioria. O disco demonstra também que Bach não é apenas o Rei das Estruturas Polifônicas, mas também o Rei dos Melodistas. A alemã Oberlinger é uma craque em seu instrumento e Edin Karamazov (será que este sobrenome é real?) não lhe fica atrás. Recomendo fortemente a audição.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Peças arranjadas para flauta e alaúde (Oberlinger & Karamazov)

1 Bach: Nun komm, der Heiden Heiland, BWV 659 (Arr. for Recorder & Lute) 03:44

Concerto in D Minor, BWV 974, after Oboe Concerto, S.Z799 by Alessandro Marcello (Arr. for Recorder & Lute):
2 Bach: Concerto in D Minor, BWV 974, after Oboe Concerto, S.Z799 by Alessandro Marcello (Arr. for Recorder & Lute): I. Andante 03:12
3 Bach: Concerto in D Minor, BWV 974, after Oboe Concerto, S.Z799 by Alessandro Marcello (Arr. for Recorder & Lute): II. Adagio 03:17
4 Bach: Concerto in D Minor, BWV 974, after Oboe Concerto, S.Z799 by Alessandro Marcello (Arr. for Recorder & Lute): III. Presto0 3:48

Recorder Sonata in E Minor, BWV 1034:
5 Bach: Recorder Sonata in E Minor, BWV 1034: I. Adagio ma non tanto 03:09
6 Bach: Recorder Sonata in E Minor, BWV 1034: II. Allegro 02:46
7 Bach: Recorder Sonata in E Minor, BWV 1034: III. Andante 03:13
8 Bach: Recorder Sonata in E Minor, BWV 1034: IV. Allegro 05:03

Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007:
9 Bach: Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: I. Prelude (Arr. for Lute solo) 03:16

Recorder Sonata in E Major, BWV 1035:
10 Bach: Recorder Sonata in E Major, BWV 1035: I. Adagio ma non tanto 02:16
11 Bach: Recorder Sonata in E Major, BWV 1035: II. Allegro 03:14
12 Bach: Recorder Sonata in E Major, BWV 1035: III. Siciliano 03:47
13 Bach: Recorder Sonata in E Major, BWV 1035: IV. Allegro assai 03:12

Partita in A Minor, BWV 1013:
14 Bach: Partita in A Minor, BWV 1013: I. Allemande 04:44

Suite in C Minor, BWV 997 (Arr. for Lute & Recorder):
15 Bach: Suite in C Minor, BWV 997 (Arr. for Lute & Recorder): I. Preludio 03:31
16 Bach: Suite in C Minor, BWV 997 (Arr. for Lute & Recorder): II. Fuga 05:25
17 Bach: Suite in C Minor, BWV 997 (Arr. for Lute & Recorder): III. Sarabande 04:00
18 Bach: Suite in C Minor, BWV 997 (Arr. for Lute & Recorder): IV. Gigue & Double 06:35

Dorothee Oberlinger flauta doce
Edin Karamazov, alaúde

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Oberlinger na sala de espera para falar com PQP Bach em Aachen.

PQP

Erik Satie (1866-1925): Les Fils des Etoiles

Erik Satie (1866-1925): Les Fils des Etoiles

Erik Satie foi um importante precursor dos movimentos musicais do século passado. Foi um vanguardista. Influenciou Ravel e Debussy com sua música de paisagens estáticas. A música para Satie era uma mobília, um móvel que se adequa ao ambiente. A vida continua em seu fluxo e a música fica lá, parada, sem que a percebamos. Os efeitos psicológicos são notáveis. Por exemplo, enquanto estou aqui em casa lendo, esperando o tempo passar, o compositor é minha companhia. Mas é como eu não estivesse ouvindo nada. As pessoas passam no corredor, próximo ao meu apartamento, os carros buzinam, grades tilintam, chaves penduricalham; crianças gritam. Mas parece que não ouço nada. As miniaturas musicais de Satie são como rios marulhentos. Não percebemos a sua “viagem”. Todavia, às vezes, o seu ronco suave se expressa e aí lhe damos atenção. Satie destinava essa intenção à sua música. Queria que os ouvintes encarassem dessa forma aquilo que escrevia. Enquanto as sinfonias e concertos constituem universos, “teses”, “discursos eloquentes”, as peças de Satie são pequenos quadros, crônicas doces, suaves, “vagabundas”, miniaturas semimortiças. Mas, como é boa essa música!

Erik Satie (1866-1925) – Les Fils des Etoiles

01. Prélude du 1er Acte – La Vocation – Thème décoratif_ La nuit de Kaldée
02 – 1er Acte – La vocation
03 – Prélude du 2e Acte – L’Initiation – Thème decoratif_ La salle basse du Grand
04 – 2e Acte – L’Initiation
05 – Prélude du 3e Acte – L’Incantation – Thème decoratif_ La terasse du palais
06 – 3e Acte – L’Incantation

Steffen Schleiermacher, piano

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Satie preparando uma nova ironia para você.

Carlinus

del Buono / Gesualdo / Legrenzi / Macque / Montalbano / Piccinini / Rossi / Storace / Trabaci / Valente / Waesich: Seconde Stravaganze — Música Antiga Veneziana e Napolitana (L’Amoroso)

del Buono / Gesualdo / Legrenzi / Macque / Montalbano / Piccinini / Rossi / Storace / Trabaci / Valente / Waesich: Seconde Stravaganze — Música Antiga Veneziana e Napolitana (L’Amoroso)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Lindo disco! Durante um tempo, este CD custava mais de R$ 1000 nos vendedores de discos usados da internet. Depois foi relançado com outra capa — a capa ao lado é a antiga — e seu preço voltou ao normal. Olha, vale muito a pena ouvir. Os discos de música antiga podem ser extraordinários, dependendo da escolha ou da pesquisa envolvida. Os compositores são venezianos e napolitanos em boa parte desconhecidos e estreantes no PQP Bach, à exceção de três. A lista geral é esta: Alessandro Piccinini (1566 – 1638), Giovanni Legrenzi (1626 – 1690), Bartolomeo Montalbano (1600 – 1651), Antonio Valente (c. 1540 – c. 1601), Giovanni Maria Trabaci (1575 – 1647), Cherubino Waesich (cerca de 1600 – 1650), Bernardo Storace (cerca de 1630 – após 1665), Carlo Gesualdo (1560-1613), Gioan-Pietro Del Buono (fl. 1641-), Salomone Rossi (1570 – cerca de 1630) e Giovanni de Macque (1550 – 1614). As peças vão desde a adorável introdução de “Lo Ballo dell’Intorcia” de Valente, à “Pastorale” de Storace, feitas de maneira maravilhosa e inventiva. Estas duas peças são especialmente belas. Ficamos com um pouco do cromatismo da Renascença italiana tardia (o sempre estranho Gesualdo e a Seconde Stravaganze de Macque). Vamos decididamente ao barroco com a sonata de Legrenze, tudo isso interpretado de forma inventiva, com bom gosto e, quando necessário, virtuosismo. Percussão e contínuo, tanto de teclado quanto dedilhados, adicionam cor. Aliás, o trabalho de Guido Balestracci e de seu grupo de violas, cordas e percussão é muito sensível e de notável senso de estilo. Coisa mais linda.

del Buono / Gesualdo / Legrenzi / Macque / Montalbano / Piccinini / Rossi / Storace / Trabaci / Valente / Waesich: Seconde Stravaganze — Música Antiga Veneziana e Napolitana (L’Amoroso)

1 Lo Ballo Dell’Intorcia (Tenore Del Paso E Mezzo)
Composed By – Antonio Valente
4:45

2 Moro, Lasso
Composed By – Carlo Gesualdo
3:32

3 La Moniche
Composed By – Alessandro Piccinini
5:59

4 Gagliarda 1, La Galante
Composed By – Giovanni Maria Trabaci
3:31

5 Sonata No. 7, Stravagante Sull’ Ave Maris Stella
Composed By – Gioanpietro del Buono
4:03

6 Sonata No. 6
Composed By – Giovanni Legrenzi
6:25

7 Canzone No. 2
Composed By – Cherubino Waesich
4:28

8 Sonata Sopra L’ Aria di Ruggiero
Composed By – Salomone Rossi
7:34

9 Gagliarda V Cromatica, La Trabacina
Composed By – Giovanni Maria Trabaci
2:50

10 Canzon No. 7, Cromatica
Composed By – Giovanni Maria Trabaci
3:03

11 Sinfonia No. 11, Pianello
Composed By – Bartolomeo Montalbano
3:01

12 Pastorale
Composed By – Bernardo Storace
11:37

13 Seconde Stravaganze
Composed By – Giovanni de Macque
2:18

Ensemble – L’Amoroso
Harp [Double] – Loredana Gintoli
Liner Notes [Translation] – F. Regina Psaki, Nina Bernfeld, Peter Weber (6)
Organ, Harpsichord – Massimiliano Raschietti
Percussion – Alberto Macchini
Viola da Gamba – Alba Fresno, Jordi Comellas, Santi Mirón
Viola da Gamba, Directed By – Guido Balestracci
Violone – Gioacchino De Padova

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Caravaggio — Os Músicos (1597)

PQP

Pietro Locatelli (1695-1764): L´Art del Violin, op. 3 – Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Andrea Marcon

“L’arte del violino é uma composição musical notável e influente do violinista e compositor barroco italiano Pietro Locatelli. Os doze concertos foram escritos para violino solo, cordas e baixo contínuo e foram publicados em 1733 como a terceira obra do compositor. O estilo virtuoso e a arte presentes no trabalho influenciaram fortemente o violino no século XVIII e cimentaram a reputação de Locatelli como pioneira na técnica moderna de violino.”

Assim esta obra nos é apresentada na Wikipedia: Uma coleção de concertos para violino onde se exploram todos os recursos do instrumento. Pouco conhecidas, se comparadas com seu contemporâneo Antonio Vivaldi, estas obras não são muito interpretadas quanto as do veneziano ilustre, mas nos mostram o que acontecia na Europa naquelas primeiras décadas do século XVIII. Locatelli foi um cidadão do mundo, morou em diversas cidades na Europa, até se estabalecer em Amsterdam, onde veio a falecer, e foi ali que lançou esta coleção. Não as colocaria no mesmo nível das obras de Vivaldi, mas há de se destacar o virtuosismo e a evolução da técnica violinística que eles nos apresentam.

“Cada um dos doze concertos em L’arte del violino contém os três movimentos tradicionais, com a progressão típica de dois movimentos mais rápidos em torno de um movimento médio mais lento e mais contemplativo. Em cada concerto, os dois movimentos externos contêm o que é conhecido como capriccio. Esses capricci, geralmente com duração de vários minutos, podem ser descritos como uma espécie de cadência de violino tocada extemporaneamente, durante a qual o solista tem ampla oportunidade de mostrar sua habilidade com o instrumento. Os intervalos capricci contradizem o formato esperado do concerto solo, ocorrendo antes do ritornello final dos tutti. São esses 24 extraordinários intervalos capricci pelos quais L’arte del violino alcançou sua fama, pois são descritos como “as passagens de violino mais difíceis de toda a literatura barroca”.(Wikipedia)”

Para nos apresentar alguns destes concertos,  temos aqui um dos maiores especialistas em violino barroco da atualidade, Giuliano Carmignola, que creio dispensar apresentações.  O trio Carmignola / Venice Baroque Orchestra / Andrea Marcon já nos proporcionou ótimos momentos com seus já históricos registros das obras de Vivaldi.

Espero que apreciem, e aguardem, pois vem mais Locatelli por aí.

Pietro Locatelli (1695-1764): L´Art del Violin, op. 3 – Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Andrea Marcon

01. Concerto in F Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.10 – I. Allegro
02. Concerto in F Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.10 – Capriccio
03. Concerto in F Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.10 – II. Largo Andante
04. Concerto in F Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.10 – III. Andante
05. Concerto in F Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.10 – Capriccio

06. Concerto in A Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.11 – I. Allegro
07. Concerto in A Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.11 – Capriccio
08. Concerto in A Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.11 – II. Largo
09. Concerto in A Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.11 – III. Andante
10. Concerto in A Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.11 – Capriccio

11. Concerto in C Minor for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.2 – I. Andante
12. Concerto in C Minor for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.2 – Capriccio
13. Concerto in C Minor for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.2 – II. Largo
14. Concerto in C Minor for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.2 – III. Andante
15. Concerto in C Minor for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.2 – Capriccio

16. Concerto in D Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.1 – I. Allegro
17. Concerto in D Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.1 – II. Largo
18. Concerto in D Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.1 – Capriccio
19. Concerto in D Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.1 – III. Allegro
20. Concerto in D Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.1 – Capriccio

Giuliano Carmignola – Baroque Violin
Venice Baroque Orchestra
Andrea Marcon – Conductor

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FDP

Béla Bartók (1881-1945): Quinteto para Piano / Quarteto Nº 1 (Tátrai / Szabó) #BRTK140 Vol. 7 de 29

Béla Bartók (1881-1945): Quinteto para Piano / Quarteto Nº 1 (Tátrai / Szabó) #BRTK140 Vol. 7 de 29

Aqui, toda a coleção.

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Na série BRTK140, já falamos individualmente sobre cada quarteto, então vamos focar no raro Quinteto para Piano. Béla Bartók começou a escrever seu Quinteto para Piano em Berlim, aos 22 anos (outubro de 1903), não muito depois de se formar na Academia Liszt de Budapeste. Esta foi uma época em que sua música estava sob a influência de Richard Strauss e Debussy. Em 1902, Bartók tinha ouvido Also sprach Zarathustra e a impressão recebida por ele era aparente no poema sinfônico recém-concluído, Kossuth. Simultaneamente, Bartók também estava começando a explorar uma linguagem musical nacional como forma de expressar a identidade húngara, e essa tensão entre a tradição clássica europeia e o desejo de forjar algo novo caracteriza grande parte do quinteto. A obra foi concluída no verão de 1904 na Hungria, e apresentada pela primeira vez em Viena, no Ehrbar Saal, em 21 de novembro pelo Prill Quartet, com o próprio compositor assumindo o piano. Como ele comentou em uma carta alguns dias depois a seu professor de piano da Academia, István Thomán: ‘A dificuldade de meu quinteto prejudicou gravemente a primeira apresentação — mas, afinal de contas, de alguma forma ele foi aprovado. O público gostou ao ponto de voltarmos e vezes ao palco.’ As críticas foram amplamente positivas. O crítico do Welt Blatt , no entanto, foi menos gentil, observando que “um talento inconfundível luta com um vício questionável de efeitos distintos, que não raramente são totalmente repulsivos”… O quinteto foi posteriormente revisado e a nova versão foi interpretada pela primeira vez em 7 de janeiro de 1921. Com o passar dos anos, Bartók passou a detestar a peça. Zoltán Kodály pensou que Bartók tinha destruído totalmente a obra. Ela sumiu. Só que foi redescoberta pelo estudioso de Bartók Denijs Dille. Isso em janeiro de 1963. Ela nunca se tornou popular, mas Janine Jansen a ama e é a atual “dona” da peça. Digo que é “dona” porque ela a divulga onde e quando pode com seu enorme talento e 1,85m. É realmente uma obra que não parece ser de Bartók. Talvez o último movimento possua algo de sua voz, mas é só. Eu gosto muito do Quinteto pelo extravasamento de sinceridade juvenil, o que paradoxalmente o torna mais claro para os aficionados e mais obscuro para o público. Estou com Janine nessa. Mas…

A gravação do Tátrai com a pianista Csilla Szabó é ainda melhor. Os húngaros, sabe?

Béla Bartók (1881-1945): Quinteto para Piano / Quarteto Nº 1 (Tátrai / Szabó) #BRTK140 Vol. 7 de 29

1 Piano quintet, BB 33, DD 77 (revised): I. Andante – allegro
piano:
Csilla Szabó
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
Piano Quintet, Sz. 23: I. Andante
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1903 until 1904)
part of:
Piano Quintet, Sz. 23
11:58

2 Piano quintet, BB 33, DD 77 (revised): II. Vivace (Scherzando)
piano:
Csilla Szabó
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
Piano Quintet, Sz. 23: II. Vivace (Scherzando)
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1903 until 1904)
part of:
Piano Quintet, Sz. 23
7:58

3 Piano quintet, BB 33, DD 77 (revised): III. Adagio
piano:
Csilla Szabó
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
Piano Quintet, Sz. 23: III. Adagio
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1903 until 1904)
part of:
Piano Quintet, Sz. 23
10:43

4 Piano quintet, BB 33, DD 77 (revised): IV. Poco a poco più vivace
piano:
Csilla Szabó
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
Piano Quintet, Sz. 23: IV. Poco a poco più vivace
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1903 until 1904)
part of:
Piano Quintet, Sz. 23
7:45

5 String quartet No. 1 in A minor, Sz. 40, BB 52 (Op. 7): I. Lento (attacca)
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 1, Sz. 40, BB 52: I. Lento
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1909)
part of:
String Quartet no. 1, Sz. 40, BB 52
9:33

6 String quartet No. 1 in A minor, Sz. 40, BB 52 (Op. 7): II. Allegretto
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 1, Sz. 40, BB 52: II. Allegretto
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1909)
part of:
String Quartet no. 1, Sz. 40, BB 52
8:49

7 String quartet No. 1 in A minor, Sz. 40, BB 52 (Op. 7): III. [Introduzione] – allegro (attacca)
string quartet:
Tátrai Quartet
recording of:
String Quartet no. 1, Sz. 40, BB 52: Introduzione [Allegro] – III. Allegro vivace
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1909)
part of:
String Quartet no. 1, Sz. 40, BB 52
1:30

8 String quartet No. 1 in A minor, Sz. 40, BB 52 (Op. 7): IV. Allegro vivace
string quartet:
Tátrai Quartet
partial recording of:
String Quartet no. 1, Sz. 40, BB 52: Introduzione [Allegro] – III. Allegro vivace
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1909)
part of:
String Quartet no. 1, Sz. 40, BB 52
10:04

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Bartók em 1919.

PQP

.: interlúdio :. James Carter: Caribbean Rhapsody

.: interlúdio :. James Carter: Caribbean Rhapsody

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Demorei muito para desgrudar desta obra sensacional que é Caribbean Rhapsody. Trata-se de um brilhante álbum do saxofonista James Carter composto e orquestrado por Roberto Sierra e que foi lançado em 2011, um disco excelente que busca uma fusão entre o jazz e o clássico, fazendo-o de forma muito convincente e estimulante. É uma música que desafia aqueles que estão entediados com o comum e o repetitivo. O Concerto para Saxofones e Orquestra (3 movimentos) é um verdadeiro híbrido jazz-clássico e seria puro clássico se não houvesse seções para dar a JC a chance de mostrar suas habilidades de improvisação. O movimento de abertura às vezes soa como se fosse uma peça perdida de Stravinsky. É um belo trabalho que nos coloca em um modo mágico — como no cinema — para apreciar o quadro que está sendo pintado pela mistura de Carter. A combinação de clássico, jazz e de timbres e ritmos latinos ficou esplêndida, tanto no concerto quanto nas 3 outras peças. E a Caribbean Rhapsody é inacreditavelmente linda e MARAVILHOSA!

James Carter: Caribbean Rhapsody

1 Concerto para Saxofones e Orquestra: Rítmico
Composed By – Roberto Sierra
Conductor – Giancarlo Guerrero
Instruments – Sinfonia Varsovia Orchestra*
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – James Carter (3)
4:52

2 Concerto para Saxofones e Orquestra: Tender
Composed By – Roberto Sierra
Conductor – Giancarlo Guerrero
Instruments – Sinfonia Varsovia Orchestra*
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – James Carter (3)
7:04

3 Concerto para Saxofones e Orquestra: Playful – Fast (With Swing)
Composed By – Roberto Sierra
Conductor – Giancarlo Guerrero
Instruments – Sinfonia Varsovia Orchestra*
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – James Carter (3)
7:39

4 Tenor Interlude
Composed By – James Carter (3)
Tenor Saxophone – James Carter (3)
5:34

5 Caribbean Rhapsody
Bass – Kenny Davis
Cello, Leader – Akua Dixon
Composed By – Roberto Sierra
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – James Carter (3)
Viola – Ron Lawrence
Violin [1] – Patrisa Tomasini
Violin [2] – Chala Yancy
Violin [Solo] – Regina Carter
13:37

6 Soprano Interlude
Composed By – James Carter (3)
Soprano Saxophone – James Carter (3)
6:14

Concerto for Saxophones and Orchestra was recorded on 21 December 2009 at the Witold Lutoslawski Concert Studio of Polish Radio in Warsaw, Poland.

Caribbean Rhapsody was recorded on 18 March 2010 at Avatar Studios in New York City.

Tenor Interlude & Soprano Interlude were recorded on 19 March 2010 at Avatar Studios in New York City.

Track 5 features “The Akua Dixon String Quintet” consisting of: Patrisa Tomasini, Chala Yancy, Ron
Lawrence, Akua Dixon, and Kenny Dixon.

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Este James Carter não foi presidente dos EUA.

PQP

Alberto Ginastera (1916-1983): Cello Concertos

dizem que ainda tem até luar no sertão, até capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso (“o progresso é natural”) mas uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de maracujá feito de fruta mesmo (Rubem Braga, 1953).

Rubem Braga e Alberto Ginastera têm alguns elementos em comum: em primeiro lugar, o gosto pelas tradições e folclore de seus países em um século de acelerada modernização, urbanização e introdução do american way of life (american do norte, claro). Em segundo lugar, a oposição a governos que promoveram a mão de ferro essa modernização acelerada, oposição que lhes custou muitas oportunidades, não tenham dúvidas. Rubem Braga foi um crítico feroz de Getúlio Vargas e do regime de 1964, procurem a crônica “Os filhos dos torturadores”, onde ele lamenta a sorte das crianças que vão carregar “aquele rabo sujo de sangue”. Ginastera foi expulso do Conservatório de La Plata ao se opor quando o governo quis batizar o conservatório com o nome de Evita Perón. Depois, na década de 1960, a ópera Bomarzo foi censurada pelo regime militar argentino por motivos de depravação sexual. Ginastera, em resposta, proibiu todas as suas obras de serem tocadas em Buenos Aires naquele período.

É importante notar que Ginastera não se opunha a Perón ou aos generais torturadores porque era de outro partido político. Assim como Rubem Braga (e muito ao contrário de Villa-Lobos, mas isso é outra história), ele sempre se manteve longe da política, o que é bem diferente de ser um isentão em cima do muro. Não hesitava quando se tratava de condenar a censura ou o autoritarismo. Mas o que lhe interessava realmente não era o progresso (cinquenta anos em cinco… a que custo?), era a cultura popular sul-americana, que ele homenageou em obras como Danzas argentinas (1937), Obertura para el Fausto criollo (1943) e Popol Vuh, La creación del mundo maya (1975).

O primeiro concerto para violoncelo e orquestra de Ginastera, composto em 1968 e revisado em 1977, tem três movimentos mas, ao invés de seguir o formato usual de allegro/adagio/allegro, faz uma espécie de arco bartókiano, começando e terminando suave, com um Presto sfumato no meio, que por sua vez tem no centro um Trio notturnale com harpa, que evoca uma serenata, como na sétima sinfonia de Mahler. Como escreveu Ginastera, sua linguagem se caracterizava por “uso de ritmos frenéticos, melodias contemplativas e polifonias veementes, choques repentinos, complexos cromáticos e micro-cromáticos, elementos visionários e alucinatórios e um certo clima misterioso que poderia evocar um espírito associado com a América do Sul.”

O segundo concerto para violoncelo, de 1981 – dois anos antes da morte de Ginastera – é dedicado à violoncelista Aurora Nátola, esposa do compositor, para comemorar seus dez anos de casamento. É um concerto de um homem apaixonado, a partitura tem epígrafes de grandes poetas no início de cada movimento. O coração do concerto é o terceiro movimento, um noturno com citação do poeta Apollinaire, inventor do termo “surrealismo” e morto de gripe espanhola em 1918. Com uma abundância de descrições de luares, sapos, brejos e florestas, esse terceiro movimento termina calmo, dando lugar a uma longa cadência para o violoncelo, com um lirismo que lembra Villa-Lobos, para depois arrematar tudo com um finale rustico.

Aurora Nátola-Ginastera recebeu este último sobrenome em 1971. Antes disso a violoncelista já havia feito seu nome no meio musical. Nascida em Buenos Aires e aluna de Pablo Casals, ela e a orquestra espanhola que a acompanha combinam com esse repertório como o luar combina com o sertão.

Alberto Ginastera (1916-1983)
Cello Concerto No.1,Op.36
1. Adagio molto appassionato
2. Presto sfumato
3. Assai mosso ed esaltato – Largo amoroso

Cello Concerto No.2,Op.50
4. Metamorfosi di un tema
5. Scherzo sfuggevole
6. Nottilucente
7. Cadenza e Finale rustico

Cello – Aurora Natola-Ginastera
Conductor – Max Bragado Darman
Orquesta Sinfónica de Castilla y Leon
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Alberto Ginastera e o gato que pegou emprestado de Edgar Allan Poe

Pleyel

Franz Liszt (1811-1886): Harmonies Du Soir (Nelson Freire)

Franz Liszt (1811-1886): Harmonies Du Soir (Nelson Freire)

Bem, meus caros. Eu não sou a pessoa mais indicada para comentar este disco. Sei de sua alta qualidade artística, mas não consegui ouvir até o final. É muito romantismo para meu coração duro e burro. É tudo muito bonito, mas penso que faltam sangue e música, sobrando ornamentos e virtuosismo. Aliás, esta é uma tola opinião (e agressão beócia) pessoal de quem não aprecia o gênero. É claro que o disco é incensado e todos o elogiam, é claro que trata-se de um real consenso, é claro que há poesia e conteúdo sob a técnica vistosa, mas o que posso fazer se não me dou conta deles? Sim, sei: Nelson Freire é um autêntico gênio. É também uma pessoa modesta e inteligente, cujo virtuosismo e sensibilidade são lendários, mas sabe quando é não pra gente? Pois é. Só que jamais deixaria de postar um disco do qual tantos de vocês fruirão sem dar a mínima para PQP Bach. E ele (o disco) está aí.

Franz Liszt (1811-1886): Harmonies Du Soir (Nelson Freire)

2 Etudes De Concert, S.145
1 No.1 Waldesrauschen 04:00

Années De Pèlerinage: 2ème Année: Italie, S.161
2 Sonetto 104 Del Petrarca 05:57

Valse Oubliée No.1 In F Sharp, S.215
3 Valse Oubliée No.1 In F Sharp, S.215 02:45

Ballade No.2 In B Minor, S.171
4 Ballade No.2 In B Minor, S.171 13:43

Années De Pèlerinage: 1e Année: Suisse, S.160
5 Au Lac De Wallenstadt 02:45

Hungarian Rhapsody No.3 In B Flat, S.244
6 Hungarian Rhapsody No.3 In B Flat, S.244 04:25

6 Consolations, S. 172
7 No. 1 In E Major (Andante Con Moto) 01:42
8 No. 2 In E Major (Un Poco Più Mosso) 02:31
9 No. 3 In D Flat Major (Lento, Placido) 04:22
10 No. 4 In D Flat Major (Quasi Adagio) 02:59
11 No. 5 In E Major (Andantino) 02:21
12 No. 6 In E Major (Allegretto, Sempre Cantabile) 02:11

Harmonies Du Soir
13 Harmonies Du Soir 08:37

Nelson Freire, piano

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Afasta de mim esse tanto de romantismo…

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Partitas para Cravo (Esfahani)

J. S. Bach (1685-1750): Partitas para Cravo (Esfahani)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este álbum duplo é uma joia. É claro que Esfahani tem lá suas idiossincrasias, mas a luz que ele muitas vezes joga sobre a partitura compensa qualquer nariz torcido aqui e ali. Abaixo, coloco uma reportagem do Guardian com ele. Pretendia apenas colocar os primeiros parágrafos biográficos, mas me entusiasmei com o conteúdo humano e traduzi metade do texto. O link está logo a seguir.  

Do The Guardian (parcial)

Mahan Esfahani tinha nove anos quando ouviu um cravo pela primeira vez. Ele e seus pais estavam visitando o Irã, país onde ele nasceu e do qual sua família havia partido para os Estados Unidos cinco anos antes. “Um tio me deu um monte de fitas cassete”, diz ele. “Uma era de Karl Richter [o maestro e cravista alemão] tocando Bach. Bem, eu escutei e pensei: ‘Isso é o que eu tenho que fazer.’ Não quero dizer em termos de carreira. Só pensei que minha vida seria boa na companhia deste instrumento. Achei que conseguiria uma profissão, que é o que todo pai iraniano deseja para seu filho, e que — uma vez que fosse médico ou advogado — poderia comprar um cravo e tocar em casa ”.

Foi como se apaixonar? “Sim, absolutamente foi.” Ele pode descrever como o som disso o fez se sentir? Ele pensa por um momento: é difícil colocar em palavras. “Quando tocava flauta ou violino, o que tocava a sério, era como se tivesse uma mão tapando a minha boca. No segundo em que toquei um cravo, foi como se a mão tivesse sido removida. Este era o som que eu procurava para me expressar. ”

Conduzir esse novo caso de amor não foi fácil nos subúrbios da América (a família morava em Rockville, Maryland). Tudo o que ele podia fazer era pegar emprestado o maior número possível de gravações da biblioteca e praticar piano na esperança de que um dia seus dedos corressem pelo teclado de um cravo. “Mas um fim de semana, quando eu tinha 16 anos, duas grandes coisas aconteceram: fui convidado para minha primeira festa e meu pai comprou um cravo e nós o montamos. Lembro que minha mãe ficou chateada, porque tivemos que mudar um arranjo de flores. ”

Pelos próximos dois anos, ele mexeu neste instrumento, conhecendo-o, aprendendo a afiná-lo, e então ele foi para a Universidade de Stanford, onde deveria estudar medicina, depois direito e história (ele foi mudando de ideia). Na verdade, o que ele fez principalmente foi ficar perto do corpo docente de música. “Comecei a ter aulas de cravo imediatamente. Tocar era tudo que eu queria fazer, o tempo todo. ” Ele persuadiu seus pais a deixá-lo estudar musicologia; prometeu fazer um doutorado e se tornar um acadêmico. Mas quando ele estava pronto para se formar, ele teve outras ideias: “Eu queria tentar essa coisa de cravo”.

Esfahani e eu estamos conversando em uma sala de ensaios no Wigmore Hall, em Londres, onde ele vai tocar, entre outras peças, a Suíte de Bach em Sol Menor. Agora um cravista aclamado com reputação internacional, Esfahani, que nasceu em 1984 , faz parte de uma nova geração de intérpretes que estão ajudando a dar, como disse Alex Ross no New Yorker no ano passado, “um perfil quase hipster para um instrumento que muitas vezes foi estereotipado como arcaico”. Você poderia dizer, então, que “a coisa do cravo” deu certo no final.

E ainda assim, ele está inquieto. A luta, para ele, ainda não acabou. “Cada carreira é apenas uma série eterna de pequenos intervalos”, diz ele. “Tive minhas férias e estou feliz. Mas, em termos de levar o cravo onde ele precisa estar… Isso ainda não aconteceu. Quando as pessoas ouvem a palavra ‘cravo’, sobem a guarda. Você tem que empurrar o lado musical e o lado do envolvimento, é claro. Mas você também tem que atacar dizendo: ‘Vamos, pessoal, desistam desses preconceitos’ também. O cravo é como o menino bonito e elegante da prisão. Ele vai levar uma surra ”.

Ele definitivamente não está errado sobre isso. Dada sua reputação refinada — imagine filhas obedientes em vestidos de musselina com raminhos, ou talvez os tipos sérios que Kingsley Amis descreve na cena madrigal em Lucky Jim — o cravo é um instrumento estranhamente polêmico, um instrumento que divide opiniões. Para alguns, ele sempre trará à mente a melodia temática da Família Addams, uma associação que alguns podem considerar inteiramente apropriada. O maestro Thomas Beecham comparou com o barulho feito por “dois esqueletos copulando em um telhado de zinco”; o compositor John Cage comparou-o a uma máquina de costura.

Mas mesmo aqueles que amam o instrumento estão frequentemente em guerra — mesmo que apenas com eles mesmos. A Terra do Cravo, como Esfahani gosta de chamá-la, é um reino peculiar e às vezes um tanto perverso que há muito é habitado por duas facções: os defensores da música antiga, cuja obsessão é com a autenticidade; e os modernistas, que anseiam por expandir o cânone, na esperança de que o cravo possa encher novamente as maiores salas de concerto. Tudo isso cria um território complicado — a ponto dos cravistas se sentirem levado a se descrever como sofrendo de um “complexo de perseguição”.

Seus problemas são duplos. Primeiro, como ele tem que seduzir aqueles que insistem que preferem ouvir piano, o instrumento que substituiu o cravo ao longo do século XVIII. Em segundo lugar, como ele pode convencer os puristas de que é possível ser tradicionalista e modernista? Esfahani ama Bach, como sabe qualquer pessoa que ouviu sua recente série na Radio 3 sobre o compositor; Bach é o fio de ouro que percorre sua vida. Mas ele também é conhecido, hoje em dia, por tocar música mais moderna: Poulenc, Ligeti, até John Cage (a vingança assume várias formas). “Não posso ser apenas eu mesmo?” Ele pergunta, sua voz aumentando o volume.

Depois de Stanford, ele foi para Boston, onde teve aulas diárias com Peter Watchorn, um especialista em Bach. Watchorn o protegeu, mas não foi um momento feliz. Esfahani e seus pais não estavam se falando. ; ele estava sem dinheiro e recém aceitando sua sexualidade. “Eu não queria sentar no fundo de um conjunto e tocar o contínuo”, diz ele. “Queria ser solista. Mas para fazer isso, eu sabia que tinha que ir para a Europa, e não tinha apoio financeiro nem visto. Acho que a amargura daqueles anos me levou a falar muito mais tarde para a mídia sobre como há desvantagens para as pessoas [na música clássica] se elas não são europeias ou têm a etnia certa. Ainda acredito nisso, mas talvez haja maneiras mais agradáveis ​​de dizer isso.” Ainda assim, ele continuou pressionando. “Você ouve isso o tempo todo: ele é ambicioso. Mas eu tinha que ser.”

O que aconteceu a seguir, entretanto, foi mais o resultado da sorte do que de determinação. Tendo finalmente chegado a Milão — ele respondeu a um anúncio que oferecia a chance de estudar órgão lá — ele então viajou para Londres para tocar em um evento privado. Esteve presente alguém da BBC e, graças a isso, em 2008 tornou-se o primeiro cravista a ser nomeado artista da nova geração da Rádio 3 da BBC . “Foi bizarro”, diz ele. “Porque eu não tinha carreira nenhuma naquela época.” Tudo o que ele fez foi um punhado de recitais.

Ele se mudou para Oxford — outro fato improvável, e tornou-se artista residente no New College — e depois para Londres, onde gravou o máximo possível. “Mas as orquestras da BBC… Eles não queriam fazer concertos de Bach.” Para a BBC Scottish Symphony Orchestra, ele concordou em tocar o concerto para cravo de Poulenc — ele o aprendeu linha por linha — e isso acabou sendo o começo de algo. “Depois de cinco anos, eu tinha tocado a maior parte do repertório contemporâneo e era conhecido como o cara que tocava música nova – algo que só comecei a fazer por necessidade.”

Em 2010, alguém lhe contou sobre um concerto do compositor tcheco Viktor Kalabis, uma “obra-prima” que ele tocou então com a BBC Concert Orchestra. “Kalabis era marido da [cravista] Zuzana Ruzickova. Ela ouviu no rádio e me escreveu para me dar os parabéns. ‘Oh, cara’, pensei. ‘Ela ainda está viva.’ Ela era um ídolo para mim. ” Ruzickova, uma sobrevivente do Holocausto, tocou com o maestro Herbert von Karajan, e entre seus alunos estava Christopher Hogwood, o fundador da Academia de Música Antiga. Esfahani persuadiu-a a ser sua professora. Ela recusou repetidamente (ela tinha câncer) — até que, um dia, depois de ouvi-lo tocar Haydn no piano, ela finalmente cedeu.

Ruzickova mudou tudo para ele. “Tive muita insegurança quando a conheci. Eu não era francês. Eu não era holandês. Eu não era considerado kosher pela comunidade da música antiga. Ela disse: ‘Seja você mesmo.’ ”Ela morreu em 2017, mas Esfahani continua a viver em Praga, uma cidade onde, diz ele, existem cinco grandes orquestras – e onde todos sabem o que é um cravista.

(segue no link acima)

J. S. Bach (1685-1750): Partitas para Cravo (Esfahani)

Partita No 1 in B flat major BWV825[19’07]
CD1
1 Praeludium[1’53]
2 Allemande[3’20]
3 Corrente[3’01]
4 Sarabande[5’44]
5 Menuet I – Menuet II – Menuet I da capo[2’51]
6 Giga[2’18]

Partita No 2 in C minor BWV826[22’15]
7 Sinfonia[5’12]
8 Allemande[5’27]
9 Courante[2’19]
10 Sarabande[3’58]
11 Rondeaux[1’34]
12 Capriccio[3’45]

Partita No 6 in E minor BWV830[32’32]
13 Toccata[8’36]
14 Allemande[4’18]
15 Corrente[4’49]
16 Air[1’07]
17 Sarabande[4’56]
18 Tempo di Gavotta[2’46]
19 Gigue[6’00]

Partita No 3 in A minor BWV827[20’52]
CD2
20 Fantasia[2’33]
21 Allemande[3’46]
22 Corrente[3’02]
23 Sarabande[4’28]
24 Burlesca[2’15]
25 Scherzo[1’26]
26 Gigue[3’22]

Partita No 4 in D major BWV828[31’53]
27 Ouverture[6’24]
28 Allemande[10’18]
29 Courante[3’31]
30 Aria[2’18]
31 Sarabande[4’04]
32 Menuet[1’18]
33 Gigue[4’00]

Partita No 5 in G major BWV829[21’47]
34 Praeambulum[2’24]
35 Allemande[4’20]
36 Corrente[2’07]
37 Sarabande[4’52]
38 Tempo di Minuetta[1’53]
39 Passepied[1’53]
40 Gigue[4’18]

Mahan Esfahani, cravo

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Esfahani enquanto esperava sua picanha no PQP Bar,

PQP

Béla Bartók (1881-1945): 44 duos para 2 violinos / Sonata para 2 Pianos e Percussão (Szűcs, Wiłkomirska, Kocsis, Dezső) #BRTK140 Vol. 6 de 29

Béla Bartók (1881-1945): 44 duos para 2 violinos / Sonata para 2 Pianos e Percussão (Szűcs, Wiłkomirska, Kocsis, Dezső) #BRTK140 Vol. 6 de 29

Aqui, toda a coleção.

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu amo os 44 duos de Bartók. Ouço-os há anos com sempre renovado prazer. Os 44 duos para dois violinos, Sz. 98, BB 104 são uma série de duetos compostos em 1931 por Béla Bartók. O compositor não pretendia que esta obra fosse tornar-se peça de concerto como se tornou eventualmente, mas sim uma obra útil para jovens estudantes. A obra foi encomendada por Erich Doflein, violinista e professor alemão, que perguntou a Bartók se ele arranjaria algumas das peças da série Para Crianças. Ele compôs outras obras neste período que pretendiam ser pedagógicas, como Mikrokosmos. Todas as canções e danças incluídas nesta série são baseadas na música folclórica de muitos países da Europa Oriental , mas a liberdade harmônica e rítmica é evidente em toda a peça. Em 1936, Bartók arranjou 6 dessas duos para piano, sob o título Petite Suite. Este trabalho está dividido em quatro livros, e a série avança em dificuldade. O primeiro e o segundo livro devem ser adequados para um aluno de nível básico, enquanto o terceiro livro é para um nível intermediário e o quarto livro para um nível avançado.

Só que amo ainda mais a extraordinária Sonata para 2 Pianos e Percussão, uma das obras-primas e fundamentais de Bartók. A Sonata para Dois Pianos e Percussão , Sz. 110, BB 115, foi escrita por Béla Bartók em 1937. Ela foi estreada pelo compositor e sua segunda esposa, Ditta Pásztory-Bartók, aos pianos, com os percussionistas Fritz Schiesser e Philipp Rühlig, A data de estreia foi 16 de janeiro de 1938, em Basel, Suíça, onde recebeu críticas entusiasmadas. Bartók e sua esposa também tocaram as partes de pianos na estreia norte-americana, que teve lugar em Nova York, com os percussionistas Saul Goodman e Henry Deneke. Desde então, tornou-se uma das obras mais executadas de Bartók. A partitura requer quatro intérpretes: dois pianistas e dois percussionistas, que tocam sete instrumentos entre eles: tímpanos, bumbo, pratos , triângulo, caixa, tam-tam e xilofone. Na partitura publicada, o compositor fornece instruções altamente detalhadas para os percussionistas, estipulando, por exemplo, qual parte de um prato suspenso deve ser batido com que tipo de baqueta. Ele também fornece instruções precisas para o posicionamento dos quatro intérpretes e seus instrumentos.

É uma verdadeira obra-prima que, em 1940, por sugestão de seu editor e agente, Bartók orquestrou, criando o Concerto para Dois Pianos, Percussão e Orquestra. Mas ouvir a Sonata é melhor, garanto-lhes. As partes dos quatro solistas permanecem basicamente inalteradas. A estreia mundial foi no Royal Albert Hall, em Londres, em um concerto da Royal Philharmonic Society em 14 de novembro de 1942, com os percussionistas Ernest Gillegin e Frederick Bradshaw, os pianistas Louis Kentner e Ilona Kabos, e a Orquestra Filarmônica de Londres, dirigida por Sir Adrian Boult. O compositor e Ditta Pásztory-Bartók foram solistas de piano em uma apresentação desta versão em Nova York em janeiro de 1943, com a Filarmônica de Nova York sob Fritz Reiner. Esta foi a última aparição pública de Bartók como pianista. Ele morreu de leucemia em 1945.

Béla Bartók (1881-1945): 44 duos para 2 violinos / Sonata para 2 Pianos e Percussão (Szűcs, Wiłkomirska, Kocsis, Dezső) #BRTK140 Vol. 6 de 29

1 Fourty-four duos for 2 violins, Sz. 98, BB 104: Volume 1: I. Párosító / II. Kalamajkó / III. Menuetto / IV. Szentivánéji
violin:
Mihály Szűcs (Hungarian violinist) and Wanda Wiłkomirska (violinist)
partial recording of:
44 Duos for Two Violins, Sz. 98, BB 104
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1931)
part of:
Béla Bartók’s Works (BB) (number: BB 104) and Bartók Béla válogatott zenei írásai (number: Sz. 98)
3:33

2 Fourty-four duos for 2 violins, Sz. 98, BB 104: Volume 1: V. Tót nóta 1. / VI. Magyar nóta 1. / VII. Oláh nóta / VIII. Tót nóta 2. / IX. Játék
violin:
Mihály Szűcs (Hungarian violinist) and Wanda Wiłkomirska (violinist)
partial recording of:
44 Duos for Two Violins, Sz. 98, BB 104
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1931)
part of:
Béla Bartók’s Works (BB) (number: BB 104) and Bartók Béla válogatott zenei írásai (number: Sz. 98)
4:42

3 Fourty-four duos for 2 violins, Sz. 98, BB 104: Volume 1: X. Rutén nóta / XI. Gyermekrengetéskor / XII. Szénagyûjtéskor / XIII. Lakodalmas / XIV. Párnás tánc
violin:
Mihály Szűcs (Hungarian violinist) and Wanda Wiłkomirska (violinist)
partial recording of:
44 Duos for Two Violins, Sz. 98, BB 104
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1931)
part of:
Béla Bartók’s Works (BB) (number: BB 104) and Bartók Béla válogatott zenei írásai (number: Sz. 98)
5:54

4 Fourty-four duos for 2 violins, Sz. 98, BB 104: Volume 2: XV. Katonanóta / XVI. Burleszk / XVII. Menetelõ nóta 1. / XVIII. Menetelõ nóta 2.
violin:
Mihály Szűcs (Hungarian violinist) and Wanda Wiłkomirska (violinist)
partial recording of:
44 Duos for Two Violins, Sz. 98, BB 104
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1931)
part of:
Béla Bartók’s Works (BB) (number: BB 104) and Bartók Béla válogatott zenei írásai (number: Sz. 98)
3:40

5 Fourty-four duos for 2 violins, Sz. 98, BB 104: Volume 2: XIX. Mese / XX. Dal / XXI. Újévköszöntõ 1. / XXII. Szúnyogtánc / XXIII. Menyasszony-búcsúztató / XXIV. Tréfás nóta / XXV. Magyar nóta 2.
violin:
Mihály Szűcs (Hungarian violinist) and Wanda Wiłkomirska (violinist)
partial recording of:
44 Duos for Two Violins, Sz. 98, BB 104
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1931)
part of:
Béla Bartók’s Works (BB) (number: BB 104) and Bartók Béla válogatott zenei írásai (number: Sz. 98)
8:45

6 Fourty-four duos for 2 violins, Sz. 98, BB 104: Volume 3: XXVI. “ugyan édes komámasszony…” / XXVII. Sánta tánc / XXVIII. Bánkódás / XXIX. Újévköszöntõ 2. / XXX. Újévköszöntõ 3. / XXXI. Újévköszöntõ 4.
violin:
Mihály Szűcs (Hungarian violinist) and Wanda Wiłkomirska (violinist)
partial recording of:
44 Duos for Two Violins, Sz. 98, BB 104
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1931)
part of:
Béla Bartók’s Works (BB) (number: BB 104) and Bartók Béla válogatott zenei írásai (number: Sz. 98)
5:59

7 Fourty-four duos for 2 violins, Sz. 98, BB 104: Volume 3: XXXII. Máramarosi tánc / XXXIII. Aratáskor / XXXIV. Számláló nóta / XXXV. Rutén kolomejka / XXXVI. Szól a duda 2.
violin:
Mihály Szűcs (Hungarian violinist) and Wanda Wiłkomirska (violinist)
partial recording of:
44 Duos for Two Violins, Sz. 98, BB 104
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1931)
part of:
Béla Bartók’s Works (BB) (number: BB 104) and Bartók Béla válogatott zenei írásai (number: Sz. 98)
6:31

8 Fourty-four duos for 2 violins, Sz. 98, BB 104: Volume 4: XXXVII. Prelúdium és kánon / XXXVIII. Forgatós / XXXIX. Szerb tánc / XL. Oláh tánc
violin:
Mihály Szűcs (Hungarian violinist) and Wanda Wiłkomirska (violinist)
partial recording of:
44 Duos for Two Violins, Sz. 98, BB 104
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1931)
part of:
Béla Bartók’s Works (BB) (number: BB 104) and Bartók Béla válogatott zenei írásai (number: Sz. 98)
5:07

9 Fourty-four duos for 2 violins, Sz. 98, BB 104: Volume 4: XLI. Scherzo / XLII. Arab dal / XLIII. Pizzicato / XLIV. Erdélyi tánc
violin:
Mihály Szűcs (Hungarian violinist) and Wanda Wiłkomirska (violinist)
partial recording of:
44 Duos for Two Violins, Sz. 98, BB 104
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1931)
part of:
Béla Bartók’s Works (BB) (number: BB 104) and Bartók Béla válogatott zenei írásai (number: Sz. 98)
5:20

10 Sonata for 2 pianos & 2 percussion, Sz. 110, BB 15: I. Assai lento – allegro molto
piano:
Zoltán Kocsis (pianist) and Ránki Dezső
recording of:
Sonata for 2 Pianos and Percussion, Sz. 110, BB 115: I. Assai lento
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1937)
part of:
Sonata for 2 Pianos and Percussion, Sz. 110, BB 115
12:30

11 Sonata for 2 pianos & 2 percussion, Sz. 110, BB 15: II. Lento ma non troppo
piano:
Zoltán Kocsis (pianist) and Ránki Dezső
recording of:
Sonata for 2 Pianos and Percussion, Sz. 110, BB 115: II. Lento, ma non troppo
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1937)
part of:
Sonata for 2 Pianos and Percussion, Sz. 110, BB 115
6:12

12 Sonata for 2 pianos & 2 percussion, Sz. 110, BB 15: III. Allegro non troppo
piano:
Zoltán Kocsis (pianist) and Ránki Dezső
recording of:
Sonata for 2 Pianos and Percussion, Sz. 110, BB 115: III. Allegro non troppo
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1937)
part of:
Sonata for 2 Pianos and Percussion, Sz. 110, BB 115

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Bartók em 1917

PQP

Lili Boulanger (1893-1918): Psalms 24, 129 & 130 · Vieille Prière bouddhique | Igor Stravinsky (1882-1971): Symphony of Psalms (Gardiner)

Lili Boulanger (1893-1918): Psalms 24, 129 & 130 · Vieille Prière bouddhique | Igor Stravinsky (1882-1971): Symphony of Psalms (Gardiner)

Um bom disco. Bem barulhento também… A música (ou a religiosidade) de Lili Boulanger é austera e hierática. A de Stravinsky é muito mais ágil, rítmica e profana. Ele é bem melhor do que ela, ao menos nestas obras. John Eliot Gardiner é um dos maestros corais supremos, e tem sido interessante ouvi-lo em obras mais recentes do repertório coral. O equilíbrio de clareza e fervor que ele traz para a Sinfonia dos Salmos de Stravinsky enfatiza suas misturas de cores instrumentais e corais. Tudo muito original. Esta é a melhor gravação da peça desde Maazel, penso eu, e uma das melhores de sempre. A música de Lili Boulanger é um complemento adequado em todos os níveis, e Gardiner oferece total impacto emocional com leituras expansivas que demonstram a qualidade e a importância dessas obras.

Lili Boulanger (1893-1918): Psalms 24, 129 & 130 · Vieille Prière bouddhique | Igor Stravinsky (1882-1971): Symphony of Psalms (Gardiner)

Lili Boulanger (1893-1918)
1 Psaume 24 For Chorus, Organ And Orchestra 3:54
2 Psaume 129 For Chorus And Orchestra 7:31
3 Vieille Prière Bouddhique For Tenor, Chorus And Orchestra 8:27
4 “Du Fond De L’abime” (Psaume 130) For Contralto, Tenor, Chorus, Organ And Orchestra 27:26

Igor Stravinsky (1882-1971)
5-7 Symphony Of Psalms For Chorus And Orchestra On Texts From Psalms 38, 39 And 150 20:18

Choir – The Monteverdi Choir
Composed By – Igor Stravinsky, Lili Boulanger
Conductor – John Eliot Gardiner
Mezzo-soprano Vocals – Sally Bruce-Payne
Orchestra – The London Symphony Orchestra
Tenor Vocals – Julian Podger

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PQP

Robert Schumann (1810-1853) – Cello Concerto in A Minor, op. 129, Piano Trio No. 1 in D Minor, Op. 63 – Queyras, Faust, Melnikov, Freiburger Barockorchester, Heras-Casado

Concluo essa série com uma dor no coração mas feliz, era um projeto antigo, que finalmente vingou, nestas idas e vindas que a vida dá.

O responsável aqui é o ótimo violoncelista Jean-Guillén Queyras, um dos nossos favoritos. É a juventude trazendo novos ares a estas obras tão batidas e gravadas, um sopro de novidade e vitalidade. Amo esse Concerto, já o conheço a incontáveis eras, já o trouxe com medalhões como Pierre Fournier, János Stárker, Rostropovich, e sei lá quantos mais. Mas volto a lembrar-lhes que muito tempo se passou desde que aqueles velhos mestres nos deixaram e ao mesmo tempo deixaram a responsabilidade sobre os ombros dessa nova geração (bem, nem tão nova assim, Queyras nasceu em 1967). Mas sua versatilidade, talento e virtuosismo se destacam e nos trazem um Schumann revitalizado. Vale a pena conferir.

A Freiburger Barockorchester traz uma nova dinâmica aos concertos que eu trouxe nessa série, nos fazendo mudar de perspectiva, acostumados que estamos aos grandes conjuntos orquestrais. Meu comentário na postagem anterior do Concerto para Piano, sobre a falta de sangue, suor e lágrimas mais do que nunca também se aplica aqui, afinal trata-se de uma obra que é do ápice do Romantismo. Mas ao mesmo tempo, tento esquecer os grandes conjuntos orquestrais por um momento, e me concentro mais na narrativa linear, segura e correta que o espanhol Heras – Casado (nome cuja sonoridade pode remeter a algumas interpretações irônicas em nosso idioma) imprime à orquestra. Não por acaso é um dos grande nomes da regência na atualidade.

Minha opinião sobre o conjunto da obra? Podem baixar, mas se preparem para alguns sustos, principalmente os de minha geração, já que, exatamente por sermos de outra geração, nossos ouvidos se acostumaram a outras sonoridade e técnicas de interpretação. Mas a essência continua ali.

01. Cello Concerto in A minor, Op. 129- I. Nicht zu schnell
02. Cello Concerto in A minor, Op. 129- II. Langsam
03. Cello Concerto in A minor, Op. 129- III. Sehr lebhaft

Jean-Guilhen Queyras – Cello
Freiburger Baroqueorchester
Pablo Héras-Casado – Condutor

04. Piano Trio No. 1 in D Minor, Op. 63- I. Mit Energie und Leidenschaft
05. Piano Trio No. 1 in D Minor, Op. 63- II. Lebhaft, Doch nicht zu rasch
06. Piano Trio No. 1 in D Minor, Op. 63- III. Langsam, mit inniger Empfindung
07. Piano Trio No. 1 in D Minor, Op. 63- IV. Mit Feuer

Isabelle Faust – Violin
Alexander Melnikov – Piano
Jean-Guilhen Queyras – Cello

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Jean-Guilhen Queyras, Isabelle Faust e Alexander Melnikov no salão de Ensaios do PQPBach Hall em Hamburgo.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 1, Op. 21 e Sinfonia No. 3, Op. 55 (Eroica) – Mravinsky

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 1, Op. 21 e Sinfonia No. 3, Op. 55 (Eroica) – Mravinsky

Primeiramente, quero afirmar que há motivos de sobra para que você baixe e saia ouvindo esse CD imediatamente. (1) Temos a presença de Evgeny Mravinsky, um dos maiores e melhores regentes do século XX. Se a obra de Beethoven possui sisudez, seriedade, com Mravinsky essa característica chega a paroxismos. (2) A Sinfonia no. 1 é o trabalho de um Beethoven ainda jovem, mas capaz de proezas. Vemos nela todo rigor e maturidade que seria revelada na Terceira, na Quinta, na Sétima e na Nona, sendo que esta última é a vida transfigurada, a subida ao paraíso. A Sinfonia No. 1 possui belos momentos de reflexão, de seriedade e alegria. (3) Já a Terceira Sinfonia é um tratado moral, um livro cuja metafísica é o próprio mundo interior de Beethoven. A Marcha Fúnebre do segundo movimento sugere seriedade, meditação, crença no homem e toda sorte de idealismos possíveis. Tudo isso sendo construído com paisagens de silêncio. Música medíocre nos leva ao barulho, aos piores instintos; a boa música, por sua vez, nos remete ao silêncio. Convido você a baixar sua cabeça e meditar com Beethoven. Bom deleite!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 1, Op. 21 e Sinfonia No. 3, Op. 55 (Eroica) – Mravinsky

Sinfonia No. 1 in C major, Op. 21

01. Adagio molto: Allegro con brio
02. Andante cantabile con moto
03. Menuetto: Allegro molto e vivace
04. Adagio; Allegro molto e vivace

Sinfonia No. 3 em Mi bemol maior, Op. 55 – “Heróica”
05. Allegro con brio
06. Marcia funebre: Adagio assai
07. Scherzo: Allegro vivace
08. Finale: Allegro molto

Leningrad Philharmonic Orchestra
Evgeny Mravinsky, regente

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Mravinsky não tinha o hábito de sorrir. Mesmo nas fotos onde todos se arreganham, ele aparece putaço.

Carlinus

Robert Schumann (1810-1853) – Concerto para Piano in A Minor, Op. 54, Piano Trio No. 2 in F Major, Op. 80 – Melnikov, Faust, Queyras, Heras-Casado, Freiburger Barockorchester

Dando prosseguimento a esta bela e interessante série do selo Harmonia Mundi, hoje trago o maravilhoso Concerto para Piano em Lá Menor, op. 54, uma das obras mais gravadas e executadas na história da indústria fonográfica. E também um dos Concertos para Piano mais conhecidos. Adoro seu movimento final, sua força, seu brilho, um legítimo Allegro vivace. Já ouvi este Concerto dezenas, quiçá centenas de vezes, e meus intérpretes favoritos são Rubinstein dentre os Jurássicos, como René Denon classifica as gravações com mais de cinquenta anos, a divina Martha Argerich, que nosso incansável mestre Vassily postou dia destes,  e o introspectivo Radu Lupu. Estes músicos tem como característica principal uma total e completa entrega, se jogando de corpo e alma, extraindo da obra toda a sua intensidade.

Em minha modesta opinião, Alexander Melnikov peca neste quesito, talvez por entender que em uma interpretação historicamente informada não caberia se expor tanto. Ouçam o que qualquer um dos pianistas citados acima fazem no Allegro vivace citado. E a orquestra idem. É uma explosão de energia, de vitalidade. Aqui, o resultado me soou um tanto quanto mecânico, sem a vitalidade necessária. Mas se trata de uma opinião pessoal. Há quem prefira este tipo de interpretação.

Schumann compôs seu concerto meio que aos trancos e barrancos, e sua estreia ocorreu em 4 de dezembro de 1845, sendo sua esposa Clara a solista e Ferdinand Hiller, a quem o Concerto seria dedicado, o condutor. Imediatamente a obra foi saudada como a principal já composta por Schumann, e já considerada uma obra prima.

Em se tratando de gravação do selo Harmonia Mundi, a qualidade da gravação sempre é excepcional, e o booklet altamente informativo. Recomendo fortemente sua leitura.

Robert Schumann (1810-1853) – Concerto para Piano in A Minor, Op. 54, Piano Trio No. 2 in F Major, Op. 80 – Melnikov, Faust, Queyras, Heras-Casado, Freiburger Barockorchester

01 – Piano Concerto in A Minor, Op. 54- I. Allegro affetuoso
02 – Piano Concerto in A Minor, Op. 54- II. Intermezzo. Andantino grazioso
03 – Piano Concerto in A Minor, Op. 54- III. Allegro vivace

Alexander Melnikov – Piano
Freiburger Barockorchester
Pablo Heras-Casado – Condutor

04 – Piano Trio No. 2 in F Major, Op. 80- I. Sehr lebhaft
05 – Piano Trio No. 2 in F Major, Op. 80- II. Mit innigem Ausdruck
06 – Piano Trio No. 2 in F Major, Op. 80- III. In mäßiger Bewegung
07 – Piano Trio No. 2 in F Major, Op. 80- IV. Nicht zu rasch

Alexander Melnikov – Piano
Isabelle Faust – Violino
Jean-Guihen Queyras – Violoncelo

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FDP

Bach/Busoni, Mendelssohn, Schubert/Liszt: Canções sem Palavras (Songs Without Words — Perahia)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Escrevo este textinho em 12 de junho, Dia dos Namorados, mas ele está programado para ir ao ar lá em 5 de julho, data em que está marcada a segunda dose de minha amada AstraZeneca, além de ser a dia de aniversário de minha mãe — ela faria 94 anos — e daquela pessoa que posso chamar de meu melhor amigo. Todas datas especiais, portanto. O disco do esplêndido Murray Perahia não tem nada a ver com isso. Mas é um bom disco, um disco, antes de tudo, inteligente. Ele explora os vários pontos fortes de Perahia. Estas peças exigem acima de tudo a capacidade de projetar e sustentar uma linha de canto, de moldar e dar forma a um som belo e cheio de nuances e de evocar a atmosfera de cada inspiração poética. Em suma, eles exigem um pianista com a sensibilidade e o temperamento de Perahia. Os Prelúdios Corais de Bach/Busoni são tocados com andamentos inteiramente naturais, não tão fúnebres como Nikolai Demidenko, mas nunca permitindo que os acompanhamentos, por mais floreados que sejam, soem apressados ​​ou agitados. Na seleção de canções de Mendelssohn, Perahia jamais chafurda nas peças mais lentas — um pecado comum em pianistas que as interpretam. Ele consegue trazer um sorriso ao nosso rosto com o final espirituoso. De todas essas riquezas, no entanto, eu estava mais interessado nas transcrições das canções de Schubert/Liszt. Perahia, um schubertiano natural e pianista de calor e pureza lírica, parece-me um candidato óbvio para esses arranjos maravilhosos e os resultados são sempre envolventes. A poesia pura deste disco é algo para se alegrar e a arte de Perahia brilha em cada compasso.

Bach/Busoni, Mendelssohn, Schubert/Liszt: Canções sem Palavras (Songs Without Words — Perahia)

Johann Sebastian Bach / Ferruccio Busoni
1 “Wachet Auf, Ruft Uns Die Stimme,” BWV 645 3:24
2 “Nun Komm, Der Heiden Heiland,” BWV 659 4:14
3 “Nun Freut Euch, Lieben Christen,” BWV 734 2:03
4 “Ich Ruf’ Zu Dir, Herr Jesu Christ,” BWV 639 3:04

Felix Mendelssohn
Lieder Ohne Worte
5 Opus 19, No. 3 2:07
6 Opus 67, No. 2 1:57
7 Opus 30, No. 4 2:27
8 Opus 19, No. 1 3:14
9 Opus 19, No. 5 2:13
10 Opus 30, No. 6 2:54
11 Opus 38, No. 3 2:13
12 Opus 102, No. 5 1:12
13 Opus 38, No. 2 1:58
14 Opus 30, No. 2 1:57
15 Opus 67, No. 1 2:02
16 Opus 38, No. 6 3:08
17 Opus 67, No. 4 1:43
18 Opus 53, No. 4 2:25
19 Opus 62, No. 2 1:47

Franz Schubert / Franz Liszt
20 “Auf Dem Wasser Zu Singen” 3:52
21 “In Der Ferne” 6:35
22 “Ständchen” 5:17
23 “Erlkönig” 4:28

Murray Perahia, piano

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OK, Murray eu sei dizer, mas e Perahia?

PQP

Robert Schumann (1810-1856) – Concerto para Violino, WoO 1, Trio para Piano nº3, op. 110 – Faust, Melnikov, Queyras, Heras-Casado, Freiburger Barockorchester

Era desejo deste que vos escreve postar esta série já há muito anos, porém, pelos mais diversos  motivos, acabei esquecendo, e os CDs se perderam na bagunça de meu acervo. Lembro como fiquei entusiasmado com este projeto, afinal, três jovens instrumentistas se reuniam para apresentar uma nova leitura principalmente dos Concertos para Piano e para Violoncelo, interpretados sob a ótica das interpretações historicamente informadas. Não que fosse uma novidade para mim, lembrando da gravação que Phillippe Herreweghe fez destes dois concertos com dois outros experientes nomes desta escola, Christopher Coin e Andreas Staier, CD que também postei já  há mais de uma década.

Começo trazendo o primeiro CD da série, com uma de minhas violinistas favoritas, Isabelle Faust, interpretando o Concerto para Violino, que tem uma história incrível, que contarei mais abaixo. Faust se estabeleceu nos últimos anos como uma das principais violinistas da atualidade, realizando gravações altamente elogiosas, que sempre que posso, trago para os senhores. Lembro aqui dos Concertos para Violino de Mozart que já na primeira audição identifiquei como uma das melhores gravações que já escutara daquelas obras, e tanto acertei que ela ganhou diversos prêmios, entre eles, o da prestigiosa revista Gramophone. Recentemente lançou mais um volume da série de Sonatas para Violino do mesmo Mozart, ao lado de seu parceiro Alexander Melnikov, CD que pretendo trazer assim que possível. E sempre pelo selo ‘Harmonia Mundi’, o que por si só já é garantia de qualidade.

Joseph Joachin

Mas vamos contar a história do Concerto, muito curiosa, por sinal. Sabe-se que Robert Schumann era muito amigo de Joseph Joachim, o maior violinista de seu tempo, e também amigo de Brahms, mas isso é outra história. Conhecedor do talento de Robert, Joachim encomendou-lhe um Concerto para Violino, que gostaria de estrear. Eis um trecho da carta que o violinista mandou:

“Que o exemplo de Beethoven o inspire a produzir de sua ampla loja uma obra para os pobres violinistas, que, além da música de câmara, tão cruelmente carecem de composições edificantes para seu instrumento, ó maravilhoso guardião dos tesouros mais ricos!’

Schumann à época estava envolvido na composição de uma Fantasia também para Violino e Orquestra, porém aceitou a encomenda. Concluiu a respectiva Fantasia, e sua estreia foi um sucesso. E logo se envolveu na composição do Concerto, que concluiu e entregou a Joaquin, que já não demonstrava o mesmo interesse e entusiasmo anteriores. O texto abaixo foi livremente traduzido do booklet que acompanha o CD:

“Mas desta vez Joachim mostrou menos entusiasmo: embora ele tenha empreendido alguns ensaios com sua orquestra da corte de Hanover na presença do compositor, ele finalmente abandonou o projeto quando Schumann renunciou ao cargo de regente em Düsseldorf no final de outubro de 1853 em resposta à pressão da orquestra. A longa história de estigmatização fatal começou. Após a morte de Schumann, e em acordo com os desejos de sua viúva Clara, que se opôs firmemente à publicação do concerto como parte da edição completa de suas obras, o manuscrito foi transferido para a posse de Joachim. Mas ele também continuou a retê-lo, supostamente por acreditar que poderia detectar nele sinais de fraqueza composicional, que indicavam a incipiente doença psicológica de Schumann, um “certo cansaço” onde ele identificou um “contraste perturbador” com o resto da produção de seu amigo. Com a intenção, sem dúvida, bem intencionada de proteger a reputação artística de Schumann, Joachim deu um passo além e deixou instruções em seu testamento de que a peça não deveria ser executada nem publicada nos próximos cem anos. (…)”

Enfim, a obra ficou guardada com um editor, porém em 1937 foi publicada sob os auspícios de Joseph Goebbels, o temido chefe da GESTAPO, lembrando que os nazistas haviam banido o conhecidíssimo Concerto de Mendelssohn, pois esse  tinha sangue judeu. A idéia era usar esse Concerto de Schumann como um elo de ligação entre o Concerto de Beethoven e o de Brahms, ignorando desta forma o de Mendelssohn. A obra foi estreada em novembro de 1937 pelo violinista Georg Kulenkampff, acompanhado pela Filarmônica de Berlim dirigida por Karl Böhm. Yehudi Menuhin a estreou em 1938, junto à Filarmônica de Nova Iorque, dirigida pelo maestro inglês John Barbirolli.

Não sou muito fã deste Concerto, o considero inconcluso, com muitas ideias esparsas, e nenhum norte, mas enfim, para quem não o conhece, ei-lo aí, nas mãos muito bem treinadas de Isabelle Faust, acompanhada pela Freiburger Barockorchester. A atitude de Joachin foi correta ao esconder a partitura? Não sei se após quase 170 anos possamos julgá-lo, nem a própria Clara, que melhor que ninguém conhecia as composições do marido. Com certeza, ao lado dos Concertos para Violoncelo e para Piano podemos considerar obra de menor qualidade.

PAra compensar, temos o Trio para Piano nº3, este sim, uma obra prima. Isabelle Faust tem como parceiros nesta obra o pianista Alexander Melnikov e o violoncelista Jean-Guilhen Queyras. Um trio de respeito, diga-se de passagem.

1. Violin Concerto in D Minor – I. In kräftigem, nicht zu schnellem  Tempo
2. Violin Concerto in D Minor – II. Langsam
3. Violin Concerto in D Minor – III. Lebhaft, doch nicht schnell
4. Piano Trio No. 3 in G Minor, Op. 110 – I. Bewegt, doch nicht zu rasch
5. Piano Trio No. 3 in G Minor, Op. 110 – II. Ziemlich langsam
6. Piano Trio No. 3 in G Minor, Op. 110 – III. Rasch
7. Piano Trio No. 3 in G Minor, Op. 110 – IV. Kräftig, mit Humor

Isabele Faust – Violino
Alexander Melnikov – Piano
Jean-Guilhen Queyras – Violoncelo
Freiburger Barockorchester
Pablo Heras-Casado – Condutor

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J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Órgão, BWV 592 – 596 – Simon Preston ֍

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Órgão, BWV 592 – 596 – Simon Preston ֍

Bach

Concertos para Órgão

Simon Preston

 

 

A história de hoje tem um príncipe que morreu jovem, na flor da idade, como se costumava dizer. Ele tinha tudo para passar essencialmente anônimo para a posteridade, mas a sorte o colocou em contato com o genial Johann Sebastian Bach. Em troca, ele colocou Bach em contato com outro tipo de genial compositor, que morava mais ao sul, na bem mais ensolarada e colorida Veneza.

O príncipe Johann Ernst von Sachsen-Weimar era sobrinho do Duque Wilhelm Ernst, patrão de Bach em sua estada em Weinmar entre 1708 e 1717.

Johann Ernst era um talentoso músico e foi aluno de Johann Gottfried Walther, organista de Weinmar e aparentado de Bach. Em 1711, Ernst foi estudar na Universidade de Utrecht, na Holanda, onde ouviu organistas tocando transcrições para órgão de concertos de compositores italianos, cujas publicações eram feitas na Holanda.

Ao retornar a Weinmar, Johann Ernst levou consigo vários destes concertos que a seu pedido foram transcritos para cravo ou para órgão por Walther e por Bach.

Neste disco, um dos que ainda tenho das gravações para órgão feitas por Simon Preston para a Deutsche Grammophon, temos 4,3333… concertos transcritos por Bach para órgão. Há três que eram originalmente de Vivaldi (as indicações dos concertos originais estão logo a seguir, na relação das faixas) e um concerto e um movimento de concerto que foram originalmente compostos pelo jovem e talentoso príncipe. Lamentavelmente, ao fim de 1713 o príncipe adoeceu e morreu perto de um ano depois.

É possível que Bach entrasse em contato com a música de Vivaldi e de outros compositores italianos mesmo que não tivesse conhecido o príncipe, mas gosto de pensar que o mesmo ajudou nisto e maior tributo do que ter suas próprias obras (mesmo que mais modestas do que as do mestre italiano) transcritas por Bach não pode haver.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto para Órgão em ré menor, BWV 596

(Transcrição do Concerto Op. 3, No. 11 em ré menor, RV 565, de Vivaldi)

  1. […]
  2. Grave
  3. Fuga
  4. Largo e spiccato
  5. […]

Concerto para Órgão em lá menor, BWV 593

(Transcrição do Concerto Op. 3, No. 8 em lá menor, RV 522, de Vivaldi)

  1. […]
  2. Adagio
  3. Allegro

Concerto para Órgão em dó maior, BWV 594

(Transcrição do Concerto ‘Grosso Mogul’, em ré maior, RV 208, de Vivaldi)

  1. […]
  2. Adagio
  3. Allegro

Concerto em sol maior, BWV 592

(Transcrição do Concerto em sol maior, do Príncipe Johann Ernst)

  1. […]
  2. Grave
  3. Presto

Concerto em dó maior, BWV 595

(Transcrição do Primeiro Movimento do Concerto em dó maior, do Príncipe Johann Ernst)

  1. […]

Simon Preston, órgão

(Catedral de Lübeck)

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MP3 | 320 KBPS | 129 MB

Simon antes de testar o Grande Órgão do PQP Bach Concert Hall de Nova Holanda

A crítica deste disco em uma das edições do Penguin Guide é bem ‘inglesa’: It was Prince Johann Ernst who introduce Bach to the Italian string concertos; […] The two Ernst works show a lively and inventive if not original musicianship. The performances are first class and the recording admirably lucid and clear, yet with an attractively resonant ambience.

Órgão da Catedral de Lübeck em foto de 1970

Está esperando o que, ande, aproveite, é primeira classe…

René Denon